Kizumonogatari II: Comédia, ação e romance

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Uma superação do primeiro filme.

Yaho!

A gente disse que ia fazer o post, não disse? Vocês precisam se acalmar e confiar mais em nós, meus caros leitores!

Trago essa conversa para vocês muito mais animada do que a última que tivemos sobre Kizumonogatari – qualquer pessoa com um mínimo de bom senso deve ter sentido uma melhora estupenda nesse segundo filme. Seja no pacing, seja no roteiro, seja na animação. Mas por que será que melhorou? Será que talvez esse filme tenha sido algo mais próximo do que já estamos acostumados, seguindo, muito sutilmente, passos de um clássico filme de ação e aventura? Venham descobrir com a gente.

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Raigho: Hallo! Sem um “sentiram a nossa falta?” ou “desculpem a demora”, hoje será uma saudação breve, vamos guardar maiores emoções para o restante da conversa. Sem sombra de Owarimonogatari (Volume 3) e derivados, só nos resta Kizu! Ah! Kizumonogatari II finalmente, eu diria. Hanekawa em seu esplendor, Koyomi abrindo mão de sua humanidade! Eu diria que este filme é uma Ode à Hanekawa. “Hanekawa: Ame-a ou deixe-a”.

Marcela: Acho que você quis dizer “Hanekawa: Ame-a ou Por que diabos você não amaria ela“, meu caro Raigho! Sim, sem Owari 3 para ocupar nosso tempo, estamos esperando apenas mais novidades das LN e os BDs de Kizumonogatari. Falando desse último agora, que filme foi esse hein? Em comparação ao anterior. Talvez seja o fato de que teve muita Hanekawa – não, com certeza essa foi uma das melhores partes do filme. Mas senti uma melhora no geral, na maneira como foi desenrolada a história nessa adaptação. Senti que finalmente… Finalmente entregaram a calcinha da Hanekawa pra gente.

Raigho: Eu penso em Bakemonogatari, o anime mesmo, como produção de força bruta. Você pega uma obra “inadaptável”, coloca na mão de alguém pouco ortodoxo e faz uma mistura. Nasce algo estranho, mas notavelmente bom, singular. Kizumonogatari é sintético. É quando o criador já conhece o material de sua criação, é cirúrgico. Tão cirúrgico que é possível acompanhar o filme com a LN na mão feito um roteiro passo-a-passo. Kizu II foi uma sensível melhora se comparado ao filme I, tenho que admitir. Seja logo na apresentação com a OST soberba do Kousaki, tudo parece diferente e… só estamos a um filme de diferença.

Marcela: Tenho medo do que pode vir com Kizumonogatari III, porque já tivemos um filme muito ruim e um filme bom. Será que trarão um filme MUITO BOM? Ou trarão algo pior ainda? Porém, ficam apenas os pensamentos, porque nosso foco não é esse hoje. Kizumonogatari II. Que começo. Você percebe logo a diferença em como esse filme foi trabalhado pelas transições naturais feitas entre a luta com o Dramaturgy e a conversa da Hanekawa com o Araragi. Você não se sente perdido, consegue pegar uma fina linha de raciocínio que foi deixada ali.

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Raigho: Exatamente. Eles apresentam o Dramaturgy e o local de duelo, cortam pra conversa e voltam depois pra luta, transições bastante suaves. Gosto como Kizu II se apresenta, essa OST estilo balada eletrônica, algo mais intenso, enérgico, foi um bom tom para apresentar a primeira das batalhas. E sinto já que a Kiss-shot solta uma ironia quando o Araragi questiona sobre o Dramaturgy, ela diz: “é natural que vampiros se enfrentem”… enfim. Eu não sei todos pegaram porque isso são detalhes da LN, mas o Araragi tem um livro de aikido e de beiseboll na mão, a combinação estranha é porque ele ficou com vergonha de comprar só um livro do tipo “combate para idiotas”. De comprar pornografia ele não sente vergonha. Não sei admiro ou fico rindo.

Marcela: Acho que é admirável, de fato. Lembra daquele piada em Nisemonogatari, como você poder colocar “a coragem de” e tudo parece muito mais honroso e certo? Acho que nesse caso o Araragi levou ao extremo de sempre aplicar “a coragem de comprar descaradamente pornografia” e leva isso como um lema quase tão forte quanto a relação entre amizades e sua força como ser humano. Falando em amizades, entra a Hanekawa em cena, logo no começo (graças a Madoka). Eu adoro essa versão da Hanekawa, adoro mesmo – ela é uma das minhas favoritas. Não chega a ser tão… “Dark” quanto a de Nekomonogatari (Kuro), porém você consegue sentir “tem algo de errado com essa garota”. Por baixo de toda essa animação, por baixo de uma certa prepotência e falta de qualquer bom senso no que diz respeito a colocar a própria vida em perigo, você sente uma aura estranha. E é incrível como o Araragi aos poucos vai percebendo isso. Quando ele pergunta “não está na hora de ir pra casa?” você consegue quase que sentir uma flecha atravessando a Hanekawa com esse questionamento. É algo tão banal mas com uma significância tão forte, eu fiquei na ponta da cadeira, agoniada.

Raigho: Não é? O Nisio (pensando que ele escreveu isso depois de bake) já estabelecia hábitos. Ela sempre andando pela cidade altas horas da noite, sozinha, as vezes ligando pro Araragi. Não se enganem, esse filme é sobre a Hanekawa e o Araragi. O assunto dessa parte II de Kizu são eles. A Hanekawa chegando, aparecendo rapidamente a flor e o Araragi engasgando, gente do céu, como eu adoro esses dois. A Hanekawa sacaneando ele na cara dura, ah, é tão raro vê-la solta assim! E o Araragi tenta se desvencilhar porque ela ainda é uma menina aleatória, que se encontrou com ele por 10 minutos e tá na vibe “no friends”; a construção do Nisio para que nada seja “estranho” se for lido depois é fascinante. Por exemplo, o Araragi trava na hora de falar sobre matemática porque ele admite, internamente, que é bom no assunto, mas a Hanekawa deve ser ainda melhor. Ela sempre tenta se aproximar, o Araragi fica encarando fixamente, a linguagem corporal é claramente de um relacionamento beirando o sexual. Claro, a situação logo fica bastante obscura.

Marcela: Obscura é um apelido fofinho pra isso, Raigho. Acredito que muita gente tenha sentido uma vontade imensa de socar o Araragi na hora: “Como você pode falar essas coisas pra Hanekawa? Ela só quer te ajudar!” e coisa assim. Bom, você pode interpretar a cena de dois modos: o Araragi estava tentando afastar voluntariamente ela pra que não se envolvesse mais ainda na situação de vampiros. Ou… Esse Araragi não é o Araragi que estamos acostumados. Claro, ele é meio antissocial, excêntrico e particularmente estranho em todo o quesito de relações interpessoais – não falando apenas dos maneirismos e investidas sexuais dele. Mas o Araragi de Kizu é praticamente outra pessoa que estamos lidando. A Hanekawa muda várias vezes ao longo de Monogatari, mas ela essencialmente tem um charme que podemos dizer “ah, essa é a Hanekawa”. O Araragi passa por uma mudança, como é dito mesmo em Nekomonogatari (Shiro), capítulo 12 se não me falha a memória, pela própria Hanekawa – a transformação dele chega a ser um abismo. O Araragi em Kizu é assustado, é fraco, ele tem medo. Ele acredita com muita força e veemência que amizades enfraquecem você como ser humano. A maneira como a Hanekawa lida com o assunto vampiros é um gatilho imenso pra tudo isso.

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Raigho: Ele não fica tão emputecido por ela querer encontrar um vampiro (claro, é gatilho), mas por ele mesmo não conseguir aceitar a situação. Essa luta/embate do Araragi sobre ser um “monstro” percorre a série inteira, aqui sendo o ponto principal do dilema. “Eu sou vampiro, mas penso como humano e me sinto tal, o que eu sou?”, não há resposta. Sem falar no papo de “sem amigos eu sou mais forte“, isso antes da batalha contra o Dramaturgy! É no primeiro embate entre vampiros que o Araragi se dá conta da situação. O braço dele sendo arrancado, o grito (esse, de desespero), ele correndo pelo colégio, a realidade não perdoa. O filme descaracteriza um pouco os Caçadores, na LN o Dramaturgy mesmo conversa um pouco com o Araragi, inclusive o convida para se juntar a causa, são pequenas nuances que acho interessante ressaltar. Mas falando esteticamente, que luta! Que luta!

Marcela: Definitivamente, que luta. Acho que vale abrir um espaço pra elogiar o incrível trabalho do Hiroshi Kamiya, dublador do Araragi, nesse filme – na série como um todo ele é fenomenal, mas em Kizumonogatari em particular ele brilha muito. Os gritos de desespero dele são tão autênticos que só tento imaginar como devem ser as gravações, as pessoas ali assistindo isso. Verdadeiramente um espetáculo. E uma sensação muito particular que essa luta passa, de desespero. Gosto muito quando certas lutas passam essa sensação de “tá, e como ele vai sair dessa agora?”. Quando os dois personagens estão empatados, ok. Mas quando o protagonista está encurralado e você sabe que ele não vai ter um surto sayajin e tirar poderes da puta que pariu, resta somente a inteligência dele e o desespero pela sua vida. A atuação do Araragi aí me lembrou um pouco outro personagem famoso que ele faz, o Matou Shinji da série Fate. Passou o mesmo sentimento de desespero e pena.

Raigho: Sim! O próprio Kamiya falou que esse processo foi bem difícil, porque ele não tinha indicações/monólogos, era mais “o personagem vai sentir X”, foi um desafio pro elenco todo. A graça de Kizu é ver o Araragi (vampiro) pensar como humano. Na cena das bolas de beiseboll o Araragi só queria algo pra atrapalhar o Dramaturgy, ele não tinha pensando em confundi-lo para arremessar aquela bola mais pesada depois, ainda é raciocínio humano (com sorte) que o salva. E o Dramaturgy logo desiste porque não tem essa recuperação do Araragi (tanto que se pensarmos em retrocesso, assim que o Araragi recupera o braço tem uma expressão de choque no rosto do caçador). O Araragi resiste até inconscientemente a aceitar a ideia de ser um monstro.

Marcela: Essa afirmação do Dramaturgy e outras ao longo do filme vão reforçando de maneira sútil a superioridade que a Kiss shot tem. Considerando, como você disse antes, quando Kizu foi lançado, não tinha tanta informação sobre a Kiss shot como já temos hoje. Aos poucos vai fazendo o leitor/espectador compreender a importância que essa vampira tem para que três caçadores tão poderosos se deem a todo esse trabalho para matá-la, a importância que ela tem para todo o universo de vampiros. O quanto a linhagem dela é poderosa. E, claro, ao final da luta temos mais uma aparição da Hanekawa – ela escondida atrás do pilar, exatamente como a gente viu naquela primeira “versão” de Kizu logo no começo de Bake. Coração bateu forte relembrando. É divertido notar que Kizumonogatari 2 vai quase progredindo como um filme de ação/aventura meio sessão da tarde, onde o herói tem um desentendimento inicial com a heroína, parte para a primeira briga e eles se reconciliam depois, aprofundando mais ainda os laços entre eles. Seria um romance perfeito, ah, seria…

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Raigho: E tem uma mudança de postura no Araragi. Por mais estranho que soe, quando a Hanekawa mostra a calcinha de forma tão sincera (porque realmente foi sincero!), ele a compreende como outro ser humano. Alguém que ele pode olhar no olho, ele pede desculpas meio desajeitado ali, mas é sincero. Esse Araragi que a Hanekawa viu, que se diverte conversando, parece até outra pessoa, outro ser. A relação é estabelecida nesse momento. E a cena dela mostrando a calcinha foi algo incrível. Não, sério. Eu ri demais, demais, foi uma risada completamente sincera. A cena pareceu a coisa mais épica do universo, nem nessas cenas os caras perdem o humor. Monogatari é mesmo estranha. É uma cena séria, colocam humor e a imagem final é daquele horizonte com nuvens e os dois ali, em paz. O mais estranho de tudo é nada parecer estranho! Essa série é uma aberração. Ah, a Kiss-shot querendo pegar a perna pulando ficou uma graça.

Marcela:Mostrar a calcinha é sempre um momento sincero. Foi uma cena sensacional pra se vislumbrar. É divertido como eles tratam as cenas “sexuais”, digamos assim. Não fica um clima estranho de que é apenas algo pervertido, tem um leve tom de comédia por baixo que ameniza um pouco a situação e você fica menos desconfortável. E a Hanekawa nesse ponto não tem limites mesmo, né? Como não tem nenhuma Senjougahara na parada, ela realmente não liga, mostra a calcinha, coloca tudo a prova mesmo e só vai. Ah, se ela apenas tivesse tomado um pouco mais de iniciativa… Porém, estou divagando. A cena da Kiss shot foi muito boa e engraçada mesmo, e o Oshino corrobora com o que eu disse quanto a aumentar a fama da vampira e do seu legado. Além disso, começa a bater aquela dúvida tanto no Araragi quanto no espectador “será que isso vai dar certo? Será que ele vai mesmo voltar a ser humano?”. Assim como quase todo herói que sai numa “quest”, ele sai cegamente apenas vidrado no seu objetivo final, sem pensar nos pormenores. Com o desenvolver da trama, as dúvidas começam a surgir, os “e se” começam a se formentar… Só resta acreditar naquela vampira que ele salvou. E claro, Araragi sem camisa.

Raigho: Aí cortaram um diálogo que eu achei que perdeu muito. O Oshino indaga o Araragi com: “Olha, por favor, não se faça de vítima.”. O Araragi foi ajudar a Kiss-shot porque sim, não teve explicação. Talvez a presença da Hanekawa (naquele breve encontro) tenha sido um gatilho também, mas ele precisa assumir suas decisões e riscos. Não adianta ficar choramingando e o Oshino chama a atenção dele nesse sentido, lembrei muito da Nadeko, também se passando por uma vítima quando não o era. Enfim. A cena da camisa foi muito boa, nossa. Antes mesmo da cena já tem eles andando pela rua, aparece a Hanekawa com os óculos meio “embaçados”, ela estende a mão em direção ao Araragi mas se retrai. Já vejo a psique da Hanekawa ali, ela querendo se aproximar, sem a coragem de dar o passado, ela toca no Araragi e nem se dá conta “muito” do que faz até o comentário dele. É um filme de nuances.

Marcela: “Quer dizer que você já tocou no corpo de outros homens?” PERDI A MERDA. Esse momento que a Hanekawa estende a mão e retrai… Nossa, senti o self insert meu vindo de longe. Como nosso amigo lvlln, do blog Metanorn, comentou: no filme eles trouxeram muito mais do romance pro relacionamento entre Hanekawa e Araragi. Comentei com ele com o Raigho que, se Kizu fosse uma obra isolada, seria muito óbvio que a Hanekawa é a heroína com a qual o protagonista fica no final. A dor de ver o crescimento dessa relação deles pra saber o resultado final… Ah. Mas pra coisas mais alegres, será que gostamos mais desse filme também pela dosagem dele de comédia? Não faltam momentos animados, com uma OST e efeitos sonoros particularmente felizes. O momento que a Hanekawa acha a revista pornô do Araragi, praticamente estampado ali “ele comprou isso porque queria fapar uma pensando em você”. Bom. Demais.

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Raigho: A OST entrega muito algumas coisas. O Araragi com a Hanekawa, sempre aquele jazz sensual, baixinho ao fundo eu fico “MEU DEUS DO CÉU” os caras shippam mais que a gente. Acho que tenha alguma coisa a ver sim com as piadas, até certo ponto. Kizu I foi muito mixed feelings para que eu possa dizer “ah eu gostei/não gostei”, mas esse eu posso afirmar que curti bastante. Parece Teatro Kizu II, sabia? Você coloca 1 ato de cena X e no ato II coloca de cena Y não pelo constraste, mas sim para ressaltar. Depois dessa cena vem a batalha com o Episode e o pessoal mandando um ABRAÇÃO com a OST do primeiro trailer de Kizumonogatari foi show, de verdade; é uma luta muito de provocação essa, uma pena que tenham cortado parte dos diálogos. A Luta também ficou boa (porra, o Episode aparecendo com aquele fundo de névoa ao fundo e rindo, parecia que eu tava nos anos 80).

Marcela: NOSSA, VOCÊ FALOU MUITO CERTO AGORA! Aquela repetição do Episode ao fundo com a mesma risada, parecia ou uma luta de chefão em um jogo antigo puxando o limite do console ou um filme bem trash anos 80. De uma forma ou de outra, foi um aceno de cabeça ao passado e nostalgia. A luta inteira foi bem característica do Episode: debochada. Ele estava encarnado ali como personagem e como toda a ambientação da cena. Desde a OST, que ficou muito boa mesmo, até todas as escolhas visuais. No entanto… Tudo muda de figura quando a Hanekawa aparece na luta e é quase morta por ele. Até a maneira como ela tem seus orgãos arrancados fora, o sangue derramando e o intestino voando, tudo isso é feito de maneira artística e… quase bonita. Quase, porque continua tendo intestino voando. Mas a maneira como ela gira, é quase uma pirueta de balé. É quase uma “dança da morte”, uma morte de cisne. Decididamente a escolha certa levar Kizu pros cinemas, animar uma cena dessas seria igual a luta Araragi x Kanbaru em Bake com as cores misturadas, e acredito que estragaria muito o clima nessa luta em particular fazer isso. … … Cara, a Hanekawa acabou de ser morta. Mesmo sabendo que isso viria… Caramba.

Raigho: A expressão de dor dela e ela mesmo assim pedindo calma ao Araragi. Na LN ela fornece mais dicas de como derrotar o Episode, no filme o Araragi mesmo é quem tem o insight sozinho. Kizu é belo, até as cenas são poéticas, não esperava menos! Até o intestino da Hanekawa é bonito. O Araragi perde o controle e quase mata o Episode, nesse momento o Oshino intervém; pensando no papel de negociador dele, só quando seu cliente está prestes a ir para o lado “bestial” é que ele o impede, a pessoa precisa sempre estar entre um ponto e o outro, no equilíbrio da existência. E o próprio Araragi fica bastante chocado quando percebe o que estava por fazer e depois ele resgatando, abraçando a Hanekawa é uma cena muito bonita, simboliza bem a amizade deles. Realmente achei a luta muito boa também, essas risadas do Episode foram o charme. A Kiss-shot se transformando também foi incrível, cada vez mais ela parece uma Lady!

Marcela: Maaya Sakamoto (dubladora da Kiss shot) sempre entregando muito bem na mudança do tom de voz na medida que ela vai adquirindo seus membros de novo e se transformando. A calma da Hanekawa, tanto a instantes próxima da morte quanto no momento depois que o Araragi salva ela, exemplifica perfeitamente quando o Episode comenta, lá em Nekomonogatari (Shiro), como ele tinha medo dela. A aura assustadora que ela emanava. As atitudes dela nessas situações parecem normais, pro padrão Hanekawa, mas uma pessoa normal… No mínimo gritaria. Muito. E depois desmaiaria. Sequer pensaria em acalmar o próximo ou dar dicas. E começam os preparativos pra última luta, contra o Guilhotinecutter… Fazendo outro paralelo com Fate aqui, de certa forma ele me lembra o Kirei? Um pouco. Não que o Kirei fosse uma definição de fé.

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Raigho: O Guillotinecutter é um arcebispo de uma nova religião, pra ser exato. Ele dedica sua vida a caçar aberrações/exorcizar criaturas, em linhas bem gerais. E puta propaganda gratuita da coca-cola, espero mesmo que o SHAFT tenha pago as contas de casa, só faltou a musiquinha atual da coca-cola (marca registrada) pra ficar igual. Essa cena “final” da hanekawa/Araragi é a definição do relacionamento deles, o Araragi achando que tem culpa, ela assumindo que nunca fez um ato sequer por altruísmo e sim pura satisfação própria… inclusive a cena onde ela encontra um gato embaixo da escadaria é marcante. O lvlln, do Metanorn, disse anos atrás: “Mal posso esperar para a galera assistir Kizumonogatari e adorar a Hanekawa”. Ela se desnuda pro Araragi em muitos, muitos sentidos. Nesse foi emocional.

Marcela: O Araragi admitir que tem medo dela, chamar ela de santa. Recomendo muito aos leitore que, depois de verem Kizu II, assistam Nekomonogatari (Kuro) novamente. Você sente que o Nisio está preparando terreno pra começar a explorar a Hanekawa em Neko Kuro com essas afirmações do Araragi. “Eu não sou uma pessoa boa nem uma pessoa forte”, diz a Hanekawa, quando em Neko Kuro o Araragi fala as mesmas coisas pra ela – “Você é muito boa e muito forte, muito forte para seu próprio bem“. É tudo tão intenso, tão emocional mesmo, Raigho. Com a OST ao fundo, mais ainda. É uma cena pesada e leve, ao mesmo tempo. É leve, porque eles se aproximam mais ainda, é gratificante. Mas é tão, tão pesado. Ainda que tão próximos, tem tantos empecilhos. É o momento que a Hanekawa é mais honesta e mesmo assim você sabe que ela tá tão longe da redenção dela. O protagonista aí é o Araragi, então a Hanekawa apenas está surgindo em momentos convenientes pra ajudar ele. Tem todo um background ainda pra ser resolvido, mas o Araragi precisa resolver as coisas dele primeiro. “Vou pagar minha dívida com você pro resto da minha vida” – ele colocando ela num pedestal. Ah. Não dá, é muito bom, bom demais. Amo demais a Hanekawa.

Raigho: Sim! Exatamente! A Hanekawa é anormal, e olha que pra usar esse termo DENTRO de Monogatari tem que ser algo muito, muito notável. A promessa de sempre ajudá-la (Neko Kuro e Bake/Neko Shiro), tudo se constrói nessa cena. A OST também dando a carga emocional, ele pedindo pra ela esperar, a risada, a imitação dos batimentos cardíacos, chega a ser puro. A cena deles é infantil e honesta. A construção deles é como a de um casal que se envolve naturalmente, o filme todo indica isso, daí chega em Bake. Bem, não preciso dizer mais nada. A cena da calcinha, meu deus, vocês não imaginam como é pra mim que já leu essa bagaça umas 3 vezes VER AS CENAS todas ali, tão bonitas, o Araragi surtando com a calcinha na mão. Ah, foi lindo mesmo, amo demais a Hanekawa também.

Marcela: A cena da calcinha é algo que só poderia ser feito em Monogatari Series pelo Nisio mesmo. Só ele consegue transformar o ato de uma menina TIRAR a calcinha e entregar pra um cara em algo tão… Lindo? Estranhamente lindo e poético. E, exatamente como seria num filme sessão da tarde… Após uma incrível conversa onde o protagonista e a heroína/interesse romântico expõem seus sentimento, ela é sequestrada pelo último vilão. Chega a ser quase engraçado.

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Raigho: Sei lá, só jogando aqui, mas se ALGUMA menina me desse a calcinha dela na MORALZINHA eu aceitaria, acharia poético, tudo isso que você falou! Certamente guardaria pro resto da minha vida. I-Isso n-não foi uma indireta pra ninguém, ok? Foi só um pensamento. Quero dizer, numa época onde nudes se proliferam, uma menina te entrega a calcinha! Não é bonito? Não é emocionante? Ahem Certo, batalha final. Esse foi o meu GRANDE problema com o filme. O Guillotinecutter é provocação, ele zomba do Araragi e o obriga a ceder, ainda é mostrado no filme o desespero para resgatar a Hanekawa, mas. O problema é sempre o mas. Ainda mostraram bastante a crueldade do Guillotinecutter, então tá valendo. O Araragi usar uma árvore é bem simbólico não só pelo nome, mas se não me falha a memória, ele diz a Hanekawa que gostaria de ser uma planta, acho até que ela responde: “Uma planta. Algo que não é vivo, nem morto”. Desistir da humanidade é transformar o corpo dele em outra coisa. É aí que vem a aceitação final, “eu sou um monstro”. Pá.

Marcela: Você diria que ele é um BAKEMONO? Que essa seria a história dele virando um bakemono? Uma… Bakemonogatari?

Raigho: AH NÃO.

Marcela: BWAHAHAHAHAHA. Teve luta com o Guilhotinecutter? Nem sequer reparei, quando pisquei os olhos tinha acabado. Foi no mínimo broxante, pra falar a verdade. No mínimo. Ah, só uma curiosidade: quando o Kaiki se apresenta pro Araragi em Nisemonogatari, ele fala que “Ki” vem de árvore morta. He, Nisio. Mas é… A “luta”, não tem aspas o suficiente pra descrevê-la, com o Guilhotinecutter foi o ponto mínimo máximo, se me permitem o paradoxo, do filme.

Raigho: Sim, mostrou o Araragi correndo e tudo o mais, EMBORA realmente não tenha “luta” com o Guillotinecutter existem uma série de pensamentos até o Araragi chegar na resolução da árvore. Mas no geral o filme foi competente, bem mais do que eu poderia esperar. Um último comentário é sobre a canção francesa da ED – “étoile et toi” – “A Estrela e você”. A música toda é sobre “a estrela é você, você e eu”, “o mundo é lindo e você é o mundo”, “tudo o que eu vejo, tudo o que eu sinto, você é o meu mundo.” Não sei se chamo de poesia ou crueldade.

Marcela: Crueldade, definitivamente.

Raigho: Se eu tiver um último pensamento a dividir, ele certamente é: que o filme III seja ainda melhor. Vai ser esse filme que vai consagrar ou estragar tudo.

Marcela: Ah, o medo. Estou com medo do que vai vir. Só podemos esperar e torcer. Eu acredito que a cena do Araragi com os peitos da Hanekawa pode salvar qualquer coisa.

Raigho: Que Madoka te ouça e diga amém.
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8 thoughts on “Kizumonogatari II: Comédia, ação e romance

  1. Se não me engano, o Araragi diz que queria ser uma planta, então a Hanekawa provoca dizendo que, no fundo, ele ainda quer estar vivo, porque normalmente, quando se pensam em deixar de ser humano, você escolhe ser uma pedra, acho que era mais ou menos isso a ideia….

    Sobre o filme… Eu acho que teria ficado lindo se tivessem dividido as lutas,. Kizu 1 terminava com a Kiss-shot recuperando o braço(O que não deixaria muito “enrolado”), Kizu 2 teria as duas lutas e poderia explorar ainda mais a relaçã Araragi X Hanekawa(além de ir mais devagar), e o Kizu 3… Cara eu vou chorar naquilo, se adaptarem os diálogos como foi na LN, eu vou chorar kkk.

    • Mas essa conta aí o filme I cortaria muita coisa, seria inviável. O filme III vai ter um bom tempo ainda pra desenvolver o final.

  2. Um dia desses me disseram que Monogatari tem diálogos muito esticados que poderiam ser bem mais simples e com muito besteirol. O que vocês acham dos diálogos de Monogatari?

    • Diálogo é a alma da série. Isso não é lutinha ou SAO, tem densidade. Besteirol é a forma de dizer “meus animes de lutinha tem coisa acontecendo, nesse aqui só falam e a cena fica estática”, não é pra ser simples mesmo. Os diálogos são ótimos.

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