EF – a fairy tale of the two

ss+(2016-06-11+at+09.32.37)

Dois tornam-se um, ressoando por toda a eternidade.

Esse jogo é um conto de fadas e qualquer outra apresentação não faz jus a ele. Existem muitas perspectivas e bases sobre as quais EF funciona: uma história típica de garoto encontrando garota, religiosidade, espiritualidade e carma, juntas elas formam a história por completo.

Dentre tantos fundamentos em uma única obra, certamente o maior louvor dela é o de transformar esses encontros em pequenos milagres.

Claro, um agradecimento sincero aos @thanosphys e @denparyuuko pela recomendação.

Ciclo Cármico

Em uma capela você encontra dois estranhos. “Estranhos” talvez seja forçar um pouco o termo, pois eles se conhecem, mas você, jogador, é o estranho. Essas duas pessoas, Yuuko e Himura, não se veem há muito tempo e decidem contar o que houve em suas vidas durante esse período, a jornada começa nesse exato momento.

O papel do jogador é ouvir as histórias que essas duas pessoas vão contar e prestar atenção a forma como todas se conectam em um grande conto de fadas. Dramas que envolvem a vida escolar, passagem para a vida adulta, traumas do passado, abuso psicológico, situações que se passam na cidade de Otowa, uma cidade com pontos turísticos marcantes, cenários bonitos, com a praia sendo o principal deles. Muitas cenas se passam nessas localidades e transmitem uma sensação única reforçada pelas conversas travadas entre as personagens, o mundo pode estar desabando, mas elas ainda estarão se encarando, conversando, gritando.

Falo da cidade porque ela é um palco. Não, com mais ímpeto, ela é o palco. As personagens dançam sobre esse palco e os cenários se repetem, um grande ciclo que envolve mais de um casal. Na mesma praia em que Hiro se encanta por Miyako, no arco seguinte, é onde discussões entre outro casal principal acontece; a cidade respira com essas personagens.

Histórias competentes contam com personagens bem construídas e narração que seja condizente com o que ocorre ali, mas torna-se um problema se soa artificial. Um exemplo negativo seria o anime Shigatsu wa Kimi no Uso, onde jovens de 13 anos não conversam, eles declamam pensamentos de forma forçada, em nenhum momento é natural aquele discurso. EF corria o risco de cometer o mesmo erro, felizmente se sobressai ao exemplo mencionado. Os assuntos se tornam profundos, a respeito da vida, futuro, morte ou coisas triviais, todas de forma natural. A história em si é conduzida sem que se torne arrogante ou prepotente o assunto discutido no momento.

A atuação das personagens é boa, o que ajuda muito nisso, sem mencionar os gracejos que aliviam a tensão em momentos certeiros. A participação da Yuuko é mais ativa do que a do Himura nas histórias em que ela conta, ela se parece muito com os sábios das histórias, surge, conversa brevemente e desaparece logo depois.

Existe um laço íntimo entre o narrador e a pessoa que ouve sua história, alguns livros propositalmente utilizam a pessoa que narra para causar piedade, dor ou solidariedade no leitor. Tanto Yuuko quanto Himura são observadores que aparecem em momentos importantes nesses contos, algumas vezes são conselheiros e noutras ralham, eles são os guias. Em certa medida, eles tentam não alterar muito o que ocorre diante deles. Ajudam, dialogam e retornam ao ponto em que estavam. Chega a ser sistemático. As personagens têm seu próprio brilho e brio, não precisando que os narradores façam coisa alguma em prol delas no sentido de cativar o jogador.

Algumas histórias se tornam reconhecidas pela narrativa, outras pela conclusão e, as especiais, pelo fato de transformar a matéria narrada em algo milagroso. Um milagre. Utilizando a definição do dicionário para este parágrafo: EF é um milagre, um acontecimento dito extraordinário. Não por ser uma história perfeita, têm falhas sensíveis, mas pela conclusão e união dos eventos, pela forma como ela alcança o ápice.

Cada cena, diálogo, conversa, cenário, tudo nesta história remete a algo puro. Uma garota encontra um garoto, o cenário tradicional das histórias e a revolução começa. Não no mundo externo, mas no interno, dentro deles. Eles se conhecem e mudam, encarando suas vidas de uma nova forma, o encontro ocasional entre duas pessoas é um ato revolucionário. A maior qualidade da história é criar, através de desenvolvimento e conclusão, a atmosfera de que essas pessoas se salvaram. Elas estavam perdidas, confusas ou com problemas. O encontro entre elas, o sentimento que desperta, a vontade de lutar, isso é o milagre. É um grande círculos de ações que os levam até aquele momento de arrebatamento.

A leitura misticista da obra a transforma algo maior do que si mesma. EF é divido em “First Tale” e “Latter Tale”, juntas formam a obra derradeira. A história encantada aqui não têm magia ou deus ex machina que resolve tudo em poucos instantes, a luta das personagens contra o mundo e as diversas situações que as cercam segue muito além do que a Yuuko ou Himura contam.

O casal que sai de cena no primeiro arco reaparece mais adiante, ainda brigando, com uma série de problemas, mostrando que a vida deles continuou além do ponto em que sua rota termina. Normalmente a rota marca o fim do jogo, para nós o resto não importa, mas desta vez acompanhamos, ainda que de longe, o que aconteceu com personagens que se transformaram em entes queridos.

Ao fim, uma linha tênue e vermelha se estende além de uma rota ou casal, ela percorre as ruas de Otowa, os cenários que te soam familiares depois de tantas visitas, esta linha prende tudo à todos. Em algum momento a história alcança seu término e ainda assim ela permanece viva.

Viva, dentro de você, que com tanto esmero e paciência se deteve para ouvir dois estranhos narrarem suas vidas.

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2 thoughts on “EF – a fairy tale of the two

  1. Ah, sim, ef… Li ele já tendo visto o anime, digamos, “exagerado”, pela shaft, há alguns anos atrás. Tinha lido eden* um pouco antes desse, e sim, a história e os acontecimentos que levam o Yuu e a Yuuko a se encontrarem novamente é realmente um milagre. Não somente no sentido literal da palavra, mas vendo aqueles pequenos acontecimentos fazendo a história progredir é fantástico. Falo de eden* porque a mesma atmosfera é encontrada nessa VN também. Ver os personagens interagindo entre si foi o que me fez gostar das duas. No mais, seria ótimo se tivessem mais VN da minori localizadas…

    • Desculpe a demora em responder, Odnan! EF me parece um caso muito diferente, eu tenho a impressão que o SHAFT (ainda não assisti, pretendo) cria uma nova versão do conto de fadas, mostrando outras facetas, algumas até mais “intensas” do que na VN. A Miyako mesmo parece outra personagem, quero ver para conhecer como se desenvolve. EF é algo fantástico! Temos Supipara agora, que saiu recentemente no Steam da Minori, provavelmente devo lê-la dia desses.

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