Papo Gatari #13 – Entrevista Nisio Isin x Umino Chica (Honey and Clover)

PapoGatari!Duas mentes brilhantes, unidas em uma conversa.

Yaho!

ACABOU O ENEM! ACABOU O ENEM, ACABOU TUDO, ACABOU SWORD ART ON-

Pera. Uma comemoração de cada vez.

Caham, e aí pessoal? Estou mais ou menos de volta a ativa, já que o monstro do ENEM passou. MASSSS ainda tem alguns vestibulares pra fazer, então talvez a rotina não volte 100%. Vou fazer o máximo pra poder pelo menos começar o Mother Rosario (já tô sentindo falta do Kirito e da bunda da Sinon).

Como um começo desse retorno, trago pra vocês outra entrevista que tinha na revista da Nadeko: Nisio Isin e a autora de Honey and CloverUmino Chica! Obrigada ao glorioso Imouto Lover por ter tirado tempo pra mais uma tradução! Levantem da cadeira, seus gordos, e batam palmas pra ele.

Os dois debatem sobre Monogatari Series, o universo e tudo mais. É uma conversa maravilhosa, ver duas opiniões de pessoas tão “distantes” profissionalmente falando. Nisio, como sempre, é o mestre das palavras e dá vontade de apertar as boche-

Todas as heroínas estão vivas

(A relação inusitada entre Monogatari Series e 3-gatsu no Lion)

O ponto forte de Monogatari são suas “conversas”

Nisio: Muito obrigado por ter desenhado o endcard de Otorimonogatari. Ficou maravilhoso.

Umino: Obrigado. Essa conversa vai sair na revista da Nadeko-chan, certo?

Nisio: Sim, por isso gostaria de conversar mais sobre Monogatari Series, especialmente sobre a Nadeko.

Umino: Eu descobri Monogatari Series primeiramente assistindo o anime de Bakemonogatari e logo em seguida lendo as novels. Lembrava da parte visual enquanto lia as obras que ainda não tinham sido animadas e logo fiquei absorvida na obra. Em relação a Nadeko-chan (que é a heroína) de Otorimonogatari… a conversa dela com a Tsukihi-chan foi a cena que mais me marcou. A Nadeko-chan diz “Se eu não fosse bonita você teria virado amiga minha?” para a Tsukihi-chan e ela devolve com “O quê? O que quer dizer com isso?”. Quando eu ouço algo que me pega de surpresa eu sempre fico em silêncio. A conversa acaba aí, mas acabei vendo que a conversa continuaria se eu fizesse uma pergunta logo depois. Em seguida a Tsukihi-chan continua pressionando por uma resposta “Você está me ouvindo? Ou será que você não consegue ou não quer responder a minha pergunta?”; “Sem pedir desculpas. O quê? Minha pergunta foi mal formulada? É minha culpa? Ou será que você está pedindo desculpas porque se sente culpada por algo?”; “Ok. Deixa eu socar sua barriga.”; e ao ler isso vi percebi que era só responder algo assim.

Nisio: Realmente não se deve perguntar certas coisas para a Tsukihi. Atualmente ela é a que tem a pior personalidade em Monogatari Series (risos). Se você perguntar algo que não a agrada, ela refuta de uma forma tão incrível que penso que daria para escrever uma história com foco nisso. Afinal de contas ela é uma existência que fala e escreve coisas difíceis de se contar normalmente.

Umino: “Se você não fosse bonita eu não teria me tornado sua amiga é uma pergunta completamente sem sentido, não só isso, mas o fato de que você fez essa pergunta já está errado, então eu não vou responder”, realmente, só tenho a concordar com isso. “Se você realmente quer que eu responda então eu só teria a dizer que ‘não teria virado sua amiga’. (…) Se você me fizer dizer isso é vitória da Nadeko-chan?”, acabei pensando que “Ah, isso é mesmo impressionante”. Acabei até usando isso como referência em meu trabalho. Sempre acontece de eu me deparar com essa situação e eu sempre fico em silêncio. Fico em silêncio porque tenho medo de acabar com a relação se eu apontar o que a outra pessoa realmente tem em mente, mas na verdade esse “ficar em silêncio” que indica o fim da relação. Tem vezes que é melhor falar e complicar ainda mais do que ficar na mesma. Ficava em silêncio porque não queria ofender a outra pessoa, mas parece ser melhor dar um passo a mais.

Não só usando falas, mas também usando o artifício de “perguntar a si mesmo” em suas obras.

039Nisio: Falando nisso, a Umino-sensei usa quadros negros com as letras em horizontal como maneira de representar um monólogo durante as conversas, não é? Eu amo aquela representação. Não é como se fosse várias vozes ao mesmo tempo, mas a sensação de que duas informações estão vindo de uma só vez é muito boa. 

Umino: Quando você conversa com outra pessoa, por exemplo, você pode ter 100 razões pela qual você se encontra “triste”, mas se te perguntarem “Porque você está triste?” você acaba respondendo só uma delas. Eu não consigo escolher só uma. Não só na realidade, mas também nos meus mangás.

Nisio: Aquela “sensação de duas emoções vindo ao mesmo tempo” é algo que não dá para fazer em livros então penso como isso é “incrível”. É verdade que nem sempre o que a pessoa diz é o que ela realmente tem intenção de dizer. Aqui eu uso a Tsukihi como exemplo, mas mesmo em uma conversa comum nem sempre o que você tem em mente é o que você acaba falando.

Umino: Sim. Se fosse um mangá seria possível descrever a cena anterior desenhando o rosto da Nadeko-chan com uma expressão de “Não é isso que eu penso”. Por isso que a existência da Tsukihi é essencial para ela. Porque é a Tsukihi que realmente diz o que a Nadeko-chan tem em mente.

Nisio: Porém aquela cena em palavras pode acabar sendo interpretada de diferentes maneiras. Mesmo usando a mesmas palavras vão ter pessoas que vão sentir pena da Nadeko por exemplo.

Umino: Eu fiquei com um pouco de inveja da Tsukihi-chan (risos).

Nisio: Fico grato ao ver reações como essa. Que nem: Você fez muito bem Tsukihi! Senão, ela é só estaria judiando a Nadeko.

Umino: Ali eu também fiquei meio envergonhada. Tem vezes em que eu também fujo como a Nadeko então me senti como as duas enquanto lia. Sim, sim, isso é um dos charmes da obra do Nisio-san. Monogatari Series tem várias heroínas, mas acabo me identificando em algo com todas elas. No meu caso foi especialmente com a Hanekawa-san () e a Nadeko-chan. Eu gosto mais da Hanekawa-san e penso em “como queria ter me tornado alguém assim”. Sem esquecer de ficar um pouco envergonhada quando penso na Nadeko-chan…

Nisio: (risos) “Envergonhada”.

Umino: Por isso que acabo querendo que a Tsukihi-chan “Vai lá e fala a verdade pra ela” (risos).

Nisio: Dentro de Monogatari Series personagens como a Tsukihi que dizem o que tem em mente são as mais fortes, mas normalmente não costumo definir de antemão quem ganharia em alguma discussão. Obviamente já tenho uma história definida, mas quando começa uma discussão entre os personagens eu acabo dependendo completamente da posição de cada um na história e da habilidade de discutir de cada personagem para chegar a uma conclusão.

Umino: Então isso quer dizer que a cena discutida anteriormente da Tsukihi em que ela diz “Ok. Deixa eu socar sua barriga” não existia desde o começo?

Nisio: Não. Ela falou por si mesma e pensei em como ela me dá medo enquanto escrevia (risos).

Umino: Ela disse isso por causa de como a conversa havia progredido até aquele ponto. Eu acho aquela frase “Ok. Deixa eu socar sua barriga” muito boa (risos).

Sempre passei por minhas preocupações “me preocupando tanto ao ponto de não conseguir respirar mais”

Umino: Como uma mangaka eu acabo interagindo com várias jovens (que são assistentes) e que me ajudam nos manuscritos do mangá e todas tem alguma preocupação em relação ao futuro. Querem se tornar mangakas, mas acabam perdendo a confiança como foi com a Nadeko-chan.

Nisio: Umino-sensei, houve alguma época em que você se preocupou se tornaria uma mangaka?

Umino: No meu caso a época que mais fiquei me preocupando foi a época em que “não tinha amigos” e por isso ficava consultando eu mesma. Ficava perguntando para mim mesma “Como eu responderia se fossem consultar isso comigo?”.

Nisio: Nesse caso saía alguma resposta?

Umino: Sim. Para ser mais exata quanto mais eu perguntava para mim mesma, eu conseguia não “uma reposta em si”, mais sim que não compensava ficar se preocupando. Eu ficava tão preocupada a “ponto de não conseguir respirar” então o que sobrava era ir trabalhar. Por isso eu respondo às minhas assistentes quanto a isso que “é melhor que elas continuem se preocupando/pensando sobre isso”. Reflita sobre isso até não conseguir mais. Assim vai chegar a um ponto em que trabalhar é muito melhor do que ficar se preocupando até não conseguir respirar mais. Porém é verdade que eu mesma acabei demorando muito para me tornar uma mangaka. Se eu tivesse dado uma bronca em mim mesma naquela época quem sabe eu não teria tomado coragem mais cedo.

Nisio: Ainda continua preocupada com alguma coisa?

Umino: Sempre. Porém agora o editor também é meio que meu conselheiro. O pessoal da editora diz que antigamente meu pensamento era muito pessimista, mas que recentemente isso tem mudado para “pensamento negativo, mas que algumas vezes é otimista”. Não sei dizer se isso é porque as pessoas que me dão apoio são otimistas. Meu eu do passado era completamente negativa então meus pensamentos ficavam sempre assim por só consultar a mim mesma, mas agora que consulto com pessoas otimistas isso tem mudado. O pessoal fica surpreso pelo fato de que “é preciso se preocupar tanto assim para desenhar um manuscrito”. É esse tanto que eu acabo me preocupando.

Nisio: Essas preocupações estão ligadas com as suas obras?

Umino: Ao menos em minhas obras só surgem personagens que ficam pensando infinitamente (risos). No passado eu era como a Nadeko-chan e não conseguir conversar com outras pessoas. Por isso que enquanto lia ficava um pouco “envergonhada”. A Nadeko-chan também é acusada de se “fingir de vítima”. Eu também faço isso algumas vezes durante discussões e já ouvi algumas vezes que “você logo se finge de vítima”. Por isso que nessas cenas eu ficava “Ai meu coração…” (risos). Por exemplo é sofrido ouvir uma pergunta como “Você está fugindo e tentando se fingir de vítima, não é?” de frente. No meu caso eu prefiro isso do que “acabar se tornando em uma briga”.

Nisio: Pessoas que não temem confrontos são fortes, não?

Umino: (risos) São fortes mesmo. Isso aconteceu duas vezes até aqui. Porém com o passar do tempo eu fui tendo a oportunidade de encontrar com mais jovens e agora minha preocupação é em como eu poderia ajudá-los. Até aqui eu sempre fugi de discussões então a partir de agora eu poderia usar aquela frase “Ok. Deixa eu socar sua barriga” (risos).

Nisio: Isso se tornaria um grande incidente… (risos)

O que vocês gostam das obras do outro e quais são as características parecidas entre elas.

Umino: O que eu gosto nas obras do Nisio-san é o fato de conseguir mostrar algum lado das personagens que eu sempre quis mostrar. É realmente incrível como não há alguma barreira na criação dos personagens porque isso é muito difícil de se conseguir fazer. O Nisio-san consegue introduzir várias heroínas e todas elas são criadas com muita atenção. Quando uma nova heroína surge, ele escreve sobre ela pouco a pouco. Todas as heroínas realmente estão vivas. É como se o leitor pudesse sentir a existências delas e acompanhar o crescimento delas. Eu acho isso maravilhoso. Mesmo com a Hanekawa-san que mudou em uma direção que não imaginava. Eu gosto muito disso. Fora isso acho bom que algumas coisas “não acabam em aberto”. A relação entre a Senjougahara e a Hanekawa-san, por exemplo, poderia ser uma relação bem triste para ambas, mas as duas tentam ao máximo estabelecer uma boa interação entre elas. Eu gosto muito de como é escrito muito detalhadamente como se fossem pessoas reais. Eu também tenho a intenção de criar obras em que as personagens estão vivas. Por isso sempre fico feliz ao ler obras que conseguem realizar isso. Na verdade a Hanekawa-san e a Senjougahara-san não poderiam ficar juntas, mas a Senjougahara-san não tem a menor intenção de deixar de interagir com a Hanekawa-san. Isso é muito bom. Como fã de Monogatari Series eu gostei tanto da Hanekawa-san que chorei quando li a novel, chorei quando vi o anime e enquanto chorava pensava que “Ah… isso não tem mais volta” (risos). Não importa como eu amo a Hanekawa-san.

Nisio: Considerando o exemplo da Hanekawa-san tem uma personagem na obra “Honey and Clover” que possui semelhanças com ela e que ao ler você sofre, mas também consegue pensar que “gosta dela”; Nas obras da Umino-sensei as pessoas com um grande talento nem sempre são as mais felizes, muito pelo contrário, várias delas são infelizes. Se eu falar que gosto delas porque gosto disso até parece que sou alguém que se diverte vendo as outras sofrerem (risos), mas não é isso, é porque dá para “aceitar” isso. Como posso dizer, as pessoas que “buscam sempre subir para cima” ou que sentem responsabilidade de continuar criando algo também são pessoas que “continuam a perder”. Elas perdem e crescem. Por isso que elas conseguem ir acima. As pessoas que lembram mais das derrotas do que das vitórias não são as que conseguem subir mais? É isso que sinto nas obras da Umino-sensei.

Estranhamente a entrevista acaba aí, abruptamente, mas é exatamente como estava na revista. Enfim, é sempre bom ter uma visão de fora de Monogatari, porque não importa quantas pessoas leiam ou assistam, as opiniões sempre são as mais diversas possíveis. É uma obra com um leque de interpretações muito amplo.

Espero que tenham gostado, comentem aí embaixo e até a próxima!

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Ah, e eu que negritei “Hanekawa” na entrevista, não foi o Imouto. Haters gonna hate.

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5 thoughts on “Papo Gatari #13 – Entrevista Nisio Isin x Umino Chica (Honey and Clover)

  1. Essa entrevista muito interessante o nisio parecia ate o entrevistador colocando tantas perguntas pra umino
    E principalmente teve entrevista desses dois autores e ainda não encontra foto alguma de nenhum deles

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