O self insert e como ele é usado e abusado na indústria animística

kirito_sword_art_online_render_by_carolester-d5m5idwLá vem a Marcela falar mal de SAO-

Yaho!

Bem vindos a mais um Comentário SAOman-

Não, nem ferrando que eu vou fazer SAOmanal. Podem parar de sonhar com isso e com a sua waifu 2D virando 3D!

Blogar funciona mais ou menos assim, pra mim: as vezes penso em um post com antecedência pra caramba, ajeito tudo em um bloco de notas de maneira a organizar minhas e ideias para que o texto fique coerente. Em outros casos, estou olhando pra formiga que tá subindo pela minha perna e me vem a vontade de postar algo. Esse foi um desses casos. 

Calma, a formiga passa bem.

Primeiro de tudo…

O que é self insert?

Kirito_ACD_2Self insert vem do inglês (óbvio né cara) e uma tradução mais ou menos seria “inserir-se”. Bom, inserir-se no quê? Obviamente que não é em uma menina, porque você está aqui lendo esse post! Nesse caso, é inserir-se em um personagem. Pode ser qualquer mídia: quadrinhos americanos, filmes, livros… Você por algum motivo mágico achou aquele personagem muito parecido com você e criou um afeto exagerado por ele. Começa a achar que ele é você e vice versa.

Eu fiz isso com a Hanekawa, por exemplo.

Não vou bancar a hipócrita e falar que self insert é coisa de otaco perdedor, porque faço isso até hoje E OBVIAMENTE não sou otaco perdedora! Mas, entre fios e fios soltos, você passa a costurar a personalidade e os trejeitos daquele personagem sobre seus próprios. A Hanekawa usa óculos, eu uso. Ela é a melhor da escola, eu era a melhor da escola (até entrar na faculdade). Ela tem problemas sérios com a família, eu tenho. A animalização dela como um gato, e eu sempre amei gatos e fazia algo semelhante. Enfim, você vai ligando e ligando… Então, de uma maneira inconsciente, admite que aquele personagem é você. Só que tem uma pegadinha aí.

Essa inserção sua no personagem não é para as características apenas negativas dele. Todo personagem de anime de alguma forma é “exagerado” e geralmente tem um ponto estupidamente positivo. Claro, tem os perdedores, mas você dificilmente vai se relacionar com eles, como vou explicar depois. O ponto é: a Hanekawa, na minha mente, apesar de todos os defeitos, é estupidamente incrível. Por consequência, a Marcela que se identifica com a Hanekawa é o quê?… Bom, nós sabemos que não sou oppai, então a conclusão lógica é que eu serei incrível também, porque eu sou a Hanekawa.

E nos animes…

kirito_in_the_rain__sao__by_zephabyte-d5ceka4Agora chegamos no ponto principal da história.

Nos animes, o self insert é amplamente utilizado. O motivo é bem óbvio: em geral a maioria das pessoas que assiste, não querendo criar preconceitos e nem nada, mas convenhamos que são introvertidos de autoestima baixa (pode ser que o mesmo ocorra com os quadrinhos americanos, mas francamente vejo isso concreto mais com a indústria japonesa) que fazem isso como uma forma de “fuga da realidade”. Não estou falando que TODO mundo que assiste animes faz isso, mas nos casos onde TEM self insert, o panorama em geral é esse. 

Bom, vamos pegar os fatos: baixa autoestima, fuga da realidade… E personagens idealizados. Por que temos tantos animes com protagonistas masculinos sem qualquer charme aparente, mas que atraem mulheres de maneira a formar um harém e sempre salvam o mundo? Aquele cara que era o Zé Ninguém da sociedade, de repente se torna o herói do universo, com peitos pra dar e vender e tocar. Estão conseguindo ver pra onde estou indo? SIM, self insert é uma das inúmeras maneiras de se vender um anime.

Santa Nadeko, Marcela, ninguém tinha percebido isso ainda, só todo mundo que tem conhecimento mínimo de animes.

Tá, mas vocês já pararam mesmo pra pensar em como a indústria sobrevive bastante disso? E como ela tem se adaptado pra tal fenômeno? Quer dizer, antigamente os protagonistas geralmente eram o cara mais energético e empolgado de todos lá, ou o burrão que só sabe esportes. Esse estereótipo vem diminuindo cada vez mais e se modificando para a demanda do público: os protagonistas se tornam mais e mais introvertidos, viciados em jogos… Formando exatamente o perfil do otaku. Posso listar alguns: Keima Katsuragi (TWGOK), Shiroe (Log Horizon), O gurizinho de Chu2Koi e o nosso próprio Kiritão. Todos de alguma forma são introvertidos e mais “nerdões”, digamos assim.

kirito__sao__by_zephabyte-d5cekxeClaro, a indústria vive de outras coisas: obras primas como Monogatari Series e o famoso/odiado moe. Porém, boa parte dos mangás que surgem, em especial battle shounens, seguem por esse caminho. Tudo bem, no caso dos battle shounens há toda a questão do público infantil, sobre como a criança ver como um modelo a ser seguido – só que o até o protagonista do dito battle shounen está cada vez menos um “Goku”.

Fugindo do escopo de battle shonens, tem os inúmeros e inúmeros e inúmeros animes haréns. Aliás, quem de vocês viu outra obra prima chamada Ore no Imouto (insira o resto do nome aqui)? Vamos identificar alguns dos aspectos magníficos do Kousaka Kyo: … … … Exato. Nenhum.

O cara é um merda, sério, um BAITA MERDA e tem uma penca de garotas de todo o tipo, tamanho de peito e gosto atrás dele, inclusive uma yandere muito perigosa, que deveria estar na cadeia. Ele anda em uma bicicleta com imagens hentais de uma lolizinha e ainda sim pega mais a irmã dele do que você jamais poderia sonhar.

ah, mas ele é corajoso, destemido e- a Manami que fez ele desist-

Por favor. Além de colocar um dos maiores spoilers do anime, isso continua sendo apenas os motivos que as gurias dão pra gostar dele. Uma pessoa como ele no mundo real continuaria do mesmo jeito que ele estava: jogando hentais no notebook da irmãzinha. Simples.

Só que…

sao_kirito_bedsheet01Nada contra self insert, claro. Como disse: faço muito isso, não só com a Hanekawa, mas com outras personagens também. O problema é que como os japoneses e até nós, brasileiros, estamos cada vez mais reclusos e com baixa autoestima, uma inserção meio que “desnaturada” vem acontecendo cada vez mais. Critiquei isso muito em SAO pela zuera, no entanto o que digo aqui é verdade: tem cada vez mais cara se achando o Kirito da vida dele. Nada de errado aumentar um pouco a autoestima – contanto que isso permaneça tangente a realidade.

Tangente a realidade? Sim, porque é muito bom achar que você é o fodão do universo que pega qualquer mulher que passa. O problema é quando você só quer se achar o fodão do universo dentro de casa, vivendo no 2D, e desistindo de fazer isso na vida real. Digamos assim… É meio que um “consolo” pra nós.

A realidade cansa, dói, ainda mais pra quem não sabe interagir socialmente direito. O mundo parece seu inimigo o tempo todo, exceto quando tá na frente do computador. Lá você tem um harém e já salvou o mundo pelo menos 4 vezes. 

Tudo bem ter um consolo e um refúgio no 2D. Cara, até hoje eu assisto Neko Shiro pra me motivar e me colocar no lugar da Hanekawa quando ela resolve aceitar seus sentimentos de uma vez. Quando ela se declara pro Araragi e é rejeitada, a luta contra o Kako, tudo isso acontece mas com a cara da Marcela estampada no rosto da Hanekawa. Mas quando eu saio de casa, eu guardo a Hanekawa dentro do meu coração e continuo pensando nela quando dá merda, só que sem excluir do que é palpável, real e está ao meu redor.

Então,

kirito_sword_art_online_render_by_little_lockhart-d5htm3dself insert é uma parte significativa da indústria de animes, mangás e light novels. É um dos motores que faz muitas obras serem vendidas, os fãs encaram como se fosse uma fanfic da vida deles e querem saber como seus “Eu” vão ser incríveis no próximo volume.

Só que você tem que saber até que ponto isso pode acontecer: tudo bem você gostar do Kirito, mas meu amigo, se você é gordo, não toma banho e é feio pra cacete-

… Pera, isso saiu muito ofensivo. Deixa eu reformular.

Tudo bem você gostar do Kirito, mas não é pra ficar dentro de casa se achando o Kirito na internet e nos animes.

Motivar-se com algo é diferente de esconder-se em algo.

Isso nunca vai acontecer galera

Isso nunca vai acontecer galera

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13 thoughts on “O self insert e como ele é usado e abusado na indústria animística

  1. Marcela, voce não me engana. Eu sei que voce adora o kiritão.
    Mas porque ninguem gosta da kirino? ela é tão fofa

  2. Nunca vi tantas verdades num post só, quase escorreu um suor másculo (brinks).
    Muito bom texto e concordo com tudo.

  3. Sonhar com minha waifu virando 3d? Uhhghh, gross.
    “…não sou otaco perdedora!” Aham Marcela, todos acreditamos em você. Não esquenta.
    A respeito do post em si, diversas verdades. Porém é interessante analisar em como isso se desenvolveu ao longo do tempo na indústria do anime. Enquanto a alguns anos atrás para alcançar esse self-insert os estúdios/mangakás criavam um certo reflexo otimista do seu público (como o Tsuna de KHR, que é um perdedor mas nem por isso deixa de ser maneiro e se dar bem, ou como o Shinji de Evangelion, que é um lixo.), atualmente o que temos visto são personagens que estão refletindo o que o público “sonharia” em ser, ou seja, cada vez mais personagens like a boss extrovertidos que tomam a iniciativa nas garotas. como o loirinho OP (Izayoi Sakamaki) de “Mondaiji-tachi ga Isekai kara Kuru Sou Desu yo?”, ou o proativo e genérico pervertido Arata de Trinity Seven, entre outros.
    De certa forma, acho que na época de KHR ou naruto, com esses personagens “motivacionais”, se inicia esse self-insert, e hoje em dia ele é tão intrínseco à comunidade otaku que não precisa nem mais ter algo em que a pessoa se baseia; basta ser algo que a pessoa anseia/sonha ser que já acontece esse fenômeno.
    Claro que existem suas exceções e personagens mais “fracos” ou sem determinação na geração atual de animes, mas deu pra entender né.
    E para não parecer que quero passar um ar de “observador não relacionado”, eu tive um puta self-insert com o Kaiki e com o Oshino, por conta da ideologia deles ser algo que eu compartilhava, então na época que eu era mais ligado em monogatari eu me sentia O vigarista/juíz imparcial do meu grupo de amigos e pagava bastante de psicólogo pras minhas amigas que levavam fora (Típico de adolescente dar conselho amoroso sendo que tem só 17 invernos na carne).
    Marcela, ainda mantenho minha paixão platônica por você, só pra não deixar passar.

  4. Ah, o self-insert. Isso me traz lembranças sombrias de quando eu achava que as meninas da minha sala realmente tinham uma queda por mim. Aí eu descobri que só chamava atenção por que era meio antissocial. Então eu aprendi a lidar com as coisas com um pouco mais realismo, sim eu me orgulho de nunca ter tido uma waifu 2D e não eu não desisti do meu sonho de pilotar um robô gigante (é mais fácil que um harém pelo menos). Afinal é divertido sonhar um pouco, uma juventude cheia de devaneios deixa pelo menos saudades.

  5. Essa questão do herói não ter nada e chamar atenção feminina, basta que ele seja protagonista e assim se fará, naturalmente, a atração às fêmeas. É como num grupo de amigos onde o mais destacado, o que tem mais status e conhece mais pessoas tem maior carisma e, consequentemente, atrai mais mulheres.

    De toda forma o mercado está se adaptando ao público de hoje. É pra vender? Sim. Mas já vem de muito tempo atrás fazer histórias com heróis “simpáticos” em detrimento do seu “eu” na sociedade, quer dizer, na vida prática.

    Mas isto não é algo que ocorre somente em animes: está nas HQs americanas, agora que tem essa de “Vingadoras” e “Thora”. Homens no cinema vestidos de mulheres, sobretudo nas adaptações de literatura juvenil, e sem falar dos jogos; tudo isso, também, são tipos de self-inserts que existem na indústria de entretenimento.

    Eu escrevo aqui e parece que com um certo desleixo, mas é porquê acho que nessa questão não dá pra refletir sobre. Não é arte, deixou de ser arte há muito tempo; virou comércio e já não tem pra onde correr. Se prestar atenção, em última análise, tudo é criado para retornar o maior lucro.

  6. Ótimo post, me enquadro bastante nele, sempre sonhando com mundos incríveis para fugir da minha realidade patética, só é uma pena que sonhos não fazem parte dos homens.

  7. Ainda bem que eu só gosto mesmo de dois personagens masculinos de “verdade” (eu gosto do Kirito, o Tetsuya e uns pingados de protag por ai, mas é bem raro, eu costumo gostar mais das femininas apenas).

    Bom, eu gosto do Gintoki e do Natsume. Apenas dos dois terem um pouco de mim. O Natsume é mais tímido, que é como eu sou na vida real. E o Gintoki fala mais merda, como eu adoro causar lulz na internet.

  8. “mas meu amigo, se você é gordo, não toma banho e é feio pra cacete-” ofensivo. Eu tomo banho todos os dias, oras!

    Mas deixando isso de lado: Essa mania, fuga da realidade ou apenas uma afirmação pessoal inventada, sei lá como chamar, só exemplifica uma coisa que você mesmo disse: Nossas auto-estimas estão mais baixas. E pensando bem… Não me lembro de ter um personagem no qual eu me inspiro…

  9. Opa! Olha..e engraçado isso porque e coisa e criança, a vida esta ai pessoal, desenho, jogo, games, rpg, faz de conta é faz de conta!

    Não acho crível alguém se projetar em tal ponto em um personagem, honestamente.

    Mas, tenho 30 anos, não sou tão jovem nem fui bombardeado com esta cultura quando pequeno.

    Me assustei ao ler este relato e ver que tamanho publico e afetado a tal ponto, em primeiro lugar, assistir tantos desenhos te consome de criar a sua historia, aqui e agora, tua balada, teus foras e dentros (com direito a neologismo mesmo), teus acertos.

    Se pudesse aconselhar, sonhem, com voces em posição ideias e melhores em suas vidas, não em outro mundo com olhos grandes e exagerados.

    “And be yourself is all that you can do” – Audioslave

  10. Opa! Olha..e engraçado isso porque e coisa e criança, a vida esta ai pessoal, desenho, jogo, games, rpg, faz de conta é faz de conta!

    Não acho crível alguém se projetar em tal ponto em um personagem, honestamente.

    Mas, tenho 30 anos, não sou tão jovem nem fui bombardeado com esta cultura quando pequeno.

    Me assustei ao ler este relato e ver que tamanho publico e afetado a tal ponto, em primeiro lugar, assistir tantos desenhos te consome de criar a sua historia, aqui e agora, tua balada, teus foras e dentros (com direito a neologismo mesmo), teus acertos.

    Se pudesse aconselhar, sonhem, com voces em posição ideias e melhores em suas vidas, não em outro mundo com olhos grandes e exagerados.

    “And be yourself is all that you can do” – Audioslave

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