Danganronpa 2: Goodbye Despair

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Upupupupu!

Danganronpa 2 supera de muitas formas o seu antecessor (tanto em história quanto nos julgamentos), mas curiosamente eu não joguei o primeiro jogo, então tudo para minha pessoa soou como novidade. Eu assisti o anime de DR1 e procurei informações para preencher as lacunas, na verdade fiz até um review e a Marcela falou um pouco mais do jogo nele! Então muitas coisas que me pareceram novas nesse DR2 não eram ~realmente~ inovações, mas consegui formar uma opinião geral.

Essa série começou no PSP e recebeu algumas melhorias/novidades nas versões lançadas para PSVita, no caso, eu zerei DR2 em inglês no Vita. Infelizmente no psp só temos a versão japonesa.

Vou falar de esperança, sobre como precisamos de desespero para alcançar uma esperança ainda maior, porque tudo tem de ser em prol da esperança… Hã?

E-Eh? E-Espera, mas a esperança não é o oposto do desespero? E-Eh?

Heh.

Jaguadarte (Jabberwocky)

Era briluz. As lesmolisas touvas

roldavam e reviam nos gramilvos.

Estavam mimsicais as pintalouvas.

E os momirratos davam grilvos.

Você só percebe a piada no fim, mas é interessante pensar que o nome da ilha onde o jogo se passa veio de um dos poema mais desconexos de todos os tempos. Desconexo, irracional, mas definitivamente carregando algum sentido. Muito do enredo e da brutalidade de Danganronpa 2 se pautam nesses aspectos, no meio de todo o caos que envolve esses 16 estudantes… lógica, ordem, controle. E o regente da orquestra? Monokuma retornando com as mesmas ironias, maldades e personalidade dignas do urso mais desesperador de todos.

Desde Battle Royale é clássico colocar alguns adolescentes para se matarem em uma ilha, em DR 2 só disseram para eles que eram férias e pronto! E a nossa Professora da Classe (Monomi, uma coelha de pelúcia) realmente queria oferecer paz e tranquilidade aos seus queridos alunos, mas o seu ~irmão mais velho~ Monokuma não divide dessa opinião, ou seja, mortes, mortes, mortes. É engraçada a ~sintonia~ entre Monokuma/Monomi pois eles se odeiam e a coelha normalmente é quem apanha, mas quando algum dos alunos questiona algo, ambos animais de pelúcia desaparecem na hora.

Danganronpa 1/2 são muito marcados pelas ações e atuações do Monokuma, ele definitivamente é a estrela do palco. O retorno do Monokuma é por si só um grande mistério desse jogo (se você ainda se lembrar de DR1, claro), a eterna indagação se repete: “Quem está por trás do Urso? Quem é o Monokuma? Quem é o estudante que deseja matar os colegas?”; algo mais distinto nesse jogo é uma aparente “urgência” que o Monokuma expressa na questão deles precisarem começar a se matar logo.

"Easter Egg de Danganronpa: Another Story"

“Easter Egg de Danganronpa: Another Episode”

Inicialmente 16 pessoas parece um número bem abrangente, realmente assusta um pouco, mas a habilidade do Kodaka Kazutaka (autor) mostra como isso pode ser um ponto positivo. Justamente por serem tantos eles precisam de qualidades ou habilidades que os diferenciem, não são apenas os títulos de “Supremo” em suas áreas de atuação que ajudam nisso, mas nos trejeitos, manias, hábitos ou formas de falar muito marcantes em cada estudante.

E para o jogador conhecer melhor cada personagem Danganronpa foge bastante do sistema de VNs tradicional, claro que envolve uma carga razoável de leitura ainda, mas ele apresenta os “Eventos de Tempo Livre” (FTE). Esse elemento já estava presente no seu antecessor por sinal, não temos rotas, mas sim determinados horários onde pode-se conversar com qualquer um dos colegas e aprofundar laços, isso ajuda não só a entendê-los melhor, mas também gera os “Fragmentos da Esperança” que permitem a compra de novas habilidades.

Já que estamos nos personagens, o mais misterioso aparentemente é o protagonista (Hajime Hinata) que perdeu a memória, a grande angústia dele é saber qual habilidade concedeu sua entrada na Academia, o Hajime tem verdadeira adoração por sua escola. E na outra ponta, sempre buscando esperança, temos o jovem Nagito Komaeda que causa reviravoltas inesquecíveis com… sua… err… fixação com a esperança, com a destruição do desespero.

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Hinata, Komaeda, Byakuya, Chiaki, Nekomaru, Pekoyama, Teru, Saionji, Mahiru, Ibuki, Gundham, Akane, Fuyuhiko, Mikan, Sonia, Soda. Cada um deles vai surpreender e brilhar. Fiquei particularmente feliz por cada revelação e mudança nos casos que direta ou indiretamente eles causaram, isso ressalta que independente do quão habilidosos sejam, ainda são estudantes. As mortes sempre tem uma motivação forte nesse jogo, em alguns casos envolve até uma ~mensagem~ a ser passada, é realmente engenhoso.

Agora vamos falar de uma divisão que ocorre em DR2, temos esses momentos de interação e tudo o mais, mas quando a primeira morte ocorre, quando o Monokuma declara que um corpo foi encontrado, Danganronpa mostra o motivo de tamanha popularidade. A OST muda, a própria ambientação fica mais soturna, investigar cenários, analisar o corpo, o momento do crime, as possíveis armas, tudo enquanto os personagens carregam uma única coisa em mente: “Um dos meus colegas é o assassino.”

Em várias mídias o personagem principal ou alguém grita: “Meu Deus, isso não é um jogo, é a vida real” para realmente passar a sensação de desespero, isso também acontece aqui, para eles aquilo é real, essa ambientação, a ideia de um colega ser morto, para eles o desespero é a realidade. Esse peso parece que fica entranhado conforme você vai lendo/jogando, cada perda acarreta uma série de consequências, desconfianças crescem e todos se tornam um perigo em potencial.

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A investigação é realmente muito boa e interessante, mas DR se desvencilha ainda mais do que entendemos como “visual novel” ao brincar com os gêneros que abrange. Que tal encaixar um ~escape game~ que parece ter saído da mente do Uchikoshi? Ou obrigar os alunos a jogarem um ~joguinho~ de ~mistério~ que parece ter saído do Dreamcast? São quase piadas internas do Kazutaka. Esse tipo de coisa acontecia raramente em DR1, nesse tipo de análise é que você percebe claramente o avanço e a diferença notável entre esses jogos da série.

Mas algo que tinha me deixado curioso era o bendito “Julgamento de Classe” e a “Discussão Ininterrupta”. Vou ajudar na imersão, composta pelo mestre da baladinha (Masafumi Takada) a OST é arrepiante, mas por ora, só escute Discussion – Heat Up. Imagine cada argumento e prova que você obteve para aquele caso sendo carregados como se fossem balas, a câmera girando de forma dinâmica e essa música ao fundo. A primeira vez que isso aconteceu comigo foi fantástico. Não em outra explicação, digo, não tenho como colocar em palavras.

Cada um dos estudantes gritando, expondo sua visão do caso, conflitos de horários sobre a morte, da arma utilizada, de um testemunho falso, tudo acontecendo ao mesmo tempo na tela. Sem tempo para pensar ou reagir, você precisa ser ágil, escolher o argumento e decidir: “Isso é contraditório? Ou posso utilizar ao meu favor?”. Essa sensação até assusta para os que não estão acostumados, mas quando se entra no ritmo das discussões e é embalado pela OST, chega a ser mágico.

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A proposta dessa discussão é revelar o culpado, mas o Monokuma também sabe a confusão que pode ser causada por tantos argumentos, então é um deleite para ele ver os estudantes desesperados. DR2 evolui também nas discussões, agora temos segmentos melhorados e novos. Muitas vezes o Hajime não sabe o que fazer, então ele ~mergulha~ dentro de si para unir as peças do caso (Logic Dive); os momentos nos quais você pode concordar com certo argumento são novos também.

Conforme mais estudantes são ~punidos~ pelo Monokuma nos julgamento, mais a Ilha Jaguadarte se expande. Quero dizer, se no DR1 eram os andares da Academia que acabavam sendo liberados, em DR2 são as ilhas menores que constituem Jaguadarte que são liberadas e revelam surpresas, além de novos cenários para as mortes. A série é sempre muito boa no aspecto das mortes, aqui não temos os Mandamentos de Knox ou coisa parecida para ajudar no esclarecimento dos assassinatos, o planejamento e a forma como as ilhas são utilizadas nos assassinatos geram mortes cada vez mais elaboradas, discussões ainda mais ferrenhas para revelarem o assassino.

E já que cada pequena ilha tem seu próprio ambiente, nada melhor que trilha sonoras específicas, não? Até mesmo a música das investigações têm suas alterações! Existe algo… estiloso em cada música. Elas são divertidas, interessantes, legais. São ~cool~. Por exemplo, na preparação para o julgamento temos a Re_Trial Underground, não tem algo vívido nessa música? Todas elas transmitem emoções muito fortes. Ouçam “Sing the Hollow Hapiness“, ela soa brutal.

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Temos também o emblemático e satisfatório momento no qual você quebra o argumento de um colega, revelando algo ainda mais aterrorizante embalado por “Class Trial – Future“. Ah, me lembrei de um momento especial, em plena discussão acalorada, quando o Komaeda faz um desafio pessoal sobre determinada parte do caso e começa a tocar pela primeira vez “Objection – CROSS SWORD“. E por fim, a minha música preferida do Masafumi: “Discussion – HOPE VS Despair“, para mim ela representa a alma de Danganronpa.

Danganronpa 2 é uma junção curiosa de muitos elementos. Sinceramente poderia ter dado muito errado, mas fico feliz pela forma como foi conduzido. As discussões com o Komaeda, as incontáveis vezes nas quais ele praticamente esfregou na cara de seus colegas que eles eram covardes, que não tinha coragem de apontar o assassino, a gentileza da Chiaki, as execuções, as opiniões sobre o que realmente significa Esperança, o fim. O fim… do qual não vou me recuperar jamais.

Aos que não são muito fãs de visual novel, provavelmente Danganronpa tanto 1 quanto 2 são a pedida certa, deem uma chance. É intrigante, instigante, divertido, desesperador, tudo ao mesmo tempo.

Ainda consigo ouvir o som dos argumentos sendo carregados.

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