Swan Song – “O último grande ato”

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E ao que parece, na igreja onde estava nevando, eles se encontraram…

Perdão pela falta de reviews, mas depois de zerar Fate/Stay Night [que ainda vou comentar por aqui, só que de uma forma mais especial] resolvi pegar uma obra bastante… Comentada. Particularmente gosto de ler coisas que envolvam sofrimento/tragédia, então foi quase natural eu ter esbarrado com Swan Song na internet alheia; não é uma obra longa [em torno de 25h no máximo], têm muitas discussões morais e… Vamos começar logo esse review.

A Canção do Cisne

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“Eu caminhei por diversos prédios em chamas. O interior deles estava ardendo, era possível notar as línguas de fogo saindo pelas janelas. Uma fumaça negra se erguia de seus interiores, liberando um odor desagradável. Normalmente, em frente a esses prédios era possível notar um morador com seu pijama, observando a cena de forma distraída.”

Ressaltando que Swan Song tem ~certo conteúdo sensível~ como estupro, cenas grotescas e bastante morte em geral, caso alguém não goste, está avisado! Bem, na própria OP da VN estão aqueles dizeres que coloquei no inicio deste post, sob a neve, sob a calamidade que os atingiu eles se encontraram. Era uma véspera de natal, poucos minutos antes do dia 25 de dezembro quando… O mundo acabou. Ou melhor, quando um terremoto de magnitude inigualável atingiu o Japão! Nesse exato ponto, um dos protagonistas [Tsukasa] desperta no meio da rua e se depara com uma destruição indescritível. Caminhando quase entorpecido, os eventos acontecem rapidamente, quando ele percebe está ajudando uma garota autista [Aroe]. Ambos encontram uma igreja e, nesse local, ao lado de outros 4 estranhos, formam um laço decisivo nesse primeiro grande ato da história deles.

Essa é a premissa básica do enredo, ao todo 6 estranhos vão formar uma espécie de laço único por terem sido os poucos sobreviventes e precisarão encarar esse mundo apocalíptico.  A introdução, o sentimento inicial é algo fundamental para você sentir empatia pela situação/personagens que ali se encontram, nesse aspecto a história consegue se sobressair de modo formidável; todos presentes na capela estão aturdidos, sem saber qual é a causa do terremoto ou se mais pessoas sobreviveram. A partir desse ponto [e ao longo do jogo] teremos diversos pontos de vista intercalados entre os 5 [ou seriam 6?] protagonista: Aroe, Tsukasa, Tanomura, Takuma, Yuka e Hibari.

Acho bastante verídico porque todos presentes são jovens [em torno de 17-23 anos] sem saber como lidar com a catástrofe, só no dia seguinte, quando tudo amanhece é que o real grau daquele terremoto acaba sendo revelado e, de fato, é chocante aterrador tanto para eles quanto para o leitor. Algo notável [e que a VN abusa bastante, em um ótimo sentido] são os cenários! Os prédios destroçados, as ruas que não existem mais, novos panoramas que surgiram, metade da cidade submersa! Tudo em prol do leitor, para que ele compreenda o grau daquela calamidade e se sinta tão desolado quanto os protagonistas; não serão poucas as vezes onde sequer teremos música, apenas os personagens caminhando por todo o vasto branco que tomou conta da região.

Ah, pessoal...

Ah, pessoal…

Existem algumas características que fazem da obra em questão algo ímpar dentre tantas outras, mas a principal dela é a verossimilhança com a realidade da situação. Digamos que eles estejam caminhando pela neve, encontram uma criança soterrada, a primeira ação deles é tentar ajudá-la, mas isso é um ato inútil pois ela está praticamente morta; esse exemplo que mencionei é um pequeno grão das primeiras horas em que os personagens precisam se adaptar rapidamente ao novo cenário. O enredo é bastante depressivo, por mais que alguém deseje ajudar ao próximo, sua própria sobrevivência pesa nessa nova balança onde valores morais não são tão importantes… E vai depender da escolha de cada um deles salvar alguém ou se salvar. E nesse aspecto, garanto que a VN consegue ser soberba.

Os protagonistas são bastante distintos, o ex-pianista [Tsukasa] é alguém aparentemente insensível, o sorridente [Tanomura] é quem mais consegue alegrar aos jovens, a irritadiça [Hibari] com sua inocência só deseja que os velhos dias retornem, o introvertido [Takuma] carrega pensamentos obscuros sobre como lidar com essa situação, a tímida [Yuka] revela ser bastante complexa e, por fim, a distraída mocinha autista [Aroe] revela ser uma grata surpresa. Eles são estranhos, diferente, carregam desejos, vontades mas, acima de tudo, carregam a vontade de sobreviver. Alguns momentos emocionantes aguardam todos eles, que no começo do jogo, sorriam e estavam felizes pela própria sobrevivência… no fim talvez se arrependam de estarem vivos. Talvez.

Algo que mencionei mais acima mas não falei muito sobre é o fato de boa parte do jogo ser ~silencioso~, quando digo isso é que muitas vezes só se escuta o som da nevasca e passos hesitantes. Quando entra a OST são em momentos dramáticos ou nos momentos de ação, onde eles precisam tomar ações rápidas para sobreviver! Acredito eu que o exemplo máximo de OST dramática em Swan Song seja a “Last Swan”… garanto, com muita certeza, que lágrimas serão derramadas quando ouvirem essa canção no ponto alto da narrativa. Entre tantos detalhes com as músicas, com o cenário em si, o desenvolvimento da história não poderia ficar em segundo plano!

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“Eles devem imaginar que sou apenas um cádaver por estar aqui jogado no chão, ninguém sequer olha para mim”.

Naturalmente o grupo encontra outros sobreviventes formando uma comunidade maior, o que vai acarretar ainda mais conflitos. São idosos, crianças, adultos, adolescentes, senhoras… Todo o tipo de pessoa sobreviveu além dos protagonistas e nem todos são amistosos. É preciso levar em consideração que a situação em si faz com que os ânimos fiquem acirrados, poucos alimentos, pessoas demais, os consequentes furtos começam, desconfianças, traições. A evolução, ou melhor, a degradação humana acaba sendo o ponto alto da história; as pessoas perderam valores, perderam noções de “bom-senso” e só desejam sobreviver, os instintos mais animalescos que alguém carrega imperam nesse momento.

Um dos principais conflitos acaba sendo religioso! Existem outras comunidades de fieis, as pessoas muitas vezes tornam-se intolerantes nesse sentido e… Bom, não é difícil prever que uma catástrofe nessa situação é extremamente possível; outro ponto que ressalto é a discussão sobre “moral”, quem somos nós para matar um outro alguém? Mesmo se ele for um estuprador? E a consciência vale de algo nesse instante? Podemos mesmo matar alguém sem ter a autoridade [que nem existe mais nesse ponto] necessária? Uma frase incrível acaba sendo resumo dessa situação, existe um grupo de médicos e o chefe deles diz: “Antes de sermos humanos, pessoas com sentimentos, somos médicos”. Sacrifique o que está por morrer para salvar aquele que realmente tem chance.

Não sei se todos conhecem [mas acaba sendo mencionado brevemente no jogo mesmo] o significado da expressão “canção do cisne”, acredita-se que o cisne “cante uma linda e fúnebre canção” antes de morrer. Nós sabemos que isso é falso, mas a ideia contida ali é a de que: “ao final da vida, todos executamos um grande ato final, uma ação final”; essa também acaba sendo a ideia central da história, o último ato que eles precisarão fazer poderá ser em vão, é verdade, mas não deixa de ser o mais decisivo dos atos.

As cortinas se fecham

Em alguns aspectos Swan Song me agradou bastante, digo, fazer eu ficar com tanto ódio de um personagem em especial como o dessa história é foi formidável. Mas ele acaba pecando um pouco, alguns personagens não são tão desenvolvidos quanto eu esperava, certas situações são corridas e se compararmos o normal ending com o good ending, fica claro que a alma da história concentra-se respectivamente no primeiro; não sei afirmar se é memorável ou não, mas creio que isso não importe, o que vale é a forma como a canção do cisne se expressa ao fim.

Garanto que será recompensador. Prometo.

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7 thoughts on “Swan Song – “O último grande ato”

  1. Realmente, o que me fez pegar Swan Song pra jogar tão rápido quanto a tradução pro inglês saiu, na metade de 2010 (?), foram os gráficos: tem uma boa quantidade de CG’s e lindas imagens de destruição. Cidades alagadas, casas destruídas, pessoas congeladas, cadáveres sangrentos, e tudo mais, por mais que a falta do BGM, por mais entendível que fosse, tenha me deixado muitas vezes com sono, a boa qualidade do material gráfico me fez persistir e fechar o jogo — fechei no final normal mesmo e, sinceramente, não me interessei muito pelo outro.

    No mais, não é algo que eu me liguei tão cedo, na verdade eu meio que comecei a pensar sobre isso agora, mas, seria o título do jogo uma referência a Franz Schubert? Sei lá, analisando pelo que eu me lembro, o Tsukasa meio que tem algumas coisas em comum com os músicos da época do Schubert; incluindo o aspecto da automutilação.

    Enfim, eu daria uma nota sete pra Swan Song; Kana Little Sister e Gin’iro, a meu ver, continuam sendo superiores nesta linha de gênero, e na linha dos mais tradicionais, To The Moon vai ser sempre o meu favorito.

    E, é claro, não tem como não se emocionar com o BGM Last Swan; aquela cena… Memorável.

    Até.

    • Ah, olá, Ryo!

      Sim sim, O Tsukasa é um ex-pianista [até porque depois de tudo…], possivelmente estamos identificando uma referência MESMO. Foi a primeira vez que joguei uma VN mais “dramática” ao estilo de Swan Song, achei que faltou certo desenvolvimento em alguns personagens, mas nada que danifique completamente a imagem do jogo.

      E particularmente acho o final sensacional, não sei, foi a cereja do bolo.

      Trarei mais reviews [além dos que já escrevi], espero vê-lo comentando mais vezes!

      • Entendo. Bem, se for mesmo uma referência o jogo vai ganhar alguns pontos comigo; não sou um pseudointelectual que leu tudo de Shakespeare e gosta de música clássica, mas tenho minhas quedas por algumas boas peças dramáticas e óperas bem escritas.

        E sim, também senti a falta de um melhor desenvolvimento de alguns personagens, mas só fui me tocar disso um pouco depois de fechar o jogo (talvez porque, sei lá, eu estava ocupado demais odiando o Kuwagata); no geral achei o jogo muito bom.

        Vou ficar aguardando os próximos textos então, e vou tentar ser mais assíduo nos comentários; falar que nunca tinha entrado no site antes é mentira, mas no geral quase nunca tenho tempo pra fazer mais do que passar os olhos por cima do texto; ultimamente tenho tido mais tempo livre, então vou passar por aqui mais vezes.

        Até.

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