Corrente de Reviews 2014 – Onani Master Kurosawa

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A primeira aparição do OtomeGatari na Corrente… Começou com masturbação.

Yaho!

Espera, masturbação?

Sim, exatamente isso, quando você vai falar pros seus pais que seu braço tá um pouco mais musculoso que o outro porque começou a praticar tênis. Ou quando pede pra sua mãe uma caixa de lenços de papel, porque “está com alergia a poeira” e que por isso também precisa tomar uns banhos mais longos. Desculpas e mais desculpas, todas motivadas por esse ato simbólico de um status social, de uma faixa etária – é o que os japoneses chamam de onani.

Já deu pra adivinhar o título do mangá, né?

Pois então, nessa 4ª edição da Corrente de Reviews, nós do OtomeGatari tivemos a oportunidade de também participar! Agradecemos muito a galera do Anikenkai por terem nos aceitado. E o que é essa tal ~Corrente~, vocês devem estar se perguntando. Basicamente, diversos blogs/vlogs, entre outras maneiras de expressar seu amor pelo 2D, inscrevem-se pra participar e devem indicar um mangá ou anime para outro blog/vlog, tudo escolhido de maneira aleatória. Acessem esse link aqui pra entenderem melhor o processo.

Valeu pelo pessoal do AoQuadrado por terem nos indicado esse mangá espetacular que é Onani Master Kurosawa, um must read pra qualquer otaku que se preze. Ah, e não pensem que eu, uma jovem honrada, vou falar desse tema peculiar sozinha. A review será estilo Zenmanal, por isso contarei com a ajuda do quase expert no assunto, meu querido Raigho!

Sinopse

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Raigho: Punheta. Descabelando o palhaço. Batendo “umazinha”. Bronha. Estrangular o careca. 5 contra 1. Tocar uma. Masturbação. Amigos e amigas, todos vocês conhecem UM desses termos, não? Sim, estamos nos referindo a esse ato natural em nossas vidas. Porque o review/conversa de hoje será sobre um garoto e os “atos” que ele comete em um certo banheiro de seu colégio… Garanto que masturbação nunca mais será a mesma coisa depois desse mangá. O Mestre do Onanismo, Kurosawa. “Executarei tudo com este meu martelo branco”, deep as fuck.

Marcela: Agradeço muito por essa introdução esclarecedora e nada ofensiva a minha pessoa. Sei que você com certeza é muito familiarizado com essas coisas assim como 90% dos leitores. Mas não vamos ficar só falando de masturbação aqui porque eu acabaria me matando enquanto assisto SAO – Onani Master Kurosawa pode ter essa palavra, “onani” (onani means masturbação) no título, mas sua história vai muito, muito além disso.

Raigho: AS CRIANÇAS EM CASA PRECISAM SABER DISSO! ELES PRECISAM SABER QUE É *Encara o céu* natural. Pffffffft, Enfim… olha, chega a ser um treco “curioso” imaginar que um mangá… Essencialmente sobre um garoto usando masturbação como escapismo poderia soar interessante. Digo,~ pensando~ em voz alta é uma ideia que poderia ter falhado miseravelmente, convenhamos. Mas eu fui pego de surpresa por ela, até eu fiz uma releitura e certas impressões a respeito da história mudaram. Nada como uma santa releitura. O mangá começa com o garoto no banheiro da escola se masturbando. E os capítulos são separados por “shot“.

Marcela: Palavra pouco discreta e simbólica pro assunto. Sim, um garoto no banheiro se masturbando, nosso Kurosawa Kakeru, o “Onani Master”. Ele é uma personificação da maioria das pessoas que se aventuram a ler a história, imagino: solitário, pensativo e excluído. Tem aquele self-insert básico. O diferencial é que ele tem algo que chama de “lição diária” – escolher alguma garota bonita da sua escola e ir pro banheiro pouco usado e se masturbar pra ela depois da aula.

Raigho: Só que MAIS do que “eleger uma garota para sua homenagem diária”, tem uma certa sensação de dominação! Ele imagina a garota sempre sendo dominada, ele carrega um ar de superior enquanto se masturba, isso quase parece reforçar uma “superioridade” que só existe na cabeça dele. Seria essa uma sinopse perfeita: “Kurosawa Kakeru, um garoto que se masturba diariamente escolhendo uma garota diferente, esse ato ocorre religiosamente em um certo banheiro abandonado… Mas tudo muda quando um certo dia, quando ele estava indo embora do tal banheiro… Esbarra com uma pequena garota que se parece com um esquilo. A vingança iria uni-los e destruí-los. Um evangelion da masturbação.

Marcela: Kitahara Aya foi o começo de uma jornada que ao mesmo tempo que destruiu a vida do Kurosawa, fez com que ele pudesse encarar as coisas sob uma nova visão e fazer aquela sonhada mudança de atitude que muitos de nós ainda esperamos. Essa é uma breve sinopse que podemos dar pra vocês sem muitos spoilers. Acho que só o tema de masturbação já deve atiçar a curiosidade, mas aviso logo aqui: não é hentai, não tem nada explícito. Sim, a masturbação é usada como foco na história sem ser unicamente algo pornográfico.

O traço, a Bic, a arte

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Marcela: Mas antes de partir para a história, queria falar um pouco sobre o traço dessa obra. Foi a primeira fez que li o mangá, apesar de estar na minha lista fazia um tempo e me surpreendi com a arte do Takuma Yokota, responsável pelo desenho. Como eu comentei um amigo: parece um mangá feito com caneta Bic. Sério. E isso deixa ele simplesmente épico.

Raigho: “Véi… não vou pintar essa porra e não sou obrigado a usar canetas diferentes, vou fazer tudo com lápis” ===> MAL SABIA ELE QUE ESTAVA POR NASCER O MELHOR DOS TRAÇOS! Pior que é estranho, porque normalmente tem uma caneta/lápis/nanquim/etc para cada uma das coisas, mas não! Nessa obra é tudo com um lápis muito louco [ok, tem páginas coloridas mas né], os personagens, os cenários e as referências! Hahaha, meu deus, eu ri TÃO ALTO na primeira vez, quando eles estão indo viajar e a Kurosawa faz a pose do Lelouch, só que o traço do autor muda tudo na hora, ele fica IGUAL ao lelouch! Tem uns momentos de raiva/surto nos personagens e ele RABISCA FRENETICAMENTE NAS CENAS, dá uma impressão real de “tensão”.

Marcela: Sim! Por ser um doujinshi (lembrando, doujinshi não é só hentaizinho daquele casal que você shippa, são mangás feito por autores independentes no geral e vendidos em Comikets da vida) tem realmente aquele diferencial de um mangá, digamos assim, “oficial”. Você percebe que tem um certo fator caseiro, como se fosse algo mais próximo. Esse traço tão simples tem um charme grande. Além disso, ele tem algumas tonalidades cinzas e sua arte no geral dá um tom de melancolia. A impressão que tive foi de que era um “mangá de chuva”. Parecia que estava sempre chovendo no cenário – não aquilo material, mas a ideia de depressão.

Raigho: Sim! Ainda bem que você mencionou, essa obra é um doujinshi! Ok que se assemelha aos mangás, mas é perceptível que seu ~molde~ diferenciado. E a obra fecha em 4 volumes, 31 capítulos, foi o tempo necessário para não se esticar demais e nem ficar ~de menos~. E esse traço do autor consegue mudar as expressões MUITO rápido, tem hora que o Kurosawa tá disfarçando e ele parece super inocente, mas logo depois o semblante de “keikaku doori” dele volta. Eu diria que é “um traço dinâmico”.

Marcela: Tem muitas comparações inclusive dele com o Kira, de Death Note, pela aparência. Os dois tem aquela cara de antiherói e tem seus jeitos estranhos de trazer justiça. Um escreve no caderninho dele… O outro deixa as páginas do caderninho meio coladas. Mas ao traço em si, essa versatilidade de mudar o semblante é algo que faz diferença em um mangá! Quando que você não pega um pra ler e parece que todos os personagens só fazem a mesma expressão? É frustrante porque não te deixa ficar bem “dentro” da leitura.

Raigho: Justo justo, tem toda razão. Os personagens têm uns formatos bem interessantes, aos menos os “com importância” no enredo… É caprichadinho, vai.

História, onanismo e amizade

Esses dias dolorosos continuaram tanto para mim, quanto para ela.

“Esses dias dolorosos continuaram tanto para mim, quanto para ela.”

 

Raigho: Enfim, é um bom ponto para esquentarmos o clima todo; mas nem só de traço uma obra é feita, já pensou? Se só traço bonito fosse final de história boa? Ah, que mundo maravilhoso seria esse…

Marcela: Se fosse assim, Nisekoi seria o melhor mangá do mundo! Mas não, né. Então, pro tópico que realmente atrai as pessoas pra review: a história do mangá. Já que é a Corrente de Reviews e panz, acho justo não jogar tanto spoiler na cara do pessoal. Vamos tentar manter no leve.

Raigho: TENTAR. Frisando. Ah bueno, como dissemos acima, o Kurosawa estava se masturbando, ele sai do banheiro de boa < esbarra na Aya. É o primeiro sinal de que essa rotina dele está prestes a acabar. São ~31 shots~ que mostram toda a evolução dele como pessoa/personagem… Ao lado da Aya. Se bem que “ao lado” é meio errado, seria correto dizer “do outro lado da porta”. Voltando para explicar: Um dia, desejando se vingar de todo o bullying que sofre, a Aya percebe/sabia da mentira do Kurosawa! Ela sobe até o banheiro e vai pedir “vingança” para ele. Parece loucura, mas a masturbação aqui se torna uma arma.

Marcela: CALMA, MOLEQUE! Putz, tu simplesmente tá pulando tudo loucamente, mais louco que o Kurosawa se masturbando pra Sugawa. Relaxa e goz-, digo. Primeiro tem que entender o elenco de personagens nessa grande peça: além do Kurosawa tem a Kitahara Aya, que falamos acima, uma garota extremamente introvertida que por isso sofre bullying pesado da “gangue” de outra garota, Sugawa Maiko. Nesse meio, temos o líder dos otakus, Nagaoka Keiji, que sempre tenta puxar amizade com o Kurosawa. Uma das temáticas centrais desse mangá realmente é o bullying. São todos alunos do ginasial, provando que não é sempre no colegial/ensino médio que acontece essas coisas. Mas não se trata apenas de uma campanha antibullying como um bando de desenho tem hoje em dia. Voltando ao que o Raigho disse lá, a Aya busca se vingar das meninas que tanto fizeram bullying com ela… Nesse sentido, ela já suspeita o que o Kurosawa faz no banheiro. O ódio dela, somado a uma chantagem e as habilidades de… “Onanismo” é a maneira que ela encontra pra se vingar.

Raigho: E já que ~você quer ir na ordem cronológica~ um ponto principal é que NA HORA em que o Kurosawa esbarra com a Aya, ele reconhece [pelos trejeitos dela] que a garota é introvertida/excluída da coisa toda. “Como?” vocês perguntam, pois o próprio Mestre do Onanismo é assim! A Aya recebe um bullying VIOLENTO das meninas, sendo empurrada, obrigada a fazer declarações falsas, tudo para o divertimento delas; mas a menina nem consegue reagir, ela é completamente passiva. O Kurosawa tem um “complexo-de-superioridade-que-na-real-é-inferioridade” onde ele não quer se misturar “com o pessoal”, mas na realidade é um puta moleque introvertido; no Japão existe o tal ditado sobre “pássaros de penas semelhantes voarem juntos”, é uase assim que funciona o enredo. A Aya vai ficar desesperada, o Kurosawa só fica no banheiro TODO SANTO DIA, ela gravou bem isso e vai pedir “ajuda” na vingança. Eles nunca se encaram no banheiro, ele tá do outro lado da porta e ela fora. por mais que exista um certo entendimento mútuo, eles não confiam um no outro. Até porque, é basicamente uma relação de chantagem. A aya sabe do hobby dele < vai contar tudo se ele não obedecê-la < por aí vai.

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“Que a Naitou-san… Que a Naitou Kyouko… sofra o mesmo destino da Sugawa Maiko e suas amigas!”

Marcela: Essa barreira da porta é quase um simbolismo. Você vê duas pessoas tão próximas mas com uma parede impedindo que eles se encontrem. São as barreiras que eles mesmos estabelecem nesse estranho “relacionamento”, por mais que se entendam e as vezes compartilhem do mesmo sentimento, jamais estarão juntos (não em sentido romântico). Honestamente logo quando comecei a ler veio na minha cabeça “cara introvertido e garota introvertida, claro que eles vão ficar juntos“… Bom, não é um spoiler grandioso – não demorou mais que uns dois ou três capítulos pra perceber que eu estava muito enganada. Esse é outro tema importante do mangá, perceber a verdadeira essência das pessoas. Você acha que entende aquele alguém, como eu achava que entendia a Aya – mas está longe, muito longe. Assim como o Kurosawa teve a impressão ligeiramente errônea dela.

Raigho: “Ah, a menina introvertida quer vingança? Vamos lá então”… Porque ele VAI no embalo dela completamente! E… É foda. Conforme a história avança essa primeira “vingança” [que é se masturbar NA peça de roupa da menina N] acontece e isso causa uma verdadeira REVOLUÇÃO na sala! E é claro que ninguém se entrega; só que isso vai crescendo, a Aya vai ficando revoltada… enfim. Bullying e também aceitação são temas FUNDAMENTAIS na obra! O Kurosawa é todo assim com esse treco de masturbação porque ele não tem amigos, criou um complexo de ser superior que AFASTA ele das pessoas e acha que “hurr durr vamos lá bater umazinha no banheiro da escola que eu vou ser o foda”. Amigo, a vida não é assim.

Marcela: Por isso retomo a comparação com o Kira – quase certeza que foi uma influência pro autor quando ele pensou na personalidade do Kurosawa. Ele se considera meio que um deus até certo sentido. Primeiro porque, diferente da Aya, ele não é completamente excluído, o Keiji líder do otakus tá SEMPRE, SEMPRE convidando ele pra fazer as coisas. “Hurr durr sou foda demais pra andar com os otakus”, basicamente. É como se… É como se o autor tentasse categorizar os excluídos.

Raigho: O que inevitavelmente acaba acontecendo. EU ACHO FODA que o Keiji NA MORALZINHA tá chamando ele pro rolê! E o cara NÃO VAI de jeito nenhum! Argh… Mas eu acho, humildemente falando, que a Aya é um tanto quanto pior do que o Kurosawa. Esse bullying com ela é veneno nas veias, isso vai crescendo, crescendo, CRESCENDO até que a menina surta, ela pede pro Kurosawa se masturbar nas coisas de VÁRIAS meninas! E TEM VEZES QUE ELAS NEM FIZERAM ALGO, de fato. Pode ter sido uma “risada” talz. Ela quer revidar mas não consegue, então usa o ~protagonista~ como meio.

Marcela: E a história até certo ponto sai do foco dela e vai verdadeiramente para o Kurosawa… Quando ele começa a se apaixonar. Aí começa mais cagadas ainda. Sabe, quando você tá se animando, ficando otimista com os resultados do manga, mesmo sabendo que vai tudo terminar em merda no final.

Raigho: PUTA MERDA, ESSE TWIST.

Marcela: SIM, ESSE TWIST. NÃO PODEMOS FALAR, RAIGHO. NOSSA, eu não esperava, caramba. O autor cria essa expectativa no leitor e consegue realmente convencer você de que vai dar certo. Depois desse ponto em específico que tem um acontecimento que faz a história toda virar de ponta cabeça.

Raigho: EU TAVA EMPOLGADO [na primeira vez], mas continua sendo doloroso na segunda. Porque o Kurosawa percebe que esse “amor” pode mudá-lo! O TRECO É TÃO SIMBÓLICO QUE TIPO… Ele sente uma contração forte no pênis, TIPO ELE SE APAIXONA E QUEM SENTE É O… Really. Mas isso vai se desenvolvendo e COMEÇA AQUELA DERROCADA DE TODO MUNDO. Que delícia. Sofrimento. “Longo, muito longo, deliciosamente longo“.

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Marcela: Sofrimento, sim, demais. Essa parte da história passa como um grande borrão negro, decorado com lágrimas e muitos gritos. Ou estou ficando louca, mas isso é detalhe. Entretanto, uma das boas mensagens que o mangá passa é de como esse sofrimento é um causador de mudanças. Faz você perceber algo mais ou menos assim: duas coisas mudam você, felicidade e sofrimento. Se você está feliz, começa a mudar pra atingir essa felicidade. Se você está sofrendo, começa a mudar pra escapar desse sofrimento. Onani Master podemos dividir entre o momento de ascensão, queda e ascensão novamente. A primeira ascensão é quando o Kurosawa percebe um novo tipo de felicidade na sua vida, o amor, e começa a mudar sua atitude pouco a pouco. Esse mesmo amor, causa imenso sofrimento… Que faz com que ele mude, pra nunca mais sentir a dor que sentiu.

Raigho: Sim, eu não teria dito melhor. É uma história de amadurecimento! Sobre como lidar com você mesmo, com as relações que você constrói e a forma como deseja se ~rebelar~ contra o mundo; ao fim até o Kurosawa encontra… não, ele “alcança” a vida comum que todo mundo merece. Estudos, família, amigos, simples assim. E até um amor no futuro, quem sabe? A Aya também cresce grandemente, eu diria que “tem um final positivo”. Uma dica é que existe 1 capítulo especial “pós-mangá”, que é quase uma LN, onde todos se reúnem ANOS depois dos eventos. Capítulo = escrito bonitinho talz, sem desenhos.

Marcela: Falando da Aya… Podemos tirar um espacinho só pra comentar dela?

Raigho: Sure. Até porque ela é a segunda-protagonista! A série começa JUSTAMENTE quando ela pressiona o Kurosawa [coisa que ela faz praticamente na obra inteira], ao contrário dele, a jovem mocinha é… mais perdida? “Perdida”.

Marcela: Cof, eu me identifiquei mais com ela do que com o Kurosawa, cof. Mas, perdida… Não sei se usaria esse termo. Ela escolheu um caminho, digamos assim, mas não foi um caminho bom. A Aya é… Uma personagem difícil de entender. Por mais curta que seja a obra, sempre tenho a ideia na cabeça de que ainda não compreendi ela por inteiro. É o tipo de situação que, se você não estiver bem incluso nela, é complicado de estabelecer um ponto de vista. Isso acontece com o Kurosawa quando ele tenta ajudar ela. Afinal, a garota sofre bullying. Okay. No entanto, o autor não floreia as coisas como “vou perdoar meus ofensores“. Não, ela tem um ódio profundo, muito profundo, como você falou, tá nas veias dela. O que tem um certo ponto de realidade: por exemplo, eu até hoje não consegui perdoar as pessoas que fizeram bullying quando eu era criança. Sim, sei que já se passaram mais de anos desde que aconteceu, mas qualé! É algo que dói muito, as pessoas implicam com você sem uma justificativa plausível. “Porque ela é estranha, não fala com ninguém, tem o cabelo todo bagunçado”… E aí o leitor entra no dilema, porque ele tem noção do que a Aya sofreu, mas sabe que ela está passando dos limites.

Raigho: Realmente, tem uma “linha tênue” [VOU INVOCAR MONOGATARI FLW VLW NADEKO FLW VLW] entre vítima de bullying/aquele que pratica. A teoria [que procede] é que quem prática, recebeu de alguma forma isso. A Aya “entende” [no ponto de vista DELA] que ela tem todo o direito de se “vingar” das meninas que praticam bullying com ela, mas em certo momento ela perde o controle e entra na ideia fixa de “VINGANÇA VINGANÇA”, sem saber dosar. Eu também, nego vivia me chamando de gordinho e o caralho a 4, porque né, o garoto que fica no canto dele isolado tem que ser ~pego pra cristo~. Mas não tem “redenção” ou coisa assim na obra inteira, todo mundo até certo ponto paga pelos próprios atos.

Marcela: …………….. Você era gordo? Nossa, bate aqui.

Raigho: Nunca te mostrei as fotos? Sabe de nada.

Marcela: POR FAVOR, MOSTRE.

Raigho: Vamos encerrar… Antes que fique estranho. Eu acho?

Marcela: ENFIM, nós superamos bullying e hoje temos um blog de animes. SUCESS- só que não.

Raigho *Ahem* agradecemos aos envolvidos na corrente de reviews pela oportunidade, de verdade, esperamos que todos gostem.

Marcela: Agradeço também. Mas é isso, Onani Master tem um clima de desespero mas é aquela arte imitando a vida: a vida tem seus momentos de extremo sofrimento e melancolia, mas dá pra superar. Seja se masturbando ou… Ou. Vamos deixar em aberto porque tenho medo das outras possibilidades. E a água do meu Cup Noodles sozinha fervendo lá. Tenho que correr, até a próxima!

Raigho: Até!

"D-Droga!"

“D-Droga!”

E essa foi nossa review de Onani Master Kurosawa! Agora, passamos a bola da vez pro pessoal do Projeto X Podcast, com uma indicação mais do que clichê da nossa parte, mas senti como se fosse uma obrigação erguer essa bandeira e sair evangelizando internet a fora. Sim, indicamos Bakemonogatari, o início de Monogatari Series. Nossa única justificativa: é Monogatari, cara.

Até a próxima.

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3 thoughts on “Corrente de Reviews 2014 – Onani Master Kurosawa

  1. Saudações

    Uma participação digna de ambos na Corrente de Reviews’2014, nobres…

    Me lembro de já ter resenhado esta obra uma vez, por indicação direta da Roberta em certa oportunidade. E sinceramente, ao ler o post daqui percebi que minha linha de raciocínio quanto à obra não ficou nem um pouco aquém do que vocês interpretaram de tal…

    Mas vale a recomendação positiva para esta obra…
    Isto porque a realidade, quando pede para ser citada/trabalhada, assim ela tem de ser tratada.

    Até mais!

  2. Pra comemorar a primeira participação de vocês com um clássico da web como Onani Master Kurosawa, hoje eu vou fappar pra Marcela! Mentira, verdade, quem sabe, não, sim

    Eu gostei bastante de Kurosawa quando li um tempinho atrás, mas lembro que o fim me deixou com um gosto amargo na boca, acho que na época eu achei felizinho e fantasioso demais os rumos que a história tomou – mas tipo, quero muito reler alguma hora, talvez minha opinião acabe mudando. E sim, a narrativa desse mangá é uma coisa de louco, tem muita tensão e adrenalina, um autêntico thriller. O autor (acho que é autora??? Não lembro mais se é o cara ou a mulher que escreve, mas sei que é um homem e uma mulher) faz muitas referências à Death Note em questão de tensão e plottwists carpados orgasmaticos não deixa nadinha a dever.

    Ah, e sabe quem a Aya me lembra? Adivinhem… A Tomoko de WataMote, inclusive na aparência (mas isso acho que é porque usam muito certas expressões em personagens reclusos e antissociais). Ok, bjs, cês são lindos.

  3. Cara, Onani Master Kurosawa é muito bom e diferente de tudo que já li!

    Li a obra a uns três anos atrás e até agora não ache NADA parecido, e a tensão que a obra trás quando ele de repente ~Spoiler~ confessa ter sido o culpado pelo “ato” na frente de toda classe é foda d+! Você fica tipo, “Que merda ele tá fazendo?… Não confessa!… Vai dar merda!… Não… Para… Ainda da tempo, para!… Putz ele confessou……….. E agora?…”
    E a tensão criada no momento é quase aterrorizante.

    Mas enfim. Parabéns pela Review Marcela e Raigho, ficou ótima!

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