Tsukihime – “A primeira crônica da lua”

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Sim, segundo a Marcela eu vendi minha alma para visual novels.

Olá, pessoal!

Os 2 últimos meses na minha vida se basearam em visual novels, literalmente. Um novo mundo surgiu perante meus olhos, é como se a vida tivesse agraciado minha existência com uma mídia de valor superior! Exageros a parte, posso dizer com tranquilidade que é a minha maior descoberta nos últimos tempos… Por isso decidi que vou comentar minhas recentes leituras! Andei lendo algumas coisas, mas começarei pela mais recente [que eu finalizei ontem], o começo da lenda de Nasu e Takeuchi! Tsukihime!

A Lua Azul de Vidro, Sob o Céu Escarlate…

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Falar sobre Tsukihime é fundamentalmente discorrer sobre a origem da produtora Type-Moon; uma dupla de colegas, o Comiket, lançamento e voilà. Ocorreram diversas ~versões~ anteriores ao lançamento do jogo [que só foi acontecer no ano 2000], mas podemos afirmar que o nascimento da T-M foi mesmo naquele caloroso comiket 14 anos atrás! E foi algo bastante arrebatador por sinal, as pessoas ficaram mesmerizadas com a qualidade daquela narrativa, que se pararmos para pensar era bastante amadora; posso afirmar com certa propriedade que a narrativa do Nasu é mesmo algo bastante distinto, seja pelas descrições de cenário, diálogos ou… pela verborragia.

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Reforçando a ideia da “verborragia”.

Pode parecer exagero, mas essa é a síntese da escrita do Nasu. E talvez vocês se questionem o porquê de tamanha descrição, na realidade é bem simples, Tsukihime é um Doujinshi. Embora funcione sim como uma Visual Novel ela é bastante rústica nesse quesito, não temos vozes, são pouquíssimos sons, as CGs são relativamente bem desenhadas e temos apenas 10 OSTs [algo que para a época era notável]; essencialmente dependemos da narrativa e das cenas para sermos inseridos nesse novo mundo, nesse folclore que se expande por todo o Nasuverse. Mas falar dessa obra é um pouco mais trabalhoso do que só indicar a narrativa, precisamos também nos ater aos detalhes.

E o começo da história ocorre poucos instantes depois de você iniciar a VN, sem tela de opções ou afins, só temos um local, uma floresta obscura, o garoto que caminha solitário e a lua sendo testemunha da chacina que estava prestes a ocorrer. O garoto em questão estava prestes a perder sua identidade, sua vida… Quando ele retornasse dos mortos seria conhecido como Tohno Shiki. É um pouco complexo explicar a história sem dar spoilers, mas falarei melhor disso abaixo. Não existem palavras que possam descrever o terror daquele momento inicial, só então eu entendi a beleza dessa história e fiquei surpreso com tudo o que estava por vir.  Parece bobagem, mas fiquei sinceramente arrepiado com alguns trechos ao longo do enredo, mas para falar disso com maior propriedade é hora de apresentá-las! As rotas e suas heroínas.

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A distinção é simples, temos 2 definições: “Near-side Of The Moon” é parte da história voltada para os vampiros, uma narrativa mais feroz, didática, com diversas explicações sobre o certas noções que serão aplicadas em outras rotas, nesse lado da lua temos a lendária vampira Arcueid Brunestud caçando seus semelhantes, além dela, temos a inigualável Ciel! Ambas compõem a parte mais essencial do enredo, com diversos embates e lutas memoráveis! E um pouco mais longe da lua o intitulado “Far-side Of The Moon” é sobre a família Tohno e os segredos hediondos que estão enterrados com eles, a origem do sangue “monstruoso” e o Crimson Red Vermillion; nesse lado da narrativa temos a mimada Tohno Akiha e as empregadas Hisui-Kohaku, digamos que esse é o ponto alto do sofrimento.

Muito mais do que rotas ou heroínas é a forma como o Nasu altera completamente as “realidades” que torna tudo tão incrível, inimigos, amizades, definições sobre “quem é o verdadeiro inimigo” tudo isso é bastante distinto nos ~dois lados da lua~. No Near-side of the moon os embates são com os vampiros, aprendemos sobre a “visão” do Shiki com seus Olhos Místicos de Percepção de Morte e as linhas da morte que apenas ele consegue retalhar, somos apresentados à hierarquia dos vampiros, o funcionamento da relação Ancestral Verdadeiro-Apóstolo Morto, são os detalhes fascinantes desse novo folclore que causa um impacto indescritível. Sem falar na existência da Serpente

Ciel...

Ciel…

Pulando para o Far-side of the moon… Tudo se torna mais sofrido, mais dramático! A mansão Tohno é cercada de segredos, o retorno de Shiki ao seu antigo lar após anos sem contato acaba revelando memórias perdidas e pequenas ~insinuações~ sobre a real natureza de Tohno Shiki! Será que… Ele está enlouquecendo? Será que a própria realidade enlouqueceu? Cada questionamento é válido nessa nova dimensão. É gritante a diferença entre os lados da lua, ambos devem ser pensados e visto de forma diferente, digo mais, cada rota inclui sua própria realidade! Embora os lados estejam separados, as rotas se complementam, muitas vezes algo que ocorre no Far-side só começa a fazer sentido no Near-side e vice-versa; é sempre interessante manter o foco para não perder os detalhes.

Eu mencionei anteriormente que Tsukihime é bastante rústico em certos pontos, mas isso é se compararmos a uma visual novel mais atual! São poucas OSTs nessa obra, é verdade, mas a maioria é aplicada no momento oportuno criando um clima agradável, embora em muitas cenas não tenhamos absolutamente som nenhum. Mentira, tem apenas um som. Batimentos cardíacos. Exato, nos momentos de adrenalina ouvimos os batimentos cardíacos do Shiki, esse é o som mais notável de todos; outra diferença gigantesca é o character design, todos eles são simples mas “charmosos” ao meu ver.

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A Princesa da Lua…

Algo que acho o diferencial da obra em questão é o feeling “dark” nela, a narrativa é bastante carregada com cenas fortes, envolvendo sangue e sexo em alguns momentos, o sentimento de brutalidade permeia todo o enredo. Seja nas batalhas quando o Shiki ~retalha~ as linhas da morte, nos momentos em que ele comece a duvidar de sua própria sanidade mental, quando a Arcueid perde o controle de seus instintos… É brutal. A própria narrativa demonstra isso, realça isso. Muitas vezes sequer tem som nesses momentos, é apenas a escrita que consagrou o Nasu causando mal-estar proposital no leitor [falo por experiência própria, quase vomitei na rota da Hisui].

Realmente não consigo colocar em palavras o quão gratificante foi jogar/ler essa obra, existe algo de especial nela. E não digo isso apenas por adorar o Type-Moon, os personagens são memoráveis, a narrativa é soberba, o enredo é incrível! Sempre quis conhecer melhor as obras desse famigerado grupo, agora que tive a chance posso dizer sem receios que ela compensa sem dúvidas!

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Eclipse

Antes de encerrar, creio que alguns de vocês ouviram falar sobre o remake de Tsukihime! O T-M está trabalhando para reestruturar a obra original, afinal, ela é praticamente um livro; peço que não desistam por causa dessa notícia, quando essa nova versão for lançada ela será algo completamente diferente desse primeiro Tsukihime. Muito mais do que um remake, teremos rotas novas, OSTs novas e a própria narrativa vai funcionar mais ao estilo Visual Novel atual, essa obra é considerada algo longo [variando entre 30-50h para ser finalizada] mas digo com todo a certeza que cada minuto compensa, não esperem pelo remake.

E aos que se aventurarem pelas 5 rotas serão agraciados pelo “epílogo final” intitulado de Eclipse, mas não direi nada sobre ele.

É algo bastante especial.

Encerro então com o vídeo anunciando e mostrando um pouco do remake de Tsukihime!

Vida longa ao Nasuverso!

 

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25 thoughts on “Tsukihime – “A primeira crônica da lua”

  1. Tsukihime é meu queridinho da Type Moon, em quesito de enredo, achoo superior a Fate (é, mesmo que a Saber ainda seja minha adorada, um personagem só não basta para fazer a coisa toda boa, infelizmente.)
    Estou um tanto preocupado com essa coisa de remake, existe uma tendência a descaracterizar as coisas quando tentam refaze-las, e Tsukihime é tão bom!
    O jeito é aguardar e ver, até lá, quem quiser pode chorar de desespero vendo aquela tentativa de anime (recuso a dizer que Tsukihime tem adaptação para anime!).

    Das imagens do remake, achei todas muito boas, exceto a Arcueid. Sei lá, ela está com um ar jovial demais, não combina, mas talvez seja apenas uma impressão errada minha. Só espero que não mexam na Princesa da Lua, aquela aparência com os cabelos longos e o vestido, é perfeita! Outra de minhas queridas da Type Moon…

    • Grande Kajelani! É sempre um prazer ler seus comentários, joguei Tsukihime e preciso dizer que foi um primor de narrativa; agora sobre o remake eu já tenho um pouco mais de esperança! Digo, nós temos que pensar que Tsukihime foi essencialmente um Doujinshi feito lá em 2000, são 15 anos separando as obras! O remake e o original, se olharmos esse Character Design ele é extremamente semelhante ao traço mais atual [só olhar a capa de Fate/Stay Night Reálta Nua, o novo de PS Vita].

      Eu acho que será uma reinvenção dessa história, será uma propriamente dita VN. Até porque a rota da Yumizuka é praticamente confirmada, coisa que não existia no original, era bastante limitado se pensarmos bem… e é claro que Tsukihime não tem anime!

      PS: Planejo jogar Fate/Stay Night talvez até outubro, mas disseram mesmo que a narrativa não é tão boa.

      • Mal pela demora em responder, esses dias estão uma loucura, hehehehehehe…

        Espero apenas que não façam nada ruim com Tsukihime, esse remake pode ser o que faltava para uma nova adaptação (quem sabe depois desse, não façam um anime?), então estou empolgado, só não quero que estraguem o que já é bom.
        Uma rota da Yumizuka? Isso seria interessante, de verdade!
        Pode ser uma reinvenção, releitura, o que for, mas deixem a Princesa da Lua com aquela aparência lindona dela, sério, foi minha tela de fundo por muito tempo:

        http://x.bbs.sina.com.cn/forum/show_fpic.php?apid=forum&uid=1169142277&fpid=4213521&postfix=0&ptp=0

        • Sim, porque tinha um boato que na época de Tsukihime [do original] eles cortaram a rota da Yumizuka! Daí o Nasu de uma entrevista nova [acho que até tá na wikia] dizendo que sim, a Yumizuka finalmente teria uma rota.

      • Ah, e espero que tenha muita paciência com VNs se vai jogar Fate, é bem longa! A narrativa do Nasu ainda estava se desenvolvendo, mas acho que vale a pena para conhecer melhor o universo que ele criou.

        • ESTOU JOGANDO no momento! hahahaha! Por coincidência estou no 14º dia da Rota Fate! E não está sendo tão sofrível quanto eu imaginava; estou utilizando a versão “Réalta Nua” no caso.

          • Essa é a rota que menos gosto, ironicamente (considerando que é a rota da Saber). Espera chegar na Heaven’s Feel (nem tenha expectativas, é a última rota).
            A coisa vai ficar sofrível logo, acredite, acho que em especial na HF, que é a rota com mais acontecimentos, ai vai precisar de muita paciência, que vai ficar parecido com aquelas VNs antigas, mais texto que qualquer outra coisa, hehehehehehehe…

  2. No final dessas ferias foi o momento fatídico em que me encontrei com o mundo da visual novel pela primeira vez. Comecei por clannad e fate, os mais famosos que chegaram aos meus ouvidos e estou atualmente me dedicando a jogar steins gate. Agradeço a recomendação, planejo jogar tsukihime assim que acabar esse ultimo q estou jogando.

  3. Olá Raigho, muito boa mesmo essa sua review. Até eu que já joguei me deu vontade de jogar novamente só pela sua escrita. haha
    Descobri o seu blog num post de um grupo no facebook, vejo que foi um bom “achado”.
    Faço parte de um grupo que está traduzindo Tsukihime para o português brasileiro, se possível gostaria de sua divulgação quando terminarmos algum patch. Além disso sou dono de um blog que reúne as VNs (por enquanto não consegui incluir todas) traduzidas ou em tradução para português. E por último, estou “treinando” para ser desenhista nas poucas horas restantes do meu dia, quando der tempo vou tentar participar do Lápis Solto. haha

    • Oh, então seja bem-vindo! Quem escreve aqui por aqui somos eu [Raigho] e a fundadora do Blog, Marcela! Fico feliz que tenha gostado do review, o jogo foi mesmo algo sensacional do começo ao fim! Ah sim, divulgarei com prazer! Só me avisar e peço que volte mais vezes, qualquer coisa pode postar o link aqui nos comentários!

      Volte sempre~

      • Voltarei com certeza.
        Quais VNs você está jogando?
        Sabe me dizer se a Marcela vai voltar com o Lápis Solto? Último post que vi ali é do ano passado.

        • Acredito que ela tenha parado porque ninguém enviava mais desenho. Daí complicou a situação, estou jogando [comecei hoje] Kikokugai – the cyber slayer.

          Eu normalmente to no twitter comentando sobre elas meu user é @fenris_lupus, aparece por lá.

        • Sim, infelizmente pela falta de envios (começou bem, mas aos poucos as pessoas foram parando) assim como dificuldade em manter a regularidade por questões de estudo, acabei por largar. É mais complicado que manter um post escrito porque exige o trabalho de pensar no desenho e tentar efetivar ele. Pretendo retornar quando a rotina folgar mais, já que era muito divertido fazê-lo.

          • Hm… entendo a situação.
            Quando eu também tiver me acostumado com meus novos compromissos vou tentar enviar alguns desenhos pra vocês, seja em tema livre ou faço pensando nos anteriores mesmo. Mas não tenha pressa em voltar com o projeto, faça isso quando for melhor pra você mesmo (é claro).

  4. O Rukasu manda o link dessa postagem pra mim logo quando estou mais fudido sem tempo, esse maldito. Agora deu uma vontade loca de terminar as outras rotas, mas é foda com a facul comendo meus coros. Tinha decidido voltar a jogar só quando saisse o remake, mas do jeito que estou agora acho que não vou aguentar. Esse “eclipse” me deixou curioso pra porra, e coincidentemente, no CC também estaremos usando um “eclipse” para compilar arquivos. xP
    Rukasu, você me paga!

    • Bem-vindo, John! Vejo que o Rukasu conhece ótimas pessoas! E sim, recomendo FORTEMENTE você finalizar esse Tsukihime que conhecemos pelos seguintes fatores:

      1. É a origem do T-M, além disso, quando esse remake surgir [levando em conta que o Nasu anda descobrindo as maravilhas de Dark Souls] ele será uma reinvenção, uma propriamente dita VN! Nesse estado temos um doujinshi, algo bem mais voltado para a leitura.

      2. É ótimo! As rotas são boas e o ~eclipse~ seria o “epílogo final”.

      3. Ainda que saia a VN, eu pego Mahoyo [a mais recente VN do T-M, lançada em 2010] que até hoje não teve uma tradução para o inglês!

      Hahaha, enfim, jogue!

    • John, eu sei que você me ama. Tenho apenas uma coisa pra te responder:
      “Isso estava em meus cálculos.” (eltnam, sion)
      flw abraço ;run

      • Você é um desgraçado isso sim. Agora só achar em algum lugar pq não lembro onde coloquei. xP
        Já Mahoyo, fiquei no hype desde que descobri, tanto que já comenten algumas vezes com o Rukasu sobre ele e cara… é com a Aoko, uma das bests best girl da T-M, não tem como ficar sem vontade de jogar. E como você já falou, não existe, ou pelo menos não existia na época que procurei, patch para o inglês, e jogar só “pelas imagens” não compensa com VNs, já que as imagens não são tão interativas como é no caso dos mangás. Mas bem, jogar o tsuki, ou pelo menos tentar, se me restar algum tempo pq acompanho vários animes e mangás que exigem bastante dele e conforme for terminando as outras rotas(que não vai ser rápido) venho aqui deixar um comentário sobre o que achei de cada uma. xD

  5. Eu vi o anime de Tsukihime, achei excelente, quanto aos visual novel, você conhece algum VN bom que esteja em português?

  6. Também gostei bastante do VN Tsukihime. Quando comecei a jogar, de certa forma me senti incomodado pelos traços, mas logo acostumei. As rotas do Far Side sem dúvida foram as melhores, o plot twist das rotas Hisui e Kohaku foi incrível.

    Se o remake tiver rota da Satsuki com certeza jogarei.

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