Uma conversa nível super-colegial sobre Danganronpa 3! (Side:Future & Hope)

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Uma conclusão desesperadora para uma série desesperadora e um final com falsa esperança.

Yaho!

Nesse post iremos concluir nossa conversa sobre o anime de Danganronpa 3 e a finalização da série que diz respeito as turmas que sofreram com a Enoshima Junko e o desespero. Hoje iremos terminar o papo falando sobre a parte “Futuro” do anime e o último episódio, a suposta “Esperança”. Apenas suposta, porque como sabemos o final foi ruim de doer – de desesperar. Mas não sou eu que vou falar isso, o Raigho e de novo nosso amigo Coutinho vão nos ajudar a entender o que deu errado e o pouco que deu certo.

Side:Future

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Raigho: Hallo! Raigho falando diretamente do escritório da Fundação Futuro (com o que sobrou dela, no caso) para encerrarmos, finalmente, uma loooonga conversa sobre Danganronpa 3. Hoje nos focaremos no Side:Future/Hope, ao meu lado tenho a minha companheira Marcela e o nosso ilustre convidado, o Estudante Nível Super-Colegial no quesito Danganronpa, Coutinho! Espero que todos tenham acompanhado o Side:Despair, faremos o nosso melhor para que esse seja tão bom quanto o anterior.

Marcela: E se você não acompanhou o Side:Despair, dá uma passada no nosso post sobre, onde debatemos sobre o que aconteceu com a Junko, o papel da Chisa, do Mitarai e a classe 77 como um todo – todo o desperdício de potencial que foi. Ah, Marcela aqui, mas vocês já me conhecem como Estudante Nível-Super-Colegial em Symphogear! Mas os holofotes do dia vão para o nosso amigo Coutinho, que vai nos ajudar a xingar a outra parte do anime de Danganronpa, a parte “killing game” por si só e a devida conclusão da série.

Coutinho: Eu sou o Coutinho, espero que possam curtir a conversa mas do que a gente curitu o anime (o que não vai ser muito difícil). Hoje vamos falar sobre o Side:Future, a matança da Fundação Futuro que deveria ser a conclusão da grande saga da Academia Kibougamine. A batalha final entre o desespero e a esperança.

Raigho: Exato. Confesso que foi essa parte que me deixou muito ansioso. Antes mesmo da estreia, quando eu vi que era o Naegi e companhia, ali, em outro jogo envolvendo mortes fiquei muito ansioso. Queria saber o que as ações do Naegi (leia-se: plano de recuperar os remanescentes do desespero) gerariam no mundo, entender a Fundação também seria legal. O primeiro episódio com aquela intro, mostrando os estudantes destruindo tudo, puxando coisa até de Another Episode, cara! Eu lembro de ter ficado até arrepiado, realmente gostei da tal “vingança do Monokuma” e a forma como foi apresentado.

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Marcela: Acabei vendo na ordem “contrária” e vi primeiro o Side:Despair, então foi meio que um choque ver os estudantes ali como remanescentes do desespero e sem dúvidas uma das cenas mais incríveis. Realmente dá um arrepio aquele começo. Porém, começando logo as críticas, achei que a introdução dos personagens novos me pareceu muito com o primeiro anime de Danganronpa, aquela coisa meio rushada e muita informação jogada, onde não dava pra se apegar muito a ninguém.

Coutinho: Mas acabou que a tão aguardado conclusão da grande saga da Junko e do Monokuma não envolveu a Junko nem o Monokuma. Sobre as introduções dos personagens, eu absorvi melhor porque eu já tinha traduzido todas as fichas de personagem antes, mas pros outros deve ter sido muita informação mesmo.

Marcela: EXATAMENTE, a gente já começa por aí. Uma conclusão onde tecnicamente nós não temos… Vilões? A pior solução possível. Não, minto, a pior seria “foi tudo um sonho do Naegi, na verdade nada aconteceu”.

Coutinho: Se fosse tudo um anime do Mitarai. Apesar de que esse anime é algo que eu realmente queria não tive acontecido de verdade.

Raigho: Olha, falando um pouco mais de como a situação surgiu: a morte da Chisa ali no começo (sem sabermos que ela tava sob efeito do Desespero/vídeo da Junko) foi chocante. Imaginava que metade ali iria rodar fácil, mas ela assim, logo de cara? Ainda mais sabendo que se tratava da “recém-descoberta” professora dos Remanescentes? Eu gritei “KODAAAAAAAAAAKAAAAAAAAAAA” com uma vontade sincera. Eu diria que até o episódio 6 eu achei legal, estava prosseguindo bem, acho. Novamente vamos cair no problema de ser 12 episódios, ainda mais se pensarmos que Danganronpa é uma VN, nós podemos rejogar, estabelecer relação com cada personagem devagar, fez muita falta o tempo extra no anime. Não que eu não tenha achado interessante as personagens, mas foi notável a ausência de tempo para N coisas.

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Coutinho: Meu primeiro problema com anime foi a morte do Bandai e falsa morte da Asahina. DanganRonpa sempre foi uma série que fazia questão de garantir que nenhum personagem fosse desperdiçado. Matar a Chisa primeiro foi uma excelente escolha porque ela manteve seu papel protagonista no outro Side até o final. Matar a Asahina a seguir também era o ideal pra comprar tempo pra trabalhar os personagens novos. Aí de repente ele mostra que a Asahina na verdade nem morreu, quem morreu foi o personagem que você acabou de conhecer. Bandai e Gozu foram jogados no lixo sem caracterização nenhuma. Foi esse o momento que me fez perceber o quanto Free Time Events fazem falta. A morte do Great Gozu foi ainda pior em retrospecto porque você que a Asahina passou o anime inteiro sem fazer nada que não podesse ser substituído por ele.

Marcela: Convenhamos e convenhamos que a Asahina teve um papel muito ínfimo nesse Side, né? Gosto muito da personagem dela, mas a sua participação foi bem fraca, mais como um agrado para quem tinha saudades dos personagens antigos. E que desperdício mesmo foi aquele gigante de cabelo enrolado dublado pela Rie Kugimiya! Nossa, ele seria O DESTAQUE do anime por tamanha contradição, mas deram um screentime que… Acho que a morte mais “morte” de todas foi a da Chisa, quando você já se apega a ela no Side:Despair. As outras mortes foram se tornando irrelevantes porque você não ligava pros personagens que estavam morrendo. Nós não sabíamos nada sobre eles e, no final, o núcleo de personagens que realmente colaborou com a progressão da história foi muito pequeno – Naegi, Munakata, Juzo, Kirigiri, Mitarai… E você pode colocar o Togami aí no finalzinho.

Coutinho: Mas nem todos foram perdidos. Os episódios da Seiko e do Kizakura foram muito bons e a progressão do Sakakura, da Ruruka e do Mitarai no decorrer da série foram melhor ainda.

Raigho: Concordo com o Coutinho nesse sentido. O Side:Despair deu algum estofo para essas personagens, eles (tirando o Munakata/Chisa/Sakakura que naturalmente tiveram muito destaque) foram até desenvolvidos de forma legal, mostrando o passado, essa relação de submissão da Seiko com o casal foi interessante. O Sakakura que eu considerei cuzão boa parte da série (e o Side:Despair até que ajuda a entender isso) teve uma transformação impressionante. Essa devoção/amor dele ao Munakata mesmo sabendo da relação dele com a Chisa, o cara honestamente queria estar ao lado do amigo, independente de como fosse. O outro anime ajudou bastante a desenvolver essas relações, mas a galera que estava estritamente ligada ao Side:Future ficou um pouco a deriva. Mostrou o Ex-Diretor e o amigo do pai da Kirigir, entretanto não foi o suficiente. Free time fez mesmo muita falta. Gostei do tema “Esperança x Esperança” entre o Munakata x Naegi, isso sim foi cativante. A fixação do Munakata (coisa que a Chisa instigou) em querer destruir todo o desespero, o Naegi tentando provar a todo custo que isso era puro extermínio, sem nenhuma vitória real.

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Coutinho: Esse conflito do Naegi com o Munakata realmente seria muito interessante se tivesse sido levado a uma conclusão. Tinha várias temas excelentes. Palavras vs ações. Perdão vs punição. Paz vs Justiça. Pena que o desfecho final deles foi só uma reunião do Clubinho da Waifu Morta(tm).

Raigo: Perdi.

Marcela: Eles basicamente estavam um no pescoço do outro, sentaram numa mesa de boteco e foi mais ou menos assim:

“Minha namorada morreu, cara”
“A minha tá morta faz um tempo”

E viraram amigos. Acho que essa foi uma das coisas mais broxantes.

Raigho: O Munakata com o “Banalidades” pra cima e pra baixo encheu o meu saco uma hora e odeio admitir, mas vocês têm razão. Não teve conclusão o embate… err… ideológico? Lembro do Shirou x Archer quando penso nesse tipo de conflito, a luta deles me deu uma sensação maior de conclusão. De que “houve uma resposta” para ambos os lados. No caso do Naegi x Munakata terminou naquela conversa meio “é-a-gente-perdeu-muitos-amigos-etc” e ficou sem desfecho.

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Marcela: “Vamos parar antes que morra mais gente”, basicamente. Foi uma batalha de atrito que o Munakata perdeu. Eles precisaram envenenar a Kirigiri pra poder resolver o problema.

Coutinho: Se fosse pra fazer um final que evita a pergunta ao invés de responder, ao menos fizesse uma resolução engraçada, tipo o episódio de Another Episode. Puxando o gancho daí, esse episódio foi o maior guilty pleasure que eu já tive na vida. Ele fez com que a segunda melhor obra série perder qualquer tipo de conclusão que ela poderia ter e jogou o todo o build-up na Monaka no vaso e deu descarga 5 vezes, mas ele fez isso de forma tão absurda e surpreendente fiel ao personagem do Komaeda que eu sinceramente não consegui ficar puto. Além de ter a maravilhosa piada em retrospecto de que a Monaka foi a personagem mais helpful pro Naegi no anime inteiro.

Marcela: Esse episódio foi o meu favorito por motivos de Toko, apenas. Sinceramente não vi muita ajuda dele na história como um todo e foi mais um “agrado”, com exceção da dica da Monaka. Apesar de ter amado, talvez se tivessem usado ele um pouco melhor podiam ter expandido mais alguns personagens, ou mesmo a batalha do Munakata contra o Naegi (que pra mim continua sendo algo muito broxante, a maneira como ela foi sendo arrastada para uma conclusão tão mal feita e sem graça).

Raigho: Nossa. NOSSA. Meu deus. O episódio sobre Another Episode, putz. Eu realmente consigo ver a Monaka, na maior honestidade, agindo daquela forma. Mas o jogo AE desenvolve tantos sub-enredos sobre cada um dos garotos e vários detalhes, foi um pecado ter sido só um episódio e dessa forma. Brincaram sobre “bom, a gente devia fazer um DLC ou outro jogo de AE, a história foi boa” e alguém deve ter gritado “Bora fazer conclusão no anime mesmo que um episódio funciona”. Tem coisas muito pesadas em AE, gostaria de ter visto mais detalhes sobre os meninos mesmo ou algo parecido. O Monokuma certamente riu do desespero alheio nesse momento.

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Marcela: Considerando a temática fundamental de Danganronpa, quero acreditar que a intenção do Kodaka com tudo isso foi causar o desespero dentro de um anime sobre desespero e esperança. Enquanto a gente tem a falsa impressão de que a esperança ganhou do desespero, na verdade ele ganhou, de tão ruim que foi o anime. Mas vamos nos colocar nos eixos: voltando pro desenvolvimento Munakata x Naegi x Tengan. No início parecia promissor, e depois disso foi descarrilhando. A volta do VÍDEO DE DESESPERO veio com tudo com esse “killing game sem vilão”. Aliás… Tudo isso só pro Mitarai fazer o vídeo. … Olha, não sei como começar a discorrer sobre tudo isso. São muitas falhas.

Raigho: Lembro que o Coutinho (foi você né?) disse que a aplicação do vídeo do Desespero tinha sido melhor utilizada no Side:Future porque não violava o desenvolvimento dos personagens. No Side:Despair isso destruiu qualquer carisma ou caminho dos personagens ao desespero, no Side:Future era sobre o Naegi revisitando os mortos, as pessoas enlouquecendo e se suicidando. Foi uma situação tensa ver o Naegi revendo os amigos de classe, a Maiz(ena)ono-san.

Coutinho: O Tengan não aguentava mais matar desesperos e resolvir atrás de uma solução definitiva. Foi aí que ele vi no Mitarai uma solução definitiva. O Mitarai podia criar um anime definitivo que iria destruir a capacidade de todos os seres humanos de ser violento e Tengan viu isso como a solução perfeita, mas o Mitarai era hesitante de destruir a individualidade dos seres humanos. A partir daí as opções do Tengan eram:

a) Discutir com o Mitarai pra convencer ele da necessidade do vídeo
b) Roubar o celular e passar o vídeo
c) Criar uma matança com todos os líderes da fundação dele e fazer o Mitarai assistir para que ele entre em pânico e transmita o vídeo

Claramente a c é a escolha mais óbvia para qualquer bom velho com motivações complexas.

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Raigho: Motivações complexas. Sim, Uchikoshi. Eu falo sério, não é possível que o Kodaka/Uchikoshi não tenham trocado ideias demais. É muito óbvio, tipo, muito mesmo óbvio. Eu fiquei inconformado, se o cara fosse um Desespero até conseguiria entender (ou não, se bobear piorava), mas sério que você vai matar sua organização inteira só pra convencer um garoto que nem tem resistência psicológica direito? Sério? Você não conseguiria mandar um discurso motivacional? É subestimar demais as personagens, o telespectador, o enredo, nem sei o que mais.

Marcela: Quando o vídeo foi mostrado pela primeira vez, onde o Tengan admite ter feito tudo, pensei “BOM, ele é um desespero, faz sentido. Que bom. Ele é o vilão.” Mas depois vem a lógica de que na verdade ele fingiu isso só pra poder motivar o Mitarai a mostrar o vídeo que ele já tinha feito… Não dava, não dava mesmo. Não tem como a gente aceitar um plot twist desse. E os monitores todos do Monokuma? E toda a preparação das salas? O próprio Monokuma reaparecendo, as pulseiras? Vocês conseguem entender o quanto de tempo foi gasto na preparação de um JOGO MORTAL dentro de uma organização que deveria salvar o mundo, e como esse tempo podia ter sido usado em… Não sei, CONVERSAR COM O MITARAI?!

Coutinho: A parte mais bizarra é que os plano original assumia que o Mitarai não viria para a reunião de punição do Naegi. Aí quando ele apareceu, as opções do Tengan eram:

a) Deixar o Mitarai solto do lado de fora do prédio.
b) Entregar o Mitarai para o cúmplice nunca mencionado que estava pilotando o helicóptero pra matar o Hagakure.
c) Preparar um bracelete extra de última com uma nova ação NG específica pra ele e jogar o moleque no jogo onde ele corre altíssimo risco de morrer.

Novamente, letra c de certo. O Tengan é muito bom em fazer escolhas, hein? Ele apostou na sorte ainda mais que o Komaeda nessa aí.

Marcela: O pior ainda é como os personagens vão levando isso relativamente numa “boa”. Eles são os bastiões da esperança e aceitam a ideia desse jogo completamente sem noção, do assassinato de companheiros simplesmente por… Nada. Eles não estavam lutando contra nada. Porque não havia vilão. … Estou muito triste e a gente nem falou ainda de como o Kamukura é foda por ser foda.

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Coutinho: A gente não mencionou o Kamukura no Side:Despair? Bem, de qualquer jeito, ele foi aqui do mesmo jeito que ele sempre foi em toda a série. A máxima continua: “O Kamukura é tão entediante quanto ele é entediado“.

Raigho: Eu honestamente nem vou falar do Hagakure, agora, o Side:Hope… o “desfecho” da saga… o “grande arco do final que vai durar um só episódio”. Qual foi a finalidade KODAKA INFELIZ de trazer os caras de volta? Eu joguei DR2, eu tremi naquele final com a Junko dizendo: “se vocês quiserem, eles voltam, mas com a minha personalidade“. E agora, do nada, eles voltam todos juntos? Tipo o plotpoint do “Kamukura tudo consegue”? O Coutinho ainda falou sobre o Komaeda aparecendo o nada, etc.

Coutinho: Esse epílogo foi errado em tantos níveis que eu acho que tenho mais coisa ruim pra falar dele do que da carne do anime. Vamos começar fazendo um overview da character arc do Hinata. O Hinata era um garoto perfeitamente ok que descartou sua identidade e suas emoções porque ele não se sentia bom o suficiente. DanganRonpa 2 nos dá toda uma saga pra fazer esse moleque entender que ele já era bom o suficiente do jeito que ele era. Aí chega ele aqui e simplesmente alcança o Mitarai fazendo coisas que seriam impossíveis pro Hinata normal, que teria morrido em 5 minutos no tiroteio. Eu nem vou comentar que ele tava casualmente matando gente porque esse nem é o ponto. Aliás, o talentos do Kamukura também foram necessários pra acordar todo mundo. O problema é que o nosso final “eu escolhi viver como Hajime Hinata” foi um pouquinho jogado no lixo.

Raigho: Sim, porque ele diz “não foi de todo ruim a minha escolha”… quero dizer, você tá aceitando que matou todo mundo e isso deve entrar como desenvolvimento de personagem? Se ele continua com os poderes, então foi tudo pelo ralo. Não teve “sacrifício”, nada, foi só para fechar/concluir qualquer tentativa de enredo.

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Coutinho: A pior parte: a narrativa sempre tratou a escola como monstros por usar o Hinata de cobaia e no final isso foi completamente necessário pra salvar todos os amigos, então isso pinta a esperança ridícula deles como certa. Hajime Kamukura foi um erro gravíssimo em todos os aspectos.

Marcela: Um dos piores problemas nesse lado Hope foi a quantidade de coisas descartadas. Como você bem disse, descartaram o desenvolvimento do Hinata como Hinata, já que o Kamukura acabou sendo necessário pra… Bom, tudo. O DR2 pareceu que foi só um grande… Sonho? Porque de repente eles acordaram, apesar dos pesares e do vírus da Junko. Acordaram bem, prontos para salvar o mundo, sem nem se questionar direito sobre o que havia acontecido. Na pressa de concluir logo a história, passaram igual um rolo compressor sobre tudo que haviam construído até ali pra poder entregar algo, não importando o quão mal feito fosse. Voltando ao Tengan: ele fez um killing game todo para o Mitarai usar o vídeo, que no final foi cancelado pelo Kamukura. É difícil aceitar que esse trem de pensamento passou pela cabeça dos diretores como uma boa ideia.

Coutinho: Gostei da facilidade com que o Mitarai foi convencido a desistir da ideia tosca dele porque ele tava hesitante desde o começo, mas a classe 77 não precisava agir como se o Mitarai conhecesse essas pessoas. Pareceu mais falso que a esperança que ele queria passar.

Marcela: Ele mal estudou com eles. Só conhecia o Impostor bem, e a Tsumiki… Bom, mais ou menos. Passou boa parte do tempo fazendo anime, depois o vídeo do desespero… E de repente estavam todos lá igual no final de Evangelion, mandando um “Parabéns” pra ele.

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Raigho: É, eles quiseram “incluir” o Mitarai entre eles, como se ele tivesse sempre pertencido ao grupo. Ok, justo, ideia louvável, mas isso soa muito plástico, falso. O Hinata mesmo só foi desenvolver laço com os “colegas de escola” durante Danganronpa 2 na ilha e durante os julgamentos. Ele acreditava que existia um laço anterior, mas era mentira, a partir disso ele construiu verdadeiras amizades. Teve todo um contexto e enredo para o Hinata. O Mitarai foi muito “m-muh amigos, m-muh lugar” e o Hinata todo “cara relaxa, é só colar com o bonde”. Porran. Não é tão bonito e prático assim. O Hinata/Kamukura é tão foda, mas tão foda e talentoso, que teve a ideia de DIALOGAR com o Mitarai. Realmente, incrível.

Marcela: Precisou do Ultimate Hope pra ter a ideia de conversar antes de fazer todo mundo se matar.

Coutinho: O Kamukura tem o talento de analista da Junko e terapeuta da Miaya.

Marcela: Não esqueça do talento mais poderoso de todos, que ninguém em Danganronpa tem: bom senso.

Coutinho: Ok, agora vamos passar pro próximo problema do epílogo. A Classe 77 se vilanizar pra proteger a imagem da Fundação Futuro foi ridículo, desnecessário e sem sentido. O Naegi, que deveria ser o herói da esperança que conseguiu reabilitar até os desesperos, fica como o imprestável que deixou eles escaparem. Os Desesperos, que tiveram todo aquele trabalho do segundo pra se reabilitarem, escolhem se isolar de novo ao invés de se reintegrarem na sociedade. Eles prometeram seguir em frente carregando o peso dos erros dele, mas aí esse anime diz que os erros não foram exatamente deles (lavagem cerebral) e ao invés disso faz eles fugirem do mundo carregando os erros de outras pessoas. A única imagem pública que se beneficia com isso é a do Tengan, a única pessoa que não merece.

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Marcela: Ou seja, uma sequência de planos absolutamente inúteis e repletos de falhas. Uma coisa mais ridícula atrás da outra, tentando se justificar no meio do caminho. Uma coisa que achei que Danganronpa pecou e que poderia ter ajudado seria a gente ver como está o resto da sociedade naquele momento. Tudo bem, a maioria caiu em desespero, mas a gente só tem um seleto grupo de pessoas ali fora desse desespero. Queria que tivessem mostrado as pessoas “normais” que estão sobrevivendo pra gente ter uma ideia se esse plano todo de vilanizar eles era necessário.

Raigho: Assino embaixo nesse ponto. Assino com muita raiva, sangue e lágrimas. Não fez sentido o final. Nada nele. Teve o aceno de cabeça entre o Hinata/Naegi, o Komaeda fazendo graça, beleza, mas e o resto? Quero dizer, todo o resto? Como assim os personagens que mais quebraram a cara, mataram entes queridos e todo o resto… se mantêm nas sombras? “Proteger a Fundação Futuro”? Uma ova! Eles continuam se ferrando e agora pra sempre. O mundo não precisa saber que tem uma fundação inabalável os protegendo (embora eu entenda a lógica). Era melhor explicar, mostrar o sacríficio de todos e restaurar a situação. A Kirigiri viva, a escola sendo reconstruída e eu só gritando por dentro.

Marcela: KIRIGIRI MORTA É O CARAL- Eu sempre soube que ela não morreria. Seria muito estúpido. … Aliás, não sei mais o que a gente pode considerar estúpido aqui.

Coutinho: A Kirigiri e as vítimas do segundo jogo estarem vivas e bem foi puro fanservice desnecessário e completamente fora do clima de DanganRonpa. Não dá pra dizer que esperança é seguir frente se não tem nada pra eles superarem. Isso também mancha a cena da morte da Kirigiri, que foi uma das poucas coisas que o anime fez com perfeição. Pelo menos a Seiko salvou alguém, o que algo bom, mas ainda tá muito sem cara de DR. Todos os outros finais da série tiveram um padrão consistente de que o protagonista teve uma grande vitória, mas mas o desafio ainda não acabou e eles usariam toda as esperança conquistada aqui pra enfrentar esse desafio.

1: Eles derrotaram a Junko, mas ainda tem que lutar pra sobreviver no mundo destruído.
/Zero: A Junko conseguiu o melhor desespero da vida dela graças ao Yasuke, mas ela ainda tem muito trabalho pela frente pra organizar o 1
2: Os sobreviventes saíram da simulação, mas ainda tem que continuar vivendo com o peso dos crimes que eles cometeram no passado
Another Episode: A Monaka foi derrotado e supostamente foi embora de Touwa City, mas a guerra entre crianças e adultos continua e a Komaru toma a decisão de não sair da cidade até destruir até o último Monokuma ali

Aqui não tem esse grande senso de desafio. É muito insatisfatório desse jeito.

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Raigho: Eu vou sintetizar a minha ideia/sensação geral: eu me diverti assistindo. Foi legal, entendem? Bacana, eu ficava ansioso pelos episódios, assisti semanalmente com muito afinco. Curti algumas coisas, outras me deixaram muito irritado. E teve esse final “feliz” e isso não é Danganronpa. Não é a vida, pra ser ainda mais preciso. Você termina uma batalha e entra em outra, o ciclo se repete. Achei reconstruírem a Kibougamine algo de muito mau-gosto. Demolissem ou a deixassem como monumento. Qualquer opção era melhor do que essa. A Kirigiri ali, o Naegi como diretor. Eu me senti feliz pela paz que eles alcançaram, mas isso é DR? A série que tanto bateu na tecla do Desespero x Esperança terminar dessa forma? Nesses termos? Eu fico feliz por ver eles sorrirem, mas isso não é a série que tanto me cativou. Só faltou o Kodaka mandar um “abraço, a gente se vê em New Danganronpa V3 que vai ser certinho”.

Coutinho: Não tem problema eles reconstruirem a escola, mas por que o Naegi virou diretor? Nunca foi insinuado que ele queria isso e essa era o sonho do Munakata desde sempre. O cara perdeu um olho, duas waifus, um mentor e todos os planos que ele tinha pro futuro. Metade disso porque ele tava sendo traído a um bom tempo. Deixa o cara ficar pelo menos com a escola, não aconteceu nada de bom com ele em momento algum. Eu nem gosto do Munakata mas acho que pelo menos isso ele merece. Eu sei que ele é um merda de pessoa e tem muito potencial pra ser um merda de diretor, mas eu acho que ele aprendeu com os erros dele ao menos o suficiente pra não reimplantar o sistema social elitista que habilitou a Junko a destruir o mundo. Falando em aprender com os erros, todo esse apocalipse começou porque essa mesma escola fez um grande serviço de esconder as tragédias que envolvem ela. Aí qual é a base da fundação dessa nova Kibougamine? Isso mesmo, a galera escondendo os erros do Tengan. Pelo menos nessa parte ninguém aprendeu nada.

Marcela: Ou seja, não houve nem uma conclusão propriamente dita. Porque no final das contas foram muitos erros cometidos e muitos erros repetidos, o que é pior ainda. Parece que jogaram todo desenvolvimento de personagem até ali no lixo. Quando vi esse final, foi logo o que pensei: “Porra, essa escola que fez a maior cagada, vão fazer OUTRA? Eles acham que só existe uma Junko na Terra?”. Parece que tão pedindo pra desgraça acontecer de novo. É difícil pensar que alguém ficaria satisfeito com explicações tão ruins e motivações tão fracas.

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Coutinho: Talvez eles acham que tá tudo bem porque eles são amigos do Deus Ex Machina humano.

Raigho: Eu nem sei mais o que dizer. Quanto mais eu penso no quesito “diversão”, mais buracos eu vejo. No enredo, nas personagens, na produção dizendo que “anime era a única forma/melhor meio” para o final da série. Não sei onde ou como, mas DR3 foi um desfecho lamentável. Na mídia escolhida, na execução, em tudo basicamente. Muito mais uma VN nos moldes tradicionais, que fosse sem elementos de ação, do que esse anime. A Kibougamine, o Naegi, o Hinata, a Junko, tudo parece que perdeu o seu brilho, o valor contido nesses detalhes e pessoas. Foi um triste final para uma história tão boa.

Coutinho: Acho que só foi desse jeito porque o Kodaka teve a ideia do anime dual-airing e resolveu experimentar. Eu acho que realmente deu certo como um experimento. O sistema do dual-airing funcionou perfeitamente, a comunicação entre os dois Sides foi muito boa. DanganRonpa 3 falhou feio e grave como estória, mas funcionou muito bem como experimento dessa ideia de sistema.

Raigho: Concordo, estimulava a pessoa a assistir, desenvolveu em 2 pontos diferentes muita coisa, como experimento funcionou.

Marcela: A conclusão é que Danganronpa 3 poderia ter ido muito mais além. Mesmo com as limitações do formato anime e apenas com 12 episódios, se tivessem trabalhado em cima dessa limitação, poderia ter saído algo bom. O problema foi que o anime parece que foi feito como adaptação de uma VN… Que não existe. É compreensível o primeiro anime ser rushado, não tem como adaptar todo o free time do jogo. Agora, quando você tem um anime com história original, você não pode usar a desculpa de que “não deu pra adaptar em 12 episódios”. Você tem que partir da premissa que precisa entregar um anime satisfatório com esse número de capítulos. Se não tem como fazer Free Time, diminui os personagens. Traz mais personagens que os outros jogos desenvolveram, porque aí não precisa trabalhar neles. Ou deixava, por exemplo, o núcleo “novo” de Chisa, Munakata e Juzo. Parece que… Não sei. Não pensaram direito. Talvez seja só o Seiji Kishi mesmo.

Raigho: Honestamente já resumi o que pensei. Erro atrás de erro, enredo que não tinha o mínimo de coesão ao fim, uma pena. Bem, agora é a parte que o Monokuma nos arrasta e começa a punição, já estou ouvindo o “Upupupu” dele. Agradeço a participação do Coutinho, ele fez toda a diferença. Assim como a participação da Macchan sempre me ajuda. Obrigado aos envolvidos.

Marcela: E obrigada de novo Coutinho pela sua participação na nossa conversa, trouxe um conhecimento mais apurado sobre a série Danganronpa. Agora o Raigho vai para a punição dele de assistir Symphogear todo de uma só vez e a minha vai ser assistir Aoharaido… E disseram que a Nanami sofreu.

Raigho: …A punição do Monokuma soa menos dolorosa. Bye bye.

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