Kizumonogatari I – Comentários Burlescos

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Mais esperado do que o próprio filme, chega o comentário!

Yaho!

Quem diria que um dia estaríamos aqui em um post comentando sobre o filme de Kizumonogatari? Quem diria que poderíamos dizer o nome do filme sem atrasá-lo mais 6 meses? Vou contar pra vocês uma coisa, japoneses sabem como fazer os outros trabalharem em cárcere privado. A demora, no entanto, não importa mais! O filme finalmente está aqui e é tudo que esperávamos ou mais… Será?

ss+(2016-08-10+at+07.33.23)

Raigho: Monogatari Series é muitas coisas. Aclamada, odiada, curiosa, interessante. Quase uma lenda urbana que nós ousamos falar a respeito. A série em si é uma aberração sem definição certa. Hoje, finalmente, algo tomou forma. Kizumonogatari, um conto, um encontro, um ferimento. O filme, a estreia! Mas… e se ele não tivesse correspondido a nossa ideia? Será que existe realmente uma forma de se adaptar Monogatari corretamente? Preparem-se, não é só o sangue do filme que vai escorrer por aqui. Bem-vindos aos comentários especiais de Kizumonogatari I: Tekketsu-hen.

Marcela: Sangue de aço, sangue quente, sangue frio. Não, não estou falando da vampira lendária Kissshot – estou falando dos nosso comentários hoje, aqui. Depois de tantos anos, promessas, anúncios falsos e tantos outros ocorridos que transformaram esse filme em uma verdadeira lenda urbana – uma kaii, se assim permiterem -, finalmente temos ele em mãos. Não vimos na telona, mas nas nossas casas. O sonho que se tornou realidade. Ou será que não? Meu querido Raigho falou exatamente algo importante a se destacar: “uma forma de se adaptar Monogatari corretamente”. Hoje, o principal será o filme, mas também queremos dissecar essa ideia e fazê-los entender o porquê do filme não ter nos agradado tanto (especialmente a mim) quanto poderia. Ai ai, Raigho. E é só o primeiro filme.

Raigho: Vamos a um detalhe que é essencial para pensarmos em Kizu e na série: Oishi Tatsuya foi quem dirigiu Bakemonogatari e entrou em algum buraco (leia-se: cárcere privado) para criar o filme de Kizumonogatari. De Nise em diante quem cuidou da série foi Itamura Tomoyuki. Foquem nisso e pensem com cuidado onde estaria a diferença óbvia na abordem. Oishi pensou no cinema e que todos que estivessem assistindo deveriam observar a história através do Araragi, sem filtros e sem pensamentos. Itamura transforma narrativa em monólogo. É a primeira vez (dentro da série) que ela parece ter se transformado em outra coisa que se choca com a nossa ideia de “essa é a adaptação certa de Monogatari”. Os 5 minutos iniciais do filme remetem a Bake (e o diretor, Oishi, encara como uma continuação do próprio trabalho) por imagens. Cansaço, dor, Araragi subindo as escadas em espiral (semelhantes a uma outra, onde alguém cai…). Fogo, corvos, sangue. Transmite em sensações o que palavras jamais fariam. Esse é o primeiro ponto de conflito, creio eu. Na LN (eu assisti o filme praticamente com ela na mão) o Araragi está tímido, travado, tanto que ele solta um “já adianto que o final será infeliz, assim não terei como recuar”. Uma caracterização que acho muito importante, mas Oishi cria um novo cenário e ideia através dela.

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Marcela: Então, vamos começar a falar sobre essa abordagem e a cena inicial. A arte do filme realmente é algo que só poderia ser produzido em cárcere privado, porque é majestosa. Não tenho dúvidas de que todos os animadores estavam presos desde que terminou o anime de Bakemonogatari só para fazer os filmes de Kizumonogatari. Porém, começo minha primeira crítica nessa cena: a maneira como o Araragi é mostrado, pra mim, não condiz tão bem quanto eu imaginava ele na novel. Não estou apenas falando sobre como ele foi caracterizado até agora nos animes, mas na novel mesmo. A sensação que tive com essa primeira cena foi um excesso teatral que acabou prejudicando a cena. Sim, Monogatari é formado de alguns exageros – linguísticos, cômicos, sexuais… Porém, na minha visão, a série consegue manter em sua estrutura um certo teor discreto em momentos mais sérios, inclusive nos personagens. Porém, logo nesse começo vemos um Araragi que… Desculpem-me, mas não parece o Araragi. Fora isso, a cena realmente é belíssima e transmite bem as emoções, em especial o destaque nas cores.

Raigho: Eu sustento um ponto de que o Oishi transmite bem o Araragi. Se você pensar, pelo menos aqui, que essa cena inicial já é uma parte adiantada do filme, que o garoto acabou de despertar e está desnorteado… soa coeso. Na minha mente o Araragi de Kizu é alguém em desespero por longas semanas, sem ter contato com quase ninguém (não que ele tivesse antes, mas né, vocês entenderam). É um garoto que grita, pula, dá mortal pra trás, enfim. O Araragi amadurece e se torna mais calmo nessas situações conforme a série avança, mas aqui sinto um desespero honesto, na LN ele grita muito, corre, corre, grita. Mas sinto que tirar a narrativa fez com que algo se perdesse, a sensação de “que estranho” ainda permanece em mim. Por exemplo, no segmento seguinte, que é o da Hanekawa (que mulher! que animação!) com a calcinha, o Araragi descreve a calcinha dela por boas páginas, é uma cena que considero icônica e no filme ficou até “normal”.

Marcela: Ah, a Hanekawa… Antes de entrarmos fundo em um comentário só sobre como ela está nesse filme, vamos voltar bem para essa parte da narração mesmo, Raigho. Foi algo que inclusive alguns leitores comentaram conosco na página do OtomeGatari no Facebook (que você pode curtir ao lado), sobre como o filme está… “Quieto”. Monogatari, para mim e acredito para tantos outros, é uma história de palavras. Ah, claro, é uma light novel, é um livro, claro que tem palavras – não, não apenas o óbvio. As palavras, os diálogos são uma parte essencial da construção da história. Verdadeiras lutas são travadas sem levantar um punho, apenas por diálogos. Nós conhecemos os personagens melhor pela maneira como se expressam do que por flashbacks. E nós conhecemos o Araragi melhor pela maneira como ele narra do que por qualquer outra coisa. É verdade, uma imagem vale mais do que mil palavras – mas uma boa palavra vale mais que mil imagens. A ausência da narração do Araragi, dos monólogos, é outra coisa que na minha opinião tira um pouco da essência dele. Afinal, ele está ali contando sua história. Acho que tem um limite pro quanto você consegue capturar apenas visualmente, mais ainda em uma série como Monogatari, a escolha de retirar os monólogos foi uma escolha bem errada. Monogatari Series não é uma história quieta. A quietude, em especial nesses 5 minutos iniciais, é algo que me incomodou demais. Senti falta de conteúdo, falta de vida no filme. Até mesmo o diálogo com a Hanekawa, algo que esperei tanto foi… Fraco. Honestamente, sinceramente: fraco. Agora, vamos falar de algo forte, que é o vento nessa cidade e como ele balançou os peitos da Hanekawa!

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Raigho: Como você disse, virou algo burlesco, não é? Vistoso aos olhos, mas se pensarmos muito desanda. Sim, o silêncio do Araragi é algo muito estranho. É quase um filme em primeira pessoa, literalmente só pela visão do protagonista, a sensação de que isso destoa da série que conhecemos é muito forte. Não levantando a ideia de “Oishi was a mistake” porque o cara fez Bake, mas para nós, a série é formada por palavras, conflitos. Prefiro deixar em aberto se o que o Oishi fez foi de todo mal, mas vamos falar sobre isso em outras partes adiante. Como Kizumonogatari tá bonito não? O vento, a expressão de choque da Hanekawa, o olhar do Araragi VIDRADO naquela cena. Ele queimou aquela visão no cérebro dele pro resto da vida. Gosto muito do olhar dos personagens. Eles transmitem tão vividamente os sentimentos de ambos. O Araragi visivelmente desconfortável em conversar com alguém (pensando agora em Owarimonogatari e tudo o que ocorreu com ele), a desconfiança literalmente de trocar poucas palavras com a Hanekawa. Isso ficou muito, muito bom. A hanekawa zoando ele/brincando “meu deus você tem amigos?” justamente por isso o Araragi é famoso no colégio, todo mundo vê ele andando sozinho, não dando a mínima, isso o transforma em alguém famigerado (utilizando o aqui o duplo sentido que a palavra pode ter). Pensando ainda que Kizu veio depois de Bake, o Nisio estabelece personalidades e ideias que não se contradizem depois, até realçam certos eventos.

Marcela: Vemos pela primeira vez animada a famosa frase “ter amigos faz você fraco” do Araragi. E, sem dúvidas, que Hanekawa, não é? É impressionante como tanta coisa meio errada nesse filme, eles conseguiram pelo menos acertar ela. E, se me permite fazer um comentário a parte sobre ela: algumas pessoas vieram falar comigo a respeito do character design dela, em especial do quão mais sexualizada a personagem realmente ficou. Vocês podem apenas concordar com a cabeça e dizer que se aconteceu, foi pelo fanservice, mas tenho uma contraproposta a isso, e tudo que falamos até agora corrobora com meu ponto. O Raigho bem disse que a história parece muito se passar em primeira pessoa, e gostaria de levar isso até a maneira como a Hanekawa está no filme – vamos lembrar que esse é o primeiro encontro formal dos dois, e mais ainda, começa com um vislumbre da calcinha dela. O motivo do design da Hanekawa ter sido tão realçado na parte sexual foi porque estamos vendo precisamente a Hanekawa que o Araragi vê. Sim, ele vê ela como uma estudante honrosa e que tira notas absurdas, mas mais ainda, ele sexualiza ela logo no primeiro encontro. Não é a toa que pouco depois ele se vê na necessidade de comprar revistas eróticas que remetem a ela. Mais ainda, essa questão toda da sexualidade dela vai ser um ponto importantíssimo para certos acontecimentos da história. Então, infelizmente ou felizmente, podemos dizer que a participação da Hanekawa aqui tem como ponto vital a sexualidade dela. É o que desencadeia a história toda em Kizumonogatari e o que vai desencadear certas atitudes e decisões do próprio Araragi. E sim, vocês acabaram de me ver falando pra caramba só pra justificar porque ela tá com um peitão no filme. Raigho, com você a palavra, por favor.

Raigho: O primeiro traço da Hanekawa já aparece aqui: ela quer encontrar vampiros. A garota de asas transcendentais quer transcender a própria realidade, ela quer romper com a bolha. Acho que a influência da Hanekawa no Araragi já começa aí; gosto muito dessa personagem diante de nós, ela é autodestrutiva, sem salvação aqui. O Oishi mencionou que queria transmitir a ideia de “erótico e visceral”, até as cores ajudam. O vermelho (nos mais diversos tons) prevalece sobre todas as outras cores e sim, a Hanekawa está mais encorpada/sensual do que nunca. A tradução oficial coloca como “se eu fizer amigos vou perder minha intensidade como ser humano”, intensidade do quê? De pensar que a justiça é algo sem divisão e íntegra? Na hora em que ele fica “empolgado” ao se lembrar dessa cena com a Hanekawa, ele vai comprar a revista e na LN, ele rapidamente pensa “quando foi que me tornei assim? no ensino médio? antes?”, o Araragi já é alguém de memória seletiva, não se recordando do trauma, isto é, se o Nisio realmente já tinha pensado nisso. Gente, foi sensacional a cena dela com o celular, acenando pra ele. Mas teve algo especial: quando ele tá indo embora, esbarra em um carro capotado. Logo depois de fazer amizade com a Hanekawa, o carro parece ter perdido o controle. E a cena dele indo buscar a revista, nunca vi alguém resumir tão bem essa sensação que o Araragi tem. É tão AUTOEXPLICATIVA.

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Marcela: Essa cena do carro, foi bom você mencionar! Consegui ver ela de duas maneiras: primeiramente vi aquilo como uma tentativa exacerbada de mostrar o quanto o Araragi estava absorto no encontro dele com a Hanekawa (e o easter egg do email dela, nyan nyan?), principalmente na visão da calcinha dela, de maneira que ele sequer conseguiu notar um acidente de carro na sua frente. A velha expressão de não conseguir ver um palmo além do próprio nariz. Nesse caso, podemos dizer que o nariz é o pênis. Bom, a segunda maneira de ver é como acredito que você quis dizer no seu comentário: logo após o encontro deles o carro perde o controle, que é a história realmente perdendo o controle, tudo indo de encontro, personagens se chocando, Monogatari Series, ali, formando-se. Quanto a cena da revista, deixo para os nossos leitorES comentarem a respeito. Gostaria só de deixar aqui o quanto a livraria remete a biblioteca/lugar de livros em geral em que a Hanekawa quase beija o Araragi, a Nadeko procura o livro de cobras e ele compra a revista da Kanbaru. Talvez só minha imaginação, mas foi um sentimento gostoso notar isso. Agora… Sigh. Sinceramente, o momento que menos gostei do filme… A cena do metrô.

Raigho: Se o primeiro minuto de Bake é um resumo preciso de Kizu (até nos cenários), sinto que o próprio Kizumonogatari, como filme, funciona como uma releitura. Cenários grandiosos, drama, é o primeiro encontro com o venerável e vetusto ser. O SOS piscando, as luzes se apagando, a trilha de sangue. É o caminho do Araragi se abrindo naturalmente para ele, eu me senti claustrofóbico, para mim funcionou como uma cena impactante. Ele só segue o sangue, encontra aquele corpo, o SOS se intensifica, arquejante. Achei boa a cena, como ela foi conduzida. Essa cena tem pensamentos muito bons, sobre o Araragi se sacrificar ou não por ela, inclusive, na primeira visão que ele tem dela, o ser ali visto não é transmitido como “ela”, mas com um “Ela” maiusculo. Um Ela de Deusa, Divina. O desespero da Kiss-shot é tão doloroso, tão doloroso, ela gritando, pedindo desculpas, o choro transmitido como um bebê. Entendo como a derrocada de um ser superior, ela literalmente tá implorando pela vida a um Humano. Na boa tradução literal e quase gíria nossa: o Araragi perdeu a merda dele.

Marcela: Sim, você falou muito bem. O cenário é majestoso, a animação, a maneira extremamente fluida como tudo vai se encaminhando – a mistura perfeita do visceral e erótico está ali na Kisshot, jogada no chão. Uma vampira linda, sem dúvidas o ser mais bonito a pisar na Terra, rolando na sua própria poça de sangue, sem alguns membros. O primeiro impacto do Araragi cai no erotismo: aquele ser impressionante ali, aos pés dele. Depois cai a ficha do sangue, e especial quando ele levanta o corpo dela, e aí entra o visceral. Acho que a principal ideia que o diretor Oishi quis passar está resumida perfeitamente nesse momento e na personagem que é a Kissshot. Um trabalho impecável também da Maaya Sakamoto dublando ela, a gente quase não tem traços da Kissshot infantil ali. No entanto, sendo a pessoa chata, sinto que a cena poderia ter sido mais. “Mais o quê, Marcela?”, vocês podem se perguntar. Sinceramente, nem eu sei bem. Talvez seja apenas a falta de narração, mas a cena do metrô, pra mim, não representou perfeitamente o primeiro encontro deles.

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Raigho: Aí sim, nessa cena eu acho que o Oishi deu muita mancada. O Araragi ainda volta correndo, ele larga a revista no lixo (que depois vai se recuperada pela Hanekawa ou coisa parecida), coisinhas que foram cortadas e, tudo bem, não são tão relevantes, mas o Araragi têm diversos pensamentos, sobre o que pode acontecer, sobre morte e tudo isso é resumido nele, ouvindo ela gritar e ficando em silêncio na escada. O silêncio dele pode ser uma resposta, você consegue ver cada parte dele pensando naquilo, mas perdeu fôlego a cena. O Kamiya Hiroshi disse que o script dele era recheado de indicações sobre como o Araragi se sentia e no que ele pensava, então a dor, a aceitação da morte passa bem pelo diálogo, o personagem chorando já é uma cena forte. A cena ficou bem erótica, ele abraçando a Kiss-shot na altura dos seios, os dois caindo no chão, o fim. Praticamente um palco só deles. Você acorda do lado de uma menina de 8 anos, no mínimo eu já tava mudando meu RG porque a polícia federal não perdoaria.

Marcela: Eu acordo do lado de uma menina de 8 anos todo dia. É o meu reflexo no espelho.

Raigho: …Eu quase entrei em uma digressão a respeito de “então a PF tá me procurando?”, mas achei melhor não. Algo que eu lembrei de comentar e estava quase esquecendo é sobre o quão boa achei essa OST. Eu achei ela diferente, com essa batida de jazz, casou muito bem com o clima, honestamente curti. A Kiss-shot se virando de um lado pro outro, sem querer acordar, essas cenas aquecem meu kokoro. Só não aquecem mais do que o Araragi pegando fogo *insira o meme do faustão de forma óbvia aqui rsrsrs* e a Kiss-shot arrastando ele pro cursinho abandonado. Falando nisso, o cursinho passou por uma boa reforma, se vocês não notaram.

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Marcela: Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah! PODEMOS, POR FAVOR FALAR SOBRE COMO ESSE NOVO DESIGN NÃO ESTÁ LEGAL?! POR FAVOR?! QUALÉ, SHAFT. EU TE DEIXO COLOCAR TUDO LARANJA, TÁ BOM? TÁ TUDO LARANJA MESMO. O OLHO DA HANEKAWA, QUE É AZUL MEIO CINZA, TÁ LARANJA. EU NÃO LIGO. MAS AÍ VOCÊ VEM, PEGA O MEU CURSINHO, DEIXA ELE… BONITO E COLOCAM UM… ELEVADOR FUNCIONANDO. LEMBRA? NO COMEÇO DO FILME? QUE TEM UM ELEVADOR QUE FUNCIONA? QUE DIABOS, SHAFT? E ESSAS SALAS DIFERENTES? AH, CARA. TEM LIMITES. LIMITES. LIMITES SÃO LIMITES PORQUE A GENTE NÃO PODE ULTRAPASSAR. DROGA, SHAFT. *respira fundo* Então, você quis implicar na sua frase que acorda do meu lado todo dia?

Raigho: *encara encara os leitores* Q-Que o meu silêncio seja como o do A-Araragi, ele vai responder por mim. Você lembra que a escola da Madoka fica parecendo um castelo vitoriano no filme né? Só relembrando.

Marcela: Verdade, esqueci que eles tem esses fetiches estranhos com construções. Só acho que perde um pouco a sensação de mendigos ali, a sensação de casa também. O lugar tá tão bonito e tão elegante que ele não parece mais um abrigo onde eles se refugiam. E, salve engano, eles não tem eletricidade porque se bem me lembro a Hanekawa diz em Nekomonogatari (Shiro), quando se abriga lá, que poderia carregar o celular na escola, inclusive o celular descarregado dela é um dos motivos pra Senjougahara se desesperar.  Voltando para a OST, gostei de algumas das batidas também, achei que passou uma sensação meio suave e de jazz daqueles de bares recheados de fumaça de charuto e whisky.

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Raigho: Exatamente! Hahaha, gostei tanto da cara da Kiss-shot depois que ela resgatou o Araragi e a pompa dela ao se apresentar, tipo, “Oi eu sou o ser mais divino desse mundo no corpo de uma garotinha, me adore.” Ela inclusive já solta sobre só ter feito 2 subordianos e aquela longa história que nós já conhecemos. A expressão dela quando o Araragi a chama de Kiss-shot pela primeira vez (o tom de intimidade), ela explicando pra ele como funciona a nova forma, ele a encarando dos pés a cabeça e ela “FOI MAL AE QUE EU PERDI MEUS PEITOS”. Goste muito de ver isso, a relação deles se formando beeem devagarzinho. Tem esse easter egg engraçado, atrás da vampira nessa hora na escada, aparece (se não me engano), o Monte Fuji. Seria uma piada com o fato dela alegar mais a frente que foi parar no Japão para fazer “turismo”? Tem algo muito… filme em Kizu. É estúpido a gente dizer isso, mas não tenho como explicar. Eles andando em câmera lenta, a conversa rolando. É cool.

Marcela: SIM! Eu também percebi o Monte Fuji, inclusive achei que estivesse imaginando, mas ele se destacou de maneira tão fenomenal, como se estivessem AO LADO do cursinho abandonado. E o que falar dessa loli Kissshot, não é? Sem dúvidas o charme do filme. A animação novamente entra como uma peça fundamental, de tão bem feita, realçando ainda mais a fofura. A maneira de falar dela (apesar de nós não sabermos japonês tão bem, dá pra sentir a formalidade e a diferença) contrastando com aquela aparência, é muito fofa mesmo. O que a Hanekawa tem de sexual a Kissshot tem de fofa. E outra coisa chamativa é ela chamando ele de servo! Hoje nós temos a Shinobu chamando o Araragi de mestre, é divertido ver como se deu essa evolução.

Raigho: Esse é um ponto interessante do filme, a relação deles e o motivo da Kiss-shot (futura shinobu) estar com cara de poucos amigos em Bakemonogatari. Aos poucos vamos chegar nessa parte nos filmes, espero que consiga fluir melhor. A cara da vampira quando o Araragi fala “posso voltar/tem como voltar a ser humano?”, o olhar dela de “já vi esse filme (heh) antes…”.  E é legal ver que uma cidade do interior PASSOU POR UMA REFORMA INDUSTRIAL. Relevante mencionar isso, adoro os novos cenários. É tudo tão GRANDIOSO não só na apresentação, mas os dois conversando ali, diante daquele cenário enorme. Quero dizer, tem horas que uma câmera de helicóptero parece focar de cima, holofotes. É gritar “EIS ESTA HISTÓRIA MAGNÍFICA”, essa parte da Kiss-shot explicando quem pegou qual parte dela é boa principalmente porque tem um certo erro de logística aí, mas é uma surpresa, então deixa quieto por ora. Meu deus, o senso de destruição causado pelo Dramaturgy me arrepiou. Os 3 se encontrando com ele ali na encruzadilha (isso ficou igual na descrição tecnicamente, é uma parte dividida). Dramaturgy. Episode. Guillotine Cutter.

ss+(2016-08-10+at+07.48.51)

Marcela: Que jogue a primeira pedra quem não leu o nome junto quando apareceu na tela e sentiu um frio na espinha. Quando aparece o Episode eu dou um pulinho já de medo, lembrando do encontro dele com… Enfim, vocês sabem. Episode-kun, famoso ele. Discordo novamente com você a respeito dos cenários, acho que nem em todas as cenas a grandiosidade ajudou – nessa em específico acredito que sim, mas voltando a história do cursinho… Não. Falando em cursinho, Raigho. Acho que estamos chegando verdadeiramente no ponto alto desse filme. Acredito que você, eu e todos os leitores aqui gritaram, urraram, ou pelo menos bateram palmas e socaram o ar. Você está energético hoje, Raigho. Algo de interessante aconteceu?

Raigho: Siiiiiiiiiiiiiiiiim! A construção da cena, o Oshino já esboçando um sorriso no alto, correndo a milhão em direção ao Araragi! Que adrenalina! Os tambores rufando, que cena! Quero mencionar 2 coisas que achei relevante aqui: se vocês notarem, o trio desenvolve um diálogo que não é compreensível aqui, mas na LN ele está normal. Creio que seja pelo desespero e nervosismo do Araragi, é um momento de terror tão intenso que ele nem compreende o que ocorre ao seu redor. E quando ele grita “Vocês vão matar um humano?’ aparece o nome da crônica. Koyomi Vamp. Vai, o Oishi foi genial nessa parte. Nada melhor que o nome da história pra provar que ele não é humano. O salto do Oshino foi espetaculaaaaaaaaaaaaaar. Risada debochada, cigarro na boca, eu estava em casa novamente.

Marcela: Okay, okay, eu dou o crédito pro Oishi nessa parte. Colocar o nome da história quando ele grita que é humano é quase que pontuar o início da crônica. É quase chegar, dar um tapa na cara e dizer “a situação mudou, acostume-se com isso” pro Araragi. Agora, o aparecimento do Oshino… Ah, nossa. Ele não muda nada! Bake, Kuro, Kizu. É o mesmo Oshino debochão, é o mesmo Oshino brincalhão, é o mesmo meme de sempre. Parando três armas ao mesmo tempo ainda! Se isso já foi incrível naquele 1 minuto de Kizumonogatari, no filme é ainda melhor. Outro ponto pro Oishi aí, ficou fenomenal a cena. E esse momento, com essa conversa, essa interação entre os dois personagens trouxe mesmo a sensação de casa, parece o Monogatari de sempre que conhecemos. Te contar que a partir daí achei o filme bem melhor.

ss+(2016-08-10+at+07.50.25)

Raigho: Se você notar, toca uma espécie de remix de uma OST de Bakemonogatari, acho. Esse trecho de apresentação e negociação leva a algo que considero um sinal interessante. O Oshino se define entre “aqui” e “lá”. Um intermediário do caminho entre monstros e humanos, mas ele chama o Araragi de humano e isso é algo que mexe com o Araragi. Lembra de Nise? Na luta contra a Kagenui? Aquele papo final sobre ela o considerar humano/enfrentá-lo como tal? É um pouco o que eu disse no meu outro post intitulado “Re: Kizumonogatari“, esse é o momento em que todos estão no limbo. Araragi tá no ponto neutro ou vazio, entre o segundo/terceiro ano, precisando de uma corda que o conecte ao resto. Pelo menos, encaro assim.

Marcela: É um momento que põe ele para se rever, rever os conceitos do que é ser Araragi Koyomi. O que é ser Araragi Koyomi, o vampiro, o que é ser Araragi Koyomi, humano. São muitas dúvidas, você definiu bem que é como estar no vazio. E o Oshino entra com um papel fundamental nessa escalada do Araragi, digamos assim. Essa habilidade dele de construir pontes – e claro, temos fundamentalmente a participação da Hanekawa nisso, como vemos nos próximos filmes. Com um toque de sobrenatural, Kizumonogatari mostra o Araragi enfrentando a si mesmo. E que final bonito, essa quebra de quarta parede do Oshino! Ao final, quando diz que está brincando, é quase como se soubesse do sucesso do filme e que com certeza as pessoas voltarão para assistir. Como a gente sente falta dele, ai ai.

Raigho: Hahahahaha, foi incrível. Nós vamos revê-lo, mas os japoneses vão reencontrá-lo antes, dia 19 de agosto agora já vão testemunhar as batalhas. Kizu I adaptou 100 páginas (pensando na versão em inglês oficial) e 6 capítulos ao todo! O próximo já é a batalha com o Dramaturgy e pelo trailer também teremos contra o Episode! Agora sim, nós vamos ver do que essa adaptação é capaz. Não tinha mesmo outro ponto de corte nessa trilogia agora no começo. Veremos como os demais se saem. Sentimentos conflitantes aqui dentro ainda, mas ainda acho que foi uma boa adaptação. Diferente do que esperávamos, mas foi boa. Ah sim, naquelas imagens desconexas que o SHAFT adora colocar, nessa cena final, ouvi uma espécie de rebatida de bola de beisebol, creio que tenha sido uma referência ou piada com a futura batalha entre Araragi x Dramaturgy.

ss+(2016-08-10+at+07.52.11)

Marcela: Não lembro de ter ouvido a questão do baseball, minha mente ficou mais focada na voz da Hanekawa. Deu um arrepio, se o filme tá visceral até agora, na cena dela… Ah, céus. Bom, os japoneses realmente vão ver antes, só podemos esperar pelos próximos blurays  e pelos próximos comentários. Se seus sentimentos são conflitantes, Raigho, os meu são certos: não gostei muito da adaptação. Talvez seja mesmo por estar diferente do Monogatari que conhecemos, mas acho que mesmo diferente dava pra ser melhor. Achei fraca, sem conteúdo como adaptação, mostrou pouca coisa. A falta de narração pode ser o principal motivo, mas entre outros detalhes. No fim… Burlesco, Raigho, burlesco. Lindo demais de se ver, mas vazio. Inclusive estou me preparando para os ataque de fãs e ameaças de morte já.

Raigho: Bom, encerramos aqui. Ah, a Marcela ainda vai fazer um outro post, sozinho, onde ela vai falar mais especificamente do filme! E… teremos outra surpresa também relacionada ao filme. “Mehr Licht” diz o filme no começo, digo então, aproveitando o alemão, Auf Wiedersehen~

Marcela: Isso aí, alemão! Symphogear!

ss+(2016-08-10+at+07.54.03)

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4 thoughts on “Kizumonogatari I – Comentários Burlescos

  1. Kizu para mim foi divido em duas “faces”, a primeira é a versão fã… Eu não gosto de pegar coisas para ler/ver pensando em um sentido tecnico porque como Monogatari mesmo ensina, se vc tem consciencia daquilo fica muito mais facil encontrar no seu dia-a-dia. Por isso para mim como fã, Kizu fica com 9/10, ver uma Kiss-shot de 8anos foi sensacional, fora que, bem, é Kizumonogatari isso por si só já fazia valer a pena assistir.
    Mas se tivesse que fazer uma analise fria, seria bem próximo do que vocês falaram, eu achei genial o uso das cores, faz lembra algo “quente” como o proprio nome do filme sugere, mas em contra partida, algumas coisas ficaram muito arrastadas, a cena do encontro com a Kiss-shot foi brutal, ver ela se arrastando, implorando, chega ser um pouco angustiante, mas acaba perdendo um pouco do apelo quando o Araragi fica correndo por um bom tempo gritando… Ok, isso também mostra um lado dele, mas poderia ter foca em um estado de shock e um monologo mental sobre ajudar ou não ela…
    Outra coisa que me “decepcional” foi a cena da calcinha… Cara eu visualizei aqui enquanto lia kkk Eu já imaginava uma cena dos olhos do Araragi sendo passado de geração em geração com a imagem da calcinha gravada neles…
    PS: só eu que fique com a sensação de poderia ter invertido o Dramaturgy com Guillotine Cutter… Minha imagem mental do guillotine cutter era de um cara bem mais velho.

  2. Concordo com vocês, senti falta da narração do Araragi, algumas coisas não ficaram tão claras ou marcantes sem elas. Lembro ainda do Araragi falando sobre querer ser uma planta (que inclusive é importante na luta contra o Guillotine) e todo o drama que que passa na cabeça dele ao salvar a Kiss-shot e em outras situações.

    Quanto a mudança de design o que realmente me deixou incomodado foi quanto a mobília. MANO O SOFÁ DE BANANA! Como eles tiraram o sofá de banana? O móvel que se tornou praticamente um personagem no meu coração. Falando em móveis, as cadeiras do cursinho também mudaram, sei que parece bobo, mas foram tantas cenas icônicas naquelas cadeiras… os discursos do Oshino, a surra que o Araragi leva da Kanbaru e depois da Kagenui, o Araragi assediando as lolis…

    Agora a adaptação de certas partes foi perfeita, algumas coisas eu via ali e imediatamente lembrava das exatas linhas da novel descrevendo a cena. O diálogo Araragi/Hanekawa, ele descobrindo que é um vampiro, a Kiss-Shot “projetando o peito” e por aí vai. A trilha sonora também caiu muito bem (nenhuma surpresa aí). O traço dos personagens apesar de um pouco diferente funciona muito bem com aquela animação absurdamente linda, atenção especial para a física dos peitos da Hanekawa (de um ponto de vista puramente objetivo claro…) e o salto em chamas da Kiss-Shot.

    Acho que não atingiu as expectativas absurdas que nós como fãs tínhamos, mas ainda é um filme que beira a excelência e mantém o espírito da Novel. Por enquanto é esperar pela brutalidade e a emoção que está por vir nas próximas partes.

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