Comentários Ougimanais pt.2 #1 – Mayoi Hell

Mayoi Hell

O inferno pra qual eu gostaria de ir.

Yaho!

Aqui nos QG do OtomeGatari a produção está a todo vapor, conteúdo de Monogatari Series sendo feito a torta e a torta. Ironicamente, terminamos nossa série de comentários sobre o início de Monogatari Series, Kizumonogatari, e logo em seguida trazemos o “fim”. Bom, tecnicamente é o owari, né? Risos.

Piadas terríveis a parte, vamos falar desse inferno que mais parece um paraíso, do ponto de vista de nós, os amantes de lolis. Adoraria me tornar uma vaca perdida só pra achar aquele caracol no inferno.

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Raigho: Poucas vezes na minha vida estive tão emocionado. Alcançamos o fim de um logo ciclo, um ciclo que durou 9 anos até se encerrar. Não é engraçado pensar que o Nisio passou anos e anos da vida dele… escrevendo alguns poucos meses da adolescência de um garoto? É um pensamento que me encanta. Sua dor, sua separação, as aberrações, ele aprendendo a fazer amizades, entendendo as alegrias e dores, muitas dores de ter uma namorada. Quando eu e a Marcela iniciamos os “Comentários Zenmanais” não imaginávamos que chegaríamos tão longe, de verdade. Para comemorar essa data, vamos fazer comentários especiais! Separamos Owarimonogatari em 3 blocos de conversa separados por arco! E claro, convidamos alguém bastante especial que aceitou o nosso convite! Além de mim e a minha cara Macchan, hoje nós temos Link Kozakura da página SHAFT BR! Sejam bem-vindos ao fim de uma adolescência!

Marcela: Nessa hora o leitor pode escolher deixar a ending/opening de Hanamonogatari tocar ao fundo. Mas, sim, se você parar pra observar atentamente a cronologia de Monogatari, as histórias ocorrem em um curtíssimo espaço de tempo! Pra quantidade de novels que temos, é bem incrível mesmo de se notar isso. Claro, temos muitas referências a eventos passados – a infância do Araragi com a Sodachi, por exemplo -, e Hanamonogatari lá pro final. Porém, no que se trata do cerne da história, é mais ou menos o período de 1 ano, do começo em Kizumonogatari até as provas de vestibular dele e os eventos de Owarimonogatari 3. Um ano. Um ano e dezenas de vezes o Araragi, de alguma forma, quase morreu, assediou meninas, quase morreu de novo e assediou mais meninas. Claro que com uma história profunda como essa, não podíamos conversar apenas entre nós! Seja bem vindo mesmo, Link, espero que se divirta conosco aqui proseando sobre esse belíssimo começo do fim – que ainda não é o fim. –

Link: Muito obrigado por me receber aqui, pessoal. É uma honra poder conversar com vocês um pouco sobre a vida desse jovem que passou pelo ‘inferno’ muitas vezes, mas que faria tudo de novo, sem hesitar. Chegamos ao fim, mas os finais sempre trazem consigo novos recomeços, e com Monogatari não é diferente. Hoje viemos falar um pouquinho sobre o último inferno vivido por Koyomi Araragi – dessa vez literalmente o inferno – e de como os contos escritos pelo mestre Nisio de alguma forma mudaram a vida de nós, fãs.

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Raigho: Faço minhas as suas palavras, Link. Algo que eu e a Marcela já comentamos, reforçamos e sempre mencionamos (por mais insistente que soe) é a importância de você entender o que está acontecendo. Esse Araragi introspectivo, que está refletindo sobre o peso dos sentimentos, o inferno que ele passou e o fim dessa jornada estranha que toda adolescência acaba sendo, esse momento de aceitação. Isso não é “vou assistir Owari” e pronto. É o garoto que a Yotsugi, em Tsukimonogatari, aponta e afirma: “você não quer um final feliz ou alguma espécie de final”. É o garoto que vive pelos outros e agora está no inferno, morto pela Gaen Izuko no final de Koyomimonogatari justamente no dia de prestar o “vestibular” para o qual tanto estudou. É um amontoado de sentimentos, histórias e ideias que vai ter o clímax nesse arco. A Hachikuji subindo, esse traço meio pintura, meio rabisco, o Araragi se afogando. Sim, Mayoi Hell promete desde os primeiros instantes!

Marcela: E logo nesse primeiro capítulo, que geralmente é o monólogo introdutório que o narrador – nesse caso, o Araragi – da história faz, são feitas considerações bem pontuais com o que vimos nos filmes de Kizumonogatari que saíram recentemente. Dessa maneira, é muito interessante ver o quão palpável é o crescimento e a mudança do Araragi, onde agora ele comenta que é “fraco”, e mais fraco ainda por não se queixar do fato de ser fraco. O fato de mencionar a frase mais especial dele, de como sua força como humano diminui ao se ter amigos, é algo que achei muito caloroso, de uma certa forma. Desenvolvimento de personagem é algo que não falta em Monogatari Series, ou melhor, é o que move a série – isso e a Gaen, mas essa discussão é pra outra hora.

Link: Em harmonia com o estilo artístico escolhido para essas cenas que abrem o episódio e com a trilha sonora certa, somos recebidos logo de cara por esse Araragi que, de certa forma, cresceu como humano. Ele agora entende que não está sozinho, conquistou muitas coisas e conheceu muitas pessoas, e ao se apegar tanto a isso, não é possível abandonar esse mundo tão facilmente por um sentimento. Ele admite que enfraqueceu principalmente, como dito pela Macchan, por não ligar para o quanto enfraqueceu. Isso ao meu ver diz muito sobre esse novo Koyomi, um Koyomi que fez o que não faria na época de Kizumonogatari, mas será que foi ruim? Ele se arrepende de ‘ter enfraquecido’?

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Raigho: São boas perguntas. Ele mesmo admite que não se arrepende. Melhor, ele admite que não odeia todo esse processo, esse cara que não queria amigos. Nem pode se chamar de amor próprio, mas é uma espécie de neutralidade a respeito de si mesmo, o que é um tremendo avanço para o Araragi. Eu gosto de como o Araragi fica chocado, mas ele lentamente começa a rememorar o que aconteceu com a Hachikuji. Ele caminhando pelos lugares onde esbarrava com ela, esse tempo todo que se passou até então, e aí, ele finalmente volta a ser o nosso Araragi de antes. Até nisso eu já vejo mudanças, ele para, reflete (o que ajuda o leitor/telespectador a se encontrar) e se joga com tudo pra cima da Hachikuji. Eu dei tanta risada, ele ficou tão honestamente feliz em… poder assediar ela novamente. Toca o meu coração de muitas formas.

Marcela: Toca o seu coração e o alarme da polícia federal, mas quem somos nós pra julgar? Piadas a parte, ele literalmente foi a lua e voltou, ao ver a Hachikuji novamente. Foi um reencontro que eu particularmente não esperava que fosse acabar gostando tanto, já que a Hachikuji, pra mim, já tinha cumprido muito do seu papel na história. O que realmente fazia falta era essa interação entre os dois, onde eu diria que é uma das com menos malícia, por mais irônico que seja. A maneira sincera e honesta que o Araragi pula nela sem nem se preocupar é quase sempre que uma quebra em seja qual for o arco que isso aconteça, pra algo mais aliviante. Encontrar a Hachikuji parece ser um banho quente depois de um dia cansativo. E, feito isso, gostei muito como o Araragi foi trilhando os caminhos da sua memória e basicamente recontando e organizando so eventos da second season/third season até agora. Acredito que quem ainda estivesse meio perdido conseguiu se encontrar um pouco… Hehehe.

Link: Vocês não sabem como eu ri nessa cena hahaha. Foi um reencontro extremamente sincero, ainda que um pouco cômico em certas cenas (bem ao estilo Monogatari), e que com certeza colocou um sorriso no rosto de cada fã, ainda mais naqueles que não faziam ideia do que se tratava Mayoi Hell e puderam ver o caracol mais uma vez. O melhor de tudo foi o Araragi bancando o adulto maduro para depois de alguns segundos se jogar em cima da garota feito uma criança que encontra a mãe depois de se perder no supermercado hahaha.

Marcela: Muitas piadas com pessoas perdidas, estou satisfeita.

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Raigho: É aquela imagem “A polícia federal está de olho em você” TODA VEZ que aparece a Hachikuji apita um daqueles em vários IPs selecionados, certeza. O Araragi lentamente retomando nomes, pensando em como chegou até ali… bem, pelo menos o Nisio reconhece que é interessante relembrar o pessoal do que aconteceu até ali, enfim. Eu não sei como vocês imaginam o inferno (nem é questão de acreditar, mas no imaginário mesmo), mas eu achei muito curioso, até intrigante, que o inferno fossem os cenários da série. Talvez isso tenha relação com as pessoas que foram parar nele ou algo assim, não esperava esse cenário. O que eu achei impactante é o Araragi ter ido pras profundezas do inferno (um dos círculos mais baixos) por ter salvo a Kiss-shot em Kizumonogatari. São detalhes que me fazem refletir o que é bondade, o preço de se ajudar alguém, assuntos muito frequentes principalmente no final de Kizumonogatari.
Aquele grito, ele se “afogando”, é incrível.

Marcela: Ele se afogando e gritando é basicamente a pressão daquelas respostas, daquela conclusão na qual ele chegou. E o melhor mesmo é que ele continua sendo Araragi Koyomi até no inferno – a grande dúvida e preocupação não era ele estar na maior profundeza do inferno, e sim o porquê daquela garotinha maravilhosa que ele tanto assediara estar lá também. Até no mais profundo dos milhares círculos de inferno, Araragi Koyomi ainda é Araragi Koyomi, vendo apenas o que está na frente do nariz dele e se preocupando apenas com os outros. Achei curioso também os cenários da série aparecerem, particularmente esperava algo de Kizumonogatari como referência a semana “infernal”, como ele tanto se refere. E A HACHIKUJI – “aparentemente aquela pessoa sabe de tudo” – AH, CACETA. CONSEGUI SENTIR DAQUI O OLHAR DA GAEN ME PERFURANDO. Ainda guardo ressentimentos do que ela falou em Neko Shiro pra Hanekawa, grr.

Link: Eu particularmente adorei os cenários que colocaram para o Inferno. Ficou muito interessante também a trilha sonora tensa enquanto as ações dos personagens remetiam a algo mais humorado, um belo contraste. Sobre o cenário de Kizumonogatari que a Macchan esperava, será que resolveram não colocar como forma de reafirmar o que o Araragi propõe quando diz que achava que aquelas duas semanas haviam sido difíceis, mas que o verdadeiro inferno veio depois, com o desenrolar da série?

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Raigho: É possível. Porque o inferno pode ser algo particular, então além de reforçar essa ideia de “definições de inferno”, teria uma relação psicológica com cada pessoa, acho um argumento bastante válido, Link. Outro ponto que me fez pensar é a “inversão” com o cristianismo. Normalmente, se a criança morre antes dos pais, nós afirmamos que ela vai pro céu, mas aqui não, é um pecado um filho partir antes dos pais, logo ele vai pro inferno. Eu sinto que o Nisio está sendo sarcástico em níveis que não consigo identificar, é pelo menos a impressão que fica. Uma forma interessante de reforçar esse imaginário etéreo, de um inferno, algo desconexo, são os personagens com o character design do Hajime Ueda, eles andando em escadas invertidas, eu achei demais.

Marcela: Sempre que o Hajime Ueda entra em ação pras ilustrações tudo assume ainda mais um tom de “monogatari”. Parece ainda mais um conto que está sendo narrado, quase como aqueles teatros de fantoches que fazem pras crianças. Dá simplesmente vontade de se enroscar num lençol e ficar ouvindo a historinha ser contada. O que me incomodou agora foi que imediatamente, pra mim, fez sentido a Hachikuji ir pro inferno por ter morrido antes dos pais, haha. De verdade, foi algo que quando ela falou só clicou e falei “ah. Faz sentido.”, porque como dizem – nenhum pai quer ter que enterrar os próprios filhos. É quase como se fosse um pecado por você não seguir com a linhagem como deveria. Bom, saindo desse assunto mórbido, o raciocínio do Link é bem válido mesmo. E gosto também como, novamente, o Nisio revisita cada acontecimento da história, agora com o foco na “first season” propriamente dita. Parece quase como aquele filme “Its a Wonderful Life”, onde o protagonista vê como seria o mundo se ele não existisse – e se o Araragi não tivesse encontrado a Hanekawa e ter feito amizade com ela? E se ele não tivesse pego a Senjougahara? E AH, LEITORES. AH. QUANDO A HACHIKUJI VAI BEM NA FERIDA – “E SE VOCÊ NÃO TIVESSE PEGO ELA, SERÁ QUE ELA E O KAIKI VOLTARIAM A FICAR JUNTOS?”. TÔ FALANDO AGORA, PEDINDO EM REDE NACIONAL: NISIO, QUEREMOS MONOGATARI “IF”, ONDE O ARARAGI DEIXA SENJOUGAHARA CAIR. KAIKI PROTAGONISTA. FAÇA ACONTECER, POR FAVOR. Caham. É. E por que a Hachikuji deixou de falar da Kanbaru? Não compreendi bem essa parte.

Link: Tenho que dizer que colocar a arte do Hajime Ueda foi um acerto e tanto! Já haviam feito isso na parte três de Kizu e deu muito certo, nada mais lógico do que continuar com o estilo. Não só acho bonito como também lembra muito do comecinho de Monogatari, como você disse. No geral, esse é um arco para se lembrar do começo, não é? Mostrar um pouco de tudo o que aconteceu até o momento e voltar às origens, nos dando aquela sensação de “jornada”. Foi um fanservice e tanto para mim que tem o Bake como a temporada preferida… Tão nostálgico… Enfim, eles indo por cada cenário foi muito bom, ainda mais quando a dúvida “e se não tivesse sido assim?” surge – pois é ai que notamos a importância de tudo. Tudo ali foi importante de alguma forma para o Araragi. Se nada daquilo tivesse acontecido com aquele jovem perdido, vai saber o que ele teria feito ainda na época de Kizu… Talvez ele estivesse no inferno há muito tempo por outros motivos ou teria renascido como uma planta – referência ao estilo Shaft.

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Raigho: Sempre nessas longas histórias surge o famoso “IF”. E se você não tivesse salvo fulana? E se não conversasse mais com a pessoa tal? E acaba sendo uma certa homenagem a tudo o que aconteceu. “Você não imaginaria que aquela menina faria tudo isso” se pensarmos na Nadeko, muitos eventos poderiam ter sido diferentes, cogitar os eventos que nunca vamos ver também pode ser perigoso, desejar algo que nunca foi é um pecado de certa forma. Adorei a Hachikuji, numa daquelas ótimas piadas internas, comentando “então a LN as vezes perde algumas coisas na adaptação, mas a Yotsugi tá aí, o anime explorou bem ela, ficou no meu lugar”, senti tanta falta, abri uns sorrisos sinceros nessas partes. Acredito que no caso da Kanbaru, o comentário da Hachikuji que você falou Marcela, seja pelas circunstâncias dela. A pata do macaco, ela ter atacado o Araragi propositalmente, acredito que haja outra intenção nela. Claro, a gente pode relativizar todas as personagens e discutir o que é ser vítima ou não, mas isso é assunto de Otorimonogatari, enfim, deve ser mais por ela ter tido a intenção de acabar com o Araragi. Esse assunto de equilíbrio que o Araragi aborda na segunda metade do arco, se puxarmos de lembrança, são assuntos muito recorrentes com a Ougi. Fica a reflexão.

Marcela: Hmmmm, sim, agora que você mencionou, faz sentido. O Araragi nunca chegou a interferir diretamente com a Kanbaru, né? Se bem me lembro, ela que começou a seguir ele, a falar com ele e o ataque também. Sim sim, faz sentido, Suruga Monkey é apenas a antitese natural dos eventos de Hitagi Crab. Voltando ao episódio, o Araragi realmente admite os erros que cometeu quanto ao caso da Nadeko e como foi o maior fracasso, sem dúvidas. E nos momentos seguintes ele menciona algo interessante, “equilíbrio”, e a Hachikuji abre pra uns questionamentos interessantes com ele – consertar erros e fazer a coisa certa são a mesma coisa? Quando eles começaram a discutir isso e a parte visual de trilhos se espalhando me fez perceber como Monogatari Series gira ao redor de corrigir um erro atrás do outro. Nada na série é “evitado”, tudo escala em uma situação onde os erros cometidos precisam ser corrigidos por alguém, e isso vai fazendo com que novos erros surjam. O que o Araragi diz sobre você continuar apenas corrigindo erros e ficar algo tudo “escuro” fez tanto sentido. A série inteira gira ao redor dessa eterna busca por um equilíbrio entre os humanos e as aberrações as quais eles encontram, tudo sendo resolvido ao melhor modo “nas coxas”, gerando novos imprevistos e novos problemas, nunca resolvendo completamente. Claro, na visão de curto alcance do Araragi, no geral o que tivesse quer resolvido foi “resolvido”, assim como para a pessoa protagonizando o caso da aberração – a situação da Senjougahara foi “resolvida”. A Hachikuji encontrou o lugar que ela queria e de certa forma “paz”. Porém, todas as situações, por serem apenas erros que foram sendo ajeitados, resultaram em novos erros – a situação “resolvida” da Senjougahara gerou o ódio de Kanbaru Suruga ao Araragi, a “paz” da Hachikuji levou ela a ser caçada pela Escuridão… E nem vamos falar da Hanekawa, que nos 3 casos, 2 tentou apenas “corrigir” a Black Hanekawa, o que apenas levou a uma nova aparição. É aí que Gaen Izuko entra, com a visão “macroscópica” como é dito depois, e começa a consertar as pontas soltas que esses remendos foram deixando, pra finalmente atingir um equilíbrio.

Link: Equilibrio é a palavra chave, já nos mostrava o Oshino há muito tempo. É aqui que o nosso protagonista para e pensa um pouco mais nisso, como ele esteve tendo sucesso em consertar as coisas, mas não tomar o caminho certo e assim garantir a felicidade de todos. Talvez porque não está ao seu alcance, o mundo é muito ramificado e aqueles trilhos nos mostram isso. Como ele mesmo diz enquanto tomava o caminho do templo, ele repetiria tudo, mas a sensação de que poderia ter feito as coisas de um jeito melhor permanece. Ainda assim, acabar com o erros não o levará para o caminho certo.

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Raigho: Esse assunto de equilíbrio, corrigir erros e as fire sisters retoma com bastante foco nesse arco de Owarimonogatari no geral, como vocês dois colocaram. Nisemonogatari brinca com o conceito de justiça e “inimigo”, mas só em Owari essa fixação das irmãs do Araragi, o choque que ele teve quando criança, o fato dos pais serem policias, esses fatos ganham mais camadas. Se tornam assuntos mais elaborados que exigem uma nova reflexão sobre como eles se aplicam na série ou de que forma aparecem em outros casos que não necessariamente sejam tão maniqueístas. Toda vez que o Araragi entra nesses assuntos, de alguma maneira, ele quer chegar na Ougi – seja por comentários, pensamentos, mas é em torno dela que o assunto parece girar. Mas ele sempre esquece, daí nós subimos a essa “cópia” do templo, e encontramos o Tadatsuru Teori! E aí começa o que eu apelido carinhosamente (e pego o meme) “keikaku doori“. Eu planejei X, que planejou Y, mas veio Z daí eu peguei o plano de X.

Marcela: Nessa parte é fácil você ficar enrolado, bom, pelo menos eu fiquei bastante. Parece um apontando o dedo pro outro, falando que fulano fez aquilo e fulano fez isso. Você já não sabe mais de quem é o plano, afinal, qual etapa foi planejada por quem – era tudo ideia da Gaen? Onde entra o Oshino nisso? E o papel da Kagenui? Da Ougi? São feitas “explicações” sobre os eventos de Tsukimonogatari mas sinceramente parece mais confundiu do que ajudou. Realmente, “keikaku doori” é um termo muito, muito bem aplicado pra essa situação, porque é um grande plano dentro de um plano que ia tudo de acordo com O PLANO. Se o Cebolinha aparecesse no canto falando de plano infalível, eu não me surpreenderia mais.

Link: Hahaha é ai que Monogatari nos pega de surpresa. Ainda que seja enrolado, eu duvido que alguém não ficou “nossa, eu não esperava que tinha algo por trás de Tsukimonogatari” quando recebeu a explicação do manipulador de bonecos, que por sinal, acho uma habilidade muito legal. Nisio é mestre nisso, ele te apresenta uma situação X para depois de um tempo jogar na sua cara sem dó que tudo não foi por um acaso e que se você desconfiasse mais, teria entendido muito antes. Vejo isso em peso em Monogatari e Zaregoto.

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Marcela: E ainda mais esperar algo do Oshino, que o Nisio fez questão de deixar bem claro que ele estava indo embora lá em Bake, só pra retornar estando quase sempre agindo dos bastidores. É realmente ele aumentando muito mais o escopo dos acontecimentos, englobando vários personagens e vários núcleos de histórias diferentes convergindo pra um embate final.

Raigho: A linha é mais ou menos: houve a pessoa [Censurado] que planejou acabar com o Araragi, mas o Oshino interveio para que o Tadatsuru ajudasse a Gaen, que planejava impedir a pessoa [Censurado] de realizar o plano dela, mas tecnicamente o Tadatsuru seguiu com o plano original da pessoa até um certo ponto, depois se torna algo original para ajudar a Gaen e ir pro inferno. Algo mais ou menos assim. É bacana nessa parte porque explicam até o motivo de matar o Araragi (para que ele voltasse a ser humano) sem utilizar a “yume watari” – espada irmã da kokoro watari. Planos minuciosos para que o “inimigo” não pudesse interferir, logo se nota que não é alguém que possa ser subestimado. E entre pensamentos do Araragi confessando que está enrolando para ser ressuscitado, a gente descobre que o fucking parque se “Shirohebi”! Eu não fazia ideia! É o mesmo assunto que a Ougi aborda num dos episódios em Koyomimonogatari. Ali era o antigo templo. Templo Shirahebi. Parque Shirohebi. Uau. Eu senti o Nisio esboçando daqui.

Marcela: Isso me lembra uma conversa que tivemos quando eu fui analisando o kanji dos nomes dos personagens e chegamos à simples conclusão de que o Nisio é um grande tio do pavê. Pra nós, que pouco sabemos da língua japonesa, é tudo muito místico é bonito, mas imagino os japoneses se contorcendo com esses trocadilhos. Claro, tem alguns geniais, mas no geral… Pffff. É ótimo, é realmente ótimo. E ah, a Hachikuji, ela realmente tira apenas o melhor do Araragi quando os dois interagem! É tão fofo ver ela tentando motivar ele a voltar a vida, claro, do próprio jeito maravilhosamente loli-pronta-pra-chamar-a-polícia de sempre!

Link: E é ai que ele reflete se deveria mesmo estar sendo ressuscitado. Por que reviver logo alguém como ele? Certamente existem pessoas que merecem mais essa segunda chance do que o jovem pecador – mas a Hachikuji não deixa esse questionamento passar em vão e mostra com os punhos sua motivação haha. Ele diz que não teve a sensação de morrer, e ela, complementando, não perdoa o comentário e expõe o quanto é difícil ir para o inferno, condição que para a loli, aparentemente, não é algo mutável. Furando o lugar na fila ou não, ela quer o Araragi vivo acima de tudo. É uma linda cena.

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Raigho: Sim, porque isso ainda toca no assunto do amadurecimento. Quantas e quantas vezes o Araragi não pensou “eu posso morrer” ou “eu cometi um erro, mereço morrer”? Então a Hachikuji dá um choque nele e diz: “Cara, você tem que voltar! Não é meritocracia” da ressurreição! A OST tocando ao fundo, ela citando todas as… er… qualidades (?) do Araragi, gritando, estimulando e mostrando que ele é um garoto que merece viver. No último instante o Araragi parece tranquilo embaixo d’água, ele quase murmurando que para viver você só precisa gostar de viver, nem isso, só você querer estar ali mais um dia. Ele se acertando com o Tadatsuru, a Hachikuji fazendo piada sobre reencarnar como filha do Araragi/Gahara, foi muito, muito bom. A melhor parte sem dúvidas é ele pegando ela pelas pernas e o suspense da revelação do nome, do inimigo.
De Oshino Ougi.

Marcela: Quando o Tadatsuru fala “Ougi” e a tela fica toda preta. Nossa. O impacto. É tão óbvio, tão simples, é só uma tela preta. Mas você sente, como um tapão nas costas. “Oshino Ougi”. Aquele momento em que as pessoas pausam o episódio e ficam “whaaaaaaa” tentando processar as informações. Além disso, o Araragi salvar a Hachikuji é algo que… Bom, é algo que só posso descrever como sendo 100% Araragi! Ele agarrando uma loli com as pernas e literalmente, LITERALMENTE puxando ela do inferno… Não fica mais Monogatari que isso, acredito. E é algo que você escutaria dizendo e tranquilamente acenaria com a cabeça, dizendo “yep, esse é o Araragi mesmo.”

Link: “Que bom que ele é o mesmo”. Ainda que tenha sido um ato irracional, totalmente seguindo as emoções, foi algo que se encaixa muito bem posteriormente em Owari. Bom, não vamos comentar sobre isso hoje, né? Mas deixo essa ponta aberta aqui, foi interessante ver que às vezes as ações mais impulsivas nos garantem os melhores dos futuros.

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Raigho: Infelizmente não, Link. Já ficamos aqui tempo demais, o tempo de fazer uma viagem de ida e volta ao inferno. Pffft. A Kiss-shot retorna aqui, já que o laço entre ela e o Araragi foi destruído, em sua forma plena. Ela caminhando como se fosse uma passarela, que mulher, digo, que vampira! A piada com white day/shirahebi para encerrar a “história” da cidade. O Araragi é o cara que age no impulso e, ao resgatar a Hachikuji, cria uma nova peça para o tabuleiro da Gaen Izuko. Kiss-shot em sua forma completa, Araragi completamente humano, Hachikuji, Gaen e Ougi. Façam suas apostas em quem vai levar melhor nessa partida. Meus caros, últimos pensamentos?

Link: Adoro como a Gaen não demonstra medo perante a Kiss-shot.

Marcela: Adoro como a Gaen faz todo o resto demonstrar medo, isso sim. Principalmente pelo character design dela que contrasta completamente com tudo que ela representa. Bom, mal posso esperar pra não ter que comentar o próximo arco por ser chat- digo, ver o convergir final de todas as peças do tabuleiro! Xadrez? Damas? Go? Bom, veremos em breve. Obrigada Link, por participar aqui com a gente e oferecer opiniões novas pra nós!

Link: Obrigado a vocês por terem me convidado, fico muito feliz!

Raigho: Sim, eu quero agradecer muito pela paciência com nossos horários e tudo o mais, foi um prazer pelo trabalho de vocês na SHAFT Brasil. Bem, até o encontro com a nossa Hitagi. Não é mesmo, Macchan?

Marcela: Ah sim, mal posso esperar pra deixar um dos meus cachorros digitar os comentários por mim. Aposto que ele tem opiniões mais positivas desse arco do que eu.

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4 thoughts on “Comentários Ougimanais pt.2 #1 – Mayoi Hell

  1. Aquela ideia do Araragi sair do inferno subindo por uma corda branca me lembrou de uma história japonesa que Eu li, sobre um cara que recebe ajuda de uma aranha pra sair do inferno mas cai por tentar derrubar os outros que estavam subindo pela teia da aranha. Acho que foi uma das famosas referências do NISIO.

    • Ele literalmente adaptou o folclore, Ribeiro. Essa história existe mesmo, o Nisio só se apropriou e inseriu nessa situação, bem observado.

  2. Eu queria muito ver a cena do reencontro entre os dois. Na novel tem um capítulo inteiro do Araragi narrando de forma série, dizendo que não iria se lançar como um foguete para cima da Hachikuji, que já tinha maturidade para se controlar, e tudo mais.
    E o que a Shaft faz? Lança ele igual um foguete kkkk Não tem como não amar essa série e esse estúdio.

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