Comentários Zenmanais [Edição Flor] #03 – “Schadenfreude”

Comentários ZenmanaisUma trágica história humana, mais comum do que se imagina.

Yaho!

Tudo bem, tudo bem, tudo bem? Obrigada por perguntar, estamos ótimos por aqui.

Mais ou menos na metade dos Zenmanais e já estou começando a ficar triste – sabe-se lá Nadeko quando vão anunciar o anime da Third Season. E não ajuda nada que SAO AINDA esteja na metade…

Tá bom, chega de assunto triste e bora falar da nossa macaquinha – que deixou de ser macaca – favorita!

E vamos explicar o motivo do atraso também~

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Raigho: Olá, pessoal~ sim, não conseguimos fazer semana passada o Zenmanal; as coisas estão caóticas, por isso… Nosso sincero perdão. Vamos seguir com a ideia de “1 episódio por Zenmanal” até porque nesses episódios 3-4 é tudo um grande monólogo da Rouka [além de comentários perdidos]. Esperamos que todos compreendam que o ponto do Zenmanal é comentar com foco, não com quantidade.

Marcela: Lembrando a todos que isso aqui não é nenhum Sword Art Online que tem poucas coisas pra comentar, tipo a bunda da Sinon ou a bunda da Sinon. Ó meu vício, não consigo largar esse anime… BOM, vamos pras coisas boas, as duas lésbicas se encontram novamente! E aí vem a notícia que o braço da Kanbaru não foi embora porque o Nisio gosta dela… E sim porque a Rouka absorveu. (?)

Raigho: Foi meio associação: “Pera, meu braço sumiu depois que eu conversei com a Rouka… Ela tava absorvendo a desgraça dos outros, faz sentido” < NISIO NÃO ESQUECE O KAIKI NEM QUANDO ELE NÃO APARECE. Além dessa lógica que a Kanbaru alcançou depois da conversa com o Kaiki, achei interessante que a Rouka disse: “Querida, pfvr, tá achando que ELE não sabia? Ele sempre soube que eu estava coletando as partes do demônio”. Esse hábito do Kaiki de nunca se enolver demais/ficar sendo só intermediário.

Marcela: Calma lá que se a gente começar a digressar sobre o Kaiki de novo o pessoal vai bater na gente. Então, vamos pra Rouka… Não sei, Hanamonogatari parece que não é uma narrativa “normal”. Por exemplo, nas outras histórias em geral você tem alguma coisa ruim ou algum vilão decisivo. Bakemonogatari é que mostra isso de maneira mais clara porque cada garota tem uma kaii que meio que precisa “derrotar”, a estrutura de cada história é bem mais simples, direta e comum. Hana dá uma sensação diferente, uma narrativa muito mais complexa do que aparenta ser. Isso nós vamos percebendo nas ações da Rouka até agora, completamente inconclusivas e sem uma justificativa que dê pra definir ela como vilã.

Raigho: NÃO SEI NEM se podemos chamá-la de “vilã”, me parece mais que as ~circunstâncias~ levaram ela a adotar essa medida peculiar. Se BEM QUE, toda a Second Season é uma quebra da narrativa… Digo, são as GAROTAS, é um feeling mais particular, mudança de pontos de vista, etc. E Hana [sempre reiterando] é mais “distante” das histórias, podemos até dizer que todo o “vácuo” entre os acontecimentos da Second Season e de Hana são explicados na Third Season; os personagens no geral amadureceram bastante! Por bem ou por mal, mas algum desenvolvimento eles tiveram. Eu acho a Rouka uma personagem até “neutra” em uma escala de “bem ou mal”. E PIADINHA COM: Rolou basquete melhor que Kuroko e Slam Dunk junto. … Perdão.

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Marcela: Foi basicamente um Kuroko, só que sem homens gays e sim lésbicas. Piadas a parte, isso que você falou de ser distante tem bem razão. Até agora tivemos poucos personagens conhecidos aparecendo e a história em si parece ser um vácuo: vazia. Tem gente que comenta que Hanamonogatari é a novel mais chata da Second Season; pelo contrário, acho uma das melhores e mais complexas justamente por essa neutralidade da Rouka. E que, por vezes parece até ser a vítima da história, né?

Raigho: Na verdade, eu carrego no coração as sábias palavras ditas no começo de Bake: “Essa é uma história de garotas encontrando kaiis e de Kaiis encontrando garotas”, tem um valor ambíguo a narrativa. Se pegarmos a Gahara [pra não dizer que a gente só tem predileção pela outra] com o caranguejo: ela ficou “”””””””livre“”””””””” do peso, mas se sentia vazia por causa disso. Monogatari EM SI tem muito isso de “vítima”, de valores que acabam sendo invertidos/trocados, a Nadeko que o diga!

Marcela: Ó DEUSA NADEKO, ABENÇOADA SEJA!

Raigho: A Rouka acabou sendo levada pela situação até o ponto N. É bacana notar que a Kanbaru/Rouka tem uma “conversa sincera”, a Rouka até brinca “Se eu desejasse ao demônio ser mais alta…. Mataria as pessoas mais baixas” < ela sabe com o que está mexendo.

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Marcela: Sabe com o que está mexendo e sabe como mexer: as duas conversarem primeiramente através do basquete é muito legal. Nós dois sedentários não temos muita noção disso, mas existem pessoas que se comunicam mais pela maneira que lutam/jogam algum esporte do que falando. Deu pra sentir as faíscas dos sentimentos das duas naquilo que podemos chamar de “prólogo” da conversa. Mesmo quando tão deitadas lá tem um sentimento de tensão muito grande no ar, parece pesado, difícil de respirar. Como aqueles papéis grudados no apartamento da Gahara: “só precisa de uma faísca pra começar um incêndio”. Essa faísca digamos que foi a pergunta da Kanbaru… O que a Jogadora Rouka fez nos últimos três anos coletando desgraça.

Raigho: Sim, era um trato: ela explicaria como obteve o braço do demônio e a Rouka responderia contando SUA própria história… o que nos leva ao momento TENSÃO SEXUAL a Rouka é meio bissexual né? ATENTANDO para o fato da cena parecer quase um motel, onde a Kanbaru “segura” o chão e parece um lençol. Desculpa, foi muita emoção.

Marcela: Relaxa, eu fiquei assim também…

Raigho: A gente precisa conversar no PVT sobre sua fixação com a Sinon e isso.

Marcela: Cara, tô chegando na conclusão de que não é a personagem, mas é a a dubladora delas. A dubladora da Kanbaru é a mesma da Sinon (Miyuki Sawashiro), e eu tenho uma tara muito grande pela voz dela. Fiquei mó na expectativa dessa cena das duas… Até as sombras, se você olhar bem, quando vão se juntando parecem posições sexuais! ALIÁS, eu achava que Hana era uma história de amor entre a Kanbaru e a Rouka- /foge

Raigho: Eu poderia falar sobre isso, só que meio… Spoiler da Opening que AUSPICIOSAMENTE só aparece no ultimo episódio. Enfim, é foda, a vida da Rouka/Hospital toda aquela montanha-russa. A Rouka diz: “eu nasci abençoada com as minhas habilidades, sendo ágil, sendo veloz, por que eu não poderia ser como os outros?” < nessa cena aparece um balão vermelho subindo e vários outros descendo, como se ela se sobressaisse aos outros, involuntariamente. Tudo isso com a Kanbaru em silêncio. Elas passeando, conversando até na bendita escada em espiral…

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Marcela: P-pera, já acabamos de falar da cena do beijo? E-eu tava meio ansiosa por isso… ;A; T-tá bom, tá bom, bora falar da historinha lá… A escada em espiral é um simbolismo bem claro da espiral de autodestruição da Rouka, dá pra notar bem. Além disso, a discussão sobre talento é sempre algo relevante que até outros animes falam a respeito, como Sakurasou no Pet na Kanojo. De certa forma apresenta o quão os seres humanos conseguem ser egoístas e egocêntricos; mesmo que uma pessoa tenha uma característica vantajosa que deixe ela feliz, sempre vai ter alguém com inveja disso – no final, talento traz mais desgraça do que alivia elas. Rouka era tão talentosa que se enjoou do futebol, foi pro basquete… E teve o que ela chamou de “punição divina”. Tão talentosa que acabou desdenhando de todo mundo indiretamente e perdeu toda sua capacidade nos pés que tanto era admirada e invejada.

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Raigho: “Fratura por causa do estresse”, o que vai, voltar. Ela nunca viu o basquete como… sei lá, a Kanbaru vê! Era só um passatempo bacaninha dela, só que para ela a importância do basquete [muito maior do que a do futebol para ela] ficou bastante clara após ter perdido essa habilidade, ela precisou perder algo, para notar importância desse “algo”. A vida normalmente não é assim? Só se dá valor quando se perde? O clichê dos clichês. E aparece no ~powerpoint~ “pessoas como eu normalmente acabam dessa forma”, o cenário da piscina, as bolas de basquete quase paradas/com pouca cor.

Marcela: Depressão de uma forma geral. E o quanto nós as vezes damos valor a algo, e o quanto isso pode ser perigoso. Pessoas que vivem em função do seu talento, sem abrir os olhos pra outras possibilidades, não percebem que sempre há chance de algo atrapalhar isso: fraturas, machucados, lesões. E aí deprimem-se de forma absurda… Sei que tu não lê Game of Thrones nem vê a série, mas o Jamie Lannister foi um bom exemplo de como você não pode girar a sua vida em torno de uma coisa só – spoilers a parte. E não precisa nem ser obra de ficção: cantores, jogadores de futebol e músicos estão todos aí.

Raigho: Não lê < tenho até 2 versões da Dança dos Dragões porque na época da pré-venda a primeira edição da Leya veio sem um capítulo, por favor. Pessoas “com um alto nível de genialidade” tendem a ter um fim trágico, de certa forma; eu acho foda porque quando a Rouka diz “foi isso que começou o meu hobby doentio”… foi porque uma amiga dela, que tava ferrada nos problemas foi conversar com ela. NÃO POR SER AMIGA, até porque o pessoal já a tinha esquecido, mas… porque a Rouka tava mais FERRADA do que ela mesma. Juro que nunca fiz isso, mas tem que ser muito baixo para fazer esse tipo de coisa.

Marcela: Não é exatamente ser baixo, Raigho… Tem dois casos pra isso: pessoas egocêntricas que só ficam satisfeitas tendo pessoas inferiores a elas ou pessoas com autoestima tão baixa que também só querem pessoas inferiores. É o famoso “pelo menos tem alguém pior que eu”. Nós temos a capacidade de sentir pena dos outros, mas uma pena muito seletiva que só serve pra quem tá sofrendo mais ainda que a gente. E isso foi o que essa “amiga” da Rouka fez: “ah, ela tá mais fodida que eu, pobrezinha.” >sentiu pena >foi pedir ajuda porque justamente a Rouka tava tão fodida que não menosprezaria a garota.

Raigho: Mas eu acho… complicado. “Complicado”. As vezes você desabafa com um colega talz, mas procurar alguém PROPOSITALMENTE em uma situação pior que a sua, isso eu acho foda. Mas como a Rouka disse: “eram besteiras, problemas idiotas e triviais”. Conforme a Rouka diz que ela sentiiu um sincero prazer na desgraça dela, várias imagens passam ao fundo: da seca [SÃO PAULO MANDANDO ABRAÇO], de guerras, da fome… tudo isso gera um prazer inenarrável para alguém que está no fundo do poço. É quase um “jogo do contente” mais extremo, o termo exato é “schadenfreude”, prazer nos problemas dos outros.

Marcela: Uh, aprendeu alemão foi? Chamo isso de sadismo mesmo.

Raigho: “Schadenfreude” seria “escárnio” para nós, mas têm sentidos diferentes, então não vale.

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Marcela: Tá na moda aprender alemão, te entendo. Bom, você pode falar que fazer isso é foda, de procurar alguém pior, mas com certeza faz sem nem perceber. Deixa eu ver… Colocando figurativamente, é como se você usasse a desgraça dos outros pra construir uma escada ilusória, dando a ideia de que você cresceu – bem a lógica da pata do macaco, né não? Ao invés de melhorar a si próprio, você apenas diminui os outros. A Rouka É o Rainy Devil, a pata do macaco, aquela que não realiza seus desejos melhorando a si mesma, mas procurando gente pior pra que ela pareça estar por cima. Um exemplo da minha vida cotidiana: quando a gente tá comparando nota de vestibular e coisa do gênero, é muito mais gostoso procurar notas baixas porque assim a nossa nota parece ainda mais alta. Uma falsa sensação de superioridade…

Raigho: Eu não vou ser hipócrita, isso acontece mesmo. Ok, sim, nós procuramos alguém pior pra ver se a situação melhora, de fato. Eu fiz isso, você, todo mundo em algum ponto já fez… mas não sei, procurar alguém tão deliberadamente, as vezes fazemos isso meio que “naturalmente”… argh, não sei. É difícil dizer algo sobre isso. E a Rouka respondeu pra menina: “eu resolvo seus problemas” < o tempo NATURALMENTE resolve as coisas, ainda mais bobagens como a da menina! A Rouka percebeu o quão psicológico era isso, daí começou esse hábitozinho sadio dela. Ela ficou feliz com as desgraças da menina, a menina ficou satisfeita com a resolução. Uma mão lavou a outra.

Marcela: Por isso ela é tão neutra e tão… Anti-vilã. Estamos comentando isso desde o primeiro Zenmanal de Hanamonogatari, mas é um ponto muito importante porque afeta até demais a maneira que a Kanbaru pensa a respeito e depois irá considerar pra resolver o problema. No entanto, a situação acaba mudando mais um pouco quando ela transforma essas desgraças em algo físico… E começa a coletar partes de demônio.

Raigho: Hahaha, eu acho engraçado porque o Nisio faz com que os personagens quebrem a quarta-parede em certas ocasiões! Esse final da história com a Kanbaru dizendo: “Cristo, que historinha mais longa, não acabava mais” < isso com certeza é uma piada maior dele. E levando ao outro “monólogo” mais deep, que é a real história, onde a Kanbaru finalmente descobre o porquê da Rouka ~colecionar~ partes do demônio.

Marcela: Que vamos comentar na próxima semana (espero), porque esse Zenmanal tá longo e não acaba mais. Até semana que vem (espero muito)!

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One thought on “Comentários Zenmanais [Edição Flor] #03 – “Schadenfreude”

  1. Pra mim, hanamonogatari foi o mais fraco ate agora, porque basicamente foram 1h de nada. (Teve o kaiki mas eu não me importo com ele)
    Pra mim, hana foi como um filme do naruto. Tem um cara que apareceu do nada e tem um poder foda e tals, e ai ele quer tocar o terror porque ele foi injustiçado e tals, ai enfrenta o protagonista e tals, o protagonista simpatiza com o carinha e tals, maz o carinha e muito revolts e quer ser foda e no fim, o carinha morre e o protagonista olha pro ceu e diz ”eu nunca voy esquecer de voce e vou virar hoka…”
    Ah, e pra mim, hana não me mostrou um crescimento ou um lado diferente da kanbaru.
    E o antigo mais fraco foi neko kuro, porque fora o final e as partes de comedia, não acrescentava nada de novo

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