Comentários Ougimanais pt.2 #3 – Ougi Dark

ougidark.pngO começo do f-

Yaho!

Já chega dessa piada, né? Basta que eu faça ela várias vezes no post.

Bom… É isso. Chegamos ao fim. Ao owari. A escuridão.

E que esse post seja a luz pra escuridão de vocês.

Owarimonogatari 2nd Season - OP2 - Large 007

Raigho: Eu penso muito na negação que foi a minha adolescência, pra ser franco com todos vocês. No fracasso que foi esse período, digo, com 23 anos nas costas e na reta final da faculdade eu não posso dizer que pertenço mais a esse período. É uma fase estranha, mas atualmente bem legal na minha vida. Quando eu e a Marcela nos unimos (que toque dramático!) no OtomeGatari tínhamos só uma ideia “relativamente” simples: vamos espalhar Monogatari Series pelo Brasil. Só isso. Foi uma fase turbulenta em nossas vidas, mas sinto que chegamos ao ponto da nossa ideia inicial, sinceramente falando. Tudo o que o Nisio escreveu tem seu ápice e fim aqui, diante de nós. De mãos dadas e trêmulas estamos aqui, pela última vez no ciclo da adolescência de Araragi Koyomi. solta o ar Sejam bem-vindos.

Marcela: Sejam bem vindos ao começo do fim. pff Não canso de usar essas contradições. Sinceramente também penso bastante na negação que foi minha adolescência, Raigho. Com 20 anos (e carinha de 15) as vezes andando na rua vejo vários jovens com o uniforme da minha alma mater do ensino médio e sinto vontade de falar pra eles pararem de estudar um pouco. De aproveitarem mais esse período mágico de menor idade para fazer as besteiras e terem muito o que contar daqui pra frente. Eu não devo ter mais de 5 histórias interessantes da minha adolescência, a maioria envolvendo algo do colégio que quebrei… Bom. Passado é passado e também um tigre. Vamos falar da adolescência do Araragi… Que, de muitas formas, foi uma adolescência acima de tudo. Gostaria de apontar primeiramente a ideia de que adolescência é a palavra chave para a maioria das coisas que aconteceram com ele – quando nós somos adolescentes, tudo é tão grande e misterioso. São muitas experiências de uma só vez: relacionamentos físicos e amorosos, talvez beber sendo de menor, festas, etc. O seu núcleo de vida é tão pequeno e restrito a aquilo ali do colégio que parece maior que o mundo. Tudo é exagerado do ponto de vista do adolescente, e acho interessante levarmos essa mesma ideia pra quando olhamos pra vida do Araragi até aqui. Em como ele, por ser adolescente, vê tudo de maneira exagerada. Não é a toa que o Oshino fala, ainda no caso da Hanekawa e da Kanbaru, que as aberrações devem sumir com 20 anos. Faz sentido. Você passa a se enquadrar, se acostumar, não é mais tanta surpresa por aí.

Raigho: Eu acho que isso coincide com a ideia do Nisio em Medaka Box – não faz sentido adultos terem “poderes” ou “habilidades”, isso pertence aos jovens. E o Araragi mesmo não vai ter mais nenhuma “surpresa” com aberrações na vida adulta dele, será tudo rotina. Uma realidade aumentada, aquele problema que você teve e no fim nem foi lá grande coisa, coisas de adolescente, hormônios, o de sempre. Me questiono se o Araragi que está nos contando a sua adolescência já é capaz de sorrir, ele mesmo abre esse questionamento… é hilário quando a gente entende a Ougi, é uma piadinha muito engraçadinha. O ciclo chega ao fim, o assunto de hoje será Oshino Ougi até não querer mais, finalmente vamos poder comentar algo que já sabíamos há pelo menos 1 ano e meio. Uma OP que mostra reflexos, sombras e questionamentos sobre “quem é que realmente sabe?” me pareceu muito digna, combina com o tema desse final. Nada como jogar beisebol com uma espada na mão e a Gaen arremessando uma pedra do outro lado, melhor que seu mangá de esportes mediano.

Owarimonogatari 2nd Season - 03 - Large 004

Marcela: Achei essa opening mais Ougi do que a própria Ougi: ela é chamativa ao mesmo tempo que pode passar despercebida. Todas as nuances de luz, sombra e, principalmente, a bicicleta. Nas endings que tem o Araragi na visão do Hajime Ueda, quase sempre a gente vê o Araragi na bicicleta dele fazendo ações parecidas com as da Ougi na abertura – digno de algumas risadinhas do quão espertinhos eles foram com a animação da opening. E pequena menção aos papéis com o furigana dos kanjis do nome do parque. A Hanekawa menciona como a maioria não acerta ler o nome do parque de primeira. E que grupo mais INUSITADO pra jogar baseball com uma espada, né? Temos a mestra da história, uma vampira lendária e um fantasma que veio do inferno. Simplesmente ADORO eles sentados em círculo, um grupo tão tão tão nada a ver.

Raigho: Eu adorei o Araragi sendo vítima de bullying pela Kiss-shot, ele sendo levantado e girado no ar, imagina a realização pessoal de todas as vítimas do Araragi! E depois ele sentado no colo dela, gente, eu fico rindo sozinho nessas horas. A Gaen é muito enfática sobre combaterem a Ougi: é a pessoa que odeiam, é o inimigo em comum e o protagonista, nosso querido, precisa aceitar isso. Que ele desconhece a natureza da existência “Oshino Ougi”, que ela precisa ser combatida. A parte mais interessante desse trecho é o fato daquela história, láááá de Onimonogatari (Second Season), volta agora. Ou seja, a Kiss-shot caiu no antigo templo Shirohebi (cobra branca), destruiu o local e refez todo o culto dessa região, eu fico impressionado pelo Nisio manter essas coisas em mente. Quero dizer, é um pouco nada a ver se pensarmos no plano maior das coisas, mas ele constrói todo um folclore que ainda ressoa com o enredo principal (se é que podemos usar essa ideia), a Kuchinawa, a ideia das cobras. A relação dos eventos que já haviam sido estabelecidos (pensando no Primeiro Servo, o fato dele ter ficado preso), a conexão com outros detalhes, me deixou bastante pensativo.

Marcela: E é interessante o quanto ele realmente expande sobre esse assunto. Nós temos inicialmente a impressão que a Kiss-shot só chegou lá e boom, foi endeusada, mas tem um contexto maior pra isso. A ideia que ele cria de transferir o templo, do rio, do uso de cordas… Nossa, absolutamente brilhante. São todas ideias que fazem muito sentido, ao mesmo tempo sendo um grande trocadilho a lá Nisio. Além do mais, esse “air pocket” (que na novel chamam de air hotspot) é o motivo inicial pro Oshino ter ido pra essa cidade! Ele foi pra cidade justamente pra entender porque tinha esse fenômeno e o porquê de tantas aberrações estarem convergindo pra cidade. Todo aquele arco de Nadeko Snake, do Araragi colocando o selo no templo, era essa a tarefa final do Oshino – não é a toa que logo em seguida ele sai da cidade. Parece que você tá jogando um Dragon Age ou Mass Effect da vida, onde você tá numa mesa reunido com os outros personagens, discutindo algo importante e tem uma pausa pra você decidir com quem vai se aliar e o que vai fazer. O Nisio, desde Mayoi Hell, vem catando pedaço por pedaço de história por história, juntando, e finalmente o nosso quebra cabeça tá pronto.

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Raigho: Ótima analogia, eu não teria colocado de forma melhor, é uma junção mesmo de várias pequenas partes, um grande quebra-cabeças sendo montado. É relevante sempre mencionar o quanto o Araragi mudou ao longo da série, aqui por mais que ele não queira aceitar/ir diretamente contra a Ougi, ele precisa se posicionar. A Gaen é quem força a mão dele a se mover e ele quer garantir um caminho pra Kiss-shot/Hachikuji, por mais calmo ou tranquilo que ele consiga se manter, por mais mudado que o Araragi esteja, ele ainda se importa com as meninas, como sempre. Tem algo dramático em toda essa conversa, a OST com os violinos ao fundo, o Araragi querendo que a cidade dele fique em paz, a expressão de dor, eu fiquei tocado – justamente o ponto em que a Gaen Izuko, mais uma força, diz ‘é isso que me preocupa’. É essa mania dele em querer salvar todo mundo, justamente um dos motivos de estarem nessa situação. E entramos num ponto de discussão muito instigante, pra mim pelo menos, que é o Araragi sempre se preocupa com todos, menos com ele mesmo. Não é tanto altruísmo, mas é uma falta de amor próprio… complicada, para não dizer destrutiva.

Marcela: Outra coisa que mudou fortemente foi o relacionamento dele com a Shinobu. Diria que é um dos pontos da história que mais evoluiu, se formos pensar na menina muda de Bakemonogatari até agora. A Gaen pergunta qual o objetivo dela e a Shinobu meramente diz que quer seguir as ordens do mestre dela e, mais ainda, voltar a forma de garotinha por pura preferência estética do Araragi. Realmente existe uma conexão forte entre os dois, eu diria que quanto a isso o Araragi talvez tenha até superado um pouco mais as feridas de Kizumonogatari, todo o pensamento que ele sempre tem de ser o culpado pela condição da Shinobu. Vira e mexe martelam na tecla de como ele não é humano e nem vampiro, e se ele não gostaria de mudar isso e, agora ao final, ele retorna a esse passo inicial, digamos assim. Voltar a ser a imitação de humano. De uma maneira bem simbólica, diria que essa atitude de ambos mostra uma conclusão de Kizumonogatari e de como os dois se sentem com o pacto entre eles. E, novamente, a discussão retoma uma direção quase que de jogo/problema de lógica: nós temos X problemas e Y peças, como podemos resolver esses problemas usando essas peças de maneira que todas as condições sejam alcançadas e resolvidas?
E… a parte da cobra. Do caracol. Eu acho que quando vi pausei o episódio pra aplaudir, puta merda.

Raigho: Tem toda uma relação hierárquica pra resolver o assunto da nova divindade no templo, eu achei muito bem elaborada. Veja, podemos falar de aberrações, seres transcendentais, mas eles tem uma ordem, hierarquia. “Ela é capaz de engolir a cobra”, é fundamentado em folclores/algumas analogias que podem ser um pouco inacessíveis a nós que não entendemos bem do mundo dos monstros, mas fez sentido pra mim, me soou bastante razoável. Ela é a “Lesma Mayoi”, como a baixinha brinca. O segmento seguinte, com a Yotsugi “mas nossa, eu coloquei várias pistas sobre isso” no que diz respeito a Ougi ser a “Escuridão”, o ser que rege a ordem das aberrações, foi uma tirada ótima vinda do próprio Nisio, é literalmente ele “oops, parece que eu levei vocês a um entendimento propositalmente errado, tee-hee <3”. A Gaen dizendo “tá, ela não esse ser, mas quando você colocou na cabeça que era?” é literalmente a Hanekawa, no primeiro arco de Owarimonogatari dizendo “você não consegue associar certas coisas com a Ougi/não relaciona com ela”, as ideias sobre a Ougi simplesmente puff aparecem. Assim como a própria personagem surgiu repentinamente na Second Season, é uma características relacionada a como ela surge na história e suas ações, todas enigmáticas, repentinas. Ela pode não ser essa coisa, mas funciona de forma semelhante.
“Exterminar… você fala como se ela fosse uma aberração.” “Mas ela é”. Ah vá.

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Marcela: O QUÊEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE? A OUGI É UMA ABERRAÇÃO?!

Raigho: *encara*

Marcela: Também te amo. Mas ó, QUE LINDO A PARTE SEGUINTE: Kanbaru apresenta a Ougi pro Araragi. A Ougi é uma da Kanbaru. Uma fã. Um fã. Fan. Ougi. Mais uma sessão de aplausos… Caham. Bom. Nós já sabemos a conclusão final desse raciocínio todo, mas é tão nervoso de assistir ainda sim. Você sente demais que todos os personagens estão andando num gelo bem fino pra chegar no ponto decisivo, algo que o Araragi se recusa a enxergar. A tensão, como alguns dizem, é tão espessa que daria pra você cortar com uma faca. E quando a Gaen começa a falar da irmã… Flashbacks pra Hanamonogatari. Gaen Tooe. Que mulher que ela foi. E dizer que o Araragi se parece um pouco com ela? Um caminho que particularmente eu não esperava o Nisio tomar.

Raigho: Puta m… *encara os leitores* já é a segunda semana que você repete essa piada. Muito boa por sinal. De que forma eles são “iguais” é o que me deixa intrigado, a insinuação do que o Nisio pode querer dizer com isso. Um ser humano perfeito, cuja própria perfeição gerou uma aberração lendária, então na mesma lógica, as falhas do Araragi… questões. A Gaen tá parecendo a Ougi, não achou? “Eu? Eu nada. Você, é sobre você, é sobre você fazer, Araragi”. É sobre o Araragi pela primeira vez fazer algo por ele. Eu entendo esse arco, falando de uma forma geral e não sendo necessariamente cronológico, como o momento em que você aceita a si mesmo. Não é mais pelo próximo, é sobre um adolescente aceitando suas falhas, seu jeito de ser pensando que vai melhorar. Ele vai ter que sair dessa, acabar com isso com as próprias mãos, relembrando o que o nosso santo Oshino Meme já dizia – só você pode se salvar. E aí a Gaen vem, naquela onipotência do discurso dela, e cita “tudo o que houve nos últimos 6 meses”, as cenas passando rapidamente, cada um dos cenários que a Ougi esteve, a importância dela nesses momentos, é de tirar o fôlego. Adorei a corte justo na parte em que a Gaen explicaria o que é de fato a Ougi.
Dá mesmo uma sensação de “respira fundo aí, foi intenso.”

Marcela: Vamos entrar em mais detalhes depois de como essa foi a primeira vez que o Araragi se salvou de verdade, se considerarmos quem em Kizumonogatari a Hanekawa e o Oshino fizeram a maior parte do trabalho. Mas, como eu disse, vamos falar isso depois porque… É HORA DA NADEKOOOOOOOO! VOCÊS ACHARAM QUE ELA NÃO IA MAIS APARECER MAS TAÍ, TÁ LINDA, DE CABELO CURTO E DESENHANDO MANGÁ! QUANDO ELA FALA “KOYOMI” SEM O ONIICHAN E A TSUKIHI REPARA EU FIQUEI “É ISSO AI MENINA, BOLA PRA FRENTE!”… Muito bom mesmo, excelentes diálogos e- digo. AH, e curiosidade, não sei se repararam mas as roupas que a Tsukihi usa são as mesmas que a Karen pega emprestado em Nisemonogatari. Como é engraçado o quão diferente essas roupas ficam nas duas irmãs.

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Raigho: Depois desse arroubo de emoção da Marcela, eu concordo que foi bacana ver que a Nadeko superou essa fase da vida dela. A forma como a Nadeko diz: “Se você está vivo, eventualmente algo de bom pode acontecer com você”, sim, menina, por favor, vai em frente! Ainda bem que ela saiu disso, nossa. E é, o estilo fica bem diferente em ambas as irmãs. A conversa da Ougi com a Tsukihi é muito engraçada porque parece duas pessoas puxando uma corda, se você nota ou para pra reparar no que a Ougi tá fazendo, é o que ela sempre fez até agora, ou seja, ela tá manipulando a pessoa através do discurso. Percebam que esse gancho da conversa vem logo depois da Tsukihi ter comentado sobre o próprio futuro com a Nadeko. A Ougi, como a Gaen bem colocou, é algo semelhante a “Escuridão”, ela quer dar um rumo para diversas coisas/pessoas, por isso ela indaga a Tsukihi sobre isso, a grande questão é o que motiva essa vontade de inserir as pessoas numa espécie de eixo/caminho. Mas além disso, nessa conversa tão ambígua e ao mesmo tempo com muitas insinuações, chegamos ao cursinho. Ao lugar onde tudo começou e reparem em algo, quando eu notei um pouco depois até fiquei sem reação, as duas estão imitando o Araragi/Senjougahara em Bakemonogatari – mesmas cenas, mesmas posições, a escadaria, o jogo de cena nesse mundo “preto e branco” é literalmente o do começo da série, podem comparar.

Marcela: Tem um momento quando as duas estão chegando ao cursinho e você vê a sombra da Ougi no chão, igualzinho o formato da “Escuridão”. As sacadas visuais desse episódio são sensacionais, como você bem disse, esse preto e branco só com alguns tons marcantes de vermelho. Dá essa ideia de remniscência, de nostalgia. E muita discussão sobre o futuro da Tsukihi, você de novo percebe o quão inteligente essa personagem realmente é, e muita discussão também sobre identidade, descobrir o que é desconhecido. É quase que como se pela primeira vez a gente tivesse vendo a Ougi “desabafar”, de certa forma. E quando elas finalmente chegam ao topo, que a Ougi encara o Araragi já ali na escola – de novo, volta ao começo da série, parece que o Araragi (risos) foi encontrar o Oshino pra resolver um problema. Também é uma forma de representar a evolução do personagem na série, como no começo ele dependia do Oshino pra cada caso e eventualmente ele foi conseguindo resolvê-los de forma um pouco mais independente. E chegamos, aqui, no embate final. Sem necessidade de espadas ou de socos e chutes. Apenas palavras. Finalmente olhar de volta pro espelho.
De noite eu sempre tenho medo de me olhar no espelho, mesmo com a luz acesa, Raigho. Tenho medo que meu reflexo comece a se mexer sem mim, haha. Será que isso que o Araragi pensava também?

Raigho: Não acho que seja besteira essa sua questão sobre o reflexo, vai saber. Bom, a resposta: Oshino Ougi é Araragi Koyomi. Quantas vezes eu não mordi a minha língua para que essa explicação, essa resposta não escapasse de mim? Acho que a gente pode deixar a Gaen explicando ao fundo e puxar a nossa lousa, só dessa vez. Eu quero que vocês parem agora e pensem em tudo o que a Ougi fez. Primeiro contato foi em Kabukimonogatari, com o Araragi contando a ela sobre a Hachikuji e pensando “vamos ver o resultado dela ser a única pessoa que sabe disso”. Avancemos, com coragem. A conversa com a Nadeko, o encontro com o Araragi em Tsukimonogatari. Cada ação dela não foi bullying, não foi maldade, foi a realização pessoal da impotência do Araragi. O que acontece quando você não consegue salvar ninguém? Melhor, você ajuda um amigo seu, ele sai desse problema e digamos que, sei lá vai, você pensa “putz, ele vai se meter nessa furada de novo”. Ninguém tá negando que você o ajudou, que quer o bem dele, mas não fica uma sensação desconfortável? De “eu queria uma solução mais definitiva”? Pronto. Assim nasceu uma aberração durante Owarimonogatari-2. Naquele momento convoluto, onde ele tava sendo atacado pelo Primeiro Servo, onde a Kanbaru foi atingida pelo Primeiro Servo… tudo isso já tinha acontecido na Second Season. O Araragi já tinha se impressionado com a escuridão, o seu ideal de justiça já estava ali, o resto foi pura imaginação. Eu achei fantástico.
Ele precisava se mutilar, pagar pelos pecados e ações, não é engraçado pensar que o seu pior inimigo é a si mesmo? O inimigo de um adolescente é a própria adolescência.

Owarimonogatari 2nd Season - 03 - Large 050

Marcela: Continuemos aqui na lousa mais um pouquinho, queria expandir um pouco essa linha do tempo de ideias que você fez. Pensemos em todas as situações nas quais a Ougi interviu. Por que ela não mexeu com a Kanbaru? Com a Senjougahara? Ou com a Hanekawa? Todas essas situações, de uma forma ou de outra – prolongando-se ou não, como a da Hanekawa – foram consideradas “resolvidas” pelo Araragi. As situações nas quais a Ougi intervém são as situações que de certa forma ele acredita ter falhado. Em especial a da Nadeko – que gerou tamanha repercussão – ele se culpa toda vez. Toda vez que a Nadeko olha pra ele agradecida, toda vez que ela propriamente agradece ele, ele se sente culpado. Sente que falhou, porque tentou salvar a pessoa que tentou machucar a Nadeko. Todos os eventos em Otorimonogatari e que levaram as condições em Koimonogatari, no fundo da mente do Araragi, com certeza ele deveria pensar “eu mereço isso”. Tanto é que, afinal, quem realmente buscou resolver a situação em Koi – sem o Araragi saber? Foi a Senjougahara. O Araragi sempre quase se mata tentando resolver essas situações não por ele saber que tem um corpo imortal, mas porque ele sempre se acha culpado por elas. Ele se achava culpado pelo caso da Kanbaru, culpado pelo caso da Nadeko, culpado pelo caso da Hanekawa. Em cada um desses momentos, ele achou que merecia ser punido por causar algum tipo de problema pra essas garotas e que a melhor maneira de resolver os problemas seria se ele morresse. Isso se prolongou tanto que, como você disse, surge Oshino Ougi. A materialização da culpa dele. Algo que finalmente vai fazer “certo”. E o que é que faz “certo” no universo de aberrações? A “Escuridão”.

Raigho: “Quem você mais odeia é Araragi Koyomi”. Ele mesmo. E comento aqui sobre a versão masculina da Ougi, aproveitando que a Gaen explicou sobre aberrações que nascem do subconsciente/características, a Ougi (homem) nasceu, segundo algumas pistas do Nisio em Orokamonogatari (Off-season) da culpa que a Kanbaru sente em relação ao Rainy Devil, por isso mesmo Hana sendo depois, o Ougi está passeando por aí. Mas voltando ao Araragi, é hora de acabar com a sua adolescência. É hora de você se aceitar, admitir que não pode salvar todo mundo e encerrar essa fase. Eu admito que eu chorei bastante nesse final. Porque… é complicado. O Araragi corre e grita, salvando a Ougi (ele mesmo) pela primeira vez, ele se recusa a terminar dessa forma, ele quer preservar a adolescência dele e diria até mais, que ele quer preservar seus erros. Aquela conversa com a Hachikuji, sobre consertar os erros e gerar outros erros, ele quer se ater a isso. E não é besteira do Nisio essa parte, ela é linda. É um garoto finalmente se aceitando, não salvando qualquer outra pessoa como ele sempre fez, é sobre se salvar, se aceitar com seus problemas e tudo o mais. Ele citando o nome de todas, eu estava aos prantos.

Marcela: Pela primeira vez em todo Monogatari Series o Araragi se salva. Até aqui, foram sabe-se lá quantos episódios, quantas novels, quantas histórias diferentes e garotas diferentes. Pela primeira vez, finalmente, ele toma a decisão consciente de se salvar. Não é se salvar por escolher salvar uma vampira decadente – é salvar a si mesmo e apenas a si mesmo por si mesmo. Pela primeira vez, Araragi Koyomi foi egoísta e pensou primeiro em si. Acho que não tem atitude melhor pra representar o momento em que ele transiciona da adolescência pra vida adulta, Raigho. Não cheguei a chorar, mas poxa, fiquei na beirada. Como toda essa fase jovem ainda tá muito perto de mim (time-wise), ainda é algo sensível. Realmente, Monogatari Series pode ser considerada uma série coming of age, entre aberrações e as coisas mais absurdas e ridículas, no final, é uma grande comédia sobre um adolescente que não se aceita. E precisa encontrar dezenas de monstros diferentes pra poder se olhar no espelho e aceitar a imagem que vê ali. Talvez ele tenha virado um vampiro pra não ter mais que ver o reflexo dele? Risos. A forma como o Nisio se encaminhou para esse ápice, essa conclusão final, ninguém pode negar – é tudo muito lindo. A ideia é tão pura e simples – um adolescente se aceitar – mas o caminho decorrido até ali é tão emaranhado de coisas insanas que representam perfeitamente a ideia de adolescência e o que falamos no começo: tudo na visão do adolescente é tão exagerado e novo que até o simples ato de aceitar a si mesmo é uma verdadeira… Pfff… Monogatari. Pfff.
Três, dois, um, HANEKAWA TSUBASA SALVANDO O DIA NOVAMENTE SENHORAS E SENHOREEEEEES A VERDADEIRA VENCEDORA DE MONOGATARI A BEST GIRL A BEST TUDO.

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Raigho: “Eu acreditava que não cuidar de mim era um gesto de amor aos outros”. A árvore brilhando, o Oshino fazendo a última e triunfal entrada, o milagre da Hanekawa! Que mulher! Que final! Aquele momento em que a Hachikuji agora tem um selo/crachá de “Deus”. “Caso encontre essa menininha perdida, devolver ao templo mais próximo.” A cena da Shinobu, ali é a Shinobu mesmo, abraçando o Araragi, tudo remete ao começo da série de uma forma tão bonita e diria até sincera. Os dois se abraçando, renovando a promessa ‘de vida’ entre eles, ela dizendo que vai contar a história do Araragi um dia, é tão bonito, eu fico emocionado só de lembrar da cena. A Hanekawa falando que “vendeu o cérebro” pra pegar o jato, melhores coisas pra se contar de forma casual.

Marcela: Se teve um momento no qual eu cheguei mais perto de chorar… Foi quando eles se chamaram pelo primeiro nome. Não, não aquela besteira no arco da semana passada, credo. Mas a Hanekawa percebendo que o Araragi chamada de “Hitagi” agora e tirando graça disso… E, por fim: “Bem vinda de volta, Tsubasa” “Estou em casa, Hitagi-chan”. Ah, meu coração explodiu, não teve como. Foi lindo demais. Eu… Ah, cara. Sinceramente nem sei mais o que dizer. Tô, de verdade, sem palavras. Foi lindo. Foi bonito. Só. Caralho. Que cena linda, Madoka do céu. “Tsubasa”, ah, caralho. Que lindo.

Raigho: A OST subindo ao fundo, a versão instrumental da OP. Os três ali reunidos, prontos para a formatura. Quase como no começo, um caranguejo, um gato e um vampiro, ou algo parecido com um vampiro, né. Meus olhos já estavam todos cheios de lágrimas, imagina nesse final? A cena dos 3 ali, a Kanbaru morrendo de chorar do lado com a kouhai dela ali do lado. Como a Shinobu diz, viveram felizes para sempre. Araragi correndo atrás da nova garota, se não me engano essa história/alguns eventos desse período são o assunto da Monster Season (Shinobumonogatari) e muitas outras histórias. Eu não sei se o SHAFT tem intenção de adaptar algo a mais e muita gente pode parar de ver aqui, acabou. A Off-season são detalhes sobre os personagens, histórias sem necessariamente um vínculo e a Monster Season são os anos de faculdade do Araragi (já que a Off-season pula esse período). Eu me sinto grato por ter chegado aqui ao lado da Marcela, eu espero que todos vocês, novos ou antigos leitores, se sintam igualmente felizes. Anos atrás, se não fosse por vocês, certamente não teríamos insistido. De todo nosso coração, obrigado.

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Marcela: Acho que com essa conversa, esse post e esse episódio, finalmente posso marcar o fim da minha adolescência também (ainda com carinha de 15). Terminar do jeito que terminou… Absolutamente perfeito. O Araragi enfrentando e salvando a si mesmo, finalmente. Todos eles, virando adultos, de um jeito ou de outro. Obrigada a todos os leitores mesmos por nos permitirem passar horas e horas falando bobagens sobre desenhos animados. Obrigada Raigho, por me acompanhar até aqui. E que adaptem a Off-Season, mal posso esperar pra ver a lobisomem que gosta da Hanekawa. E SHAFT, SEI QUE VOCÊS TÃO LENDO: SODACHI FIASCO. Por favor. Eu amaria um OVA disso. Sem diálogos. Só os monólogos cínicos da Sodachi. … But I digress. Obrigada, realmente, por me aguentarem, haha. Já posso parar com as piadas de começo e fim? pff

Raigho: Até a próxima Monogatari, se o orçamento do SHAFT permitir.

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8 thoughts on “Comentários Ougimanais pt.2 #3 – Ougi Dark

    • Hahaha, entschuldigung, Vegeta. Eu achei que era um arco focado demais em pontos importantes, então preferi não fazer muita gracinha. Mas quando puder, volto meu querido Deutsch!

  1. Acho que é a gente quem deveria estar agradecendo por tudo isso xD Seus textos, ou melhor, o blog de vocês dois cumpriu exatamente com o objetivo(ao menos para mim) e me fez virar um maníaco por essa série.
    Queria muito comentar diversas coisas sobre esse final, em especial pela cena do Araragi se despedindo da sua juventude, mas seria desnecessário, Monogatari fala por si mesma, e é justamente nisso que ela brilha.
    Mesmo com o final da série, espero que continuem trazendo texto, ou qualquer outra coisa sobre Monogatari, adoro ler os posts daqui.
    Agora rezemos para pelas próximas adaptações (acho díficil não ter). Preciso ver a Suou animada =S

    • Obrigado pela consideração, Marcelo. Ambos somos muito gratos a todos vocês, principalmente quando comentam. É que o shaft anda ocupado, até março tem 3-Sangatsu e depois novo Fate por eles, não sei quando vai rolar. Enfim, espero que aconteça.

  2. Outro detalhe interessante da Ougi com a Tsukihi é que o jeito que elas usam o apoio nas rodas da bicicleta é igual a como o Araragi e a Senjougahara andam no final do arco da Hachikuji, espero que tenha mais cenas delas juntas nos volumes seguintes. Afinal a Ougi é o onii-chan “legalmente permitido” dela xD

    • Com certeza, Ian. Acho um “throwback” imagético, de símbolos muito bons, retomar o começo da série nessas cenas foi incrível.

  3. Achei que faltou aquela tirada da Ougi dizendo que se a Gaen tivesse resolvido usar a Kokorowatari ela provavelmente teria vencido, e como a própria Gaen diz pro Araragi se orgulhar de ter criado uma das aparições mais poderosas haha. Aliás vocês acham que ela queria apenas revelar a identidade da Tsukihi ou tranformá-la em uma deusa? O contesto da conversa me levou a acreditar mais na segunda opção, já que resolveria o problema da cidade e colocaria ela fora da mira de outros especialistas por ser uma fênix (outra coisa pela Araragi se culpava).

    • É uma boa pergunta. A Ougi certamente queria dar um “desfecho” mais certo pra Tsukihi, mas por qual caminho é uma incógnita. Até eu fiquei curioso agora que você comentou sobre, vale pelo menos a reflexão sobre como poderia ter sido.

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