Shoujo: uma demografia, um gênero, um saco

screenshot004Esse post foi feito do mesmo veneno que foi utilizado para cada um dos SAOmanais, mas com uma dose um pouco menos intensa. 

Yaho.

Por favor, não me matem ainda. Quero jogar The Last Guardian.

Por que estou dizendo isso? Bom, porque eu vim falar mal de shoujo. CALMA. CALMA. Eu disse pra abaixarem esses tridentes e essas tochas, o Frankenstein ainda não acordou.

O fato é: eu não gosto de shoujo. Mas não apenas isso, queria clarificar minha opinião sobre algumas coisas que tem acontecido aqui no Brasil com relação a essa demografia/gênero/seja lá o que for que tanta gente ama. Desde o comecinho do OtomeGatari, disse que aqui teria pedaços do meu amor e da minha fúria, e tenho, sei lá, o direito de criticar e falar mal. Então, antes de saírem me xingando loucamente nos comentários, por favor, pensem um pouco no que vocês criticam as vezes e se as pessoas com opinião contrária fizessem a mesma coisa. É. Vamos nessa.

Antes, um breve histórico: estava comentando com meu amigo senpai a respeito de shoujos, em função dos eventos que estão tendo com as editoras de mangás, lançamentos anunciados e etc. Então, deparei-me com esse texto (desculpem, mas está em inglês) e concordei com boa parte do que foi dito. Aí pensei, “ué por que não fazer o mesmo?”, depois desse amigo ter sugerido escrever a respeito e aqui estou eu.

Qual o papo com shoujo?

gekkan-shojo-nozaki-kun-111714Assim, não gosto muito de notar a demografia dos mangás que leio, porque realmente não acho que seja 100% aplicável. Talvez no Japão funcione, mas aqui nós temos muitos marmanjos lendo shounen, moleques lendo seinen, marmanjos lendo shounen e josei… Então, no final das contas, não importa se você é homem ou mulher, menina ou menino, você vai ler o que gosta e pronto. Portanto, não quero me prender muito no fator “shoujo é pra garotas” e no fator demografia. Quero abordar ele levando em consideração as características das obras que em geral são classificadas como tal.

Considerando essas características gerais que eu mencionei. Antes de mais nada, sim, eu li shoujos já. Obviamente, como não é algo que gosto, não posso dizer que li o que talvez seja “o suficiente pra falar mal”, mas o que eu li me deixou uma imagem bem clara: é chato. É enrolado. É forçado. Eu já disse que é chato?

Os que eu li não eram exclusivamente sobre romances colegiais, mas sei que boa parte é. E também sei que nem todo shoujo é romance, mas como esses são em geral os que mais se comentam, vamos nos concentrar neles. Já que Vitamin, por exemplo, é um shoujo que não é chato. O que me incomoda realmente são… esses romances.

Primeiro de tudo, pra desenvolver um romance, ainda mais caso queira prolongar ele pra vender, tem que ter alguns aspectos em mente. A não ser que você seja um completo sádico que não está nem aí pro coração dos fãs e resolva matar o casal ou já tenha planejado desde o começo que alguém lá tem uma doença terminal que vai ser arrastada até o fim feito um dramalhão, alguém vai ficar com alguém. Isso é básico. O problema inicial é o caminho que leva até esse ficar com alguém.

Trabalhando com um romance, o fim já está mais ou menos definido, que seria ou a menina ficar com o garoto que gosta desde o começo, ou trocar ele por outro que “de surpresa” surge na história pra um “triângulo amoroso”. Ou seja, você não tem muito o que esperar do fim, a não ser que haja uma shipwar verdadeira. Pensando nisso, o que o autor tem como trabalho a ser feito? Desenvolver o romance, é claro. Só que aí vem a enrolação. Ah, a enrolação.

Todo mundo é tímido e puro em shoujo, isso é fato. A protagonista tá o tempo todo tímida, se encolhendo, ai ai ai Yukito, meu deus senpai me nota. Isso por si só já é meio… Incômodo. Não dizendo que eu quero ver a putaria rolar solta, qualé. Mas é tão irreal que perturba.

M-m-mas Marcela, é uma obra de ficção! Você está querendo dizer que pode aceitar os peitos da Hanekawa existirem naturalmente, mas não pessoas puras demais pra idade?

Calma lá, fã nervoso! Os peitos da Hanekawa, em primeiro lugar, são uma obra prima da natureza, por isso não entram no páreo. Em segundo lugar, tem um limite até pra obras de ficção. Sim, tem gente soltando poder pelas mãos, sim, existem baratas gigantes, sim, existem pessoas seminuas que saem correndo e comendo humanos, tudo isso faz parte dessa ficção e nós gostamos, porém, mesmo dentro de obras fantasiosas, o autor tenta manter um limite até onde ele pode extrapolar. Com exceção de Bleach, claro. Bleach não tem mais limites desde que o Aizen perdeu. Portanto, ao ler um romance, mesmo que seja falso, é preciso que tenha algum pedaço de realidade nele pra você se imergir na história. Você não está fugindo da realidade, mas quer entrar na história. É difícil fazer isso quando a história simplesmente… Não parece de verdade.

Nisekoi, por exemplo. Não é shoujo, mas enrolam pra vender. Não é chato? Não é chato esperar o capítulo da semana, pra ver a Chitoge continuar ganhando, e pegar um capítulo aleatório sobre a Marika ou, sei lá, a Paula? Ninguém gosta dos capítulos >>>>>fillers<<<<< de Nisekoi. Igualmente, ninguém gosta de ficarem enrolando tanto pro casal ficar junto, ainda mais com dramalhão forçado.

horriblesubs-gekkan-shoujo-nozaki-kun-03-1080p-mkv_snapshot_07-47_2014-07-20_21-40-17Ah, o dramalhão forçado. Vocês já devem ter notado que eu tenho uma tendência muito grande a criticar isso nas obras, mas é porque realmente incomoda. Incomoda no nível de ficar se arranhando todo, remoendo no chão, socando a mesa e perguntando “por que, meu deus, por que”.

Por exemplo. Vocês conhecem aquele shoujo famosão que teve anime e o mangá saiu esses tempos no Brasil, né? Aquele com o nome que eu odeio e nunca sei escrever ou falar: Aoharioapçkdlskfhpewuo4jk5iuofaiuw9q3porijçisedraido. Vou simplificar de agora em diante como esse shoujo, pra ser mais fácil de digitar.

Esse shoujo tem uma históriazinha bem simples. Tem a menina, a menina conhecia um menino, os dois se gostavam aí o menino ouviu a menina dizer que não gosta de meninos quando ele tava pensando em se declarar, não se incomodou nem de perguntar sobre isso pra ela e eles nunca se declararam ou se falaram mais. Aí essa mesma menina babaca, como ela é super bonita, perfeita e feminina, atraía atenção dos homens, mas as mulheres odiavam ela. Então, essa mesma menina idiota, resolveu começar a agir meio masculina pra que os garotos ignorassem ela e ela fizesse amigas mulheres. Depois dessa estupidez toda, essa mesma menina encontra o garoto idiota que não sabe o que significa “comunicação”, só que agora ele mudou de nome, deixou a franja crescer, ficou dark, edgy e começou a ouvir Linkin Park, em especial Numb, no repeat.

… Vocês tão vendo como eles transformaram uma situação muito simples em algo complicado e digno de muitos e muitos capítulos? Não posso comentar mais a respeito porque droppei essa pérola na metade do segundo episódio. Aliás, quando o menino do Linkin Park apareceu, eu realmente desisti de vez porque nem quando tinha 10 anos e assistia Naruto eu gostava do Sasuke. Sem falar que a protagonista é uma retardada com a justificativa mais estúpida pra um conflito de identidade.

Esse shoujo é aclamado por muita gente e entendo que tenha quem consiga enxergar beleza nessa história. Porém, tudo que eu vejo é teenage angst pra todos os lados. Sabe quando a Ryuuko ficou revoltada e todo mundo odiou ela? Sabe como a Satsuki, mesmo nua e sendo torturada, continuo orgulhosa, firme e forte, e todo mundo amou ela e as sobrancelhas dela? Pois é. esse shoujo é a Ryuuko. Os outros mangás são a Satsuki. Com exceção de Bleach, claro. Bleach é aquele menino que rouba o uniforme no primeiro episódio e morre. 

Gekkan-Shoujo-Nozaki-kun-02-Large-13Mas não foi só esse shoujo que eu li. Também cheguei a ler uns bons capítulos de Tonari no Kaibutsu-kun antes de desistir. E olha que realmente me interessei pela protagonista: nerdona, não tem uma aparência muito especial e não tá muito aí pros outros. Um bom desvio da sua típica protagonista moe moe cabeça de vento senpai me nota.

Aí veio o Haru… Eu não entendo o Haru.

Haru é o cara todo problemático da história. Ele é meio selvagem, mas as vezes tem o lado deep. Eles até explicam o motivo pra essas coisas em um flashback, por conta da situação familiar dele e etc. Mas, sinceramente, eu achei tudo tão confuso e sem noção, mal explicado e idiota, que esqueci e realmente não entendi. Tonari no Kaibutsu-kun, assim como os outros mangás, são enrolados pra caramba. Pior ainda, ele dá voltas: uma hora, o Haru gosta da Shizuku, a protagonista. Depois, ele não gosta mais dela e ela gosta dele. Depois inverte. E fica fazendo isso até chegar num ponto de que não é mais divertido, só confuso e chato.

Nesse aspecto da história, o que eu percebi com esses dois exemplos foi que os autores/autoras tentaram dar uma chama a mais em uma fogueira sem proteção. Sabe o que acontece quando você deixa o fogo ficar muito grande e não coloca uma barreira ao redor? Ele queima sua cara e tudo ao redor. Numa tentativa de dar uma certa profundidade pra história, na maioria das vezes falham miseravelmente, acabando com algo que parece ser complexo e realmente interessante, mas no fundo no fundo é uma desculpa muito esfarrapada para o personagem ser daquele jeito. Lembrando: na maioria dos casos. Existem casos que funcionam, sei bem disso, porém, não cheguei lá ainda.

Finalizando então com outro aspecto desse tipo de mangá que faz eu me contorcer no chão tentando arrancar meus olhos enquanto meu cachorro lambe minha perna, é o maldito, maldito traço dos shoujos.

06Peguei essa imagem do post que mencionei acima, porque vi que era um exemplo perfeito. E não estou falando de um shoujo merreca desconhecido, é aquele Maid-sama relativamente famoso.

Okay, sua vez, leitor. Antes de continuar vendo o post, me diz aí: quais são os principais problemas que vocÊ encontra na página?

Vou te dar um tempinho pra pensar. Não sério, vou mesmo. Aqui umas imagens pra você ir vendo enquanto reflete.

tumblr_n94w6tthys1tpxv8co1_500 Nozaki-kun-ep07-...did-they-not-have-bigger-sizes-1038x576 vlcsnap-2014-08-31-22h51m56s721Já tem a resposta? Okay, vamos ver se bate com a minha:

-Balões de fala de todos os tipos;
-Excesso de frufru, não faço ideia do que tá acontecendo;
-Traço extremamente reto;
-Caras sempre perfeitos;

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E a lista só vai aumentando. Páginas de shoujo são uma bagunça, tem flores pra todo lado, é mais complicado de entender do que cenas de luta em mangás da CLAMP. Sem falar desse traço, sempre reto, sempre com lábios protuberantes e esses cabelos estranhos que parecem só riscos na folha. Sim, é um estilo, sim, pode ser bonito, mas particularmente? Não faz meu estilo. No entanto, a questão sobre as folhas serem recheadas de coisas e frufrus continua válida, independente de ser estilo. Torna a leitura cansativa.

11403056_385491668317094_3788884983330560836_nE esse tipo de coisa, né.

Conclusão

O fato é, shoujo é algo complicado. Não vende muito nem no Japão, e lá tem mais gente do que aqui e mangá é basicamente HQ normal pra eles. Só consigo sentir um decaimento cada vez maior nesse tipo de história, o público já tá outro, já tá precisando de coisas novas… Posso estar errada, né. Não faço estudo das vendas, apenas estou dizendo o que me parece ser o certo.

Então, entendo a galera que peça mais shoujo aqui pro Brasil. É legal, ver aquela sua obra chegar, comprar ela oficialmente, apoiar o autor. Mas é realmente necessária tamanha mobilização? Pensem no peso que as editoras estão carregando. Shoujo já tá meio que crucificado como algo que não vende e realmente é. Quero dizer, podia começar meu projeto pra pedir light novel, mostrar que elas vendem, cara, pedir Monogatari pra cá. Se eu quero? Sim, muito. Vende no Japão? Bastante, e os animes estão cada vez mais populares aqui no Brasil. No entanto, não é meio egoísta? Empurrar essa obrigação pra cima deles? Apenas um registro sincero do que penso, sem ofensas, aceitem como quiserem.

No final de tudo mesmo… Só posso dizer: e é por isso que eu sou de exatas.

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47 thoughts on “Shoujo: uma demografia, um gênero, um saco

  1. Essa popularização repentina da demografia shoujo aqui no Brasil, realmente, é um fenômeno a investigar. Mas para ser sincero, estou dando o foda-se a isso, se bem que, no íntimo, concordo com duas coisas que falou: é egoísmo pedir shoujo para as editoras, arriscado demais para o mercado; há uma certa procura de identidade, principalmente por parte das meninas, alegando que são “leitoras” da demografia shoujo, supondo que shoujo seja solenemente para garotas; por outro lado, vejo homens lendo esses shoujos mais piegas não sei por que motivos — não consigo conjecturar nada além de intenções ulteriores.

  2. Arrependa-se Marcela Nisekoi teve uma confissão de amor de verdade………. que não deu em porra nenhuma, mas enfim…
    Concordo que dos pouquíssimos shoujo que eu já li, nenhum chegou a me proporcionar nada de interessante, e que em boa parte o traço também não ajuda muito. (com exceção de Ore Moogatari que me chamou a atenção, mas mesmo ele não deixa de ser uma sátira shoujo)

  3. Shoujo pra mim é que nem Yaoi ou Yuri: não tem nada de errado com o “gênero”. O que tem de errado são as obras. Personagens mal construídos, desenvolvimento tedioso escroto, temática repetitiva, etc.
    No caso de Yaoi ou Yuri o simples fato de existirem bases sólidas nos casais como um Uke e um Seme ou uma Neko e uma Tachi é uma aberração na construção de personagens. Todo yaoi tem que ter aquele gayzinho afeminado e o gostosão dominante? Todo shoujo a protagonista tem que ser insegura e moeshit?
    Claro, existem exceções. E geralmente essas brilham. Tem uma pá de shoujos que eu gostei, não vou falar que todos foram horríveis. Mas o que é agonizante de ver num gênero é isso: existem um ou outro que são toleráveis, mas nunca são obras épicas. Não existe nenhum shoujo que ta indo pra minha listinha de top 10 animes que eu escondo debaixo da cama.
    E olha que eu sou de humanas.

    • Primeiro, meus pêsames por ser de humanas. Prometo tentar comprar sua arte e miçanga pra ajudar.

      Em relação a parte séria do comentário, realmente, a construção da maioria dos shoujos é deficiente nesses aspectos. Os personagens são rasos, mesmo quando os autores/autoras tentam colocar um “algo a mais neles” – como o caso do Haru, de Tonari no Kaibutsu-kun. Óbvio, existe shoujo bom, mas parece que a maioria não é, e isso dá uma aparência ruim pra esse estilo de mangá, em especial os de romance.

  4. Vou assumir que esse foi um post sério.

    Entendo o rant, também acho shoujos em geral chatos e acabo implicando com isso. Contudo, você apenas citou padrões genéricos dos shoujos. Padrões genéricos existem em qualquer gênero, demografia, nicho ou outros grupos de mangás/animês (poderia colocar sobre outras mídias também, mas vamos nos focar só na cultura ‘otaku’). Gostar ou não é… Bem, só gosto mesmo. Precisa rever melhor onde traçar essa sua linha de realismo e o “só garotas e meninos gays leem/veem shoujo”.

    Concordo que essas campanhas de shoujo no Brasil parecem muito desorientadas. Não sei exatamente para que serve o “movimento shoujo” aqui; para que as pessoas levantam essa bandeira; se isso vai ser bom ou não… Mas não faz sentido justificar a vontade por mangás românticos baseados em padrões demográficos Japoneses (como dito, o que tenta representar garotas no Japão não necessariamente vai funcionar em outros lugares) dizendo “queremos mais shoujo, queremos mais shoujo”. Parecem gritos vazios, já que eles não especificam o que realmente desejam.

    Se as pessoas quiserem um mangá, seja shoujo ou qualquer outra coisa, que peçam. Se houver a demanda certa, ele possivelmente virá. Um mangá não vai ser bom ou deixar de ser só porque é shoujo ou shounen etc.

    No geral, acho que tanto a campanha quanto seu post estão bagunçados por estarem falando de algo que não tem representatividade no Brasil. O que é o shoujo para o público Brasileiro? A maioria que conseguir identificar o termo vai associar com romances onde a protagonisa feminina tenta ficar com o garoto bonito. Isso é realmente algo a se encorajar? Fica a dúvida.

    • Então, quando faço posts desse tipo, eles são metade sérios e metade humorísticos, ou uma tentativa de ser.

      Sobre a questão de serem os padrões genéricos, isso foi algo mencionado no início do post quando mencionei Vitamin, um bom exemplo de shoujo interessante e bem desenvolvido, e portanto disse que não iria me concentrar nos diferentes tipos e falar mais a respeito dos que envolvem romances. Quanto ao “só meninas e gays leem shoujos”, isso foi uma piada. Se fosse assim, só garotos liam shounen, mas todo mundo sabe que não é bem assim. Peço desculpas se essa parte não ficou clara.

      Realmente, a qualidade de um mangá independe da demografia. Afinal, Chihayafuru é um josei, uma demografia das mais desvalorizadas digamos assim, mas todos sabem o quão divertido e interessante é. O que quis ressaltar foi que os shoujos em geral não possuem um bom padrão de vendas no Japão e aqui no mercado brasileiro também. Não é porque é shoujo, mas é uma característica dessa demografia. O que tem vendido mesmo por aqui são shounens e seinens. Além disso, o mercado de mangás é um tanto quanto fraco, por isso insistir tão fortemente que as editoras tragam um gênero não tão forte pra cá em função da falta dele é um golpe baixo, já que os fãs meio que forçam a editora a assumir riscos. Afinal, quem me garante que as mais de mil pessoas que apoiam essa campanha realmente vão comprar o mangá? Ora, muitos lançamentos me interessam pedir e quando vem também me interessam, mas não significa que já estou com o dinheiro pronto na mão. Um bom exemplo foi Air Gear, que tantos e tantos pediram mas as vendas não corresponderam.

      O que é shoujo pro público brasileiro realmente é uma pergunta inreressante, pois na cabeça de muitos shoujo é sinônimo de romance, mas como já citei, não é apenas isso, só que meu post se focou nisso, porque pelo que tenho acompanhado da campanha, a maioria dos mangás que as pessoas pedem giram em torno desse tema.

      Agradeço o comentário, realmente me fez rever alguns pontos e espero que você também faça o mesmo pra que essa boa discussão progrida assim, de maneira saudável. E também peço desculpas pelo post ter parecido um pouco “bagunçado”, um amigo também mencionou que poderia ter sido mais enxuto, só que no ímpeto da escrita é difícil se focar nisso.

  5. Você mal leu 2 obras completas para poder escrever esse post. Fica complicado daí, né? Tudo bem não gostar da demografia, todo mundo tem gostos específicos, é besteira discutirmos isso. Mas acho que faltou um pouco de conhecimento sobre o assunto e aí o seu texto acabou pecando em diversos aspectos. Você deu o exemplo de Maid-sama para justificar que shoujo tem um traço “ruim”. Shoujo é conhecido por ter traços bonitos. É claro que há exceções. Pegar uma única obra pra resumir a arte de uma demografia inteira parece um tanto apelativo. :/ Também acho que Maid-sama tem um traço tosquinho, mas tem muitos shoujos por aí com artes muito bonitas. E no final das contas, estética é algo relativo e as opiniões vão divergir. Acho que no final é um ponto meio inválido pros dois lados da moeda.
    Você diz que é egoísmo que os fãs peçam às editoras (pobres editoras) mais obras shoujo no Brasil. Egoísmo é você não gostar de uma coisa e não querer que tenha por aqui simplesmente porque você… não gosta. Não leio yaoi, sendo mais específica, nunca li um yaoi na minha vida, mas acho legal que algumas editoras estejam apostando e trazendo títulos pra cá porque tem muita gente que curte e aí o nosso mercado (já incrivelmente saturado de shounens ecchi sem muito conteúdo) fica mais diversificado pois temos coisas mais diferentes pra escolher. Qual é o problema? Shoujo é uma demografia que vende menos que shounen (só pra dar de exemplo a demografia ‘contrária’) no Japão, mas é uma demografia com público fiel apesar disso. Ignorar só por ser um grupo menor é burrice. É uma fatia de mercado que as editoras estão ignorando por terem uma visão engessada sobre o que vende bem ou não (sendo que nunca divulgaram esses números pra gente). E o mercado tá aí pra ser explorado. Foi por causa da campanha que Aoharaido (aquele que você não sabia o nome) veio pra cá e aparentemente está vendendo bem, visto que esgotou em poucos dias. Será que não existem outros títulos nessa demografia que fariam o mesmo sucesso aqui no Brasil? Qualquer coisa é puro achismo (inclusive esse seu post) já que não há investimento e as pessoas já consideram de antemão que não vai vender. É esse o problema. :/
    Eu sinceramente não sei o que te incomoda tanto a ponto de você não gostar de uma coisa e não querer que ela exista por aqui. E ainda dizer que é egoísmo dos fãs ficarem pedindo pras editoras. Não sei se você simplesmente estava afim de polemizar e conseguir uns likes ou algo nessa linha, mas sei lá né, você criou esse espaço justamente para expressar a sua opinião e tem todo o direito de fazer isso, mas acho que na próxima vale ter mais conhecimento para poder criar textos mais ricos. Texto por pura polêmica já deu, né?
    Mas no geral, gosto de ver mulheres comentando sobre mangá porque creio que falta mais participação feminina na cultura geek em geral (ainda um espaço muito machista), mas faltou embasamento pro texto não ficar forçado (só para usar um termo seu).

    • Não faz muito sentido ler muitos mangás de um tipo que você não gosta em primeiro lugar, mesmo que seja pra dar opinião. Estou falando com relação aos romances e com a imagem que me foi passada com duas obras de peso que muitas pessoas gostam, entre outras que li pouco e não achei necessário comentar (como Love so Life, que é extremamente fofo mas realmente não tem um conteúdo).

      Acredito que seja egoísmo das pessoas, afinal, shoujo é algo arriscado de se lançar aqui, mesmo que Aoharaido tenha esgotado. Tradicionalmente vende menos, então a forçação de barra que fazem pra trazer deixa as editoras em uma posição complicada. Não estou dizendo que não quero que tragam shoujo, eles trazem o que quiserem localizar e por mim tudo bem, contanto que expanda o mercado de mangás e eventualmente (por que não?) Light Novels. Não vejo problema em sugerir pras editoras que tragam determinada obra, todos fazemos isso, somos fãs. Mas uma campanha tão grande com um tom ligeiramente vitimista não é algo bacana de se fazer.

      E, como disse em um comentário abaixo, metade do texto é sério e metade é humorístico. É um estilo de escrita, infelizmente as pessoas acabam por se ofender, normal.

      Foi um texto polêmico, porém não é um texto para polemizar. Se você viu ele dessa forma, sinto muito. O espaço que criei aqui foi para uma discussão saudável a respeito das demografias, em especial shoujos de romances e as características gerais a respeito. Desmistificar certos pontos, com visões dos fãs como você e de pessoas leigas a respeito, mas que não tem uma visão tão boa. Se quisesse apenas falar mal de algo, teria feito de uma forma bem mais sucinta e muito, muito mais agressiva. Espero que entenda isso e possa reler o post com uma visão diferente.

      • Concordo com a Júlia, acho que o post é bem tendencioso e as vezes pode deixar a entender que ou você tem, ou planeja ter uma editora.

        Quanto a idéia de que esse post é sua opinião, acho justo que todos tenham uma, mas não é certo falar o que quiser em um espaço público, ainda mais quando você fala de outras pessoas.

        Pra falar a verdade, o texto só destila preconceito, e não busca em momento nenhum entender o outro lado.
        Com relação ao humor, pode ser muito engraçado para alguém que compartilha da sua posição, mas não é certo fazer piada falando mal de outras pessoas.
        Mesmo que sua intenção não tenha sido ofender, entenda: se eu comentasse aqui falando mal de quem gosta de monogatari, por exemplo, mesmo que eu acreditasse estar falando algo engraçado, provavelmente muitas pessoas se sentiriam ofendidas.

        No mais, esse é o seu espaço e você pode escrever o que você quiser nele, só me deixa um pouco chateado ver um trabalho que eu já sou fã (estou falando do site) ser usado para o mal.

        • UOU, jamais planejaria ter uma editora, não passo nem perto disso. De verdade, não sei como passei isso pra você.

          Não entendi como foi que esse texto foi usado para o mal. A parte da ofensa não foi direcionada a ninguém em específico, muito menos aos fãs de shoujo. Minha crítica foi para a maneira como o movimento no Brasil vem sendo realizada, apenas isso. Peço desculpas se alguém sentiu-se ofendido em algum momento nessa parte do texto, não foi a intenção, apenas querendo ressaltar uma reflexão a respeito do modo como estão transmitindo a demanda de shoujo para as editoras. Inclusive digo isto no final do parágrafo: “Apenas um registro sincero do que penso, sem ofensas, aceitem como quiserem.”

      • “Não faz muito sentido ler muitos mangás de um tipo que você não gosta em primeiro lugar, mesmo que seja pra dar opinião.”
        Pelo contrário, acho que se você quer dar opinião, tem mais é que se informar a respeito. O problema é que as duas obras que você “leu” você meio que não… leu.

        “Acredito que seja egoísmo das pessoas, afinal, shoujo é algo arriscado de se lançar aqui, mesmo que Aoharaido tenha esgotado.”
        Não sabemos se é arriscado mesmo ou o quão arriscado é porque nunca divulgaram número de vendas por aqui. Como eu disse, é achismo.

        “Mas uma campanha tão grande com um tom ligeiramente vitimista não é algo bacana de se fazer.”
        Você fala como se as editoras fossem umas coitadas. Pera lá. Elas ignoram os pedidos de shoujo – que não são recentes, só usar como exemplo LoveCom que é pedido pelos fãs há pelo menos 8 anos – há tempos e nenhuma delas morreu. Elas vendem mesmo assim. Você está vitimizando as editoras, que frequentemente colocam no mercado material mal feito e com pouca qualidade (não tô entrando no mérito se as obras são boas ou não porque é tudo meio relativo, tô falando de qualidade editorial mesmo) como se elas fossem umas coitadas porque nossa, os fãs pedem muitos shoujos. (???) O feedback dos consumidores precisa ser encarado como algo BOM, mesmo que seja só pra elogiar que trouxeram Tokyo Ghoul (se é que vão comprar mesmo) ou para pedir que tragam Tonari no Kaibutsu-kun. É assim que a gente faz as coisas melhorarem. Elogiar quando for preciso e reclamar e sugerir também. Ruim é ter fanbase inativa que não fala nada. As editoras precisam ter noção de como é o público consumidor que elas atingem e o que eles querem. Isso é lógica básica de mercado, não é vitimizar-se.

        “O espaço que criei aqui foi para uma discussão saudável a respeito das demografias, em especial shoujos de romances e as características gerais a respeito. ”
        É muito difícil rolar uma discussão saudável a respeito da demografia quando você declara ao longo do texto inteiro que não pesquisou muito sobre o assunto e fala com tom de gozação em pelo menos metade do texto.

        “Desmistificar certos pontos, com visões dos fãs como você e de pessoas leigas a respeito, mas que não tem uma visão tão boa.”
        De novo, é difícil desmistificar qualquer coisa sem embasamento.

        (Perdão, postei de novo porque esqueci de fazer isso em Reply).

        • A questão das vendas nunca foi achismo da minha parte: isso nos foi repassado na mesa redonda das editoras ano passado no evento que teve. Tanto a JBC quanto a Panini e, se não estou enganada, a NewPOP e a Nova Sampa comentaram quando o assunto foi posto em pauta. Perguntaram quando viriam mais shoujos e muitos editores esclareceram as poucas vendas que tiveram com os mangás da demografia que foram lançados aqui. Por isso, tenho embasamento para falar isso, apesar de não ter números divulgados. De novo, foi algo que as editoras disseram, não que veio da minha cabeça. Se quiser, posso buscar artigos feitos por outros blogs especializados em cobrir esses eventos para comprovar meu ponto.

          E não, as editoras não são coitadas, são empresas e estão buscando lucro como qualquer outras. Mas se queremos que eles tragam títulos mais arriscados e mais desconhecidos, é preciso ter uma base firmada. A base do mercado de mangás ainda não é das melhores, apesar de terem muitos fãs. Pra isso é preciso ter lançamentos de peso que vão vender muito para que eles possam arriscar com títulos mais diferentes, porque mesmo que essa nova obra falhe, ainda tem os mangás “âncora” pra diminuir as perdas. Sim, é sempre bom lançar algo que foge dos padrões dos battle shounens e seinens de mistério, mas é preciso ter uma visão capitalista quanto a isso e deixar a parte “fã” de lado, compreender como funciona o mercado.

          Quanto ao trabalho mal feito mencionado, preciso discordar e muito. O preço dos mangás aumentou muito do que era antigamente e isso se deve a qualidade. Hoje, a maioria deles tem páginas coloridas em off set, ou até mangás inteiro em off set e, com exceção da NewPOP, são poucos os erros de tradução. Os únicos mangás realmente de baixa qualidade são os da Nova Sampa, mas porque se trata da editora mais “nova” de todas e que ainda não tem muita força, como uma Panini da vida. Posso afirmar isso com toda certeza, afinal, eu consumo esses produtos assim como você, e o trabalho feito pela JBC em Mirai Nikki foi excelente. Sem falar de edições de luxo como as de Samurai X, Sakura, Love Hina e Yu Yu Hakusho. A qualidade editorial que você disse só tem melhorado, caso contrário os mangás não custariam hoje uma média de 14 reais pra cima.

          E a fanbase nunca foi inativa, o que não tinha antes era uma comunicação tão direta com as editoras. Hoje podemos falar diretamente com editores chefes através de perfis no twitter ou páginas no facebook. Faltava uma iniciativa por parte deles – até ano passado dificilmente a Panini fazia tanta divulgação de lançamentos por meio de mídias sociais. Eles tem, e muita, noção do que querem e o que não querem e a recepção pra cada lançamento.

          A discussão depende de cada um, o problema é levar pro lado pessoal e assumir as dores de algo. Não, não quis ofender ninguém. Não quis ofender os fãs de shoujo. Falei sobre a demografia, falei sobre os romances, é nessa hora que é bacana ver as pessoas entrarem e falarem “Não pera, não é assim”, de um modo mais tranquilo, não como se eu estivesse ofendendo ela ao ofender uma obra. Entendo como é ser fã, as vezes também sinto esse impulso, mas é bom colocar um freio. O tom de gozação é ofensivo? Possivelmente, no entanto, é melhor encarar como algo que foi feito pra ser engraçado, mesmo que não seja, do que tomar como ofensa. Só vai ser pior pra quem leu e pra quem escreveu. Se você não achou engraçado, paciência, mas também não diga que é algo negativo e ofensivo quando não foi feito pra ser.

          Ah, pra finalizar, a parte de desmistificar não se referia a mim que escreveu, que também conto como alguém leigo, isso vem do fã que entende melhor. Pensei que tivesse deixado claro.

          • Não é de hoje que as editoras falam que shoujo vende menos, e eu não duvido dessa informação porque nós duas aqui concordamos que shoujo é mais nicho que shounen e o mercado consumidor é menor (pelo menos no Japão), o problema é que vendendo ou não vendendo bem, nós não temos nenhum número que confirme realmente o que é esse ”vender bem” – quero dizer, isso é MUITO relativo, entende? Não dá pra culpar somente a demografia, são muitas coisas a serem analisadas, teve muita aposta furada e isso também se reflete nas vendas. Não tô aqui pra dizer que tudo relativo a shoujo é bom, porque não é. Não tô tentando falar como uma “fã que se ofendeu”, tô falando que há mais coisas nisso do que simplesmente “a demografia não vende”. Você diz que ano passado shoujo não vendia, mas por favor pare 2 minutos para analisar a quantidade de shoujos que tínhamos no mercado na época. Ainda é difícil (eu diria impossível) dizer se é uma demografia que vale a pena investir no nosso mercado nacional porque esse investimento ainda é muito pequeno. E o seu texto dá a entender que não devemos nem ter a chance disso… argh, sabe? :/

            Concordo sobre ter uma base firmada, é por isso que nos últimos meses os fãs de shoujo “se uniram” – na falta de um termo melhor – na busca da atenção das editoras. E você diz que é egoísmo.

            “Pra isso é preciso ter lançamentos de peso que vão vender muito para que eles possam arriscar com títulos mais diferentes,”
            Foi por isso que a campanha insistiu tanto em Aoharaido. Ninguém tá pedindo coisa sem pensar no mercado e no reflexo que isso vai ter. Eu tenho a impressão, quando você diz que é egoísmo, que você acha que as pessoas estão simplesmente vomitando shoujos às editoras esperando que publiquem qualquer coisa. É bem longe disso, rola muita discussão sobre o que pedir e se isso vai dar certo ou não. Aoharaido tá dando certo.

            ” O preço dos mangás aumentou muito do que era antigamente e isso se deve a qualidade.”
            O preço aumentou sim e concordo que a qualidade melhorou. Eu não me importo de pagar 15 reais ou o que for por um mangá bem feito, minha carteira sabe que eu pago muito mais importando os originais ou comprando em inglês, mas a qualidade ainda tá atrás das edições de fora SIM. A Panini foi a que mais melhorou em termos de qualidade na minha opinião, tenho Aoharaido aqui em português e comparei com a minha edição japonesa assim que comprei e acho que melhorou muito sim. A gramatura ainda tá abaixo da japonesa ou da VIZ Media, e espero que um dia isso se resolva, mas por enquanto eu acho que tá legal e eu não deixo de elogiar isso. Mas sinceramente, não vou ficar pagando pau pra papel offset branco (que eu inclusive acho ruim) e páginas coloridas, isso não deveria nos ser ‘dado’, isso é o mínimo que eu espero de um bom trabalho editorial. Você diz que melhorou, concordo, e vou elogiar sempre que eu encontrar um mangá que eu vejo que recebeu um cuidado e um tratamento bom (como Aoharaido), mas não vou considerar isso um luxo.
            Mas é, espero que melhore ainda mais, até o dia que eu não precise mais importar.

            “E a fanbase nunca foi inativa, o que não tinha antes era uma comunicação tão direta com as editoras.”
            Verdade. Mas o que eu disse sobre fanbase inativa não era sobre nenhuma em específico, por fanbase eu referi aos consumidores no geral mesmo. Eu, como marca, prefiro ter uma fanbase vocal do que uma que não dá feedback, porque sendo ele negativo ou positivo, é útil em quase 100% das vezes. Entende o que eu quero dizer por inativa nesse caso?

            “Faltava uma iniciativa por parte deles – até ano passado dificilmente a Panini fazia tanta divulgação de lançamentos por meio de mídias sociais.”
            Eu diria que a divulgação era ruim em todas as editoras. Acho que faltava investimento nisso e isso se reflete muito nas vendas. Eu tô para me formar em Publicidade e posso estar falando isso só porque cai no meu terreno, mas publicidade muitas vezes é 100% das vendas. É só ver a quantidade de bestsellers que a gente tem por aí devido à boa divulgação. Não espero que as editores anunciem em horário nobre na Globo que vão lançar Naruto Gold (lol), mas a falta de divulgação com certeza prejudicou alguns títulos. É por isso que é difícil manter essa coisa de que shoujo é furada porque há poucos títulos no mercado e a divulgação era ruim. Pelo menos esse ano as coisas estão mudando.

            “A discussão depende de cada um, o problema é levar pro lado pessoal e assumir as dores de algo. Não, não quis ofender ninguém. Não quis ofender os fãs de shoujo. ”
            Não posso falar por todos quanto a isso, mas mantenho a minha opinião de que você poderia ter se aprofundado mais na demografia ao escrever esse texto. Eu entendo que você quis fazer algo engraçado, eu até ri em algumas partes porque tem clichês em shoujo que nem eu aguento, mas é o tipo de texto que causa polêmica sim e você precisa estar pronta pros que virão discordar, mas acho que você assumiu esse risco desde o início. Como eu falei antes, gosto de ver garotas criando conteúdo sobre isso porque ainda temos pouca representatividade feminina em alguns nichos, mas acho que se a intenção era promover uma discussão saudável, acho que valia ter se “torturado” mais ao invés de ficar só na superfície do shoujo. Muitas vezes isso só ajuda a aumentar o preconceito que essa demografia sofre. :/

            • Faz pouco tempo que tenho prestado atenção no mercado de mangás, mas lembro de ver colegas de sala comprando muitos shoujos. Por exemplo, Marmalade Boy (acho que é assim que escreve?), Honey and Clover (que inclusive é Josei) DNA Angel… Os outros nomes realmente fogem agora, mas nas bancas (e olha que a distribuição onde moro é péssima) tinham muitos shoujos, por tal motivo posso dizer que já houve um investimento e esses títulos mencionados não são “fracos”, digamos assim. Sim, houveram muitas furadas, tinha shoujos que ficaram tanto tempo na banca que ficaram amarelos junto com CDZ, mas já via lançamentos desde essa época – uns bons 6-8 anos atrás.

              A respeito da qualidade, acho que estão fazendo o máximo possível pra ainda caber no bolso. Cheguei a visitar uma loja de mangás na Argentina e o trabalho gráfico é realmente espetacular, mas em compensação, um volume custava cerca de 30 reais (isso com a moeda deles desvalorizada). Claro que o que temos no Brasil ainda não é suficiente, mas chamar de material mal feito é meio que chato se for comparar o que temos hoje ao que era no passado (meu Love Hina descolando páginas), já que houve avanço pra caramba.

              Admito não ter tido um bom aprofundamento para o texto, mas justamente isso trouxe alguns comentários que estão ampliando minha visão sobre o assunto pra, quem sabe, retornar a ele com uma opinião mais recheada e embasada.

  6. “Não faz muito sentido ler muitos mangás de um tipo que você não gosta em primeiro lugar, mesmo que seja pra dar opinião.”
    Pelo contrário, acho que se você quer dar opinião, tem mais é que se informar a respeito. O problema é que as duas obras que você “leu” você meio que não… leu.

    “Acredito que seja egoísmo das pessoas, afinal, shoujo é algo arriscado de se lançar aqui, mesmo que Aoharaido tenha esgotado.”
    Não sabemos se é arriscado mesmo ou o quão arriscado é porque nunca divulgaram número de vendas por aqui. Como eu disse, é achismo.

    “Mas uma campanha tão grande com um tom ligeiramente vitimista não é algo bacana de se fazer.”
    Você fala como se as editoras fossem umas coitadas. Pera lá. Elas ignoram os pedidos de shoujo – que não são recentes, só usar como exemplo LoveCom que é pedido pelos fãs há pelo menos 8 anos – há tempos e nenhuma delas morreu. Elas vendem mesmo assim. Você está vitimizando as editoras, que frequentemente colocam no mercado material mal feito e com pouca qualidade (não tô entrando no mérito se as obras são boas ou não porque é tudo meio relativo, tô falando de qualidade editorial mesmo) como se elas fossem umas coitadas porque nossa, os fãs pedem muitos shoujos. (???) O feedback dos consumidores precisa ser encarado como algo BOM, mesmo que seja só pra elogiar que trouxeram Tokyo Ghoul (se é que vão comprar mesmo) ou para pedir que tragam Tonari no Kaibutsu-kun. É assim que a gente faz as coisas melhorarem. Elogiar quando for preciso e reclamar e sugerir também. Ruim é ter fanbase inativa que não fala nada. As editoras precisam ter noção de como é o público consumidor que elas atingem e o que eles querem. Isso é lógica básica de mercado, não é vitimizar-se.

    “O espaço que criei aqui foi para uma discussão saudável a respeito das demografias, em especial shoujos de romances e as características gerais a respeito. ”
    É muito difícil rolar uma discussão saudável a respeito da demografia quando você declara ao longo do texto inteiro que não pesquisou muito sobre o assunto e fala com tom de gozação em pelo menos metade do texto.

    “Desmistificar certos pontos, com visões dos fãs como você e de pessoas leigas a respeito, mas que não tem uma visão tão boa.”
    De novo, é difícil desmistificar qualquer coisa sem embasamento.

  7. Hum… gostei do texto, mas como seu amigo disse, teria ficado melhor se fosse um pouquinho mais enxuto. Deu pra dar umas risadas, concordei com um monte de coisas que você falou, e descordei de mais um tanto delas também.

    Demografia é uma desgraça. O tipo de negocio que acaba criando mais confusão do que ajudando. Isso por si só já faz de qualquer discussão sobre shoujo uma coisa ingrata.

    Eu realmente não consigo ver nenhum uso pratico desses conceitos aqui pra gente, por isso e pelo que já ouvi falar a respeito da campanha sobre mais shoujo, acho besteira da parte deles. Isso é! Pedir mais shoujo não faz sentido (pede titulo pessoal!), mas por outro lado, dizer que quem pede por isso é egoísta também não faz sentido.

    As pessoas podem pedir o que elas quiserem, cabe as editoras decidir se isso é viável ou não, e se alguma coisa der errado a responsabilidade é exclusivamente delas. Se elas não sabem trabalhar a culpa não é minha, não é sua, não é da dilma e nem de quem pediu mais shoujo ou mais ninguém.

    Agora, quanto a Demografia Shoujo, certa vez ouvi alguém comentando que o grande problema é que existe uma “mão editorial” muito pesada. Parece que os autores são orientados a seguir essa linha de romance escolar, sem poder sair demais pra fora dos padrões. Chega a ser covardia comparar revista shounen x revista shoujo no que diz respeito aos gêneros abordados nas historias, dai fica difícil mesmo pro autor trabalhar.

    Agora, quanto ao Gênero Romance Escolar, como você disse ele é cheio dos clichês e na maior parte do tempo eles estão sendo muito mal desenvolvidos mesmo, até ai nada de estranho, isso é normal em todas as mídias. Me parece que a questão aqui é que você tem uma demografia inteira voltada quase que exclusivamente para uma determinada temática, e por mais que exitam menas historias sendo feita para meninas (essa frase soa meio estranho…), ainda sim se lança bastante shoujo.

    Então a equação, tema saturado + falta de liberdade criativa = ? (você que é de exatas resolve se problema ai!). Ainda tem o agravante que é o alongamento das historias que fazem sucesso, e se isso já é ruim em mangás de ação e aventura, em romance tem um efeito muito pior.

    Pessoalmente tive bem mais experiencias negativas com shoujos, no entanto já tive a felicidade de pegar coisas boas também, especialmente fora do romance escolar. E ainda sim vi obras interessantes nesse tema, e as vezes acontece entre as que nem considero bom de me divertirem. A escatologia está ai pra provar que as pessoas podem se sentir feliz com qualquer coisa!

    Mas com certeza o shoujo, como uma demografia, como um gênero, é um saco! Não é pra qualquer um. É preciso uma boa dose de paciência, talvez um pouco de masoquismo e principalmente de bons contatos. Tem que achar quem conhece seus gostos pra pedir indicações, e se não falarem de obras curtas é melhor deixar pra lá.

    Enfim, meu comentário também teria ficado melhor se fosse um pouquinho mais enxuto, obrigado pelo espaço a discussão e pela paciência. bye bye

    P.S.: “Minhas conjuturas sobre homem lendo shoujo se baseiam em duas hipóteses: ele é gay ou ele é hetero não praticante.” Nem me senti ofendido, ta!?

    P.S.S.: “Primeiro, meus pêsames por ser de humanas. Prometo tentar comprar sua arte e miçanga pra ajudar.” Brecha isso hein? E se o cara for um medico estudando uma cura pro câncer?

    • Haha, vou começar de trás pra frente seu comentário porque preciso dizer: médico não é de humanas, é de biológicas.

      Fiquei interessada no que disse sobre uma mão editorial pesada, nunca tinha ouvido falar disso especificamente para shoujo. Tenho na cabeça o panorama geral dos editores de mangaka que realmente são rígidos quanto ao trabalho e que os autores não tem tanta liberdade pra fazer o que querem enquanto não alcançarem certo nível de popularidade para mais ou menos fazer o que quiser e ninguém reclamar, a exemplo do Togashi, que entra em hiato e continua sendo adorado. Vejo que isso influencie na temática que eles tem que abordar, os romances escolares, mas acredito que daí em diante depende do autor de como ele vai trabalhar isso para não ficar monótono.

      Demografia é uma confusão mesmo e realmente não se aplica aqui, já que nossa visão de gênero não é tão forte quanto no Japão, onde eles definem claramente uma linha do que é pra homem e o que pra mulher. Claro que no Brasil temos algo parecido, mas lá é muito, muito mais forte.

      Em relação ao egoísmo citado, é porque o jeito que a campanha foi executada deu a impressão de que era “obrigação” das editoras trazer shoujo aqui, que eles “tinham” que trazer porque tem pouco. É diferente de você fazer uma sugestão, soou muito mais como uma exigência dos fãs, isso não acho certo. Ninguém pode exigir X ou Y só porque quer. Pedir, sim, exigir, não.

      Anotando aqui no caderninho: enxugar os textos pra não respingar nos leitores.

  8. Ciao?
    Marcela, eu tenho uma opinião sobre tudo isso já faz algum tempo. O problema não é demografia, nem mesmo a qualidade das histórias e capacidade dos autores/as, o problema é o Japão, O Japão.
    Não tem jeito, o pessoal lá é esquisito, a mente deles funciona de uma forma que a maioria aqui simplesmente não consegue aceitar (eu por exemplo). Não adianta discutir se os mangás tem algum problema e qual ele é, eles não são feitos para nenhum público além do próprio japonês, e não só os mangás. Todo tipo de problema que você puder apontar aqui você vai encontrar em novelas, filmes, livros, músicas, jogos. Por isso não adianta lamentar o que vem para cá e o que se torna modinha. Tem muita gente que gosta dessas bizarrices, e as editoras vão trazer porque dá dinheiro. Nós que não conseguimos mais engolir essas histórias, enquanto isso, o melhor que podemos fazer é ignorar e ir atrás de qualquer história ou série, não importa a mídia, que possa existir traduzida pelo submento e que possamos gostar.
    Felizmente ainda há séries por aí que não são tão retardadas graças a autores com um pouco de vergonha na cara. Aliais, se por acaso compartilha essa minha opinião ou concorda um pouco com ela, podemos trocar sugestões.

    TL/DR
    choque cultural, Japão, ame ou odeie. Vai pegar um livro de verdade pra ler otako!

    • A gente assiste/lê tanta coisa “japonesa” que as vezes esquece as bizarrices por trás.

      BTW, se tiver algo no estilo de Solanin ou Nijigahara Holograph, aceito.

      • Maior problema do que “esquecer” que o Japão é o Japão, é lembrar. Isso estraga até as melhores histórias, quando você percebe que os personagens tomarão decisões que não são compatíveis com a nossa realidade, apesar de que o meu caso é o meu caso, é uma questão de personalidade. Eu me incomodar com como as coisas são por lá não é regra para todos, a maioria se perceber o que nos incomoda não se importa. Portanto, não é um problema “dos shoujos”, é apenas mais aparente neles.
        Agora aproveita que você citou Nijigahara Holograph e me faça o favor de explicar o que diabos foi aquela história. Eu gosto do Inio, só que ele tem um problema crônico de complicar demais o que deveria ser simples. Sei que é o estilo dele, só que é maçante ver sempre personagens complicando coisas mundanas no estilo dele. Quando você pega a terceira obra dele começa a ficar manjado e é preciso paciência para digerir algo vago que nem o Inio parece ter muita certeza do que é. Não atoa as pessoas lembram com tanto carinho de Solanin, é possível fazer essas histórias sem embelezar. Em Nijigahara Holograph ele passou dos limites.

        Entrando nas recomendações agora, vai ser difícil, lembrar algo para recomendar entre centenas de histórias que li. É frustrante quando você encontra algo promissor como Udon no Ona (Udon no Hito), que é curto, e embora a autora tenha muitas obras publicadas, esse curta é o máximo traduzido que você vai conseguir ter acesso dela. Isso é muito frequente, ou você tem quase nada traduzido ou tudo incompleto. De todo modo, é pouco, mas achei interessante, já que é apenas um volume, recomendo.
        Segui uma lista do que me lembro agora, não necessariamente romance, acho…
        Mars no Kiss (foi mais do que eu esperava), Shiki no Zenjitsu (várias one-shots, não é de todo desprezível, vai que gosta de alguma), Natsu no Zenjitsu (o melhor Zenjitsu, e o pior, é bom, é odiável, é revoltante, é muito bom), Akai Mi Hajiketa (one-shots se beneficiam de serem curtos, não enrolam, vão direto ao ponto, podem experimentar, e esse aqui tem um traço bonito, quem dera todo romance fosse assim, apenas histórias divertidas, nova autora para ficar de olho), Tokyo Hatsu Isekai Yuki (do autor de Hinamatsuri, risos lol wut), Tetsuwan Girl (por que não? na metade o autor já mostra que o patriotismo exagerado dele vem de loooooonge, quase esquece que o mangá deveria ser sobre baseball, mas se vou recomendar Tsutomu Takahashi de intrusoaqui que seja logo com algo “controverso”), Terrarium in Drawer e The Dragon’s Seven Adorable Children, (não preciso justificar esses), Pictorial Book of Sound (esse eu não iria recomendar, mas já que estou recomendando compilações de histórias curtas e não necessariamente romance, seria injusto deixar de fora), Spirits Flying in the Sky e Umwelt (aproveitando a deixa, recomendo esses para começar com Daisuke Igarashi, o segundo é mais curto. Eu adoro esse autor, mas ao mesmo tempo tenho “medo” das histórias dele, a relação dele com comida me deixa estranhamente desconfortável, imagino como outras pessoas se sentem ao ler ele), Sekine-kun no Koi (esse mangá… não está completo ainda, ele me fez finalmente entender o apelo do Uke… Ah Sekine!), Kakukaku Shikajika (biografia da Akiko Higashimura, ela deve ter tido um bocado de coragem para contar ao mundo algumas vergonha da vida dela, então recompensem lendo).

        Agora, já que o espaço de comentários é ilimitado e meu, por acaso já leu algo das antigas como Yoshihiro Tatsumi? Ele tem um “épico” em 800 páginas autobiográfico chamado A Drifting Life que cobre o período imediatamente após a rendição do Japão na Segunda Guerra até os dez anos seguintes fazendo um registro histórico de como era o mangá daquela época e por quem ele era feito. Era muito diferente do que temos hoje e o Tatsumi foi um dos responsáveis por reinventar o mangá na forma do Gekiga. É estranho ver as discussões com o irmão dele ouvindo que o mangá que conhecemos hoje não é mangá, que era errado. Para chegarmos ao que temos hoje foi necessário percorrer um longo caminho não apenas de criação, principalmente de aceitação. É leitura obrigatória, seguida do que mais você puder encontrar dele (e é fácil). Aliais, creio que li na ordem errada, teria aproveitado mais se tivesse lido A Drifting Life primeiro.
        E o Jiro Taniguchi por ser o Jiro Taniguchi.

        Me desculpe se já tiver lido minhas recomendações.
        Beijos, me liga.
        E não se estressem com essas discussões, todos sempre vão ter motivo para concordar e discordar, e quando discordam acabam criando repercussões em outros blogs e redes.

        • Haha, Nijigahara Holograph realmente foi um ápice do Asano. Não refleti tanto depois que li pra poder chegar a uma conclusão, mas com certeza vou fazer isso um dia e venho compartilhar o que diabos entendi. Em um ponto você tem razão, ele chegou a todos os extremos possíveis naquela história, se me permite, “extremos dramáticos”, pra realçar o pior do pior da natureza humana. Exemplo crucial aquele cara que tacou fogo na casa com os pais e a irmã dentro porque sim. Mas pegar a história como um todo e não só os casos isolados deve amenizar isso, aliás, é da cultura japonesa analisar “o todo” mais do que por parte.

          Agradeço as recomendações. Do Tatsumi não cheguei a ler nada, mas vi a animação biográfica homônima dele, que tem algumas de suas histórias animadas, inclusive com temática da segunda guerra, mostrando a interferência americana no país após a derrota do mesmo.

          Como já repeti várias vezes, minha intenção nesse post não foi polemizar e tão pouco fazer os chamados “click baits” que tanta gente tem dito. O problema foi que as pessoas que discordaram imediatamente interpretaram o texto como tal e saíram a espalhar ele já com xingamentos e etc, inclusive à minha pessoa, o que realmente não faz sentido quando o que critiquei foi um gênero e não os fãs dele, mas que acabaram por tomar as dores. Entendo, mas não aceito, digamos assim.

          • “Mas pegar a história como um todo e não só os casos isolados deve amenizar isso, aliás, é da cultura japonesa analisar “o todo” mais do que por parte.”

            Ler isso só reforça minha impressão de que o Inio não tinha lá muito o que dizer.
            Mais uma história sobre “o pior da natureza humana”? Não precisa me avisar disso, obrigado, se não tem mais nada para dizer. Tem gente que é obcecada com isso e como um adorador de histórias “Make You Feel Good” só posso revirar os olhos e suspirar ao ler essas histórias. Tem gente que precisa de mais Yotsubato na vida.

            • Sim, muita gente precisa de mais Yotsubato. É complicado entender porque eu e outras pessoas leem histórias que só te jogam no chão, pisam em cima e limpam o vômito com suas costas.

  9. Eu acho assistir Shojo bem cansativo. Não consigo assistir mais de 2 episódios de um anime seguidos sem ter aquela sensação de que já sei o resto da história toda. :/
    Mas grande parte dos Shounens passam essa sensação também, então whatever. Por isso que prefiro animes non-sense, não dá pra prever o rumo da história :v

  10. Marcela,pode ser que não se lembre.
    Sou eu,Kan.
    Aquele que a pediu em casamento,(ou propôs a dominação do mundo,num triste engano de sexualidade…)
    Da sua,não a minha!
    Enfim,apoio que o que tu diz é verdade,enrolação aonde não precisa é um saco!
    Tanto,que tenho uma doença terminal quando o assunto é filler,e um ódio,puro,belo e assassino quanto a isso.
    Más,além do meu quadro terminal,um dos poucos shoujos que lí quando criança,impressionava pela arte e pela história.Tive a sorte de achar uma biblioteca com todos os volumes desse mangá,não sei se você terá a mesma sorte.
    Más,tente ler Angel sanctuary.
    Sim,todos,lá são perfeitos,até os montros,más dê uma olhadinha no que conseguir.Não tem anime e aconselho a não assisstir as ovas que possui.
    Igual a air gear,a animação apenas traz vergonha ao mangá.

  11. Mais um nome para a minha lista de rejeitadoras profissionais.
    Agora é caçar outra tsundere para mim…
    valeu panino,deve ser meu recorde pessoal de gambarés…
    Será se consigo achar uma tsundere por aí?

    droga,você tinha que pegar alergia?aposto que faltava alguns poucos gatos para completar 30!… que pena!
    Jogar tsundere no googlo maps…

  12. Marcela, desde que apareci por aqui fiquei pensando sobre algumas coisas e voltei para fazer um complemento e uma adição. Apenas não entenda errado, não estou escrevendo uma “resposta” ao seu texto, estou somente compartilhando alguns pensamentos.

    Primeiro gostaria de complementar o que eu escrevi no meu comentário original. O que disse sobre me sentir incomodado com as diferenças de cultura que aparecem nas histórias (dos animes, mangás, filmes) é algo que diz respeito apenas a eu mesmo. Imagino que isso também afete outras pessoas, em graus variados até ao ponto de se tornar insignificante. Porém é algo que não é possível ignorar quer você se incomode ou não como se por isso não existisse.
    Em romances essa diferença cultural é mais relevante, porque os personagens tem que pensar sobre eles e sobre outros, e não é raro você leitor pensar junto e não conseguir entender as decisões e obstáculos dos personagens. É porque você tem outros valores, você enxerga pontos relevantes diversos dos personagens e quando eles são compatíveis as conclusões diferem porque a conta que você e os personagens fazem são diferentes. Dito isso, uma história bem escrita é uma coisa, uma história mal escrita é outra completamente diferente. O que é ruim é ruim independente de onde venha, apenas deixa essas diferenças mais evidentes porque o autor não consegue sair do lugar comum e fazer personagens únicos. Um exemplo de mangá ruim é Okujouhime (que não é shoujo), eu não recomendo ler porque é capaz de você ter um AVC nos dois primeiros capítulos. É um mangá ruim, essas diferenças culturais aparecem lá como desculpas e justificativas para cada ação dos personagens. Eles não pensam, apenas reagem no automático. Em uma história bem escrita você consegue acompanhar o raciocínio dos personagens, conseguem compreender pelo que eles estão passando e aceitar suas decisões. Mas veja só, Okujouhime é uma série que apesar de ser ruim como eu disse durou 21 capítulos, 4 volumes, e o autor continua publicando. Por lá não deve parecer tão ruim, talvez porque esses problemas que enxergamos são o cotidiano do leitor japonês e a história desse modo parece apenas feijão com arroz.
    História ruim é história ruim. Há casos em que essa diferença incômoda de cultura é justamente o principal atrativo de algumas histórias. Apesar de que o resultado possa ser uma relação de amor e ódio, como a que tenho com Akuma to Love Song. Dá para escrever um livro inteiro de reflexões sobre aquilo lá…

    Agora mudando de assunto, fazendo a adição que prometi.
    No seu texto (que li bem por alto, desculpe) você usou uma página de um Shoujo para mostrar de forma resumida muito do que vê de ruim nesse gênero. É válido, só que igualmente ao que eu discuti acima, história ruim é história ruim, história boa é história boa independente de qual cultura e formato venha.
    Já parou para pensar porque Shoujo é daquele jeito? Outro dia eu vi a abertura de Ore Monogatari e fiz pergunta semelhante, por que Shoujo sempre tem morangos? Pensar nisso me fez lembrar de umas reflexões que fiz enquanto lia A Drifting Life que te recomendei. Como disse antes esse é um mangá biográfico que se passa na década de 1950, quando o decididamente Mangá era muito diferente do que conhecemos hoje, e narra parte da história das pessoas que desenvolveram o Gegiká que veio a se tornar o nosso mangá moderno. O processo de desenvolvimento do Gegiká foi de tentativa e erro. O autor (e personagem) Tatsumi precisou fazer muitos experimentos para compreender o que era o Gegiká que ele sentia ser possível existir. Na época o Japão estava sendo invadido por cultura ocidental, ele lia e assistia muitos filmes e tirava muita inspiração deles. Uma das histórias fruto dessa inspiração foi sobre um criminoso e um inocente presos por algemas em uma nevasca. A história tinha pouco cenário com seu contraste de preto e branco da neve onde mal se podia enxergar os personagens. O diferencial não era esse no entanto, o experimento nessa história foi desenhá-la com linhas diagonais. Em todas as cenas dos personagens perdidos naquela neve eles sempre percorriam um caminho diagonal dentro dos quatros, com a neve caindo em diagonal. A história assim possuía uma personalidade própria, de algum modo diferente não apenas pelo inusitado da história.
    Nem todos os experimentos do Tatsumi eram bem sucedidos, por exemplo em uma história (naquela época quase tudo se resumia a suspense policial, todos os grandes mangakás da época publicavam em revistas do gênero) ele tentou transmitir o estado emocional do protagonista usando formas geométricas nas bordas dos quadros. Certos quadros tinha partes cortadas na forma de figuras geométricas simples. Não deu certo, entre tantos outros experimentos, porque final, sendo recursos narrativos originais o leitor não tinha referências para entender. Mesmo truques simples tirados de cenas de filmes ou narrações inspiradas em livros não eram compreendidas, porque afinal, vinham de uma outra mídia. Por mais óbvio que algumas coisas pudessem ser eram alienígenas do que se entendia por Mangá na época.

    Muito bem, agora caminhamos 60 anos no tempo, hoje temos Shoujo com flores, brilhos e morangos por toda parte, não importa que seja um mangá ruim de ofender ou uma obra prima. O que mudou? Apenas o de sempre, tempo. O tempo tudo muda, tudo cura. Qualquer um que não esteja acostumado a ler esse tipo de mangá vai estranhar da mesma forma que qualquer pessoa que nunca leu qualquer mangá vai estranhar de tudo. Mas se esses incômodos são usados nesse gênero por 40 anos deve haver um motivo, em algum momento da história alguém teve esses ideias e elas deram certo. Como tudo que dá certo é copiado e apropriado por outros. Da mesma forma que lá atrás os leitores de Mangá não entenderam o Gegiká por ser diferente, você não está entendendo por ser diferente do que está acostumada. É diferente, porque possui suas regras próprias, quais você precisa ser apresentada. Você não vai conseguir decifrar tudo magicamente só porque é amplamente utilizado, as vezes você pode estar equivocado sobre o significado e não se dar conta. Eu também tenho dificuldade para entender (não confundir com aceitar) esse convenções de Shoujo, mas se uma mangaká as desenhou na página do seu mangá, o editor aprovou e o leitor entendeu, o problema então deve ser eu. O choque de culturas não se limita apenas às histórias que são contadas, ele também existe na forma como a história é contada e isso inclui suas imagens.
    O único real problema nisso é quando o autor não sabe fazer melhor, quando ele confia demais nessas convenções para transmitir a história e personagens e se esquece de usar os próprios personagem e roteiro da história que está contando, como em Okujouhima, ao invés de com palavras com imagens. Isso explica muito sobre a frieza aparente de muitos personagens dessas histórias. Por que raios a mangaká desenha os personagens caladões sem expressão? Porque atrás daquele “bishounen” ela desenhou uma floricultura inteira para transmitir os sentimentos de todos presentes na cena!
    Reforçando e repetindo, o problema é apenas quando o mangá é ruim por ser ruim de ruim. Mangás bons do mesmo gênero deveriam compartilhar os mesmos problemas, deveriam ser ruins pelos mesmos motivos, mas não são. Cada caso é um caso, você tem esses mangás para menininha de primário e tem mangás como With the Light feito basicamente para mulheres adultas casadas e com filhos. Dois mangás feitos para públicos alvos literalmente opostos desenhados da mesma forma. Estamos acostumados apenas a reclamar do que não gostamos de ler e ver, nos limitamos a posição de leitor, mas discutimos com o mundo esquecendo de pensar realmente na questão de forma objetiva. Não é intencional. De fato existe uma lacuna de debate e estudo sobre isso, não é um tema tão nobre como os discutidos pelo Otakismo por exemplo, apesar de que suspeito que se alguém fez esse debate por aqui pode ter sido o AoQuadrado², mas quem ouve o AoQuadrado²?! Na dúvida não seria má ideia perguntar para a Tia Valéria, e aliais, cadê o jabá do Genkidama para trazer de volta a coluna dela?!

    Ciao.

  13. Eu acho que já assisti um anime desse gênero, e chamava Chihayafuru. não me parecia gay, contava a história de uma rapaziadinha do ensino médio que era doida por um esporte tradicional japonês chamado Karuta. só sei que tá foda ver anime… por temporada, de todos os lançamentos; dá pra dizer que vai assistir uns 3 no máximo. Você começa a acompanhar ou espera o danado terminar de ser exibido na tv (já que nem da tanta vontade assim de assistir) é bem provável que pelo meio do caminho fique chato. O ultimo anime que por incrível que pareça eu assisti (em alguns momentos dei umas torcidas de nariz) foi o Magi que me agradou muito, mas sinceramente… eu não sei pra que tanto anime echi e de garotinhas! Não to querendo pagar de cagador de regra, tipo “a eu sou transão, não assisto echi e nem esses anime de viadim’ mas é sério, aposto que você ai com seus 18 anos de idade (ou mais) já pensaram “nossa pq será que tudo quanto é anime conta a história de colegiais?”.
    Tem hora que eu acho que eu to velho… mais em algumas certas ocasiões acabo conversando sobre animes e coisas de assistir com meus amigos e me lembro de coisas, acabo por perceber que ainda tem anime que presta pra assistir. Eu sei que não tem nada a ver isso ai tudo que eu falei… mas eu comecei a escrever (mesmo com o teclado do meu notbook todo ferrado) e foi. só espero que a continuação do steins gate não seja ruim, apelativa e não com em clichês.
    A uns 2 messes atrás eu estava assistindo o Barakamom mas eu acabei equecendo que eu estava assistindo, estou pensando em assistir gangstar e Aslan senki porém, nem to criando muitas expectativas… o negócio bom mesmo vai ser a nova parte do monogatari.
    OBs: se não me falha a memória, os últimos melhores animes que eu assisti são antigos… tipo ergo proxy, red garden, evangelion etc…

  14. Eu dei uma lida bem por cima do seu texto e de alguns comentários, deu pra entender grande parte da sua ideia. O problema é o seguinte: Toda obra tem seu público alvo. Os shoujos romanticos são feitos para garotas na época do colegial (ou um pouco mais novas) que estão apaixonadas por alguém ou que já se apaixonaram. O shoujo mostra a visão delas sobre o mundo, o que muitas vezes apenas gira em torno do menino que elas estão afim. Dessa forma os shoujos romanticos fazem com que as leitoras (ou leitores) se identifiquem com a visão do mundo e com as situações mostradas.
    Se você não gosta desse tipo de história onde a pobre garota tenta desesperadamente a atenção do seu amor, se você acha um saco ver cenas melosamente românticas, acha os personagens fúteis e rasos, e tudo uma brincadeira de criança… simplesmente você não é o público alvo de shoujo. E não há nenhum problema nisso, essas obras não foram escritas para você e você não tem de se sentir forçada a lê-las ou assistí-las. Você experimentou e não gostou e isso é o suficiente.
    Eu entendo que a sua maior irritação venha das generalizações, shoujos baseados em uma fórmula pronta que não muda, não importa a história. Eu também me irrito com esse tipo de shoujo (que são na maioria das vezes os mais populares), mas como todas as coisas populares elas sempre seguem a linha de um drama básico, fácil de entender e que seja o suficiente para atender ás fantasias dos que estão apaixonados.
    Leio dos quatro tipos de demografia: Shoujo, Josei, Seinen e Shonen e tenho, pelo menos, uma obra favorita de cada. Questão de gosto, não curto as generalizações também, gosto das histórias que tem o “algo a mais”.
    Para finalizar, muito provavelmente você tem uma mentalidade bem diferente do público alvo dos shoujos, acha que é besteira se sentir tão nervosa por causa de um garoto ou que tudo depende de um romance bem sucedido, como único objetivo de vida. Pode ser que você já seja madura demais pra esse tipo de assunto e, novamente, não há nenhum problema nisso. Os shoujos não são pra você, mas isso não significa que todos sejam ruins e não tenham a sua profundidade e beleza.

  15. Excelente texto,as vezes sempre é bom ler algo assim que abra a mente. Nunca fui fã(fanático quero dizer..) de shoujo mais já cheguei a assistir alguns dos citados no texto (AoHaraido dropei não aguentei ver,só Tonari e Gekkan Shoujo que vi até o fim),mais busco nestes animes mais a comédia do que o romance clichê.

    • A maioria é de Gekkan Shoujo Nazaki-kun.
      A menina de cabelo preto deitada na cama está lendo o mangá é de Watamote (e está lendo o mangá de Nazaki-kun).
      A página de mangá parece ser de Kaichou no Maid-sama.
      O recorte de página não sei não quero saber.

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