Hikigaya Hachiman.

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“Sou um veterano de guerra, sou o melhor dos perdedores.”

Todos deveriam assistir Oregairu (Yahari Ore no Seishun Love Comedy wa Machigatteiru), atualmente a série encontra-se na segunda temporada, no final dela pra ser preciso. Eu me questionei sobre o que eu queria escrever, pensei em como escrever e no fim entendi que só queria desabafar, ou melhor, falar como o Hachiman se sente. O que no fim é a mesma coisa.

O 8man não por acaso é conhecido como o “batman” ou “cavaleiro das trevas” por agir… como nós, eu acho. Ele é deslocado, emocionalmente e fisicamente, sem amigos sinceros, encara a todos com um olhar odioso, vê as relações interpessoais como mentiras, vê a vida como uma mentira, sem sonhos, metas ou vontade de viver. Ao longo da temporada ele muda, mas acaba retornando quase ao mesmo ponto, para a mesma indagação: “como eles conseguem?”

“Como as pessoas sorriem entre si? Como elas se entendem? Como confiar em alguém depois de ter sido motivo de riso? Como acreditar que tem algo de bom na vida? Por que eu me levanto? Por que alguém é gentil comigo? Por que eu nem me espanto mais quando algo simplesmente não funciona? Por que eu me tornei alguém que tem medo do real? De tocar nas pessoas? De encarar as pessoas? De viver com as pessoas? De sentir as pessoas? Por quê?”

Hachiman: Eu odeio esse tipo de garota gentil.

Você simplesmente não consegue tirá-las da cabeça após um simples “oi” da parte delas.

Uma única mensagem de texto delas consegue te deixar nas nuvens.

E se você recebe uma ligação delas, você fica encarando o histórico de chamadas feito um idiota.

Mas eu sei bem.

Sobre essa coisa chamada “gentileza.”

Se alguém é gentil comigo, ela será gentil com outro.

Eu quase esqueço disso algumas vezes…

Se a verdade é cruel, então certamente a mentira é gentil.

Por isso gentileza é uma farsa.

Eu sempre crio esperanças e acabo interpretando tudo errado…

em algum momento eu deixei de ter esperança.

Sou alguém experiente com a solidão, nunca mais vou cair nessa.

Sou um veterano de guerra.

O melhor de todos em perder.

Por isso odiarei eternamente garotas gentis.

Eis Hachiman em seu máximo. Medo da gentileza alheia porquê em algum momento algo te machucou, o dilema do porco-espinho, algo eterno, imutável. Oregairu me surpreendeu porque eu pensei “nossa olha só um novo haganai” e acabei ganhando um “nossa olha só a minha vida em formato de anime”.

Querer entender ao outro, querer encarar ao outro, algo genuíno. Não é fantástico encarar as pessoas ao seu redor e sentir que elas estão ali por você? Saber que mesmo sendo um perdedor, alguém está ali? Perdedores sempre me fascinaram, afinal, existe alguém mais fácil de se identificar? Houve sim uma época onde eu costumava rir sinceramente das pessoas pensando que elas eram imbecis, até entender que era escapismo perante a realidade.

O Hachiman ele não quer ser um Hayama Hayato, ele quer entender o Hayama Hayato. Ele quer algo genuíno, algo que todos nós sinceramente desejamos. Entre lágrimas, entre negações, ele entende. O que ele quer não são palavras, é algo sempre esteve ali, tão perto, mas tão longe. Não era tanto sobre ser compreendido, não era ser notado pelas pessoas, era entender as pessoas! Não é sobre ter amigos, não é sobre ser popular, é sobre se negar a admitir rendição quando a realidade parecer maior do que ele.

Eu quero entender, eu quero saber. Eu quero paz de mente, parar de questionar se aquilo é mesmo real quando as coisas darem certo, parar de achar que é normal as coisas darem errado. Ele sabe que não entender é aterrador, é abominável. Querer entender tudo é egoísmo e arrogância, algo controlador, estúpido.

Mas se eu… não, quando eu encontrei alguém assim também, percebi que eu só queria algo genuíno. Que todos deveriam querer algo genuíno, encontrar pessoas que se importem com você, que entendam você! A pior espécie de pessoa é aquela que não é sincera consigo mesma, que não entender o valor de algo genuíno por migalhas.

Sem abaixar a cabeça, sem permitir que alguém diga que somos inúteis, com apenas 2 mãos. Com 2 mãos criar algo genuíno. Carlos Drummond de Andrade já dizia: “Vai, anon, ser hikikomori nessa vida“, não é e nunca foi sobre querer ser outro alguém, não pode ser sobre isso, é sobre entender, sentir e se sentir bem consigo mesmo, sinceramente consigo mesmo. Grite, esmurre, chore, a besta dentro de você não vai se aquietar até que você faça isso, então simplesmente faça!

Sejamos todos egoístas, forcemos a dor em nossos amigos, choremos com eles, sejamos francos com eles, deus, sejamos nós mesmos!

Se Hikigaya Hachiman conseguiu, você consegue, qualquer um consegue. Mesmo que ninguém jamais entenda as relações humanas, existe algo melhor, tem de existir, eu sei que existe.

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6 thoughts on “Hikigaya Hachiman.

  1. Oks, este anime já estava na lista dos q provavelmente veria nessas férias da faculdade (q se td der certo, começa semana q vem \o/). Mas agora, definitivamente o verei.

    Finalmente um fansub descente traduziu Tsukimonogatari, em teremos os comentários dos epis(esperando claro vcs se recuperarem do surto kkkkk)?

  2. Eu tento imaginar o que o autor deve ter passado pra poder criar um personagem como o 8man que conversa tão bem com a nossa geração e a angústia adolescente. Na real, ele deve ter passado pelos mesmos problemas e questionamentos que todos nós, só soube colocar em palavras melhor. Vai ver toda a história é uma autobiografia.

  3. Oi! Puxa, conheci o blog agora, numa busca aleatória no google, e gostei muito. Parabéns! É legal ver boa escrita sobre animes, mangás e coisas do tipo. Belo fim de texto!

    Discutindo sobre Oregairu em específico, não sei se o Hachiman “conseguiu” tanto assim. Após sua epifania (e que cena maravilhosa!), o tom do anime ainda é um pouco melancólico/sério, indicando que não há solução mágica, é um esforço contínuo. Ele ainda está tentando resolver seu dilema; apenas admitiu para si mesmo e para outros os seus desejos de ter relações sociais saudáveis, e está disposto a lutar por isso (por mais que machuque, contra o cinismo, sair do casulo, etc etc). O primeiro “teste” do trio Clube de Serviços é como eles lidarão com o triângulo amoroso entre eles – e espero que seja por isso que o autor inseriu o tal triângulo.

    Fico curioso para ver se a história terá um fim inteligente… Se o autor tem algo a mais a dizer. Pode ficar interessante a coisa. Quem sabe, ao contrário de Evangelion, o autor realmente consiga continuar a história além da depressão. Hmm, acho que há um paralelo interessante entre o Shinji e o Hachiman…

    Ahh, viajando! Fico entusiasmado lendo sobre Oregairu… Afinal de contas, mais uma na lista que foi um Hachiman durante a adolescência… =) Abraços!

    • Hallo, Juca!

      Seja bem-vindo ao OtomeGatari, estamos sempre tentando trazer de tudo um pouco. Não sei se foi essa a ideia que eu passei, na verdade, o 8man está sempre em evolução. Ou melhor, em confronto com ele mesmo. Costumo brincar que Oregairu é sobre o “elefante branco no meio da sala” do qual ninguém quer falar, é bastante _humano_ o desenvolvimento, o problema tá bem ali, com os sentimentos deles, com o Hachiman querendo algo genuíno, onde as aparências são frágeis…

      É muito delicado, é tão real! E o nosso queridão sempre está buscando talvez “melhorar”, como a própria OP adianta na letra, se ele quer mudar, é agora ou nunca, pelo bem dele mesmo. A Yui não sendo a garota perfeita, a Yuki sendo dependente…

      Oregairu é sempre arrepiante, volte mais vezes.

  4. Pingback: 12 Dias de OtomeGatari #08 – Sinceridade | OtomeGatari

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