Symphogear e a Arte do Exagero

senki-zesshou-symphogear-g-02-0eee47bc-mkv_snapshot_01-10_2013-07-13_21-54-13Essa é a minha, a sua, a nossa – canção de cisne.

Yaho!

Waaaah. Sempre é bom espreguiçar e bocejar um pouco depois de passar tanto tempo sem fazer um post diferente. Não me levem a mal – eu amo escrever os Ougimanais com o Raigho, mas as vezes bate aquela vontade de recordar de logo quando criei o OtomeGatari e vinha fazer esses posts aleatórios quase todo dia. Ah, bons tempos. Melhores agora.

Não vim falar mal de Shoujo, não vim falar mal de SAO e nem de como eu amo a Hanekawa. Então, sobre o que diabos vim falar? Afinal, essa são minhas três pautas principais. Bom, meu amigo leitor, meu caro leitor, meu idiota leitor, vim falar um pouco sobre essa religião maravilhosa chamada Symphogear, um pouco, e especialmente sobre seu exagero.

Exagero?

Sim, exagero. Coloquei em negrito duas vezes pra vocês perceberem bem que esse é foco. Exagero. Exagero. Exagero. Perceberam o que eu fiz? Exagerei na ênfase! hehehe.

Primeiro, sobre SymphogeaaaaaaaarCommie-Senki-Zesshou-Symphogear-G-06-14BABA1E.mkv_snapshot_22.06_2013.08.11_23.52.33

Se vocês tem o delicioso desprazer de me seguir no twitter, sabem que ultimamente eu tenho floodado muito a respeito de algo chamado SYMPHOGEAR.

Talvez, só talvez, nesse post, use tudo que tenho direito (com exceção do meu decote) pra fazer você se interessar em Symphogear porque sou chata assim e porque é muito bom.

M-marcela, antes de já me manipular e me convencer de maneira brilhante a assistir esse anime, você pode falar sobre o que é?

Com certeza absoluta, leitor nervoso de sempre!

Senki Zesshou Symphogear, traduzido livremente como A Canção de Cisne das Valquírias: Symphogear, é um anime original da mente brilhante de um cara chamado Noriyasu Agematsu e outro malandro chamado Akifumi Kaneko. É animado pelos estúdios Satelight (Macross, Log Horizon) e foi lançado em Janeiro de 2012, a mesma temporada de Nisemonogatari.

Essas são as parafernalhas técnicas que todo mundo gosta de ler antes. Agora, sobre a história.

Tem garotas. Elas cantam. E lutam.

Não, elas cantam muito. E lutam pra caramba também.

Ah, e uma dessas garotas é Mizuki Nana. E a outra é uma tal de Aoi Yuuki, a deusa de 1,45m.

Falando sério agora. Symphogear mostra um mundo atual nosso com uma única diferença – Noise. Noise é uma raça de criatura que existe há milhares de anos, aparecendo ocasionalmente. Eles não tem propósito nenhum se não destruir os humanos. Não se alimentam de nada, só aparecem, tocam em um humano, fazem ele virar cinzas e então eles mesmos viram cinzas. O problema é que eles começaram a aparecer de maneira exagerada pelo mundo, óbvio que especialmente em um país chamado Japão. A única coisa que pode derrotar os Noise são as relíquias, pedaços de armas poderosas e lendárias, como a lança Gungnir, o arco Ichii-val… Essas relíquias precisam ser ativadas para serem usadas, e o que ativa elas é uma onda emitida de maneira bem específica – através de uma canção. Porém, não são todos que tem capacidade de ativar uma relíquia, então essas poucas garotas colegiais terão que cantar e salvar o mundo.

symphogear12-1Até aí parece um baita anime clichê cheio de fanservice e deliciosas músicas da Nana Mizuki. Mas, não sei se você viu o título desse post… Exagero. Não vim fazer uma review de Symphogear aqui, apesar de até agora parecer isso. O que eu vou comentar com vocês é o que me prendeu na obra tanto quanto a Chris-chan, as músicas e as dubladoras.

Tá bom, fala logo – como assim “exagero”?

symphogear-05EPA, o que é ISSO! UMA IMAGEM DE UMA BUNDA!

Yep. Mas não é sobre isso que vou falar. Apenas coloquei aí pra prender a atenção de vocês mais um pouco.

Já assistiram Tengen Toppa Gurren Lagann?

Caso não, só vou resumir pra vocês que é um anime que basicamente usa o seu exagero pra se vender. O selling point, digamos assim, é o fato de que no último episódio os robôs lutam em cima do universo e usam galáxias de shuriken.

Qu-

É, por aí. Claro que Symphogear não chega a esse nível, apesar delas cantarem no espaço e o som de propagar.

O que quero dizer é que o exagero de uma obra pode ser usado como ponto alto para ela ser vendida. Em Gurren Lagann realmente é o foco, em Symphogear é apenas uma parte, o foco nesse caso são as músicas. Porém, percebam, para os que viram e não viram, que isso não deixa de fazer com que a obra seja ruim!

Hoje em dia nós somos uns chatos. Buscamos maior realidade e verossimilhança no que assistimos. Mesmo que tenham poderes especiais no meio, insistimos em aplicar as leis da Física provando que situação X seria impossível. Obras como Index e Railgun, por exemplo, até tentam aplicar uma pseudociência pra explicar os poderes. Não estou criticando, apenas mencionando como isso por vezes é cobrado de muitos.

E aí esquecemos que… São obras da ficção. Saíram da cabeça de algum lunático muito criativo. E que esse lunático criativo pode fazer o que bem quiser porque é um trabalho de… Criatividade.

Levando isso em consideração, porque então dizer que uma obra é ruim ou mal feita porque as vezes ela não faz sentido? Entendam que estou falando de aspectos, digamos assim, técnicos dentro da história. Explicações plausíveis pra que você aceite que as músicas veem do coração das meninas em Symphogear e que elas mudam toda temporada porque sim. Não estou falando de uma história não fazer sentido. Por exemplo, um backstory mal explicado, uma história mal desenvolvida e cheia de plot holes. Basicamente, Sword Art Online.

Estou falando do porquê o Simon e o Kamina conseguem fundir os dois robôs só forçando isso através do poder da amizade. De porque todo mundo em Shokugeki no Souma depois de comer algo muito bom imagina que está sendo satisfeito sexualmente. Ou, mais ainda, os personagens de todos os animes da SHAFT conseguirem torcer o pescoço de maneira insana…

Esse tipo de coisa que faz você pensar “eita caceta” enquanto lê/assiste. Vejamos assim… Se ao invés de criticar a obra porque ela alcançou níveis insanos de “mas que p-“, você sente os pelos do seu braço começarem a se arrepiar (preferencialmente com a mão desse braço fora da calça) e solta gemidos exasperados de “WHAT THE FUCK” enquanto sorri feito um besta processando aquele excesso de informações que sobrecarregam os seus sentidos. Um grupo de garotas voando no espaço cantando no vácuo enquanto montam em um míssil… Por que não?

Symphogear_G_X-DriveAdmito que eu era uma dessas pessoas chatas que ficava cobrando explicações e sentido em tudo que eu lia e via. Porém, através da iluminação da Nossa Senhora da Amizade, Tachibana Hibiki, e a bíblia sagrada chamada Symphogear, pude ver a luz novamente.

Brincadeiras a parte, eu não gostei de Symphogear a primeira vez que assisti. Achei idiota, achei sem noção e exagerado. Porque na minha cabeça esses dois atributos não podiam ser associados a algo bom. Eles imediatamente estragavam a obra independente de tudo.

Então, assisti de novo. Dessa vez só… Assistindo. Me divertindo, sem ligar muito. E não foi que gostei?

Claro, tem gente que mesmo assim não curte. Eu entendo. Entendo mesmo. Porém, e dizendo de novo,  papo é que essas duas características podem ser boas! Elas não vão SEMPRE estragar algo. Talvez elas ainda realcem os outros aspectos do anime/mangá.

Óbvio, tem autores e autores, obras e obras. As vezes você quer assistir algo sério, as vezes o anime precisa ser sério. Mas as vezes ele pode ser idiota. Idiota não, vivo! Transbordando de emoções, de efeitos… Como eu disse, uma sobrecarga – das boas.

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Tão vendo essa fala? Eu não faço ideia do que seja um Aufwachenschlagen e nem como se pronuncia. Symphogear adora jogar palavras em alemão pra descrever alguma coisa técnica dos poderes e das relíquias e… Espera, eu não ligo muito. O anime não vai deixar de ser bom se eu não souber o que diabos é um Auf… Ah, vocês entenderam. Aliás, eu acho é mó engraçado como todo começo de temporada eles saem soltando loucamente expressões em alemão e eu com cara de merda tentando entender.

Sabe, assistir animes de maneira descontraída, sem procurando algo pra criticar, sem ser tão crítico. Apesar que assistir de maneira descontraída não é desculpa pra você assistir algo como SAO, por exemplo. A parada é ruim só, não tem nem o que salvar ali.

Então…

SymphogearExagero pode ser uma arte. É isso que quero deixar explícito nesse texto. Symphogear usei apenas como… Digamos, catalisador da minha ideia. Foi o anime que conseguiu transmitir isso pra mim, que me deu essa “revelação”.

Escrevi esse texto porque as vezes acho que não apreciamos os animes da melhor maneira, cegados por essa noção de realismo, estar correto e exacerbado senso crítico. Animes foram feitos pra você se divertir, não ficar rolando no chão por X e Y serem ruins. Como sempre, SAO é a exceção.

Nós precisamos nos divertir mais com isso. Ver esses outros tipos de arte, sair da bolha! Só… Sentir o que o anime quer passar. Sem pensar muito a respeito. Assistir, ouvir, sentir aquela emoção no peito e floodar o twitter. Acho que é a melhor forma de se apreciar essa mídia. Mangás também, aliás.

Sendo assim: por que não? Por que as garotas cantando no espaço não pode ser uma arte? Se há respeito e admiração pela verossimilhança, então que tenha o mesmo para o mais distante possível da nossa realidade monótona.

KORE WA SYMPHOGEAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!

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5 thoughts on “Symphogear e a Arte do Exagero

  1. Não acho que poderia ser dito de forma melhor do que já foi. Exagero não é sinônimo de ruim. Explicações pseudocientíficas ou deliberadamente sem justificativa não são sinônimos de ruim. Basicamente toda obra de ficção depende delas. Sem excessão. Se é algo possível de se explicar e atingir no mundo real, não é ficção, certo?
    Mesmo monogatari tem isso. Tudo bem, os kaiis são entidades muito relacionadas aos humanos e se manifestam ou são ou sei lá lendas ou mitos, mas porque eles se materializam? As explicações são sempre muito lógicas. De fato os Kaiis funcionam muito dentro da lógica que o Nisio propõe. E isso que importa.
    O problema não é ter coisas inexplicáveis, sim não se contradizer dentro da lógica que se cria. E isso é fundamental. Se não acaba uma merda que nem SAO.

  2. O problema fundamental não é o exagero mas sim a suspensão de descrença. É ver a mão do marioneteiro. É saber que o monstro da cena foi feito por uma mesa de efeitos especiais. É perceber que não é o personagem no palco, mas sim um ator cumprindo um papel. É saber como o mágico faz o seu truque.

    “Sendo assim: por que não? Por que as garotas cantando no espaço não pode ser uma arte? Se há respeito e admiração pela verossimilhança, então que tenha o mesmo para o mais distante possível da nossa realidade monótona.” Ora, minha cara, mas eu não exatamente vejo anime porque procuro escapismo. Não exatamente. Arte também é uma forma de sentir coisas que não se sentem tão fortemente na vida real, é deixar-se ser enganado e nisso ser ajudado a alcançar tipos diferentes de pensamento, tipos diferentes de sensações. Às vezes isso nos ajuda a pensar melhor sobre certos conceitos, e quando a obra faz isso, para mim, muito melhor. Quando você se lembra que aquilo não existe, é de mentirinha, é como ser tirado de um transe. Isso atrapalha sua concentração, te faz perder aquela âncora de empatia que você criou com o show.

    Eu peço que também considere isso.

  3. Belo artigo, Marcela, pessoal sem perder a mão.

    E acho que tu no feeling (ou para não ficar empilhando termos) descreveu a tal – como focado pelo Aufwachenschlagen – suspensão de descrença que acaba dizendo muito como assistimos animes. Minha trajetória na nossa mídia mesmo foi marcada por tentar dissecar os animes com os olhos de um pesquisador, jogando o elemento emocional totalmente fora – pego como exemplo Angel Beats!, que odiei o final e achei a série nhé da primeira vez e fui rever e aceitar o profundo elemento emocional (imperfeito, como nós humanos somos, mas que toca a alma de vários) cinco anos depois.

    Querendo ou não essa suspensão de descrença acaba sendo algo com um viés bem pessoal, com uma aceitação que “vareia”; tu – e cada vez mais japoneses – abraçam o jeito de ser de Symphogear e conseguem apreciar de forma muito mais fácil as qualidades deste. Acaba sendo uma liberação IMO bem otaku-related, tanto que é sem dúvidas um anime para quem subiu essa escada toda – e acho um bom (e expansível) tópico como que a mídia animação japonesa acaba incentivando a esse nível de abstração que inexiste ou é muito mais difícil em outras (precisando de muita muleta para levar o normie até lá).

    Uma observação que quanto ao ponto do technobabble é que IMO é mais comum que tudo – talvez a diferença no caso (lembrando que ainda não vi SYMPHOGEAH) é o uso mais deliberado de expressões difíceis – mas de Gundam a Evangelion é uma sacanagem o tanto de termo técnico jogado na cara.

    P.S.: >2016
    >not Disqus
    =(

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