Rewrite – “Die Natur, Die Welt”

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Já pensou em reescrever a sua história? O seu destino?

Faz alguns bons dias desde que terminei Rewrite e eu já deveria ter escrito sobre a história. Esse post tinha uma ideia no começo, essa ideia sumiu (perdi em algum lugar da minha cabeça) e a agora tenho quase certeza que recuperei ela, ou melhor, que reescrevi ela. Nunca perco a piada.

Pois bem, vamos começar de verdade esse post sobre o mundo e a natureza.

Rewrite – Die Rezension

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Toda vez que eu venho escrever sobre uma VN sinto uma emoção muito forte (cafona, eu sei), sempre tento… conceber? Entregar? Explicitar pelas minhas palavras o que senti durante a leitura dessa mídia fantástica que tanto aprecio. Normalmente sinto que não consigo passar todo o meu sentimento. Falo isso porque realmente pensei sobre dias de que forma abordar Rewrite em uma resenha, sempre prezo por não estragar a experiência de um possível-futuro-leitor do jogo que estou escrevendo, e isso é um pouco mais complicado nesse caso em particular, mas vou tentar.

Rewrite é uma Visual Novel do estúdio Key, lançada em 2011 foi recebida com duras críticas e vendas razoáveis por… não ser exatamente o que esperavam do Key. O cenário ficou sob encargo de Ryukishi07 (Higurashi, Umineko), Romeo Tanaka (Cross Channel, Saihate no Ima) e Tonokawa Yuuto (Little Busters!); essa obra ela é muito distinta, a forma como foi concebida, a grandiosidade de seu enredo e os valores humanos, como a alienação no meio da multidão, a ideia de mudar o mundo (que anda tão em voga ultimamente), tudo me fascinou nela.

Não é uma Visual Novel perfeita, longe disso, mas a coragem e a firmeza de ter mantido até o fim a ideia central, o risco que assumiram com algo que poderia soar prepotente mas soa belo ao fim da canção… por isso ela é digna de nota. Digna de ser lida. Digna de ser mencionada. Digna de ser criticada. Existem muitas coisas que desagradaram o público alvo do Key nessa obra, essencialmente é porque venderam uma certa “aparente” ideia e a execução foi completamente diferente.

ss+(2015-09-06+at+12.11.44)

A história começa com um longo solilóquio, sobre alguém que soa arrependido e, custe o que custar, vai reescrever algo. Então conhecemos o protagonista, Tennouji Kotarou, que só deseja viver seus dias intensamente com bons amigos. O que é complicado, já que ele só tem 1 amigo e meio. Meio porque o chuuni-encrenqueiro-mas-tem-bom-coração, Haruhiko Yoshino, vê ele como um… err… rival; a outra pessoinha é a graciosa Kanbe Kotori, assim seguem os dias de Kotarou até o momento em que ele esbarra com uma turminha-do-barulho-que-apronta-mil-e-umas.

Essa turminha do barulho se constituí por: Senri Akane, presidente do clube de ocultismo, Lucia Konohana, a furiosa presidente de classe, Chihaya Ohtori, a menina desastrada e a guerreira que conversa pelo coração dos guerreiros, Nakatsu Shizuru. A rota comum de Rewrite é bem extensa (menor que Grisaia no Kajitsu), mas ela é sensacional, de verdade, fazia tempo que não dava tantas risadas sinceras com um humor bobo assim.

Um sistema interessante é o de “quests” presente aqui, completá-lo resulta no “final mais perigoso de todos”, o Oppai Ending! Só os mais gananciosos vão ter a coragem de atravessar as infindáveis aventuras de Kotarou por relatos de fantasmas, danças em cima da mesa, momentos de besteira intenso e mais! Muito mais! Hahaha, brincadeiras a parte, é um sistema bem divertido e assim não fica repetitivo repassar pela rota comum, já que você sempre pode ir atrás de uma novidade.

Rewrite é diferente por oferecer desde o começo interações com as personagens, não é apenas na rota das heroínas que elas se destacam, é impossível não rir com a Kotori fazendo imitações, toda santa hora alguém sacaneando o Yoshino, os abusos verbais da Akane, eles se tornam seus amigos, sua família. E o enredo não tem pressa, são boas horas de sorrisos e pirraças, cada personagem vai brilhar um pouco nesse caminho comum a todos. No vídeo abaixo tem o melhor exemplo desse humor precioso. Assistam.

Entendem? É simplesmente hilário porque não é uma piada forçada, é só um humor sincero. Outro aspecto que acho interessante nisso tudo é o pouco tempo de vida que o clube do ocultismo tem, digo, o que deve ser notado é o valor que o protagonista da história coloca nessas experiências. Você percebe que ele é bastante alienado a respeito dos colegas de classe, que faz piadas e tenta não levar nada a sério. Isso contrasta com o humor inicial de Rewrite, porque tem algo errado nessa vida tranquila.

O Kotarou tem sérios problemas com seres paranormais. Sério. Ele vê uma espécie de aparição em vários momentos, vai parar em lugares onde o tempo está congelado, encontra monstros, é bizarro de qualquer ângulo possível. Isso mostra que tem algo por trás do humor, por que ele e a Kotori são tão próximos, mas tão intrinsecamente distantes? Qual o motivo pelo qual o Yoshino desgosta tanto do Kotarou? E qual é o motivo do Kotarou ser tão misterioso a respeito do “coma” que ele sofreu?

A transformação do enredo é lenta, mas na releitura você percebe exatamente onde é a curva. Em algum ponto o clima alegre vai rareando, o clima da história em si fica bem pesado, desaparecimento e o inexorável corte ocorre nesse cotidiano feliz. Bruto, abrupto, feroz. Em um momento estava tudo bem e no outro você se sente na pele do Kotarou, o estarrecimento e desespero dele diante daquilo, da destruição de tudo aquilo que ele tanto prezava.

E finalmente, a história se reescreve.

ss+(2015-09-06+at+01.39.02)

Se os holofotes estavam num único ponto, agora ele se expande por 5 caminhos e revela não só a beleza da junção de grandes autores, mas também os problemas que isso traz consigo, as rotas das heroínas. Antes, vou mencionar alguns conceitos. A ideia central de Rewrite é sobre, bem, reescrever o destino e a respeito do mundo, da natureza. Kazamatsuri (a cidade onde o jogo de passa) é completamente eco-friendly, um verdadeiro exemplo para o mundo inteiro, reciclando, cheia de árvores, parece até um mundo a parte.

Contudo, vários momentos apresentam a dicotomia entre Natureza e Humanidade. Kazamatsuri é muito ativa no que diz respeito a ecologia, certo, mas utilizam veneno para afastar insetos indesejados, tem tecnologia de ponta, mas em alguns pontos da floresta no entorno ninguém se aproxima. Aí mora a questão: até que ponto nós aceitamos essa Natureza? Nós sinceramente convivemos com ela ou com uma ideia “embelezada” de Natureza?

Falando sobre o mundo em si agora, nossos recursos estão se esgotando a uma velocidade alarmante, somos parasitas do planeta Terra. E se a Terra enviasse um mensageiro? Um ser encarregado de obter memórias e julgar a Humanidade? Você se posicionaria ao lado dele, aceitando que a Humanidade precisa desaparecer ou destruiria esse mensageiro? Aliaria-se a Gaia ou Guardian? As rotas se expandem nesses conceitos, cada uma delas vai apresentar pontos de vista diferentes sobre esses assuntos, cabendo ao leitor observar e absorver as ideias.

ss+(2015-09-20+at+06.26.22)

O problema essencial das rotas está na divisão delas. Eu mencionei que três autores são os encarregados do cenário, Romeo Tanaka = Parte da Rota Comum, Rota da Kotori, Rota da Akane, Moon e Terra; Ryukishi07 = Rota da Lucia e o Tonokawa encarregado das rotas de Chihaya e Shizuru. Não quero desviar muito do assunto, mas até Rewrite surgir e ser lançado, ele sofreu enormes problemas de produção e orçamento, além de claramente ter ocorrido um problema de comunicação em algum ponto entre os autores.

Porque beira o ridículo a qualidade de algumas rotas. Por exemplo, é recomendável começar pela Kotori, uma rota mais “neutra” nos pontos de vista, mas no qual você sente todo o desespero daquela menina, começa a entender levemente a real situação da cidade e compreende a relação dela com o Kotarou, inclusive a “Chave” (mensageiro da Terra) é apresentado formalmente nessa rota. O Romeo sabe conduzir como um regente de orquestra, ele vai acelerando, acelerando, acelerando até o momento em que tudo explode. Ressoa.

Inclusive, ele é o grande encarregado dos pontos principais de Rewrite, é de um talento e qualidade a escrita dele que até emociona ao ler. A Rota da Akane é, sem muitas discussões, aceita como a melhor das rotas, a mais madura delas. O R07 cuida da rota da Lucia, a baladinha, os mistérios, o romance, é tudo de um patamar elevado, você sente é que uma coisa escrita pelo Ryukishi! E então… vem o Tonokawa, que causa um desequilíbrio total.

Tonokawa Yuuto. Esse homem. Esse… cara… realmente fico emputecido. Desculpem aqueles que discordam, mas nunca vi tanto desenvolvimento de personagem jogado no lixo. Chihaya e Shizuru têm desenvolvimentos lastimáveis como personagens, chegando ao ponto de todos chamarem a rota da Chihaya de “Rota do Sakuya”, já que entendemos melhor o guardião dela, do que a própria garota! Ele não se arrisca, apela para clichês, arco de treinamento, eu… é um nível tão… risível que o desenvolvimento da Chihaya ocorre nos únicos minutos em que ela aparece na rota da Shizuru. Sem falar nos problemas de “continuidade” com o poder do Kotarou se comparado as outras rotas…

ss+(2015-09-05+at+03.41.55)

É estranho demais você perceber toda essa diferença na qualidade das rotas, não é algo que eu precise reforçar, qualquer um sente a queda em vários sentidos. Não existe juiz melhor do que um leitor atento aos detalhes. Depois que passamos pelas rotas, depois de entrar nesse barco com as garotas, entendê-las e ver as possibilidades do mundo… Rewrite reescreve a si mesmo uma última vez.

Rewrite revela sua verdadeira face.

Boas memórias, a Lua e a Terra

Der Mond, Die Erde

ss+(2015-09-15+at+05.08.03)

É como um sonho de uma noite de verão.

Efêmero como o luar.

Um sonho.

Essa parte, essa parte final de Rewrite transforma tudo em algo fantástico, em algo mágico. Todos os meus sentimentos e sensações ao ler esse trecho não podem ser expressos em palavras, pois eu não as terias. Sinceramente, não vou entrar em detalhe algum dessa parte, mas eu queria mencioná-la, realmente queria falar uma coisa sobre ela.

Deus, como eu chorei.

Não é um jogo da Key se você não chorar até sair catarro.

Acho que sinceramente muitos livros e histórias me marcaram, eu digo que me marcaram em toda a sinceridade que posso expressar e esses trechos finais da jornada me marcaram. Cada diálogo, o entendimento e uma resposta sobre a Terra, sobre a vida, sobre o que uma única pessoa é capaz de fazer, isso não tem palavras. Não tem resenha que expresse. E faz alguns parágrafos que estou tentando expressá-la.

Se minhas palavras não convêm meus sentimentos, uma única música vai falar por mim, uma canção que fala por si só sobre a OST da obra e de tudo aquilo que não fui capaz de dizer.

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