Phantom of Inferno – “Ein. Zwei. Drei.”

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O fantasma.

O número.

O garoto.

Sempre gostei de ver a origem de alguns escritores, ou pelo menos, algo que se assemelhe ao “começo de carreira” para notar as eventuais evoluções. Obviamente eu chegaria ao começo de Gen Urobuchi! A obra que fez ele despontar de forma grandiosa ao lado da Nitroplus, a história mais humana e derradeira de todas! Sim, eu já escuto as armas sendo engatilhadas, os disparos, o desespero…

Null – Zubereitung

Meu primeiro contato com Phantom of Inferno foi ligeiramente catastrófico. Ligeiramente. É que a única tradução/versão que temos acesso é ao original do Urobuchi traduzido por uma empresa já falecida, a mesma que por sinal teve a fantástica ideia de trazer isso ao ocidente em forma de DVD. Em algum momento alguém pensou: “Imagino que daqui alguns anos as pessoas vão estar adorando jogar visual novel na TV da sala! Yay!” só que a ideia foi estúpida, enfim.

E para fazer essa bendita VN funcionar de forma minimamente decente é necessário certo esforço e foco, vou postar o link do tutorial aos que quiserem passar nervoso jogar. Digamos que no processo meu PC foi quase enterrado, mas é culpa minha por não pesquisar alguns links corretos; experiências como essa fazem você agradecer pela tecnologia atual.

Um comentário particular é que além desse processo todo de instalação, a essa versão não está com o que eu chamaria de “qualidade decente” na tradução. Infelizmente é a única que temos, ao menos é o original do Urobuchi. Não, não me falem do remake de 2011 onde utilizaram o character design do anime. Bitte.

ss+(2015-02-21+at+11.05.24)

 

Ein – Wiedergeburt

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Zwei. Dois. Um número. Phantom começa com o despertar truculento do protagonista que não sabe o que está acontecendo ou quem são as pessoas presentes naquele recinto quase abandonado, tudo o que ele ouve é um: “Pegue esta faca, prepare-se.” Não tem preparação alguma, o garoto de 15 rapidamente precisa desviar do golpe da garota que estava silenciosamente observando a situação. Embora não pareça esse é o começo da relação mais humana e desesperadoramente emocional que eu li em bons anos.

Ela é sobre um garoto que perdeu tudo e vai mergulhar no inferno.

Ela é sobre uma garota que se esqueceu de sentir o mundo, a vida, as pessoas.

O zeitgeist que envolve Phantom of Inferno é palpável em muitos sentidos, digo, pensando que ela foi lançada no ano 2001 e se baseando em histórias contadas sobre a produção… é possível sentir. Sentir o Urobuchi em cada pedaço da narrativa. Sentir as expectativas inseridas na obra. Por exemplo, temos uma cena que dura mais de 30 minutos só sobre os detalhes e nuances de uma Ferrari F40. Cena que foi inserida a pedido do diretor da Nitroplus na época! Sobre uma Ferrari! É peculiar porque esse tipo de coisa não é algo que se encontra em histórias atualmente, além do enorme infodump que recebemos sobre armas.

ss+(2015-03-07+at+08.31.30)

Armas. Ja, armas. Se eu pudesse pegar alguma palavra pra resumir a história inteira, ela seria “arma.” Armas de fogo. De todos os tipos, tamanho, cores. Rifles de caça. Shotgun. Uzi. A lista é extensa e não conseguiria me lembrar de todas as mencionadas, mas é incrível o número de armas disparadas/utilizadas/empunhadas ao longo da história. E é bastante realista nesse ponto, os disparos principalmente! Isso até me soou estranho quando penso em Tsukihime (lançada praticamente na mesma época) que mais parece um doujinshi do que uma visual novel. A diferença entre uma empresa e um grupo de amigos escrevendo algo é bem diferente, não que eu diga isso como demérito algum, só mencionando.

São essas nuances que eu notei e pesquisei depois de jogar a primeira obra propriamente dita do Urobuchi. Já é possível notar muito do talento dele nesse primeiro trabalho, principalmente se pensarmos nos rumos que ele tomaria com Kikokugai, Saya no Uta… tem uma certa busca por situações de desespero. Por algo bastante humano, pois em nenhum momento, nenhuma dessas histórias deixa de ser extremamente humana. A busca pelo passado. A busca pela irmã. A busca pela paz de espírito. Cada uma das obras do Urobuchi tem muito a dizer, direta ou indiretamente.

Falando ainda desses detalhes, algo bacana é que Phantom em particular se passa quase todo em Los Angeles. Ao contrário das futuras histórias dele, essa em particular se passa nos estados unidos, contando com gângsters, prostitutas e certo choque de valores entre ocidente/oriente, mas esse último em questão é mais trabalhado no capítulo 3. Ja, essa história fantasmagoricamente infernal é desenvolvida ao longo de 3 capítulos muito intensos.

ss+(2015-02-22+at+03.09.15)

Essa visão idealizada do modo de vida japonês, tranquilo, onde “todos recebem a paz de graça, sem batalhar por ela, concedida como um presente divino” entra em choque com os subúrbios de Los Angeles. Temos os gângsters com suas armas imponentes, prostitutas e crianças perdidas, cenas/eventos que criam uma base na história e que só ressoa ao fim, quando certos monólogos se desenvolvem. E esse desenvolvimento pode ser notado de 4 formas diferentes, ou melhor, por 4 rotas diferentes; Phantom tem 4 rotas muito distintas entre si, cada qual com sua heroína/desenvolvimentos próprios, é como ver 4 possibilidades únicas. Vier.

E possivelmente o que mais me chamou a atenção… um narrador. Nós estamos acostumados a ler muitas descrições tanto em livros como visual novels, processo bastante comum, mas alguém narrando? E não só eventos, narrando pensamentos e sentimentos dos personagens! O estado do Zwei no começo do jogo é tão catatônico que ele nem consegue reagir, então a voz do narrador explicita tudo o que ele sente/pensa. Um efeito que me lembrou muito Vidas Secas em alguns momentos.

Zwei – Haus

ss+(2015-02-22+at+12.28.15)

Eu gosto de histórias que avançam em seu próprio ritmo para desenvolver os personagens, qualidade que as visual novels tem de sobra. O primeiro capítulo dessa obra trata basicamente dos primeiros contatos do Zwei com essa nova realidade, onde ele teve o próprio passado apagado da mente e precisa, por bem ou por mal, se tornar o assassino pois tem o “instinto” de um. De certa forma ele é a segunda cobaia para saber como se cria o assassino perfeito, lógico que a Ein foi a primeira. Pfft. Ein. Primeira. Pfft.

É ele treinando, chorando (bastante), questionando o motivo disso e tendo breves flashs do que talvez tenha causado essa situação toda. E tem uma negação muito forte da parte dele, ele se recusa inicialmente a segurar uma arma, não sabe bem como lidar com isso… e a Ein… a Ein se vê nele. Ela vê parte da negação que passou, o terror de matar alguém, os primeiros momentos em que a sua vida foi completamente destruída. Um dos momentos mais emblemático para mim é quando ela encosta a arma na cabeça dele e diz: “Se quiser, eu acabo com tudo agora.”

Todo esse primeiro ato é o treinamento do Zwei, o caminho que ele percorre lentamente até se tornar um assassino realmente habilidoso! Novamente, isso se deve ao fato dele ter o “instinto” de matar dentro de si, algo que algumas pessoas carregam sem saber. É um potencial natural para ser o melhor do assassinos. E ser o melhor assassino significa obter o título de “phantom” que a Ein carrega, ela entra, mata, evapora. Um fantasma.

ss+(2015-02-22+at+11.24.21)

“Beleza, Righo, mas e o ‘inferno’?” estava chegando lá. Além de ser uma metáfora ao inferno que é ser um assassino e o peso que a pessoa carrega, é uma clara alusão à organização intitulada “Inferno”. Somente aquele no ápice das habilidade obtém o título de phantom dentro da Inferno, organização que pretende dominar Los Angeles inteira exterminando todas as outras gangues; os cabeças dessa organização são os Senhores McGuire e Wisemel, auxiliados pela mortal Claudia.

Parte treinamento. Parte apresentação. Parte evolução. Tudo isso sob os olhos do inescrupuloso Scythe Master, criador da Ein e de certa forma do Zwei. O narrador auxilia bastante ao exprimir o que o Zwei sente diante de tantos olhares e expectativas, além dos pontos de vista rotativos que sempre revelam uma nova visão sobre a situação. É bastante dinâmico e interessante, embora se comparado com os outros capítulos seja o mais fraco na minha humilde opinião.

Uma escrita mais “focada” faz diferença nessa hora e o Urobuchi ajuda bastante no clima, ele conduz os personagens até o ápice dos sentimentos no fim do capítulo 1. Entre infodumps de armas, de sentimentos conflitantes, do embate moral que o Zwei tem… a narrativa mantém o foco. A história é um ciclo fechado de 3 capítulos onde todas as pontas são “amarradas” dentro do possível.

ss+(2015-02-23+at+08.30.03)

Chega a ser surpreendente a velocidade (em torno de 6 meses) com a qual o Zwei se adapta ao ambiente e rapidamente exibe habilidades notáveis. A própria Ein admite que ele evolui mais rápido do que ela, embora tenha um diferencial. Parte do treinamento envolve hipnose e algumas drogas que causam um certo tipo de bloqueio emocional para eles matarem os alvos sem problemas, só que isso aplica-se somente a Ein. O Zwei só precisou ter as memórias apagadas, o resto ele instintivamente conseguiu fazer sozinho.

Drei – Ende

ss+(2015-02-24+at+08.03.18)

Se eu falar demais dos outros capítulos o número de spoilers vai explodir, então só digo que todo o sacrifício e 213 malwares que invadiram o meu PC compensaram. Muito sinceramente, compensaram. Mas tem algo que eu quero comentar sem dar muitos spoilers, vou tentar. O capítulo 3 é onde fecha essa jornada do Zwei e companhia, o jogo todo se passa ao longo de 3-4 anos, então muitas coisas e desavenças surgem nesse processo; a quantidade de reviravoltas no capítulo 2 então, é absurda!

Ocorre no capítulo 3 um duelo inigualável. Ele. é. inigualável. Fantástico. Magnífico. Tudo ao som de Search and Destroy, que é praticamente a canção que resume a sensação de ler Phantom. O duelo é justamente entre as mocinhas na imagem aí do vídeo com a música, é algo de tirar o fôlego. Eu fiquei sentado na beira da cadeira sem piscar, eram só tiros e tiros e tiros e tiros! Foi definitivamente uma conclusão soberba.

Aproveitando o gancho que mencionei sobre a OST, ela tem músicas muito bacanas, uma delas que (aparentemente) é boba na primeira vez ouvida ganha todo um novo sentido mais a frente na história. O nome dela é Jesus is Calling. São essas pequenas canções que combinadas com o impacto de certas cenas que… que mostram a habilidade do Gen Urobuchi. E a própria música entrega um pouco do fundo religioso que aparece no último capítulo da história, afinal, é uma história de salvação.

Digo de coração, joguem. Leiam. Como você classificar.

Phantom of Inferno é algo único e distinto, com personagens carismáticos e intrigantes.

ss+(2015-02-27+at+09.06.56)

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3 thoughts on “Phantom of Inferno – “Ein. Zwei. Drei.”

  1. Cara… não me chamou nem um pouco a atenção…

    Mas, todavia, contudo, entretanto, porém… Com o meu recém adquirido 2DS, joguei 999… supimpa. Com a ajuda de um detonado consegui o safe end e agora estou fazendo o true end. Curti de mais a estória, a unica coisa chata pra mim é q quando vc vai recomeçar ter q fazer td o começo de novo (escapar do se quarto e td aquele blá blá blá até q vc tome a primeira decisão). Mas a estória em si é fantástica.

    Em breve começarei a jogar Virtue’s Last Reward… mas caramba, 22 finais? Tem algum algum true end assim como 999? Diz q eu não preciso fazer um pra desbloquar esse, por favor kkkkkkkk’

    Até q meu inglês não está tão ruim, deu pra entender td 😀

    • VLR é bem mais complexo. Tem outro esquema de finais e… não tem bem um true end no sentido conhecido… é complexo. É bem complexo.

      Vai na fé, btw arrumaram esse problema do “repetir” tudo de novo nesse VLR.

  2. a primeira vez que vi foi o anime que me surpreendeu bastante, apesar de que depois que descobri sobre o jogo me deparei com imagens com cenas um tanto quanto… bem mas eu imagino como deve ser difícil instalar , eu mesmo ja tentei instalar o fate mas sem sucesso apesar de que não tentei com muito vigor fazer isso, mas ainda espero poder jogar ohantom nem que tenha que ser a versão de 2011.

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