REVIEW – A lenda do anime subestimado: Druaga no To

druaga_no_tou_the_aegis_of_uruk_hd-wallpaper-579208… E a lenda da sacerdotisa Marcela, divulgando a palavra dos animes esquecidos.

Yaho!

Já até sei o que você estão pensando: “Que diabos de anime é esse que a Marcela tá falando e quando a Nana Mizuki/Aoi Yuuki/Miyuki Sawashiro/Yui Horie aparece nele?” Bom… Primeiro, a Yui Horie aparece sim nesse anime, inclusive acho que foi justamente em Druaga que eu me apaixonei por ela. Mas não foi por isso que eu comecei a assistir! É uma linda história de amor que inclui eu, com 12 anos, e eventos de anime. Sentem-se e fiquem a vontade, mas não muito, se é que me entendem.

Druaga?(O que é)

"Por favor, levantem a mão quem já viu Druaga!"

“Por favor, levantem a mão quem já viu Druaga!”

“Como assim você nunca viu Druaga?!”, é a primeira coisa que eu digo quando a pessoa olha para mim com uma cara estranha, ao ser feita menção do anime. A pergunta “normal” acredito que seria “Como assim você VIU Druaga?”. Realmente, as circunstâncias que me levaram a conhecer o anime são bem ~peculiares~, então não me admiro que pouca gente tenha visto.

Afinal, Druaga no ToThe Tower of Druaga –, na verdade é um jogo de arcade bem antigo. Antigo digo que saiu na década de 80, e nós sabemos que os videogames nessa época eram coisas alienígenas. Mas o jogo de arcade não importa pra gente, o que importa é que por algum motivo aleatório o estúdio GONZO (aquele que sempre muda o final das adaptações de mangá – Bokurano, Chrno Crusade…) resolveu fazer um anime original sobre esse jogo, mas claro, mudando bastante a história na adaptação. E por incrível que pareça eles conseguiram fazer duas temporadas – Aegis of Uruk e Sword of Uruk-, para a minha felicidade! E isso tudo lá em 2008~2009, quando quase nenhum de nós acompanhava anime por temporada e comprava DVD de anime em evento.

Falando em evento… Foi num evento desses de anime aqui na cidade que conheci o anime. Tinha uma sala passando alguns animes (apenas os dois primeiros episódios de vários animes) e por coincidência vi o primeiro episódio de Druaga… Da segunda temporada. Da metade pro final. E ainda sim, quando cheguei em casa fui direto pro famoso Hinata-sou baixar, a incríveis 30kbps, os episódios em RMVB.

Mas isso é pouco interessante pra vocês, vamos falar da história.

No jogo de arcade, você controla o herói, Gilgamesh – aquele famoso rei de tudo das lendas sumerianas/babilônicas – e tem que enfrentar monstros para chegar no topo da Torre de Druaga e derrotar o monstro maligno que deu nome a tal monumento. Como eu disse, essa é a história do arcade.

Na verdade, a história do anime se passa oitenta anos depois da vitória de Gilgamesh, no reino de Uruk, onde o mesmo é rei. A Torre de Druaga ainda está lá, com o monstro renascendo alguns anos após ser derrotado. Além disso, todo ano tem uma estação especial chamada Verão de Anu (em homenagem ao deus Anu, da religião sumeriana), quando os monstros da Torre enfraquecem e o exército de Uruk faz uma investida nela. Além disso, tem os ~aventureiros~ de sempre, dessa vez chamado de “escaladores”, que enfrentam os desafios da Torre pra riquezas, etc e etc. E óbvio, o protagonista está nesse meio, junto com seu time valente de escaladores!

Druaga!(O geral)

maxresdefaultFenomenal, não é?

Não.

Nem um pouco.

Se chega um anime com essa sinopse nas temporadas atuais ninguém iria assistir. Iam torcer o nariz e procurar o novo anime da moda, dark and edgy, onde todo mundo morre. Esperar uma nova temporada de SAO, sei lá.

Só lendo a sinopse realmente você não se empolga muito, mas deixa eu contar pra vocês o que tem de bom nesse anime.

Antes de SAO, Log Horizon, Overlord, KonoSuba, Danmachi e um pouco depois de hack../..,::;;.\;\.\;//?\\,.\,\. alguma coisa, não existiam tantos animes baseados em MMOs/RPGs. Druaga, pra mim, foi um dos animes que nessa época mais se aproximou disso. Não, o mundo não é um MMO e as pessoas não tem “level”, ou todo o resto da mecânica de um jogo. Mas o aspecto de aventura, de “classes” que são definidas como profissão mesmo, de dungeons e armadilhas trazem a tona um pouco desse gênero pro anime. Posso até dizer que o anime foi pioneiro nesse questão e aborda de uma maneira muito gratificante o estilo.

Outro fator, que como sempre considero espetacular em um anime se bem executada: a comédia. Druaga é um anime que consegue, em seus 12~13 episódios em cada temporada ter running gags. Piadas internas, recorrentes, pra vocês fãs do Otome um exemplo clássico é o “gaguejo” da Hachikuji (que Enma a tenha no inferno, se é que entendem a referência *wink wink*). A comédia é um dos gêneros mais difíceis de ser trabalhado, onde ou você acerta ou não. Se não for engraçado, não é, sua obra não tem mais nenhum apelativo e já era. O primeiro episódio de Druaga já é uma grande comédia. Recomendo muito que assistam pelo menos, PELO MENOS o primeiro episódio. Não vou dar spoiler nenhum porque a graça é a assistir assim mesmo, as cegas.

O anime é daqueles de pacote completo, tendendo pra comédia: você tem a história, que é muito divertida (mas nenhuma complexidade a la NisioIsin). Você tem uns bons momentos de ação e tensão, claro, junto do bom drama e algumas mortes!!!! Porque eu sei que o otaku moderno gosta mesmo é quando seu anime vira Game of Thrones, que gente importante morre, tipo Shigatsu wa Kimi no Uso, é, morte, yeah, dark, câncer, drama, wow, Tokyo Ghoul!!!!, e, claro, a comédia. Se não me engano é o episódio 4 ou 5 da primeira temporada que… Enfim. Vão rolar no chão rindo.

Druaga!!(Os personagens)

druaganotouswordofuruk3Okay Marcela, deixa eu adivinhar: essa loirinha aí é a Yui Horie e a sua personagem favorita?”

Ah, leitor, você me conhece tão bem…

Mostrar um negócio pra vocês:

Fatina saltoOlhem essa imagem. Tão reparando bem no salto? A “loirinha aí” da Yui Horie escalou a Torre de Druaga DUAS VEZES com esse salto. Se isso não merece o posto de best girl, eu realmente não sei o que merece.

Ah – tem que falar dos outros, né? Bom…

Os personagens de Druaga são outra peça fundamental pro anime funcionar. Além do character design muito divertido de alguns (inclusive dos irmãos protagonistas que, pasmem, realmente parecem irmãos), as personalidades contrastantes que muitas vezes são as causas da running gags, eles realmente tem uma “alma”, digamos assim. São personagens divertidos – particularmente amo todos eles, com exceção da Kaaya, aquela vadia.

É muito importante você ter personagens dos quais realmente goste no anime. Afinal, eles são a chave pra comédia dar certo, e, frisando novamente, Druaga tende muito para o lado cômico. Prefiro não comentar muito a respeito deles em si, porque acho interessante e válido você ir assistindo e descobrindo por si só as “perks” e “quirks” de cada um. Aliás, um dos motores principais que movimenta todo o desenvolvimento do anime é o relacionamento entre os personagens. Não apenas no sentido amoroso, que é o mais clichê, mas também na rivalidade e na amizade. Posso dizer que as coisas acontecem em Druaga porque os personagens são.

…Druaga…(Os pontos negativos)

DruagaNoTou-TheSwordOfUruk11Um anime não se faz só de coisas boas, não é? Até Symphogear tem a Maria pra estragar.

Infelizmente, Druaga não é uma obra prima, cujas falhas podem ser ignoradas. Como todo bom anime da Gonzo, a animação é aquela coisa oscilante e sem muita qualidade. Particularmente eu gostei do traço do anime, que lembra um poucos mais videogames e toda a temática que mencionei lá em cima e acho que combinou bastante com o estilo que ele carrega, mas é inegável que a qualidade não é das melhores. A Gonzo gosta muito de usar CGI e lembrem-se que estamos em 2008~2009, então o CGI que conhecemos é… Bom. É algo. Então, por exemplo, muitos monstros são bem agoniantes de ver, e o Druaga em si parece uma coisa… Estranha.

Se vocês chegaram a assistir Chrno Crusade (outro anime da Gonzo), lembram o quão lindo o traço do mangá é, mas o quão… Hm… Digamos “borrachudo” ficou no anime. Não sei bem como descrever a sensação ao ver a animação, parece que os personagens são de plástico, são redondos demais, meio sem finésse. Druaga tem um pouco menos disso, um pouco mais de pontas, mas continua sendo uma animação mediana. A ideia do character design foi boa, mas, lembrando: Gonzo. Isso por si só já explica bem.

Além disso, as vezes você vai se perder um pouco no roteiro. A melhor comparação, ou melhor dizendo, semelhança que consigo encontrar é Kekkai Sensen. Lembro muito bem que cheguei a assistir 3 episódios sem entender nada do que estava acontecendo. E, quando comentei com o Raigho, ele disse “é assim mesmo”. Bom, realmente Kekkai Sensen parece ser bom e preciso dar outra chance, mas sou do tipo de pessoa que gosta de entender o que assiste. Druaga por vezes progride de maneira muito rápida realmente, parecendo que você precisaria saber o backstory para entender aquele pedaço ali, mas esse backstory não existe pra você. Eu com 12 anos assiste o anime inteiro sem entender pedaços aqui e ali, porque – bom, 12 anos, estava empolgada. Mas revendo depois percebi esses plot holes e a história indo tão depressa que não deu tempo de acompanhar. Infelizmente, com 12 episódios é difícil mesmo de trabalhar em vários pontos – Druaga é um pacote completo, afinal -.

A sensação que tenho, com relação ao parágrafo acima, é falta de tempo para trabalhar com o lore. O anime de Druaga, com a história que ele apresenta, parece que tem vontade de expandir o lore. Expandir o panteão de deuses, os mitos que cercam a história da torre e do próprio Gilgamesh. Da cidade de Meskia, o reino de Uruk, tudo. Ficam faltando peças de quebra cabeça para pontos da história, que você sente que eles queriam expandir o lore mas com 12 episódios não ia dá pra terminar a história principal. O anime explora muito da cultura da Babilônia e da Suméria, que também acho algo muito interessante e pouco abordado até mesmo nos nosso livros de história. Foram reinos absurdamente avançados tecnologicamente para o período deles, com uma mitologia e deuses surpreendentes.

Apenas um adendo, para caso alguém tenha um pouco de interesse em histórias dessa mitologia: por incrível que pareça, o jogo Catherine aborda um pouco isso. No minigame da Rapunzel, ao destravar algumas coisas, a história se desvincula da Rapunzel em si e engloba histórias de Ishtar e outras coisas da Suméria.

Dru-a-ga!

20090115003E afinal, qual o saldo, vocês perguntam?

Positivo.

O anime de Druaga pode não ser o Monogatari que vocês tão acostumados, pode não ser o dark and edgy de sei lá qual o desenho que a garotada tá surtando e nem ter o drama da chatice de Shigatsu wa Kimi no Uso. Definitivamente não é uma obra prima da animação japonesa digna do Miyazaki dizer que anime wasn’t a mistake, mas sabe o que é?

É divertido. É divertido pra caramba.

E acho que no final isso é o que mais importa no que você assiste. A história as vezes é corrida, a animação as vezes tá meio cagada. Mas, nossa. Eu ri muito, lagrimei no final (a Marcela de 12 anos) e torci pra Fatina até o fim. Recomendo muito dá uma caçada, baixar o torrent e assistir nesse feriado. Retomo meu ponto no post de Symphogear: a vida não precisa ser sempre séria e deep, você precisa e DEVE assistir os Druagas por aí!

Zeeiya, Naboo, Garu
Ó poderosas chamas, servos dos que se foram
Fatina, filha de Meshina vos comanda!
Eu sou a labareda da fúria,
Sou a arqueira do tiro flamejante!

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Essa vai pras pessoas que me conheceram no iRPG.

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One thought on “REVIEW – A lenda do anime subestimado: Druaga no To

  1. pode n ter nada a ver com o post mas eu n sabia onde falar (alias de parabens acho q vou ver esse anime) mas acompanho vcs e gosto do trabalho dos mesmo(muito fã de gatari) e gostaria de fazer uma parceiria com vcs.
    este é meu blogg: http://otakuwordland.blogspot.com/
    espero que gostem me esforço(sei q n vai ser tao bom quanto esse )
    bem vou estar de olho aqui e aguardarei uma resposta,no comet .

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