REVIEW – Tamako Love Story e quando os clichês funcionam

coalgirls_tamako_love_story_1920x1080_blu-ray_flac_ed2903e1-mkv_snapshot_00-32-26_2014-12-23_11-39-31É uma história de amor entre adolescentes. Apenas isso e nada mais que isso.

Yaho!

Vocês gostam de histórias de amor?

Ao contrário do que provavelmente aparento ser para a maioria de vocês que acompanham o OtomeGatari regularmente, eu amo histórias de amor. O que é uma frase estranhamente redundante e pleonástica. Afinal, é amor. É estranho não amar o amor.

Mas depende da história de amor, claro. Minhas favoritas são as que tem treta – ou seja, vai rolar NTR (expressão usada pra quando uma pessoa comprometida e em um relacionamento realmente bom acaba sendo roubada por outra pessoa), vai rolar triângulo amoroso e brigas. Sabe, uma coisa meio Kokoro Connect, Nagi no Asukara – tem aquele triângulo amoroso entre adolescentes/pré-adolescentes e você sente a treta se formando. Adoro essas histórias.

Ao mesmo tempo que adoro histórias que vão acabar na merda ou pelo menos tem muita merda no caminho, tem algo sobre histórias de amor clichês e puras que simplesmente… Derretem meu coração tanto que minhas costelas se desfazem quando o líquido escorre entre elas. Simples assim.

Tamako Love Story é, como vocês devem ter adivinhado, o segundo tipo de histórias. E é disso que vou falar hoje.

Sinopse: apenas o óbvio

Tamako-Love-Story-01-Large-050Tamako Love Story é uma história de amor entre adolescentes.

Não, não tem poderes mágicos, não tem passado trágico entre eles e nem nada desse tipo. Okay, tem uma lésbica que forma um pseudo triângulo amoroso, mas ninguém é morto.

O caso é… Com tantas histórias complexas que nos rodeiam, tantos protagonistas complicados e cheios de problemas, garotas problemáticas com passados traumáticos – as vezes é bom você pegar aquela história simples e que entrega exatamente o que promete (ouviu, Shigatsu wa Kimi no Uso?).

Por isso, não vou enganar vocês: Tamako Love Story é, nada mais nada menos, o que o título sugere. É a história de amor da Tamako. É uma história de amor pura e inocente, daquele tipo que faz você agarrar o lençol e rolar na cama de um lado pro outro até cair de cabeça no chão e ter que explicar pra sua mãe porque está com um sorriso tão besta na cara (não aconteceu isso comigo, juro).

Pra quem chegou a assistir Tamako Market, percebe que o Mochizou tem uma pequena leve muito pouco discreta quedinha pela Tamako, e que o anime estava ocupado demais desenvolvendo sua “”””””””‘história””””””””” e acabou usando esse “””””””””””romance””””””””””” apenas como alívio cômico. Então os produtores tiveram a ideia genial de usar a única coisa que prestou no anime, que foi o romance pouco desenvolvido entre os dois. Portanto, o casal é óbvio, sim, eles vão terminar juntos mas… É bom. É muito bom.

A delícia da animação

2014-11-08-220721_1279x720_scrot-1000x562Kyoto Animation, o que esperavam?

KyoAni, como carinhosamente é apelidado pelos fãs de anime, é aquele estúdio que nunca falha em trazer uma animação de qualidade. O traço deles é algo já marcante, você reconhece de cara quando o anime foi feito por eles. Pra quem assistiu Chuunibyou, outro anime do estúdio, provavelmente pensou algo do tipo “Cara, a Rikka se parece muito com a Yui! A ending parece muito com uma mistura entre Listen! e Don’t say Lazy!”. Parabéns, jovem, é o mesmo estúdio!

Há quem esteja enjoado do estilo desse estúdio – apesar deles tentarem ter mudado um pouco com Free! -, mas não podemos negar que, para as obras que são criadas/adaptadas, é simplesmente um traço que combina. Afinal, KyoAni é relativamente popular por sempre trazer algo com cunho um pouco mais “puro” e “fofinho”, o famoso “moeblob” (de novo, ressaltando que Free foi uma completa quebra de padrão). Kyoukai no Kanata chegou a mudar um pouco isso por ter mais violência do que em qualquer outra obra deles, mas mesmo assim continuou com uma animação de apertar bochechas.

Tamako Love Story não foge desse padrão e acho que é apenas o correto a se fazer. É uma história fofa com um traço fofo que faz tudo se encaixar perfeitamente.

A história – ou quase isso

Tamako Love Story.mkv_snapshot_00.06.57_[2014.10.16_18.15.16]Afinal, por que estou defendendo algo tão clichê e estúpido quanto uma história de amor entre dois adolescentes que estão pra se formar no ensino médio e nunca nem deram as mãos?

Porque, como eu disse lá no começo, as vezes é muito bom você perder tempo com algo mais leve. Evangelion pra lá, Nijigahara Holograph pra cá, sangue e tripas em Akame ga Kill praculá…

Além disso, se você leu meu último post extremamente reflexivovai lembrar que falei algumas coisas sobre fuga de realidade. Mas vou falar um pouco mais disso lá embaixo, bora falar do filme propriamente dito.

Primeiro de tudo, não se preocupe se você não viu o anime – tem um flashback curto e muito bem planejado no começo para apresentar um pouco da história e um pouco dos personagens, de maneira que ninguém fique muito perdido. Afinal, é compreensível, o anime foi um dos fracassos do estúdio (apesar de ainda ter vendido de maneira mediana), e pouca gente realmente chegou a ver ele todo. Por isso, pode ignorar os 12-13 episódios de nada com nada em Tamako Market e pular direto pro filme.

Então, terceiro ano do ensino médio, ano em que as coisas simplesmente acontecem. O nosso amigo Mochizou gosta da Tamako faz um tempão e até agora não teve coragem de se declarar ou tomar qualquer iniciativa. Mas ele começa a ficar um pouco pressionado quando tem que escolher entre se mudar pra outra cidade e buscar seu sonho ou ficar por ali mesmo. Então, depois de muito pensar, muito planejar, ele finalmente se declara. E a Tamako surta.

Um ponto que acho que é possível considerar um “diferencial” nessa história, apesar de ela ainda possuir todos os clichês possíveis, é o fato de que a trama não fica girando ao redor da tentativa do Mochizou se declarar, como muitas outras. Citando um exemplo meio antigo: Sakura Card Captors e a Carta Selada a Sakura e o Xorã (não faço ideia de como se escreve) ficam rodando em círculos com inúmeras tentativa frustradas de declaração – mesmo o romance sendo, de um jeito ou de outro, o aspecto principal da obra. A declaração vem apenas para finalizar o filme com aquele gosto de “finalmente”.

tamako-love-story-image-1Tamako Love Story, pelo contrário, mostra como a Tamako vai lidar com isso. Afinal, ela é densa feito uma gota de mercúrio e se duvidar nunca brincou de DJ na vida. Então, receber uma declaração “inesperada” tirou todas as engrenagens do lugar. Isso possibilita um outro tópico que é muito trabalhado em obras coming of age, que é o famoso “mas eu quero deixar tudo como está“. É uma opinião recorrente entre personagens, que ficam divididos entre avançar no relacionamento ou continuar naquela situação confortável de amizade. Assim como é um ponto válido que faz a gente pensar um pouco em como poderia agir nessa situação.

Meio que faz você se lembrar das embaraçosas situações de uma primeira declaração, colocar a mão no rosto e pensar santa madoka, eu era muito idiota mesmo. Um sentimento embaraçoso e ao mesmo tempo divertido, ao ver aqueles dois personagens batalhando com essa situação nova e fazendo você reviver alguns momentos parecidos. Ou não, vocês devem ser os gordos virgens que eu sempre imaginei. Mas nesse caso, você pode assistir Tamako Love Story e se preparar para que algum dia, por intercessão divina da Virgem de Nazaré, padroeira da Amazônia, uma garota de verdade, e que não tinha pênis quando nasceu, se declarar pra vocês! É possível, just believe in.

Pois bem, insultos de lado, a situação é essa. O filme basicamente mostra o trajeto da Tamako pra enfrentar essa situação. É óbvio que a primeira escolha dela é simplesmente fugir e fingir que nada aconteceu, mas seus próprios sentimentos gritam e protestam, dizendo que não é isso que ela quer. Quem nunca passou por isso? De gostar de alguém, mas não ter certeza se deve prosseguir com isso, e achar muito mais eficiente fingir que nunca rolou nada. Com exceção de vocês gordos, claro. São escolhas dificéis e que podem ser levadas pra outras situações – a possibilidade de enfrentar um desafio que, vai ser mais custoso porém com benefícios maiores, ou ficar com medo e preferir deixar de lado. Trabalho, estudos, família – é igual em todos esses âmbitos.

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Tamako megane is the best Tamako

As reações da Tamako são verdadeiramente adoráveis, e a animação da KyoAni entre em cena com muita força nesses momentos. Realçam com ainda mais intensidade a fofura e vergonha que ela sente, só de olhar pra janela do Mochizou e ficar toda vermelha. Em, ao invés de falar apenas “mochi”, a comida que a família dela é especializada em fazer e vender, soltar um “Mochizou”. “O Mochizou que você fez hoje está muito gostoso”, “Nós vamos vender aqueles novos Mochizous?”, esse tipo de comédia meio pastelão e meio besta que faz você esboçar nem que seja um pequeno sorriso torto.

I34eLUGOs personagens secundários também tem seus méritos, em especial a loirinha lésbica que eu sempre esqueço o nome. Não, não estou sendo irônica, é só que faz algum tempo que vi o filme e realmente esqueci o nome dela, mas ela é importante tanto pro Mochizou quanto pra Tamako. Assim como a Minorin em ToraDora, ela prefere desistir da própria felicidade pra trazer outras duas felicidades, ao invés de buscar a sua própria e quem sabe fazer as coisas ficarem piores. Essa outras pequenas nuances do filme podem ser percebidas também se você quiser prestar atenção e pensar mais um pouco, mas mesmo sem elas ele continua exercendo muito bem a sua função: esquentar seu kokoro.

E voltando sobre a fuga de realidade que mencionei acima, o filme também tem essa função se você quiser. É uma história de amor sem problemas, sem questões problemáticas e complexas da faceta humana. São dois amigos de infância que sempre moraram um na frente do outro e apenas isso. Por que as outras coisas não podem ser simples assim?

Conclusão

É clichê: sim.

É óbvio: sim.

E qual o problema disso? O filme mostra perfeitamente que não há nada de errado na simplicidade e o cárater óbvio das coisas. Sua vida não precisa sempre ser um marasmo de complicações e dificuldades, apesar dos seres humanos se orgulharem tanto da sua complexidade diante as outras criaturas. Sim, é maravilhoso como nós podemos ser difíceis de entender, mas é igualmente maravilhoso o quão simples podemos ser.

É uma história de amor clichê, mas também é uma lição de que nem tudo precisa ser difícil. Nem tudo precisa ser complicado. As vezes é bom ser clichê.

Porque todo mundo ama alguém.

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6 thoughts on “REVIEW – Tamako Love Story e quando os clichês funcionam

  1. Eu conheci a série quando a Aenianos estava legendando ela há certo tempo atrás. Eu tenho no meu HD bonitinho até hoje mas não assisti ainda. xD

    Eu não sabia que além da série, havia um filme, pois, não fez tanto sucesso e não rendeu tanto quanto se esperava.

    E concordo com o ponto de vista em relação a simplicidade. Eu me encanto pela dificuldade das coisas. Tanto na ciência, quanto a mente humana em si. E eu acabo ficando com um sentimento quentinho no peito quando se entende ou supera algum deles. É uma das essências boas do ser humano. Mas, pela minha natureza ser uma mistura bem louca de dificuldade e simplicidade (meio contraditório, não? Hehe) sempre dependendo da situação, as vezes prefiro deixar de lado toda a complexidade e agir apenas de maneira simples. Entretanto, como Kamisama gosta de mexer seus pauzinhos, ela não funciona como em Tamako Love Story. Quem dera fosse assim…

    Bom, ótimo texto Marcela-san. Como sempre, bem redigido e com essa ótima interação com o leitor! Até a próxima. Katreque is Out!

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