REVIEW – R(ealmente)W(orth)B(ajular a)Y(ang)

C58RuZ9Vermelho como rosas, branco como a neve, negra como a besta, dourado.

Yaho!

Em alguns raros momentos a vida na faculdade te proporciona a oportunidade de ter algo mágico que chamamos de tempo livre. Geralmente nesse tempo livre eu aproveito cada milissegundo para deitar na minha cama e passar 5 minutos sem ter que pensar em qualquer lista/trabalho/seminário/código/prova/circuito que eu tenha que fazer. No caso do Raigho, a faculdade dele é um tempo liv-

Continuando. Vocês me viram por aqui para falar mais a respeito sobre a aparição da Maya Fey no novo Ace Attorney, mas faz tempo que eu não venho fazer uma review, mais ainda de algo que não seja Symphogear ou Monogatari! Com essa intenção, quero apresentar pra vocês uma animação “amadora”, se é que ainda posso chamá-la assim, na qual esbarrei final do ano passado. Admito que comecei a partir de uma personagem (assim como a Hanekawa em Monogatari) e fiquei por… Todo o resto.

Sem mais delongas, vamos falar de… RWBY!

Erre, dablio, bê, ipsilon?

Rwby_rtrecap

Antes de mais nada, peço que assistam esse vídeo. Não, não discutam comigo, só assistam.

Vou esperar um pouco aqui, não se preocupe.

Então, assistiu?

Pois é, foi assim que eu comecei com RWBY. Uma pessoa muito querida pra mim chegou e perguntou se eu conhecia e me mostrou esse vídeo, porque sabia que eu ia amar a personagem presente nele. E adivinha? Acertou em cheio.

Mas estou me antecipando um pouco. Você viu o trailer, gostou da música. gostou da loirinha gostosa. Afinal, qual a história e como diabos se pronúncia RWBY?!

RWBY (pronuncia-se “ruby” (ohhh!)) , mas também pode ser visto como Red, White, Black, Yellow. As cores obviamente não são por acaso, como você pode ter visto pelo fato do trailer se chamar “Yellow Trailer”. E não, o nome das personagens não é algo óbvio como nome de cor… Não tão óbvio, quero dizer. Mas, como sempre, estou me desviando do assunto. Vamos colocar as cartas na mesa e organizar isso direito.

RWBY se passa em um mundo fictício e que faz uso de uma das minhas expressões favoritas: “medieval futurista“. Quem me conhece de longa data, mais longa até que o Raigho, sabe o quanto eu odiava ver salas de RPG de mesa online escrito “tema: medieval futurista”. Como pode ser futurista se é medieval, e vice versa? Com o amadurecimento entendi mais o termo, e posso até aplicá-lo pra RWBY. No caso, o mundo de RWBY é composto de vários reinos e tem certos aspectos medievais, como ter muita gente que mora “fora” da capital, em vilarejos e as famosas casinhas nas montanhas, assim como monstros e, o mais importante – COLEGIAL!

2dd1cbfaa4668fe2eb6342daa9d4342c1412881269_fullNão, espera, colegial?

Sim, colegial. A trama de RWBY até agora no final da season 3 ocorreu toda envolvendo o ambiente escolar. A história é mais ou menos a seguinte: o mundo de Remnant é cheio de mistérios e poderes, assim como monstros. Esses monstros são chamados de Grimm e tem de várias formas, basicamente são monstros de pelagem/pele negra e alguns traços vermelhos e brancos. Eles assolaram a humanidade por muito tempo e por muitas guerras, mas graças aos caçadores e caçadoras (pessoas especializadas e treinadas em realizar missões perigosas e exterminar Grimms), o mundo de Remnant está vivendo uma época de paz inigualável. Até que…

Grimm01… Até que você começou a assistir o desenho e tudo começou a desandar, claro. Até agora não expliquei exatamente o “RWBY”, né? Bom, a protagonista é Ruby Rose, uma jovem de 14 anos com a torrada na boca e louca pra entrar na Academia de Beacon, uma das melhores no treinamento de caçadores e caçadoras! E, graças ao destino, ela se meteu em confusões que impressionaram o diretor da escola, fazendo o mesmo convidá-la para entrar mesmo que só pudesse se inscrever aos 16 anos. Lá ela encontra Yang, sua irmã e a melhor personagem. E loucas aventuras começam a se desenrolar com suas amigas, amigos, amores, romances e toda essa aventura adolescente em um mundo mágico, onde tudo é uma arma de fogo, até bolsas.

Sério que você tá assistindo isso, Marcela?

maxresdefault (1)CALMA LÁ! Eu falei colegial, falei trama adolescente, mas você se engana muito, muito e MUITO se pensar que RWBY se trata apenas disso. O post vai ser spoiler free, mas vou tentar ao máximo mostrar pra vocês que certas animações tem aquele tcham que tanto falta nos animes de hoje em dia, aquela surpresa, aquele efeito Madoka Magica no 3o episódio. As coisas vão ficar meio Grimm.

Primeiro de tudo, RWBY não é um anime. É claramente inspirado na animação japonesa, mas não é. É uma animação “amadora”, digamos assim, feita pela empresa de entretenimento Roster Teeth, produzido direto pra internet. Começou no youtube e, com a fama, foi sendo adotado por sites de transmissão como Crunchyroll e etc. É uma animação americana estilizada como japonesa, mas feita completamente em CGI.

Admito que por vezes a animação é meio incômoda, principalmente no começo, mas se você for levar em consideração que não é feita por uma empresa de grande porte é um excelente trabalho. E, mesmo que seja incômoda, RWBY não é um cachorro de um truque só. Vou falar mais abaixo o que me atraiu tanto pra esse desenho que aparentemente parece feito pra menininhas.

O doce som de RWBY

6cbb06319a21d7cde2b47f1789aa98931453017048_fullA música.

Vocês devem ter percebido que no Yellow trailer tá tocando uma música. E, se ficou curioso pra ver o Black, White e Red trailer, percebeu que também tem músicas nele. Pois é, a trilha sonora é algo muito forte em RWBY. Não estou falando apenas de uma trilha instrumental que acompanha a animação, e sim dessas canções propriamente ditas. Uma das coisas que mais me atraiu, além das músicas serem boas, é a incrível variedade de gêneros! Claro, quase todas tendem pra um popzinho, mas a melodia e a maneira como a menina canta muda de uma pra outra e por vezes de maneira radical. Eu, sendo eclética gosto muito de variedade no que escuto. Por exemplo, estou escrevendo esse post ouvindo rap sul africano. E depois a opening de Symphogear. A vida é assim.

Falando na menina que canta, o nome dela é Casey Lee Williams. Estou mencionando ela porque a menina tem APENAS uns 16~17 anos e canta bem pra caramba, além de diversificar muito bem os estilos que a voz dela consegue ter. A voz dela tem essa característica marcante… Não sei dizer se ela é meio rouca, meio “suspirada” (igual a voz da Miyuki Sawashiro), mas tem algo que me prendeu. Quando apresento RWBY pra alguém, a primeira coisa que faço é mostrar a playlist no Spotify, porque a pessoa já se encanta.

Outro fato interessante é que o compositor musical é o pai da Casey, Jeff Williams. É divertido ver esse tipo de interação na obra porque você sente um tom de algo “caseiro”. Tá, claro que a qualidade é longe de algo 100% caseiro, mas faz tudo parecer mais heartwarming. Você torce pra que dê certo.

Quantos as músicas pra você começar a se encantar enquanto lê esse post, recomendo altamente Caffeine (é minha favorita, quem me conhece sabe que adoro músicas rápidas):

E óbvio, I Burn, a música tema da Yang Xiao Long:

O desenvolvimento de mundo

PHRgFnFOu, comumente chamado de lore.

O que Senhor dos Anéis tinha que encantava tanta gente na época que foi lançado? Claro, a história principalmente, mas os relatos de quem leu mesmos todos os livros geralmente gira em torno do mundo que o Tolkien criou. Óbvio que não estou comparando RWBY com Senhor dos Anéis, porque RWBY é claramente superior, mas a sensação que eu tenho é de que o criador estava em parte inspirado na vastidão do mundo do Tolkien e parece ter almejado algo parecido.

O mundo de RWBY é algo vital pra obra, e eu realmente valorizo isso hoje em dia. Antigamente você via muito mais um autor focar no mundo ao redor dos personagens, em esclarecer os mínimos detalhes. CS Lewis. Tolkien. JK Rowling. Isso citando apenas os grandes nomes da literatura fantasiosa infanto juvenil, ainda tem tantos outros, como um dos meus favoritos: Eoin Colfer, de Artemis Fowl. Eles tinham uma coisa em comum, que era ir até os mínimos detalhes quando criando o mundo de fantasia. Nossa, a JK parecia ter pensado em TUDO. É divertido demais quando você vê o autor se empenhar em fazer o mundo dele o mais real possível NÃO sendo real!

Voltando pra RWBY, Monty Oum, o criador, foi na mesma pegada. Ele criou o mundo de Remnant, okay. Nesse mundo tem reinos. Cada reino é diferente culturalmente, com líderes diferentes, climas e culturas diferentes, okay. Esse mundo e esses reinos tem fábulas e contos próprios deles, que explicam de maneira fantasiosa esse mundo fantasioso. Você percebe o quanto a coisa vai desmembrando e parece que você tá estudando a história de algo que existiu mesmo? Claro, algo obviamente fictício, mas você fica tão cativado que parece verdadeiro. Inclusive, entre alguns episódios de RWBY tem curtos episódios chamados de “The World of Remnant”, contando um pouco sobre o lore desse mundo, o que intensifica mais ainda esse processo.

Uma coisa que me incomoda em muitos animes e mangás de hoje em dia é a falta desse lore. É a falta de explicação sobre esse mundo medieval onde os personagens vivem, os costumes, coisas que me façam sentir dentro dessa experiência toda. Pensa num World of Warcraft. É quase uma história de um livro de história de colégio, de tão longa, complexa e envolvedora. Tramas políticas, guerras, personagens importantes que morrem marcando a história… Nossa.

História sempre escalando

RWBY_Remnant_World_Map_Source_Material_02Tão alto como o Everest.

Uma das coisas que mais me impressionava a medida que eu ia assistindo, além das músicas e do lore, era o quanto a história conseguia evoluir. Não é segredo pra ninguém que o desenho começa bem fraco, seguindo padrões de desenhos pra adolescentes – um ship ali, uma briga de amizades aqui, porradinha e pá. Nada de diferente pra me fazer perder tanto tempo assistindo, né?

WRONG!

O quão terrivelmente enganada eu estava! Aos poucos fui percebendo que o clima de história adolescente estava sendo deixado pra trás aos poucos e, como a letra da segunda abertura diz, “é hora de dizer adeus a inocência da juventude”. Achava que se tratava apenas de deixar a letra da música mais “dark” porque é o que os jovens de hoje em dia gostam tanto, mas é algo que foi realmente sendo mostrado a medida que a história ia progredindo. Realmente é um adeus a essa inocência, as coisas que amávamos. E não tão somente no sentido metafórico de “crescer e se tornar adulto”.

A primeira temporada é aquilo, okay, adolescente, legal. Você vê alguns personagens sempre fazendo alusão de que tudo é uma “paz temporária” e algo muito pior está vindo. Mas qualé, que obra fantasiosa não faz isso, né? Todas tem uma profecia maligna, algum ser do mal que só vai ressurgir no penúltimo/último pedaço da franquia pra ter o grande clímax antes do final. O divertido foi ver isso realmente acontecendo… Bem antes do final.

A segunda temporada amadurece e a terceira… Santa Madoka do céu! É isso que eu chamo de escalar, de aumentar o nível. É uma obra que verdadeiramente evoluiu para algo cada vez melhor. Não que fosse ruim antes, mas é que ela conseguiu melhorar mais ainda, e isso é impressionante. Pra entender o que estou dizendo, é bom vocês irem assistir.

E, óbvio, os personagens!

14_00030Mas eles são adolescen-

Tá, eu sei, os personagens as vezes são aquele clichê de adolescente de animação americana. Tem uns que realmente são insuportáveis, mas os suportáveis que vão se tornando favoritos são muitos ao longo dos episódios. Você vai se afeiçoando por eles, apesar dos curtos episódios (na primeira temporada cada episódio tinha cerca de 6 minutos, a partir da segunda foi pra 12~16). O elenco é grande e, apesar de envolver bastante nas protagonistas, os personagens tem oportunidades de brilhar igualmente. Óbvio que a Ruby não sumir por um episódio inteiro porque ela é a protagonista, mas nesse mesmo episódio que ela aparece, outro secundário aparece para se tornar importante e ele continua importante, o que é, claro, importante.

Sabe quando você tá lendo um shounen genérico que tem milhares de personagens que o autor cria pra aquela situação ou aquele arco e simplesmente some? Nem mata o personagem, só some com ele. Bleach, Naruto. Não digo One Piece porque o Oda trata os personagens com o respeito que eles merecem, apesar que a Arakawa é a verdadeira rainha do elenco grande, mas isso é assunto pra outro dia. O que quero dizer é que, se você teve o trabalho de desenhar aquele personagem, pensar em uma personalidade e me apresentar ele, pelo menos faça-o durar. Pelo menos que ele não suma! Se for pra sumir, dá uma introdução de 10 segundos que já vou ter claro na mente que ele é inútil.

E alguns personagens são simplesmente adoráveis. A Pyrrha, junto com a Yang, é meu amorzinho. Quando vocês assistirem (porque eu sei que o farão depois desse post) vão se apaixonar por ela tanto quanto eu. Ainda mais na 3a temporada, nossa, vocês tem que ver ela no final. A Yang também.

Aliás, a Yang é o motivo pra qualquer um ver RWBY, né?

Quer saber, esqueçam tudo o que falei lá em cima. Eu só assisto por causa da Yang.

Conclusão: Yang

maxresdefault (2)Não, brincadeira. Claro que eu não trollo com meus posts! Vocês me conhecem.

Então, RWBY é uma pedida diferente. É diferente dos animes e séries americanas que estamos acostumados. E, justamente por isso, é bacana de assistir, porque quebra o hábito. Por mais estranhos que sejam os animes que assistimos, não deixa de se tornar um hábito, de nos acostumarmos com aquele estilo de animação, aquele estilo de narrativa, certos clichês japoneses. E, sem qualquer nova animação de Avatar pela frente desde que Korra acabou, estamos precisando de boas animações americanas séries. Tá, eu sei, Steven Universe, Adventure Time e esses outros – não são meu estilo. Gosto de conteúdo. E da Yang.

Deem uma chance. Sei que vão se apaixonar por ela- digo, por RWBY, também.

2cc

Dedico esse post ao Monty Oum, criador de RWBY e que infelizmente faleceu em Fevereiro do ano passado. Obrigada por nos graciar com algo tão espetacular e ter deixado mais de 5 volumes prontos para nós. Descanse em paz sabendo que seu trabalho é apreciado por tantos.

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4 thoughts on “REVIEW – R(ealmente)W(orth)B(ajular a)Y(ang)

  1. RWBY é sensacional, comecei a ver no meio/inicio da segunda temporada, e acompanho até hoje, ver a evolução das animações e os personagens ganhando novos ares e planos de fundo realmente motiva.
    E é como você disse, o melhor de RWBYsão os personagens, eu peguei a Blake para criar kkk Apenas de gostar muito da Ruby também(olha que é dificil eu simpatisar com protagonista)
    Agora é espera pela quarta temporada, que por sinal, promete muito.

    offtopic: Pode ser meio ´óbvio, ainda mais se você assistir, mas cada uma das personagens é a personificação de uma garota/princesa dos contos dos irmãos Grimm

  2. “Óbvio que não estou comparando RWBY com Senhor dos Anéis, porque RWBY é claramente superior” HAHAHA, e aquilo bom post SPOILER-free e introdutório à série, bateu aquela curiosidade em ver mais essa animação inspirada nas orientais. A gente em geral gosta de anime mas também jamais pode achar que algo é melhor ou pior por conta de um país. E uma pena que o criador se foi tão jovem… as vezes acho que o Satoshi Kon já se foi tão jovem, podia ter criado tanta, tanta coisa a mais. (penso nas voltas que a carreira do Makoto Shinkai dá).

    Só fiquei na dúvida quanto ao lore, particularmente acho que o melhor lore é o pensado com precisão mas apresentado da forma mais natural possível – um exemplo rápido aqui é o começo de Shingeki no Kyojin (antes de virar aquele trainwreck): tem um monte de detalhinho que o autor encaixa certinho sem parar para OLHA, ESSE É O MECANISMO DE MANOBRAS TRIDIMEN-

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