Umineko no Naku Koro Ni – “O Tabuleiro da Bruxa Dourada”

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Ao longo de 40 dias eu li a obra escrita por Ryukishi (R07), Umineko! Consagrada, idolatrada, amada, odiada, venerada. Tantas definições, tantos tabuleiros, tantas verdades! Umineko. Umineko. Umineko. Cada vez que escrevo essa palavra ela ganha um novo tom, Umineko! O “choro das gaivotas” que é tão ansiado durante a obra nunca ocorre, nunca aparece… só depois de algumas horas é possível compreender que estamos presos em um jogo. Em um simples tabuleiro.

Ah, esqueci de dizer: Bem-vindo a ilha de Rokkenjima, sente-se, tome um pouco de chá preto, a anfitriã está quase chegando. Hã? Como assim você não sabe o motivo do convite? Não sabe nem a data? Oras, estamos no ano de 1984, espero que essa estadia entre os dias 4 e 5 de outubro seja memorável. E digo isso em vermelho.

Observe o rio dos peixes-doce que atravessa minha querida cidade natal.

Você que busca a Terra Dourada, siga essa correnteza a procura da chave.

Conforme você navegar, encontrará um vilarejo.

Neste local, procure pela baía que os dois indicarem.

Lá encontra-se a chave para a Terra Dourada.

Aquele que obter a chave deverá viajar até a Terra Dourada seguindo determinadas regras

No primeiro crepúsculo, ofereça os seis escolhidos pela chave como forma de sacrifício

No segundo crepúsculo, aqueles que restarem deverão separar os dois mais próximos.

No terceiro crepúsculo, aqueles que restarem deverão venerar meu nobre nome.

No quarto crepúsculo, perfure a cabeça e o mate.

No quinto crepúsculo, perfure o peito e o mate.

No sexto crepúsculo, perfure o estômago e o mate.

No sétimo crepúsculo, perfure o joelho e o mate.

No oitavo crepúsculo, perfure a perna e o mate.

No nono crepúsculo, a bruxa irá renascer e todos os demais encontrarão a morte.

No décimo crepúsculo, a jornada estará acabada e tu alcançarás a capital onde reside o ouro.

A bruxa enaltecerá o sábio e como prova disso serão concedidos quatro tesouros.

Um deles será todo o ouro da Terra Dourada.

Um deles será a ressurreição dos mortos.

Um deles será até mesmo a ressurreição do amor perdido.

Um deles será o sono eterno da bruxa.

Descanse em paz, minha mais amada bruxa, Beatrice.


Rokkenjima, 1984, a reunião anual da família Ushiromiya, aquela que carrega o brasão da águia de uma única asa, está prestes a começar. Todos estão em polvorosa pois é sabido que a saúde do excêntrico e fascinado pelo ocultismo Ushiromiya Kinzo (o patriarca) está bastante debilitada; seus filhos estão ansiosos como urubus diante de uma carniça fresca. Ushiromiya Rosa, Eva, Rudolph, Krauss são os únicos descendentes dessa fortuna, mas seus cônjuges também estão interessados nas possibilidades infinitas que esse dinheiro poderá trazer. Enquanto isso, os jovens George, Jessica, Maria e Battler seguem se divertindo após anos sem se encontrarem… Ah, não sabiam? Ushiromiya Battler passou longos 6 anos afastado das reuniões de família! Mas felizmente todos estão reunidos para uma longa. Muito longa. Deliciosamente longa reunião familiar. Kihi… KIHIHIHIHIHIHIHIHIHIHIHIHIHIHIHIHIHIHIHI. *GIGGLE* *GIGGLE*

Mas espere! Tem algo errado! T-Temos um r-retrato de uma… bruxa… e um enigma? O Enigma do Epitáfio? Aquele que desvendar será o(a) chefe da família Ushiromiya?! Que reviravoltas isso pode acarretar? O quão longe estarão dispostos a ir pelo dinheiro? Mortes? Assassinatos? Chacinas?! Er… contei que você vai ser o detetive disso tudo? “Você ignorou de propósito quando não explicou o motivo do convite”… ok. Talvez. Certo, “omitir” soa mais elegante. Não adianta mais, você leu o epitáfio, tomou o chá, seria desrespeitoso ignorar o desafio. Se você pode ir embora quando cansar? Kukuku. <Shit happens, my friend>

Uma ode aos mistérios – Quem? Como? Por quê?

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Ler Umineko é invariavelmente ler um “romance policial”, você está no papel de Ushiromiya Battler e está testemunhando assassinatos bizarros, que desafiam o senso comum; sua primeira reação é gritar de desespero diante dessas mortes brutais! Mas algo te impele, algo te instiga. Você tem que descobrir a verdade, tem que questionar quem é o assassino e o motivo dele ter matado tantas pessoas! “Como”? Simples, com a lógica! Conforme avançamos através do EP1 fica cada vez mais aparente o tom de mistério, temos muitos personagens, cada qual com seu motivo para querer toda a fortuna dos Ushiromiya. Preciso lembrar que é uma narrativa fixa, sem “escolhas” diretas, as questões tem que ser resolvidas pelo leitor do outro lado da tela, pois o ~autor~ faz questão de ~dizer~ que esse é o seu papel.

Um termo que vai desafiar constantemente o jogador na obra é o “crime do quarto fechado”, para os que não sabem essa ideia é onde um assassinato ocorre em determinado cômodo, entretanto não existem possibilidades (em um primeiro momento) do assassino ter entrado ou saído desse tal lugar. Um cômodo selado, um corpo e questionamentos sobre o que ocorreu ali são as únicas armas iniciais para descobrirmos como o assassinato foi executado! E cada vez que uma “resposta” aparenta explicar aquilo, surgem novos indícios para destruir a teoria do leitor. Essa sensação de fracasso no primeiro momento é excruciante, mas algumas “garantias” de que os mistérios podem ser resolvidos são oferecidas ao leitor/jogador.

Invocar o gênero romance policial também significa trazer a inigualável Agatha Christie ao tempo presente, ela é a autora mais mencionada dentro de Umineko (e igualmente famosa no mundo real); creio que chamar a Agatha de rainha do romance policial não seja exagero e todo o mérito dela se faz aparente no enredo das gaivotas. Em um determinado momento é dito que “E Não Sobrou Nenhum é o romance policial perfeito, é a primazia do gênero”, obra que acaba tendo uma ligação bastante íntima com Umineko, e ironicamente, um dos mistérios famosos por “só terem a verdade revelada no momento em que o culpado se entrega”. Sempre que uma referência ocorre, sempre que uma ~menção honrosa~ é feita somos lembrados que estamos lendo uma metaficção.

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“Raigho, se eu resolvo o mistério… como indico o assassino?” Você não indica. É simples. Os personagens estão inseridos no contexto de Rokkenjima, Battler é o detetive e o leitor é quem responde as questões. “Tá, não entendi.”, é simples: tal como em uma obra de Agatha Christie onde o leitor é desafiado constantemente a descobrir quem é o assassino antes do detetive, você (leitor) deve tentar desvendar como os assassinatos ocorreram e de que forma foram executados… Só que é nesse ponto onde Umineko torna-se algo completamente novo. Pois a obra zomba de você. “Ei, você está lendo um mistério, não vai resolver minhas questões? Está curioso? Pffft, é claro que você está. Mas não vou responder suas dúvidas, nem vou oferecer respostas. O seu trabalho é esse. Você, leitor, me deve isso.” 

Ryukishi é um gênio, ele criou a obra que eleva o estilo das VNs a um novo patamar! Em nenhum momento Umineko te oferece resposta alguma! Ele solta dicas e Ushiromiya Battler até tenta oferecer raciocínios razoáveis, mas falha miseravelmente no cerne das questões; a Beatrice é quem faz o papel de carrasco zombando de você, de qualquer um, e diz “essa obra é realmente demais para você, imbecil.”; eis o ápice da metaficção! No topo de tudo isso encontra-se a sua melhor espada, o método que será tanto arma quanto escudo do leitor… a Probatio Diabolica.

“Heh, você pode provar que este quarto está selado. Heh… mas será que pode provar que este quarto não tem escapatória? Você pode provar que não existem outras saídas dele?” a falsidade de algo não necessariamente nega sua existência. A lição mais preciosa de Umineko é essa. Utilizar uma lógica paradoxal para quebrar cada um dos quartos selados, mas isso pode ser custoso! Tudo dependerá do seu esforço como detetive para destruir qualquer ~magia~ que a bruxa alegue ter usado; o grande Decálogo de Knox também pode ser útil, seja sábio.

Mistério? Magia? Ficção! – A Gaivota Híbrida

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É mais ou menos nessa parte do jogo que você começa a chorar. Durante o EP1 tudo se passa “tranquilamente”, mas o choque no EP2 é tremendo, afinal, estamos sendo desafiados pela bruxa. É, foi mal, você descobriu que tem bruxas no enredo de Umineko. O spoiler mais óbvio. Peço perdão. Voltando ao que eu estava dizendo, magia/mistério estão em um eterno combate na história, o núcleo reside nesse ponto; você precisa provar que nenhum dos quartos selados foi feito através de magia, mas sim por mãos humanas! Não basta ter de encarar a morte dos entes queridos, ainda teremos um escárnio da pior espécie com a bruxa rindo, rindo, rindo. *Cackle* *Cackle*

Grandes questionamentos até sobre a definição de “mistério” são erguidas, a própria Beatrice zomba tremendamente dizendo que são coisas triviais… só que ela consegue afirmar isso, por compreender a complexidade desses mistérios. Ela constrói mistérios tão bem feitos por entender a alma do gênero, só que a todo instante essa mesma bruxa brinca com o quarto selado, afirmando que foi a magia dela que causou isso! Mas o papel do Battler é contrapor essa afirmação, ele tem de negar a bruxa, ele tem de negar a magia, as mortes são feitas por mãos humanas! Aos berros! Aos brados! “USSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSHIIIIIIIIROMIYAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA BAAATTTTORRRRRRAAAAAAAAAAAAAAAAA”, “BEEEEAAAAAAAAAAATTTTTOOOOOOOOOORRRIIIICCCCEEEEEEEEEEEE”.

Desculpem, me empolguei. Enfim, por isso reitero que Umineko não é uma “coisa” que carrega métodos ortodoxos, seja na narrativa, seja no mistério ou em qualquer coisa. Nunca houve algo semelhante antes, nunca haverá algo diferente depois. Quase uma Probatio Diabolica! Hahaha. Foi péssima, eu sei. Ler Umineko é também jogar Umineko. Visual Novel é um híbrido entre música, leitura e jogo; então temos aqui o exemplo máximo dessa combinação, algo bastante… harmonioso. “Harmonioso”. É impossível não se empolgar com a narrativa do gênio, de suas descrições e da forma lenta (mas soberba) de criar laços entre os personagens.

A Concepção da Gaivota

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Em cima – CD original Abaixo – CD da versão para PS3

O primeiro EP de Umineko (sim, a obra foi lançada em EPs separados) foi lançado em 2007, a obra só foi finalizada em 2011 com o lançamento do EP8. Ao longo desses processo de lançar EPs o Ryukishi “avaliava” a recepção dos leitores, diversas vezes perguntava as opiniões alheias e… foi severamente criticado. O famigerado EP2 (possivelmente o mais difícil de ser resolvido) foi algo “revoltante para os leitores pois não oferecia possibilidade de respostas”; o EP3 seria ainda pior, mas por notar que os leitores não aceitariam isso muito bem, o EP3 se tornou algo mais “didático” e prático ajudando no entendimento da trama.

O R07 sofreu algumas crises onde quase desistiu de escrever! A internet não perdoa ninguém, então ele foi verdadeiramente massacrado pela crítica que afirmava sempre a inaptidão dele em fazer mistérios. Graças aos céus e os sinceros comentários positivos ele não desistiu, criando assim a mais memorável das tramas. Imaginem na época o desespero/ansiedade ao terminar um EP e não saber quando o outro sairia! Essa evolução de Umineko foi tremendamente influenciada pelos leitores, mas o nosso querido autor nunca perdeu o foco da história, ele até aceitava as opiniões, mas no fim… a gaivota seguiu o voo que ele desejou.

2007 começou, 2011 acabou. 8EPs. Vocês percebem (se procurarem) que o Ryukishi não é exatamente o maior desenhista do mundo… para dizer o mínimo… a impressão é que o paint da época era fraco. Então, pensando nisso, foi feito o “remake” para PS3! Onde tínhamos ~sprites~ atualizados, completamente redesenhados na melhor resolução, além de terem melhorado os cenários e afins. A imagem acima é só uma pequena amostra da transformação gritante entre o traço do Ryukishi e os novos sprites.

Mas falemos de outro ponto importante para se apreciar Umineko, as músicas! Ah, AH! A baladinha! UNTZ UNTZ UNTZ. Está na hora de você entender o motivo de Umineko ser classificada como “Sound Novel”.

Zts, Dai – UNTZ UNTZ UNTZ UNTZ

"Pronto para ouvir a sua música favorita do Zts?"

“Pronto para ouvir a sua música favorita do Zts?”

Worldend Dominator começa a tocar. *Passos rápidos na lama*. Eles se aproximam. Duas balas. UNTZ UNTZ UNTZ UNTZ. Respiração sufocada. Depressa, depressa. *CLECK CLECK*. Duas balas. UNTZ UNTZ UNTZ UNTZ UNTZ*. Eles estão chegando. Você os vê, você é o personagem, você está na cena. Você percebe que começou a suar. A narrativa acelera, corre, extravasa. A música se intensifica. UNTZ. UNTZ. UNTZ. UNTZ. UNTZ. UNTZ. “Meu deus que porra tá acontecendo nessa cena?” você pensa. Lágrimas da personagem, ela sabe que vai morrer. Ela sabe e por isso vai disparar aquelas duas míseras balas. UNTZ. UNTZ. UNTZ. UNTZ. UNTZ. ENTÃO UNTZ UNTZ UNTZ TUDO UNTZ UNTZ UNTZ SE UNTZ UNTZ UNTZ ACABA NUNTZ UNTZ UNTZ A BATIDA É MAIOR QUE VOCÊ, A MÚSICA É VOCÊ, A NARRATIVA É VOCÊ, UMINEKO É VOCÊ. TUDO É VOCÊ. Ela mira. Ela olha. Ela encara. *Ergue o cano da arma*. Você percebe que está tremendo, a sua mão treme ou será que é a da personagem? UNTZ UNTZ UNTZ UNTZ UNTZ UNTZ UNTZ UNTZ UNTZ UNTZ. *PEW PEW*. Duas balas. Dois disparos. A cena acaba, os créditos sobem, você está suando. A música intensa ao fundo. E você só pensa “Ryukishi, seu filho da puta, eu te amo.”

Dread of the grave começa a tocar. “EU VOU DERROTÁ-LA, BEATO” A lógica dele é a sua lógica. Ushiromiya Battler e o leitor estão em sincronia. O seu sangue está fervendo. É hora da vingança, é hora de você combater magia com lógica! “USHIROMIYAAAAAAAAAAA BAATTTTORRAAAA”. Um sorriso de vitória se abre no seu rosto, você nem percebe, você nem sente. TUTZ TUTZ TUTZ TUTZ. A música está cantando sua vitória, a música sem voz, sem letras ou significados. Ela só bate, bate, bate. Mas você fica ofegante, uma breve vitória sobre a bruxa. Paz.

Nesse momento, você compreende. A música é Umineko. A narrativa é a música, a música é a narrativa.

Nenhuma outra mídia conseguiria combinar duas coisas de forma tão soberba e brilhante. De forma tão viva e excitante. Antes de ler Umineko, por acaso, fui escutar uma única OST. Uma. única. Minha vida se transformou. Eu precisava escutá-la combinada com a narrativa, eu precisava sentir Umineko em toda a sua magnitude! Entendem? Não falo isso de forma exagerada. Cada música narra um momento, muito mais do que o ~sprite~ do personagem ou o cenário, é a música que te insere na cena. A narrativa que te guia é sim da maior qualidade, mas a música te impulsiona a correr, ler, voar, cair, gritar.

Nos momentos de investigação, nos momentos de luta, nas batalhas! A música, a trilha sonora! Não consigo colocar em palavras, não consigo definir. Escute qualquer das músicas de Umineko, elas podem te dizer mais da obra do que eu jamais conseguiria. Os ~sons~ não são usados de forma brilhante só nas músicas, no badalar do relógio, o ranger familiar das portas, o barulho da bruxa desaparecendo… é tudo tão marcante. Tão Umineko. E nos momentos de emoção? Como não se emocionar com a paz de ouvir Hope? Answer? Ou a sensação de vitória com Rebirth? Umineko. Ah, Umineko…

Os Ushiromiya – A águia que não consegue voar

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Leitura recomendada com Rebirth.

Nenhuma outra família, na vida real ou ficção, consegue (nem conseguiria) ser tão problemática quanto os Ushiromiya. Comecemos pelo “líder supremo” da família… Ushiromiya Kinzo. A primeira pessoa na VN que você se depara é com ele, ou melhor, com seus berros/lágrimas implorando para que uma tal de “BEEEEEEEEEEEATORICEEEEEEE, BEEEAAATORICE” volte, o nome já deve soar familiar, né? Bom, ele é extremamente problemático, turrão, estranho, fanático, etc etc etc. Mas boa parte de Umineko está na “aposta” que ele faz com o destino… óbvio que não vou contar. Você tem que ler e descobrir.

Ushiromiya Rudolph é pai de Ushiromiya Battler, ele é o falastrão da família, tentando enganar as pessoas nos negócios e bancando o garanhão! Ushiromiya Eva é mãe de George, a mais vingativa e determinada dos filhos de Kinzo, ninguém consegue superá-la quando ela toma uma decisão, seu amor pelo filho é quase… doentio. Ushiromiya Rosa é mãe de Maria, nossa Rosa é a ~caçula~ da família, mas digamos que ela esconde boas surpresas por trás de seu sorriso tranquilo… já contei que ela ganha [de modo consagrado] o título de Mãe do Ano? Vão adorá-la! E por último, o mais velho (e herdeiro da família, sucessor para o chefe) Ushiromiya Krauss; esse último é pai de Jessica, bastante fraco emocionalmente falando e depende da mulher, Natsuhi, para tudo.

Genji, Kumasawa, Gohda, Shannon/Kannon, Nanjo, empregados e o amigo íntimo de Kinzo; todos personagens marcantes ao seu próprio modo. Tudo gira em torno dos Ushiromiya, em torno de Rokkenjima! Alguns serão desprezíveis, outros adorados. Eu brinco dizendo que: “Não foram os personagens que nasceram para os dubladores, foi justamente o contrário.”; a dublagem, a atuação, os sentimentos! Cada personagem é especial ao seu modo, conseguindo até ser cativante. Você pode até odiá-los, mas é impossível negar o carisma que carregam.

Muitos deles são feitos para serem odiados, nesse momento é perceptível a habilidade do Ryukishi. Construção de personagem, construção do passado deles, as ligações, os flashbacks, os momentos marcantes! É preciso, não, é obrigatório aplaudir de pé a escrita do mestre, a atuação dos personagens, as vozes, a obra! Isso porque nem falei das bruxas… mas seria spoiler demais. Garanto que essas serão de matar.

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Umineko – Uma Duologia

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Nossa querida ~gaivota~ é uma “duologia”, exatamente como Dom Quixote. Umineko no Naku Koro Ni [EP1-4] e Umineko no Naku Koro Ni ~Chiru~ [EP5-8] formam a obra completa, cada uma delas carrega seu próprio “foco”, por assim dizer; nos EP1-4 são puro raciocínio lógico contra a magia, estabelecendo as bases dos personagens e apresentando conceitos. Enquanto isso, ~Chiru~ que é a “parte final” da obra, entra nos “arcos-núcleo” do enredo… em outras palavras, comecemos a finalmente entender o que se passa de fato na história. A alma de Umineko é o mistério não só dos quartos, mas dos personagens, dos seus motivos…

Existe uma mudança bastante brusca entra as 2 partes no que diz respeito a forma de “encarar” Umineko. Você precisa, nesse segundo plano, ter compreendido o assassino, suas intenções e qual é a razão de você desvendar isso. Não é só para “honrar” o sofrimento dos envolvidos, é também… é também por amor. “Sem amor, a verdade não será compreendida”. O próprio R07 disse em uma certa entrevista o seguinte: “As pessoas precisam amar, entender o amor, se quiserem entender Umineko”; essa singela frase mencionada em dourado será levada ao limite.

O aspecto “duplo” de Umineko se estende por diversos sentidos, é uma duologia, é uma obra de duas camadas, é um jogo ou livro dependendo de como você o encare. Se você aceita o desafio e tenta desvendar os assassinatos, é um jogo. Se você, até certo ponto, cria distância do detetive e simplesmente aprecia a narrativa, é um livro. É mais primorosa das Visual Novels.

Uma obra divida em duas partes com razão, diferentes no pensar, nas ações, nos objetivos! Mas creio que nesse ponto, ninguém mais precise de explicações, se você não compreende Umineko até a segunda parte, desista. Ou melhor, releia toda a primeira parte. Só assim, o leitor entenderá o amor. Entenderá a verdade. Será bastante chocante, mas peço que suporte.

Um fragmento de 40 dias

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Leitura recomendada com Life.

Como eu havia dito, minha leitura durou 40 dias, dias que jamais vão voltar. Sabe, Umineko me marcou de uma forma tão profunda, que até agora não entendo. Sinceramente falando, eu não entendo. Foram “só” 40 dias, mas por Beato, pareceu uma vida. Eu conheci os Ushiromiya a fundo, chorei com o desespero do Battler, urrei enlouquecidamente com as batalhas… eu fui Umineko. Eu sou Umineko. Não é só uma obra, não é só um enredo! É Umineko! É o choro das gaivotas que nunca mais vou ouvir, é Umineko. Arrisco soar arrogante com a única verdade vermelha que direi: Umineko no Naku Koro Ni é a obra de uma vida, a leitura obrigatória na vida de qualquer pessoa.

Seja pela narrativa, pelos personagens, pela música, pelas gaivotas, por tudo!

Verdade Vermelha: Aquele que aceitar este jogo com a bruxa, encontrará a perdição.

Verdade Azul: Aquele que aceitar este jogo com a bruxa, talvez encontre o milagre.

Verdade Dourada: Leiam. Umineko.

UMINEKO! UMINEKO! UMINEKO!

Eu te idolatro, eu te venero, eu te compreendo!

Descanse em paz, minha mais amada e odiada bruxa, Beatrice.

Descanse nas profundezas do mar, ó, tabuleiro.

Beatrice.full.648463

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10 thoughts on “Umineko no Naku Koro Ni – “O Tabuleiro da Bruxa Dourada”

  1. Declaro em verdade dourada “Ótimo post “(não sei faze a letra fica amarela kkk).Brincadeiras a parte fico feliz em saber que mais pessoas descobriram a magia de umineko , sinceramente lendo esse post vi minha opinião sobre umineko traduzida em suas palavras, umineko realmente é uma obra linda e sem igual, parabéns pelo post . YAMI WO KIRISAKU OH DESIRE!! (desculpa me empolguei)

  2. … sinceramente, foi empolgante. Da uma vontade enorme de ler/jogar/ouvir Umineko… Mas, não o farei, VN é algo q realmente não me atrai em nada.

    Li esse post justamente pra fazer a seguinte pergunta: O anime é realmente bom (caso já o tenha visto)?
    Não compare, comparações entre mídias diferente é algo realmente complicado, só quero saber se, se vossa senhoria já tiver assistido ao anime, ele vale a pena o tempo investido (é um dos q está na minha lista pra assistir nessas férias)?

    • Eu não assisti. O anime foi feito em 12 episódios, para adaptar uma VN com mais de 50 horas que é sobre enigmas. Por mais que as pistas sejam oferecidas no anime, ficou algo bastante corrido; comparativamente falando, o anime de Higurashi (com seus quase 50 episódios) se saiu muito melhor.

      Mas dê uma chance a leitura! Não vai se arrepender!

      • O anime tem 26 epis cara… msm assim, não chega nem a 9hrs, o q não chega a 1/5 do total da obra original… de fato, deve cortar coisa para caramba, curto livros e seu q adaptações q cortam muita coisa fazem torcer o nariz dos fãs da série original (até msm aqueles q não conhecem conseguem perceber q falta algo).

        Tem em português? kkkkkkkkk’ meu inglês não é tão bom, dou meus pulos mas, ainda mais numa obra de suspense e enigmas, eu acabaria perdendo muitos detalhes, ou seja, não conseguiria absorver o máximo da obra :/

  3. Talvez seja mais divertido jogar a VN, mas o anime me decepcionou. Embora tenha uma sinopse interessante, os personagens não me cativaram e não consegui acompanhar.

  4. Chorei com as partes finais do review porque é exatamente como eu me senti quando terminei a Visual Novel kk. Concordo com você em gênero, número e grau.
    Umineko é simplesmente…incrível! Eu demorei uns 3 meses para ler porque meu inglês não é muito bom. E foi uma experiencia maravilhosa! Estou sentindo muitas saudades da VN. A empolgação nas batalhas, o jeito que eu ficava confuso, as revelações surpreendentes, os feels. Como você falou, tudo é muito Umineko.
    Aliás, a VN é totalmente diferente (em questão de narrativa, atmosfera e laços entre os personagem) do anime. Aquele anime é horroroso! e não digo isso sendo fanboy, mesmo se você analisar apenas o anime, ele é ruim de todo jeito. Já a visual novel é um masterpiece!

    Enfim, não há palavras exatas que descrevem totalmente a magnitude dessa obra. Apenas joguem e vocês verão.

  5. No final alguem venceu o jogo? Ou foi infinito como a landba e bern falaram? Queria muito saber isso pois se for pro mangá ficarei perdido. Axo que ele deve ter pedido o sono eterno dela, se for me confirmem ^^

    • Teve uma conclusão. Não sei se alguém ganha, é mais sobre a sua interpretação dos eventos ocorridos em Rokkenjima.

  6. Incrível. Pela primeira vez eu consigo ler uma Review que expressa EXATAMENTE o que eu senti quando li essa visual novel. Umineko é um fenômeno raro, e embora isso não torne a vn algo que deva ser instantaneamente tratado como bom, a faz ser uma coisa que merece no mínimo atenção, especialmente se você estiver cansado de ver coisas comuns. A sorte,é que entre tropeços e acertos, Umineko consegue ser brilhante, comovente, inesquecível. É possível odiar Umineko sim, mas É impossível se manter indiferente a essa história.

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