Uma conversa nível super-colegial sobre Danganronpa 3! (Side:Despair)

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Desespero? Esperança? Não… Danganronpa 3.

Yaho!

Semana passada chegou ao fim um dos poucos animes que estava acompanhando na temporada. E poxa, como eu escolhi mal. Como vocês vão ver na nossa conversa, o segundo (apesar de como nome ser o terceiro) trabalho de animação da série Danganronpa começa exatamente como a vida colegial deles: um pouco de esperança pra atolar em desespero depois. Parece que o anime foi feito pela própria Junko, para fazer os fãs caírem em desespero. Pelo menos é a única explicação pra dizer o que houve com esse anime.

Mas, não estamos sozinhos nessa conversa. Além de mim e do Raigho, chamamos um caro amigo nosso do twitter, @ComunCoutinho, tradutor amador de japonês e especialista em Danganronpa, para ajudar a desvendar quem matou o terceiro anime. Esse julgamento parece que vai ser complicado.

A conversa vai ser separada em duas partes: primeiro vamos cobrir o Side:Despair do anime e em um futuro próximo iremos falar sobre o Side:Future. Fiquem ligados!

Side:Despair

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Raigho: Essa será uma conversa desesperadora. Uma verdadeira discussão ininterrupta! Eu e a Marcela estávamos pensando em fazer algo a respeito de Danganronpa 3 (na verdade a ideia partiu dela), daí pensei que seria interessante convocar alguém que compreenda a série/tenha um entendimento grande dela. O convidado de hoje é o Coutinho (@ComunCoutinho) que muito gentilmente aceitou o convite. Vamos falar de DR3 no geral, mas também mencionar o passado da série, algumas contradições e… essa coisa estranha que foi a conclusão da série. Muito estranha.

Marcela: ZETSUBOU SHITAAAAAAA!… Opa, anime errado! Mas a ideia é parecida. DESESPERO, muito bem dito, Raigho, é uma conversa desesperadora. Só que, ao contrário de Monogatari, essa área nós ainda temos algumas deficiências… E queremos passar para vocês, leitores, uma visão profunda e completa sobre a série Danganronpa. Mas, principalmente, o desespero desesperador e decepcionante que foi DR3. Opa, me antecipei. Caham… Coutinho, pode iluminar nossos leitores um pouco acerca dessa série?

Coutinho: Sem problemas. DanganRonpa é uma série que se originou em 2010 como uma VN investigativa (alá Ace Attorney) e depois seguiu em todas as direções imagináveis. Pouco após o lançamento do primeiro jogo, foi lançado a light novel DanganRonpa/Zero, focado na vilã Junko Enoshima, e o segundo jogo no mesmo estilo do primeiro jogo. Essas 3 releases foram feitas num intervalo de aproximadamente um ano, então o 2 já tinha começado a produção antes do 1 estar vendendo. Após isso, a série ficou parada até 2014, onde ele voltou em várias formas incrivelmente experimentais. Primeiro temos DanganRonpa Another Episode, um spin-off third-person-shooter do jogo de investigação. Esse ano tivemos Killer Killer, um mangá que escondeu a sua identidade como spin-off de DR durante os primeiros capítulos e o assunto de hoje, DanganRonpa 3: o anime dual-airing. Claramente, o Kodaka gosta de inovar de maneiras inusitadas.

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Raigho: Que homem! Mais introdutório que isso não ficaria melhor. Eu particularmente conheci a série através de DR1 (anime), daí fui procurar a lore/eventos dos free time dos personagens (conversas sobre eles, o passado, etc). Comecei a jogar mesmo em Danganronpa 2 (que jogo sensacional), depois conheci também DR:AE (que foi estranho no começo, mas depois me apaixonei). Não sou tão entendido quanto o coutinho, mas sempre gostei muito do enredo, do Naegi, Komaeda (Trash but love)… a ideia toda de Esperança x Desespero sempre foi muito interessante. O “leitmotiv” da série é isso. Ver seus amigos morrendo, tendo de julgar cada um deles, sempre foi uma série bem intensa. Danganronpa 3 fez algo parecido, mas não foi tão… feliz na execução, eu diria.

Coutinho: De fato DR3 teve uma péssima execução (cue 20 minutos de Nanami morrendo).

Marcela: Bela introdução do Coutinho, com certeza. Notei que ele passou por cima do anime de Danganronpa 1, porque, convenhamos: foi um mais ou menos. Da primeira vez que assisti achei meio trash, e da segunda vez assisti apreciando como trash mesmo e apenas isso. A ideia que a pessoa tem que absorver pra assistir Danganronpa de uma maneira… “Aceitável” é a de que não é algo SÉRIO. Acho que alguém comentou isso comigo no twitter, não sei se foi o Coutinho ou o Coelho – mas, de qualquer forma, é um anime meio “exagerado”, tanto na ideia de desespero e esperança quanto em outros aspectos (o cabelo dos personagens nem se fala!). Porém, até para os níveis de exagero, de algo fora dos padrões, DR3 foi… Uma decepção, no geral. O que é incrível porque teve DOIS animes explicando tanto passado e presente, e os dois falharam.

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Coutinho: É, eu não mencionei o anime do 1 porque ele não é uma estória original.

Raigho: Sim, achei uma adaptação bem mediana, falta coisa demais, nem compensava mencionar. Assim, entrando no anime de DR3 de fato agora, tenho muitos problemas com ele. Achei a ideia do “Arco do Futuro” melhor que a do Desespero. A do Desespero beirou algo muito gráfico, quase desnecessário. QUERO DIZER, olha os episódios da metade final da série. A tortura por conta do vídeo (essa ideia…) e muitas outras coisas. O Arco do Futuro começou muito bem, eu gostava demais da ideia de um “battle royale” mais fechado, entre os membros da fundação, mas aí…

Coutinho: Os dois lados tiveram bons conceitos iniciais (em especial a Desespero pra mim), mas as duas seguiram as piores decisões de roteiro que as duas poderiam tomar. Depois disso, tivemos um epílogo Side:Hope, que em míseros 30 minutos conseguiu ser mais errado que o resto do anime. Vamos começar por qual deles?

Marcela: Olha, primeiramente gostaria de dizer que concordo com o Coutinho e discordo com o Raigho: achei que o arco Desespero começou melhor que o Futuro, porque o Futuro parecia um repeteco do Danganronpa 1. Então a ideia do arco de Desespero começar com uma comédia, slice of life, de maneira a introduzir a gente pros personagens de modo que a gente pudesse se importar com eles, foi interessante. Achei toda a ideia inicial de criar essa empatia por eles justamente pra nós vermos que eles são os grandes causadores do Pior Evento da Humanidade muito boa. Especialmente com o tom mais “dark” que esse arco foi pegando, enquanto o Mirai foi começando bem sem graça.

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Raigho: Então vamos pelo Desespero, melhor. Eu já gostei deles desde Danganronpa 2, mas ficava aquela curiosidade sobre QUEM e COMO tinha causado certas coisas. O famigerado “Twilight Syndrome“, toda a história do caso por trás que foi reduzida a 1 episódio e meio, praticamente. Mas sim, foi bem legal ver eles no ambiente comum, estudando, apresentando a professora (que deve ter sido a base pra Monomi), além de ver que o Hinata desde o começo tinha esse complexo de inferioridade. Complexo que o levaria a tomar decisões muito erradas. Muito. erradas. Foi um “sentimento complicado” ver eles felizes e tudo o mais, sabendo o destino deles, as ações deles, essa parte acho que causou a intenção desejada.

Coutinho: Side:Despair foi anunciado pela primeira como uma estória sobre como a classe 77 caiu em desespero. Sem dúvida alguma, foi o anúncio mais hype da minha vida. Eu esperava estórias extremamente pessoais sobre cada um deles e suas interações com a Junko. Inclusive, antes desse eu já tinha minhas ideias bem formadas da motivação de cada um deles, então eu até montei um bingo pra marcar quais eu acertei e qual eu errei. No final eu só acertei o Kamukura. Mas perto da release, a forma desse Side já estava mais clara. Ele começaria como uma comédia mais light-hearted até se desenvolver no mais puro desespero, tudo isso enquanto cobrindo uma lista de eventos pré-estabelecidos da série, além de se comunicar com o Side:Future. Eu estava bem satisfeito com esse formato, principalmente depois de ver o episódio do Twilight Syndrome. Ao invés de perder tempo animando o que a gente já sabia, eles se focaram em mostrar o evento sob um ponto de vista que não tinha sido introduzido antes, eu teria achado excelente se todos os outros eventos também tivessem esse mesmo tratamento.

Raigho: Hum, interessante. Concordo, queria ver eventos novos também, ao invés dos antigos, eu queria a Maior das Tragédias, esses detalhes. Essa forma “assista o Side:Future e o Side:Despair seguidamente” estimula o telespectador. Você assiste um pedaço e sabe que vai ter conexão com o outro! Eu não sou o maior entendedor de roteiros e tudo o mais, pensando também naquilo do Kodaka ter dito que “só poderia ter sido executado como anime”, mas alguma coisa deu errado. Não sei se foi o planejamento do enredo, se foi pensando em 12 episódios, mas alguma coisa saiu do controle. Porque ele sempre teve tanto cuidado pra estabelecer eventos, chega então o anime com o maior hype² e puff, some tudo. Metade alegria, metade um plot-point que parece ter sido tirado do bolso pra esclarecer tudo. Uma VN de 50 horas pelo menos cobriria o enredo como ele havia sido estabelecido, já que o anime anulou algumas coisas.

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Marcela: O Coutinho falou bem algo que eu estava esperando melhor do Side:Despair, que foram essas histórias extremamente pessoais. No final das contas esse lado do Desespero acabou agrupando os personagens da classe 77 em um só, muitos personagens tiveram pouca relevância e eles acabaram focando no Mitarai (que a gente ainda não conhecia) pra poder dar a relevância que ele teve no Side:Future e na Nanami, apenas pra conseguir arrancar as lágrimas no episódio dela. Foi essa a impressão que eu tive. Achei legal os primeiros episódios fazerem a gente se sentir felizes pra arrancar o desespero, foi uma jogada bem Junko, mas depois foi ficando algo genérico, ao ponto de ter aqueles momentos em que todos os personagens falam em sequências apenas uma fala. Tipo “Vamos salvar a sensei!” “Sim, vamos (frase especial do personagem)!”.

Coutinho: Eu gostei de absolutamente tudo sobre o desenvolvimento do Mitarai como um personagem isolado, mas jogando isso dentro do contexto, a construção dele foi feita de um jeito que destrói completamente a construção de todos os outros personagens desse Side. Adoro o Mitarai, mas tudo seria muito melhor se ele não existisse.

Marcela: Você falou perfeitamente tudo que senti, Coutinho.

Raigho: Até porque o Mitarai não havia sido mencionado, assim como o fucking vídeo de lavagem cerebral. Mas antes de entrar nesse detalhe, vamos falar da Enoshima Junko. Parece que existia uma Junko antes desse anime e agora tem outra. A Junko parecia uma explosão de desespero, uma personagem “descontrolada”, instintiva. E, não sei se é bem essa expressão, mas a ideia que ela se tornou humana. Lógica, racional. Não a chamando de burra, mas ela se tornou palpável. É isso. Palpável. A Junko parecia um ser de outra dimensão imbatível/intocável, agora não, eu aponto pra X pontos nela e faço uma longa descrição. Tinha mais mistério, não sei se caiu bem o desenvolvimento dela e o surgimento do Mitarai.

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Coutinho: A caracterização de fato foi errada em diversos níveis. Foi absolutamente perfeita no episódio de introdução dela, mas depois disso foi tudo ladeira abaixo.

Marcela: Sim! A Junko parecia outra personagem. O que é estranho, porque ela tem muitos personalidades, mas não vi quase nenhuma além daquela menina “genki”.

Coutinho: Humana, lógica e racional ela foi desde o Zero, mas aqui ela perde muito o humor característico dela, a capacidade de manipulação e até um pouco das redeeming qualities dela.

Raigho: Talvez seja isso. Você consegue colocar melhor em palavras do que eu. Perdeu alguma coisa nela, na ideia do Mitarai. A Chisa eu achei um ponto muito bom e colocado. A professora, aquela que testemunhou e foi vítima junto dos alunos, essa foi muito tocante. Não só na parte da tortura, mas todo o trajeto e manipulação que ela fez nos bastidores da história, ela sim achei muito bem encaixada no enredo geral. A relação dela/Munakata/Sakakura foi até interessante, mas só isso não basta. Side:Despair pecou muito no final. Demais, demais. A morte da Chiaki (a forma) foi desnecessária. Entendo o “shock value” da cena, mas precisava? Mesmo? Poderiam ter inserido algum outro tipo de tortura para combinar com o vídeo, nem faço ideia mais. DR2 dizia que a Junko pesquisou sobre cada um deles especificamente, agora foi tudo pelo ralo.

Coutinho: Pras melhores caracterizações da Junko, eu recomendo o Zero e o Another Episode. No Another Episode temos a Junko botando uma boa lenha na fogueira de ambos os lados conflito através do Shirokuma e temos o recrutamento dos Guerreiros da Esperança, que foi feita ouvindo os problemas deles quando ninguém mais ouviu, simpatizando com eles e os incentivando a resolver os problemas deles da forma mais extrema possível (matando a família). Apesar de tudo, a Junko foi genuinamente boa com essas 5 crianças e é essa a Junko que eu queria no Side:Despair.

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Raigho: Sim! Até porque a Monaca idolatra ela, o quarto e toda aquela vibe estranha. Mas a Junko, de certa forma, ajudou.

Coutinho: As manipulações da Junko vinham da capacidade dela de conhecer as pessoas (como ela fez muitíssimo bem com o Mitarai e o Sakakura, mas isso não é suficiente). Aqui ela não teve a necessidade de se importar com os melhores subordinados dela.

Marcela: Ela nem chegou a conhecer eles propriamente, em Side:Despair. Foi aquele “encontro” com o Mitarai e depois com a Mikan. Através do próprio Mitarai conheceu a Nanami e viu ela como forma de manipular a turma, mas apenas no geral, não individualmente. A Chisa, por outro lado, achei a personagem nova que mais deu certo em ambos os animes. O crescimento dela e a maneira como ela realmente enganou a nós e aos personagens foi incrível. Realmente me surpreendeu o fato de ela ser uma dos “Desesperos”. Assim como o trio de amigos, foi uma das coisas que conseguiu puxar alguma emoção de mim. Bom… Como entramos na Junko e no Mitarai. Sigh. Vou me arrepender, mas podemos falar sobre o que acharam do… … Vídeo… de Desespero?

Raigho: Eu achei um plotwist digno do Kotaro Uchikoshi. Quem pegou essa já vai compreender a essência da comparação.

Marcela: Não entendi, mas estou animada porque adorei a Chisa.

Raigho: Literalmente plotpoint pra justificar falta de tempo/ENREDO. Não tem outra explicação. Eu pelo menos não consigo achar. Talvez o Coutinho saiba.

Coutinho: O maior problema com a lavagem cerebral nem é como isso “nerfa” a Junko, é como isso fere a individualidade da Classe 77. Cada um deles tem a sua estória pessoal bem definida, de um jeito que tem aquele espaço aberto pra você deduzir como a Junko iria puxar eles. Mas no final isso foi feito de um jeito que as backstories deles não importam, as construções deles não importam, os sentimentos deles não importam. Nada naqueles 14 personagens importou no final das contas. Poderia ter sido qualquer turma.

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Marcela: Perfeitamente dito, podia ter sido qualquer pessoa, assim como FOI qualquer pessoa, com aquele vídeo inicial.

Coutinho: Sobre a Yukizome, ela imediatamente virou a minha personagem favorita no primeiro episódio do Despair. Os shaneanigans dela como professora foram todos maravilhosos. O hype baixou um pouco quando começou a focar mais na investigação dela com o Sakakura, mas eu ainda amava. Aí ele lobotomizada e eu simplesmente perdi a capacidade de sentir qualquer coisa. Como eu já disse acima, o destino da personagem é um que os sentimentos dela não importam. Ela deixou de ser um ser humano pra mim. Não consigo gostar, não consigo sentir pena, não consigo culpar pelas ações, não consigo odiar. Minha opinião final sobre a Yukizome é o mais completo nada. Bem, o uso da lavagem cerebral da maneira que foi usada foi o pior erro desse lado, mas além disso tivemos outros problemas que eu achei bem grave. O primeiro é a participação do Komaeda na finale. Ele sabia da existência e da localização da base da Junko e veio preparado pra confrotá-la. Isso abre centenas de perguntas, mas dá pra misturar e reduzir todas elas uma pergunta só: “como?”

Raigho: Plot. point. PLOTPOINTPLOTPOINTPLOTPOINT. Imagino o Kodaka batendo a cabeça no teclado, tipo, o que SAIR SAIU VAMO. No fim a gente joga um: “O Kamukura é mesmo talentoso” que resolve.

Coutinho: O que podemos presumir é que ele realmente achou a base por acidente e chutou certo o nome da Junko. Os outros problemas que eu quero falar sobre não é reclamação sobre coisa que aconteceu, mas sobre coisa que não aconteceu. O primeiro ponto é a criação da realidade virtual. O segundo jogo estabelece que o Neo World Program foi criado a partir de um esforço coletivo dos SHSLs Programador (Chihiro Fujisaki), Neurologista (Yasuke Matsuda) e Terapeuta (Miaya Gekkougahara). Side:Future fez questão de introduzir o membro do time que estava faltando, então esparavasse um momento dos 3 trabalhando junto pra lutar contra a tragédia. Mas ao invés disso, a estória é colocada de um jeito que implica que a Miaya fez tudo sozinha usando os trabalhos póstumos do Fujisaki e do Yasuke. Pra completar, a Miaya nem é um personagem de verdade em nenhum dos Sides.

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Marcela: Eu ainda não entendi bem a personagem dela, achei bem bagunçado.

Raigho: Verdade, isso envolve mais o enredo de DR:Zero. Infelizmente não acompanhei/li até hoje, mas você tinha me mandado uns resumos bacanas. O enredo todo parece contradizer qualquer evento anterior.

Coutinho: O segundo e o que mais me enche de ódio porque eu sou biased as fuck é a presença do Yasuke. Ele foi COMPLETAMENTE APAGADO da estória. Tudo que temos do Yasuke é um cameo de 2 segundos dele olhando pra janela no episódio 8 sem sequer dar pra ele uma voz. E aparentemente a gente tinha que agradecer por isso. Ele é relevante pra cirurgia cerebral do Hinata/Kamukura (eu tava legitimamente esperando o episódio do Projeto Izuru Kamukura ser sob o ponto de vista dele até), é relevante pro ingresso da Junko na escola, poderia ser relevante pro plot ruim sobre cérebros e é relevante para o Neo World Program. Sem contar que ele deveria ter percebido que o protesto era coisa da Junko e deveria ter ido atrás dela fazer alguma coisa. Mas aparentemente “lol ninguém leu /Zero” então resolverem tirar o Yasuke de tudo em que ele deveria ser importante.

Raigho: Isso eu estranhei demais! Ele apareceu por segundos e eu fiquei “Ué???? Cadê o plot do Zero na história??”, cortaram tudo, fiquei surpreso também por não terem mostrado nada parecido.

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Marcela: Eu senti que muita coisa em Danganronpa 3 foi dada como “ah, a série é exagerada assim mesmo” e justificativa. Tipo o vídeo de despair e a repercussão do mesmo pelos alunos. O projeto do Kamukura também, muita, muita coisa.

Coutinho: Nem ao menos um cameozinho da Otonashi pra me deixar feliz…

Marcela: No final, o Side:Despair foi uma montanha, na minha opinião. A gente foi subindo pra algo que poderia ser bom e depois foi ladeira abaixo. A Chisa foi uma excelente adição e achei ela como “protagonista” muito boa. A Classe 77 foi… Decepcionante. Não joguei o Danganronpa 2, então eu não tinha tanto conhecimento prévio dos personagens, mas acho que mesmo se tivesse eles passaram em branco. Tudo bem, o foco no Mitarai porque ele foi relevante pro Future. Tudo bem, o foco na Nanami porque ela foi um estopim como a “morta da esperança”. Mas todo o resto… Todo o resto foi mal executado. Talvez poucos episódios? Acho que não, acho que 12 episódios poderiam ter trabalhado muito melhor do que fizeram.

Coutinho: Eu também não gostei da Nanami aqui. Ela claramente tem seus pontos positivos. O foco em como ela tem dificuldade pra interagir com as pessoas porque ela é puro games já deixa ela bem mais humana que a Nanami virtual, mas isso só dura um episódio e depois de um Esmejes da galera ela já se torna automaticamente o gênio da socialização.

Raigho: Ou fizessem 24 episódios só de uma coisa, depois uma VN, não sei, alguma forma melhor empregada, elaborada! Não é possível que tenham criado o enredo assim todo feito nas coxas, qual é! DR sempre tomou tanto cuidado, pra culminar nisso? Orra. A Chiaki foi interessante, mas abrupto, como o Coutinho colocou. Errou mais do que acertou, embora tenha aquela parte dentro de mim dizendo: “T-Tá tudo bem, f-foi legal, é o que conta.

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Coutinho: A partir daí, ela vira a esperança da turma da maneira mais “tell, don’t show” possível. Isso podia ser resolvido fácil se tivesse um episódio dela acalmando a turma (de preferencia focado no conflito do Kuzuryuu com a Mahiru) enquanto a Yukizome tava fora.

Marcela: Nem a HanaKana me fez gostar da Chiaki, e eu adoro a HanaKana. Nós basicamente tivemos aquele slideshow de imagens de AMIZADE entre eles jogando Smash e Mario Kart. E de repente aquela turma que nunca frequentava aula já estava unida.

Coutinho: Em resumo, Side:Despair me prometou uma estória sobre como o Tanaka, a Peko, o Impostor, etc. caíram em desespero e entregou uma estória sobre como a Classe 77 caiu em desespero. Apesar dessa propaganda enganosa, ele ainda conseguiu ser o melhor anime que eu já vi durante as 5 primeiras semanas, até começar a decair na sexta e se tornar o pior que eu já vi. Preciso muito de uns bons 50 dias no Neo World Program pra esquecer que essa desgraça algum dia existiu.

Raigho: Concordo. Eu tento pensar no sentido de “foi divertido”, mas não nega a catástrofe que foi. Pouco tempo pra coisa demais. Pra falar sobre CADA um deles, seus sonhos, os passos da Junko, tudo resumido em uma coisa: vídeo de lavagem cerebral. Poderia ser qualquer classe, realmente. Não teve um apreço ou apego a eles como indivíduos. Senti uma falta honesta disso, desses detalhes. Tivesse escrito uma LN ou VN mesmo para expor tudo isso com calma, em moldes tradicionais, o efeito seria bem melhor. Uma pena.

Marcela: Verdadeiramente, eu criei esperanças imensas pra esse Side:Despair logo no começo. Cheguei a comentar com o Raigho “Poxa, Danganronpa tá diferente, esse anime tá muito bom!” e ele me disse que o autor tava diretamente envolvido, então aumentei mais ainda as expectativas. Infelizmente, foi a mesma coisa rushada que tivemos na primeira temporada do anime. Não deu tempo de se apegar em ninguém e o vídeo de lavagem cerebral deixa esse gosto muito amargo na boca de “podia ter sido qualquer um”. É um gosto muito ruim de se ter porque você perde qualquer empatia que tem pelos personagens, pelo simples pensamento recorrente de “podia ter sido outro. E daí que são eles? Não faz diferença”, e isso começa a girar na sua cabeça e o sentimento some. A Junko, que é uma personagem que amo, acabou entediante e perdeu boa parte da graça que tinha. A Mukuro nem se fala – não teve nem o espaço que eu gostaria que ela tivesse tido. Continuou a mesma coisa que vimos do DR1, uma soldada. Só. Side:Despair pareceu um daqueles doces estranhos que no começo você morde é doce, depois vem o recheio amargo. E amargo. E amargo.

Coutinho: Leite estragado seria a melhor metáfora.

Raigho: Terminamos a conversa sobre o Side:Despair em desespero, muito mais do que os alunos. Nos encontramos aqui, de novo, para falar sobre o Side:Future logo mais. E claro, contamos com a presença ilustre do Coutinho na próxima, novamente.

Marcela: No… Caham, futuro!

Raigho: …Eu esperei a piada do Coutinho, veio da Marcela. Realmente, encerramos por aqui.

hoooooope

Agradecemos imensamente a participação do nosso amigo ComunCoutinho, pela ajuda com o conhecimento dele sobre a série! Deixem seu amor por ele nos comentários e o que acharam desse anime que fez a criançada pirar.

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One thought on “Uma conversa nível super-colegial sobre Danganronpa 3! (Side:Despair)

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