Never7 – O Fim do Infinito

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É hora de encerrar o ciclo, de uma vez por todas.

Se vocês leem o blog há algum tempo sabem que eu já falei dos outros dois jogos da Trilogia do Infinito (Ever17 e Remember11), então algumas semanas atrás decide ler o último jogo que restava, Never7. Curiosamente o primeiro jogo da franquia carrega o subtítulo de “Fim”, é notável que o Uchikoshi estava em começo de carreira, ele não sabia conduzir com precisão os eventos, as personagens não são tão interessantes assim… mas tenhamos calma, é preciso paciência com esse jogo.

Já estou ouvindo o tinir do sino… que soa infinitamente.

Never7 – Tilintar

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A primeira CG de N7 é também o seu “mote”, o jovem Ishihara Makoto acaba sonhando com uma cena grotesca, o corpo de alguém está estendido no chão e na mão deste cadáver encontra-se um singelo sino , quando este sino cai e ressoa, ele desperta tremendo. Um pesadelo que o assombra logo no primeiro dia de uma _longa_ semana, nosso protagonista se assusta ainda mais com a chegada de uma jovem, Yuka Kawashima, que entra esbaforida em seu quanto, gaguejando palavras desconexas.

Sonho? Realidade? Presságio? Precognição? Viagem no tempo? Ah, Uchikoshi… tudo o que viria a ser sua marca registrada surge nesse momento, nesse jogo. N7 foi originalmente lançado para o Dreamcast em meados do ano 2000, então, é bastante óbvio que os traços não são dos melhores (vide o corpo do Okuhiko, que é literalmente torto…), quando o jogo foi lançado para PC oficialmente nada mudou, muito menos na versão para PSP. O que isso significa? Bem, a VN literalmente não tem OST se você não executá-la através do CD oficial ou se não tiver os arquivos no PC.

Reforço esses aspectos porque algumas pessoas realmente se incomodam com essas coisas, particularmente digo que é uma questão de se acostumar, outra época, o nosso querido autor não tinha essa fama atual… é complicado. Enfim, prosseguindo com os comentários, N7 no quesito “complexidade” fica entre E17 e R11; muitas questões são respondidas dentro da história, mas pensando que o foco da VN é na ideia de “o observador determina a realidade”, faz sentido a abordagem de certos pontos e resoluções.

ss+(2015-07-24+at+11.50.59)

“A chuva primaveril/ Ao fim do cabo/ Ressoando com/ o Tilintar do sino / o libertará do tempo”

A paranoia do Makoto é que ao longo desses sete dias que ele… é mesmo, não expliquei. Nosso jovem protagonista que adora faltar na faculdade foi “convocado” para um seminário sem ser avisado de nada, esse evento ocorre em uma ilha ao longo de sete (intensos) dias. Ele estuda psicologia. Mas como estava dizendo, o problema é que o Makoto fica paranoico com esse sonho, tendo impressão de que já viu certas cenas ocorrerem, de que alguém vai morrer no sexto dia do seminário.

O que me incomoda grandemente em E17 e ocorre novamente aqui é a falta de “senso de urgência”, mas acho aqui um pouco mais justificável pensando que para o Makoto aquele “morte” foi apenas um sonho, um pesadelo qualquer. Ele só mantém esse “pressentimento” de que algo vai dar errado ao longo da semana, até que o fato se cristaliza na realidade e ele entra em desespero; desculpe se isso for novidade pra alguém, mas o enredo se concentra muito em viagem no tempo, no Makoto voltando ao passado para impedir essa tal pessoa de morrer.

As heroínas não são realmente interessantes separadamente (embora todas tenham seu desenvolvimento), o que realmente torna a experiência aprazível são as conexões! A extrovertida Yuka, a calada Haruka, a espevitada Kurumi, a mimada Saki e a serena Izumi. Como todo bom jogo do Uchikoshi os personagens estão conectados de alguma forma, algum laço ou memória conecta aquelas pessoas em níveis bastantes íntimos; sempre tem o personagem que aparenta ser inofensivo, aquela que entende a situação, o amigo estúpido (Ah, Okuhiko…).

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“Você é o único que sabe disso, Onii-chan…”

Cada rota oferece uma pequena parte do quebra-cabeça que é esse seminário/visões do Makoto, a rota que se encaixa como “verdadeira” é a da Izumi. A rota dela é intitulada de “Curé”… e não, eu não coloquei o acento no lugar errado. Se você leu ou soube de algo de E17 talvez conheça o termo “Cure”, em N7 temos a primeira aparição daquilo que seria um evento extremamente importante em E17 (cronologicamente as histórias ocorrem com diferença de poucos anos).

N7 é essencialmente sobre viagem no tempo, mas primeiro isso aparece como uma lenda local daquela ilha, depois é a imagem do sino que a representa… ela se metamorfoseia em muitas coisas, em muitas ideias. Mas isso adquire um sentido diferente com o seguinte mote: “O gato na caixa está morto ou vivo? Você só determina isso quando a abre. Até então, tudo é possível”, em um sentido mais amplo, o futuro só se consolida quando o Makoto “aceita” aquela realidade como o “futuro”.

É mais uma daquelas ideias que o Uchikoshi trabalharia melhor nos seus futuros jogos, ela aparece uma primeira vez agora e é interessante pensar nas influências futuras, digo, R11 acaba retomando ideias extremamente vitais em N7. Nesses momentos você percebe que o Uchikoshi já tinha pensando na trilogia por completo quando escreveu N7, mas arbitrariamente, algumas coisas não fazem sentido… como eu posso dizer… o Uchikoshi apresenta N coisas em N7 que ficam sem explicação (R11 ao menos oferece as pistas) ou são rebatidas pelo enredo de E17.

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Um sino?

Erro do autor ou ainda envolve a ideia de que o observador determina/formata a realidade de acordo com suas ideias? Eu gostaria de poder falar melhor sobre isso, mas exige uma pesquisa maior, pensando ainda que Ever17 teve um propriamente dito “remake” para o Xbox360 onde recebeu algumas rotas/reformulações e, pelo o que eu pesquisei, “Curé” é abordado… futuramente posso fazer um post abordando a trilogia como um todo.

A OST não é memorável ou marcante, são músicas tranquilas para os momentos serenos ou músicas tensas para os momentos “ébrios” da narrativa, não tem nem como comparar com 999/VLR que são “Sound Novels” e se ambientam com essas músicas. Novamente, é um dos aspectos com os quais o tempo não foi gentil nessa obra.

“Never7 vale a lida, Raigho?” Sincera e cruamente? Se você leu os outros jogos da trilogia e quer ver o começo da carreira do Uchikoshi, sim, é muito válido. Mas começar os jogos do Uchikoshi por essa obra? É bastante arriscado, a primeira impressão é a que fica e N7 não ajuda muito nisso. A história adquire tons muito interessantes na rota verdadeira, o enredo faz até bem mais sentido, e… bem, é a trilogia do infinito.

Se você começou essa série, sabe o estado da embarcação, certo?

"Estou no meio do oceano."

“Estou no meio do oceano.”

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