Papo Gatari #11 – Entrevista com meg rock, a musa por trás das canções de Monogatari! [Pt.2 – fim]

PapoGatari!

It’s me, Raigho!A Marcela trouxe a primeira parte, agora eu trago a segunda~

Imagino que tenham se deliciado com o ~SAOmanal~ dessa semana, então vamos finalizar essa incrível entrevista! AGRADECENDO INTENSAMENTE ao Alan pela formidável tradução feita para nós com todo carinho e amor ❤ A Parte 1 está ótima, caso não tenham lido por motivos místicos, é uma boa fazer isso agora.

Entrevista – meg rock/Nisio Isin – Final

(…)

Nisio: (risos). Voltando um pouco para as músicas da Hanekawa, as letras das músicas dela realmente refletiam muito bem o que ela sentia e o que havia mudado dentro dela.

meg rock: Muito obrigado. Para Bakemonogatari eu estava escrevendo a letra dela sem ter lido Kizumonogatari. Só que uma certa pessoa me disse que “não, você tem que saber o conteúdo de Kizumonogatari”. Como a história de Kizumonogatari se passa antes de Bakemonogatari eu resolvi ler e quando percebi todo o pano de fundo de Bakemonogatari havia mudado. Lembro que fiquei arrependida quando me toquei que estava para escrever sem ter lido Kizumonogatari.

Nisio: Afinal de contas, a Hanekawa em Kizumonogatari é bem forte. A sensação que ela passa também é diferente, então a maneira de ver a relação do Araragi-kun com a Hanekawa muda bastante se a pessoa leu ou não Kizumonogatari.

meg rock: Sim, tem momentos em que você fica muito irada com o Araragi-kun (risos).

Nisio: Sim, sim. Você fica pensando “Por quê!?”.

meg rock: Não achou isso quando escrevia?

Nisio: … Achei sim (risos).

meg rock: Algo como “Porque eu escrevi isso!?” (risos)

Nisio: Bem, enquanto eu escrevia, a Hanekawa acabou se tornando uma personagem bem desenvolvida. O charme dela como personagem acabou sendo tão forte que fazia o Araragi-kun parecer um cara terrível. Por isso que teve Nekomonogatari Shiro, senti que “realmente precisava escrever direito sobre a relação do Araragi-kun e da Hanekawa”. Esse estilo de dar uma resposta no próximo volume em relação ao que você já escreveu é bem comum entre criadores. A meg rock-san também tem algo do tipo? Porque você fez um trabalho X no próximo você faria algo no estilo Y, por exemplo.

meg rock: Sim! Não só com aquelas 3 músicas da Tsubasa, mas usar várias músicas para desenvolver algo. Embora eu faça mais isso com músicas próprias do que músicas para outros fins. Em Monogatari Series tinha ouvido dizer no começo que as cinco músicas iriam ser lançadas como especiais dos BDs/DVDs. Isso quer dizer que quem vai ouvir essas músicas são pessoas que tem contato com Monogatari Series. Por isso que foi a primeira vez que escrevi letras especificamente para essa história.

Nisio: Antes disso você usava outro tipo de abordagem?

meg rock: Por exemplo, em uma música tema de alguma obra é preciso considerar a obra em si, assim como o próprio canto parar criar uma música que represente o conjunto inteiro. Em Bakemonogatari decidi me focar somente na obra em si.

Nisio: Por isso que as letras possuíam com um forte foco na personalidade de cada personagem.

meg rock: Sim. Isso era algo que não poderia deixar de considerar! Até por isso que tem o nome da Nadeko na letra de Ren’ai Circulation. Conseguir fazer aquilo porque tinha essa direção estabelecida. Só que como a recepção das músicas de Bakemonogatari foi bem positiva, a partir de Nisemonogatari eu decidi fazer com que as músicas não só fossem músicas tema de Monogatari Series, mas também tivessem uma identidade própria. Tomei cuidado para que elas não fossem restringidas demais nesse sentido.

Nisio: O fato de que você conseguiu fazer isso aliando com a característica de cada personagem é algo incrível.

meg rock: Não, não, nem sei se consegui representar isso direito…

Nisio: Conseguiu sim, ficou maravilhoso.

A diferença entre novels e letras de música que manipulam palavras.

– meg rock-san, como alguém que trabalha usando palavras, qual a sensação que você tem das obras do Nisio-san?

meg rock: O ritmo das conversas é incrível. Quando comecei a ler Bakemonogatari pensei que era “um estilo bem único” e quando percebi estava completamente imersa na história. Como posso dizer, tem uma grande quantidade de letras, mas você não sente isso. Achei incrível como mesmo numa conversa qualquer havia um bom ritmo de velocidade. É muito divertido como cada frase dita é usada como base para outro jogo de palavras logo em seguida.

Nisio: Mesmo eu que escrevo acho isso divertido. Me sinto bem quando a conversa se conecta. Por isso que acaba ficando longo.

meg rock: Mas esse que é um dos pontos fortes de Monogatari Series.

Nisio: Mesmo que usemos palavras, acho que é muito diferente escrever uma novel ou uma letra de música. É por isso que hoje pensei em perguntar sobre esse trabalho que é próximo, mas diferente do meu, mas… acho que perguntei demais (risos).

meg rock: Não foi nada demais. Só que ouvindo isso me fez relembrar como escrever uma letra de música tem várias restrições como a quantidade de palavras, melodia e a entonação por exemplo. Ainda assim, é recompensador ver o que é possível colocar dentro dessas restrições e no fim quando tudo combina certo surge um belo efeito de sinergia. Acredito que essa seja a principal diferença.

Nisio: Isso quer dizer que você precisa mostrar o máximo mesmo com várias restrições impostas. Uma novel que eu gastei muito tempo pode ser resumida em um minuto e meio, então eu sei que ser longo não é exatamente algo bom…

meg rock: Mas se eu consigo comprimir uma novel em uma letra de música, isso é porque tem muitas conversas que me dão importantes dicas. Como poderia dizer, porque a obra original está ali, porque os personagens existem nessa obra que eu consigo escrever. Quando vou escrever do zero, preciso pensar no protagonista, no mundo e nos detalhes da música, preciso pensar em tudo mesmo, mas com personagens que já existem nos livros meu trabalho seria de como fazer a abordagem sobre eles. Nesse ponto, eu preciso colocar o meu ponto de vista sobre as personagens e acabo ficando preocupada se eu estaria errada ou não. Porém, como tem muitas conversas acumuladas até agora, eu me sinto menos perdida ultimamente.

Nisio: Poder ouvir isso me deixa mais relaxado por ter escrito livros longos demais (risos). Estou ansioso para as músicas tema de Koimonogatari.

meg rock: Aproveitando essa ocasião queria perguntar sobre a Hitagi e o Kaiki. Queria perguntar em detalhes o passado dos dois, mas pode ser qualquer coisa que o Nisio-san já tenha certeza!

Nisio: Na verdade eu até tenho vontade em escrever sobre isso. Sobre a época em que a Senjougahara e o Kaiki estavam juntos. Enquanto acompanhava o afureko o romance… Que não existia, mas sim a relação complexa entre os dois poderia dar em uma história bem divertida. Isso seria como um Kizumonogatari da Senjougahara.

– Como fã, isso é muito interessante. Até aqui tem muita coisa que ainda é um mistério.

Nisio: Acredito que valeria a pena escrever com detalhes. Que tipo de homem era o Kaiki Deishuu quando encontrou com a Senjougahara que estava passando por momentos dolorosos. Embora tenha havido a separação entre eles, não poderia ter havido algo bom ali? É esse tipo de história que queria escrever. Isso realmente é algo que o anime me estimula a fazer. Por isso que queria mais um pouco de força que pode ser dada pelas letras das músicas da meg rock-san.

meg rock: Ehh!? Eu só fico imaginando o que pode ter acontecido entre os dois pelas dicas dadas nas conversas entre eles…

Nisio: É exatamente isso, essa “imaginação” que eu quero (risos). Monogatari Second Season está para acabar, mas Hanamonogatari que serve como um ponto de transição ainda está por vir. Por exemplo, mal posso esperar poder ouvir uma música da Kanbaru desse volume.


Nisio Isin – Escritor. Sua primeira obra foi Kubikiri Cycle, obra vencedora do 23o prêmio Mephisto. Sua obra mais famosa é a primeira sendo conhecida como Zaregoto Series.

meg rock – Cantora e song writer. Sua principal atividade é com cantora solo, mas também faz trabalhos para outros artistas. Sua mais nova música é “slight fever”. Em 29 de dezembro ela fará um show solo em O-Crest de Shibuya.

Então é isso, esperamos que tenham adorado essa entrevista, Monogatari não pode parar nunca! 

Até a próxima~

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3 thoughts on “Papo Gatari #11 – Entrevista com meg rock, a musa por trás das canções de Monogatari! [Pt.2 – fim]

  1. Muito boa a entrevista, obrigado por disponibilizar o material para a plebe.
    E novamente eu me surpreendo com a humildade e normalidade do Nisio. Não sei pq, as minha imagem mental dele é meio a de um gênio que beira a divinidade, algo quase secular. Mas é lendo essas entrevistas que eu percebo como ele manifesta essa genialidade. É algo muito mais discreto, quase casual da parte dele.
    E o Nisio sempre me passa a impressão de que não é só um cara escrevendo as histórias que quiser, as personagens dele tem vida própria. As histórias dele não soam como algo forçado e diálogos escolhidos por ele, parece que ele incarna os personagens e escreve as falas baseado no que eles pensariam e como agiriam. Isso é algo normal na literatura, de certa forma, mas a maneira como o Nisio consegue escrever algo “só pra ele” como Nise, sem abrir mão do livre arbítrio das personagens é o que realmente me fascina.
    Como poeta (eu escrevo as letras de uma banda de death metal,as ainda conta como poesia), entendo esse lado da Meg, ao mesmo tempo que o invejo de certa forma. A liberdade que ela tem, mesmo ao escrever algo encomendado e com tema restrito, é grande.
    Acho que a maior glória da Meg é conseguir expressar de forma tão plena os sentimentos dos personagens no determinado arco, e as ops sempre ajudam bastante a se entrar ainda mais na obra.
    Ela pode expressar até os sentimentos que as personagens são incapazes de expressar, e eu não estou falando só da Senjougahara de Bake.
    Palmas para os dois artistas, respeito eterno por ambos.

  2. Soou tão natural essa conversa… Nas entrevistas dos outros artistas que eu gosto, costumam dar respostas chatas e vagas ou codificadas e criptografadas para só o próprio artista entender. Palmas para Nisio e meg.

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