Nagi no Asukara – “Assim como o mar…”

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Vamos sentar e ouvir a lenda do Deus do Mar.

Nagi no Asukara – Apresentação

Nagi no Asukara é uma produção original do estúdio P.A. Works, série escrita por Mari Okada [Ano Hana, WIXOSS] com o character design do artista Buriki [Haganai, Denpa Onna]. Foi ao ar entre outubro de 2013 – abril de 2014 com 26 episódios.

A obra também recebeu uma adaptação para o formato mangá na revista Dengeki Daioh, sua serialização ocorreu entre junho de 2013 – abril de 2014 e se encerrou com 2 volumes.

Nagi no Asukara – Enredo

Há incontáveis anos, a civilização humana vivia no mar. Entretanto, existiam certas pessoas que desejavam viver na terra, conforme elas abandonavam o mar criou-se uma ruptura fundamental entre terra [Oshiooshi] e mar [Shioshishio]. Uma lenda. Uma história de amor não recíproca reside no âmago dessa história.

Nos tempos atuais, encontramos 4 jovens inseparáveis: a chorona, Manaka, o corajoso, Hikari, a observadora, Chisaki e o silencioso Kaname; por conta de alguns problemas eles são obrigados a abandonar sua escola no mar e frequentar uma escola na terra, o Colégio Mihama decidiu aceitar esses jovens. Essa mudança de ambiente vai despertar sentimentos e a repetição de uma lenda quase esquecida torna-se inevitável…

Nagi no Asukara – Anime

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Existem muitas formas de resumir Nagi-Asu e acredito que a palavra dramático seja perfeita. É dramático nos sentimentos, é dramático nos gritos, é dramático nas situações… puro drama. E quando reforço essa ideia, não estou apontando como demérito da série, mas sim uma de suas marcas registradas do começo ao fim. Essa carga dramática ocorre particularmente porquê quem criou a história, Mari Okada, particularmente adora esse tipo de coisa; caso você não conheça esse nome/não consiga fazer a associação, essa cena consegue resumir muito bem o que se poder esperar de qualquer anime em que ela esteja envolvida. Drama e sofrimento. Diria que é até pleonasmo colocar “Mari Okada” e “sofrimento” na mesma frase.

Outra coisa marcante é o próprio feeling da série, tudo é lento e carregado. São 26 episódios que desenvolvem seus personagens, seus problemas e situações; ação não é algo que se encontra nesse anime, entretanto, existem pequenos conflitos que em paralelo ao enredo principal criam o clima para certos ~ápices emocionais~… cenas capazes de arrancar boas lágrimas. Uma das coisas mais notáveis são os personagens, cada um deles têm seus pensamentos aos poucos revelados, diversos pontos de vista sobre a mesma situação, a junção disso tudo é uma história incrível.

Inicialmente nós temos o que eu intitulei de “Polígono Amoroso”, digamos que todos os ~protagonistas~ carregam sentimentos fortes, como dores, amores e frustrações que acabam sendo extravasados com essa mudança repentina de cenário e, com um agravante, são pré-adolescentes no auge de seus 14 anos. Eles não sabem como lidar com esses sentimentos, se lutam por esse amor ou se apoiam um colega que sente a mesma coisa… pela mesma pessoa; diversas vezes a série reforça isso, sobre amar, sobre o que é o amor, sobre o que realmente seria amar e a forma como esse amor consegue envolver a todos eles.

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Tudo isso sendo embalado pela linda e poderosa OST que permeia a série, faço questão de reforçar o quão forte são as músicas em determinadas cenas. Nagi-Asu é a essência do mar, com sua calmaria, com suas tempestades e movimentos imprevisíveis; muitas das cenas são carregadas com músicas essencialmente tocadas em violão ou violino, elas crescem, urgem, dominam a cena e são arrastadas pelas emoções que os personagens gritam! É como observar o mar, você não é capaz de combater aquilo, o fenômeno da natureza aqui são os sentimentos de todos os envolvidos nessa trama, eles só podem lutar e rezar por um desfecho que não seja tão doloroso.

E nesse ponto, onde música/sentimentos se convergem, temos algo que embeleza ainda mais, os cenários. Existe uma expressão para falar sobre os cenários, eles são pornograficamente lindos. Sim, com essas exatas palavras. Algo que é notável nas adaptações do P.A. Works são seus cenários e paisagens, são cidades incríveis, pequenos detalhes como a posição do sol, as ondas do mar, tudo! É de uma beleza mesmerizante, existe um cuidado não só com esses cenários, mas com o olhar dos personagens, as expressões de angústia, dor ou alegria.

Dentre tantos desenvolvimentos, detalhes e cenas, o clima do anime simplesmente muda. Ao longo dos 13 primeiros episódios o anime mantém foco nesses protagonistas, em suas desventuras amorosas e como a lenda que separou Terra/Mar permanece muito viva até os dias atuais, caso alguém abandone Shioshishio jamais poderá retornar para sua casa. Tal “regra” nasceu na a história da Dama que foi feita de oferenda ao Deus do Mar, embora ela tenha sido amada por ele, aparentemente ela sempre quis retornar para o seu verdadeiro amor que estava na Terra, então, o Deus do Mar optou pela felicidade da jovem… mas com um efeito colateral, ela nunca mais seria capaz de amar alguém.

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Antes que os jovens percebessem, era necessária uma escolha, eles precisavam refazer o grande festival e entregar uma nova Dama ao Deus do Mar. E é exatamente nesse ponto que a história se divide, um dos momentos mais sufocantes/desesperadores da série ocorre no episódio 13. Após o evento, tudo se transforma em melancolia daqueles que testemunharam e ficaram para contar o ocorrido durante a nova oferenda, anos se passam e Nagi-asu ganha mais uma camada. O sentimento que já era carregado pelo anime se torna ainda mais forte, mais carregado… mais emocional.

Vários personagens evoluem com o passar da trama, Hikari consegue controlar sua raiva e entende o que precisa ser feito, Kaname que sempre evitou expôr seus sentimentos finalmente entende a importância de declará-los, Chisaki que sempre tentou manter o elo entre seus amigos, que se recusou a mudar, compreende que eles precisam amadurecer, até o Tsumugu que se entrosou com o grupo e sempre foi o mais maduro ganha novas facetas,  e a Manaka… talvez falar dela seja complicado. No começo ela era só uma garota boba, até parecia ser “vazia” por sempre sorrir, mas essa jovem também sente o mar, sente tudo aquilo que está refletido em suas ondas, no fim, ela faz o necessário.

Boa parte do enredo tem forte raízes no próprio folclore da série, através da lenda da Dama e do Deus do Mar, de gravuras espalhadas e da divindade conhecida como Uroko-sama. Esse último é como o próprio nome diz e ele mesmo repete: “apenas uma escama do Deus do Mar”; conforme o enredo se desenvolve nós percebemos que essa lenda será ponto crítico em algum momento da série, o que de fato acontece alcança o ápice no marcante episódio 13. Acho tocante o cuidado em criar esse folclore, na emocionante narração dela e na própria cantiga do Deus do Mar.

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Falando apenas um pouco mais sobre essa segunda metade do anime, a garota Miuna ganha um destaque próprio, notamos que ela amadureceu um pouco mais e precisa carregar algumas responsabilidades; o inevitável entrelaçamento entre os eventos da lenda e a nova realidade perturbadora ocorre, causando ainda mais sofrimento. Novamente, Nagi-Asu ganha apenas mais dos incríveis detalhes em sua trama, que me deixam verdadeiramente fascinado.

Certamente outro destaque são as canções da Opening e Ending do anime, no começo temos a música “lull ~Soshite Bokura wa~” cantada pela Ray e “Aqua Terrarium” pela Nagi Yanagi nos respectivos lugares. Essas músicas acabam se tornando emblemáticas e voltam ser tocadas em alguns momentos específicos da série, elas resumem em suas letras o sentimento dos personagens e o desejo particular de alguns deles; na segunda metade temos “Ebb and Flow” novamente por Ray e “Mitsuba no Musubime” por Nagi Yanagi. O nome “Nagi” da cantora acaba sendo uma coincidência [ou piada?] com o tema do anime, afinal, ambos são sobre o mar.

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Nagi no Asukara – Opinião Final

Lembro de ter visto as primeiras notícias de Nagi no Asukara em 2012, quando tínhamos apenas uma imagem com o Hikari, Tsumugu e Manaka sozinhos caminhando por alguns trilhos abandonados. Fico satisfeito e feliz com as mudanças, com a qualidade da história em si; desde o começo fiquei fascinado com os personagens, com cada conflito, cada mínimo detalhe.

O fim talvez não seja aquilo que todos esperavam, mas a série permaneceu fiel a suas bases iniciais, os personagens lutaram por aquilo que sentiam e até o próprio mar se ajoelhou perante a todos esses eventos…

Acredito que uma certa do fala do Tsumugu seja capaz de resumir muitas coisas e cai como uma luva neste momento: “O mar é como o amor. Ele sempre esta lá, as vezes calmo, muitas vezes em fúrias, com diversos sentimentos espalhados por ele.”

No fim, é tudo sobre o mar.

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5 thoughts on “Nagi no Asukara – “Assim como o mar…”

  1. Bom desde o anime estreou fiquei com vontade de assistir ate porque sou muito fã da P.A Works , mais não gosto de assistir anime semanalmente e prefiro esperar que acabe para assisti e percebi que eu não aguentaria esperar, a segunda parte da historia me surpreendeu muito.Por fim gostei demais do anime e o tipo de historia entre mar e superfície realmente me chamou atenção por isso esta no meu top 5 animes.

  2. Eu também assisti esse anime inteiro, achei muito atraente o visual dele mas do meio para o final teve alguns personagens que me irritaram e também teve algumas conveniências de enredo. Boa review, qualquer hora dessas faço também a minha review de Nagi.

  3. Fazia um bom tempo que não via um anime de drama/romance tão bom. No começo, achei estranho a idade dos personagens com o tema que o anime provavelmente abordaria, mas no decorrer da obras, os conflitos internos, as situações criadas e vividas tornaram criveis as idades dos personagens.
    Vi o anime durante a sua exibição por isso, sofri com a espera de cada semana por um novo epi.
    Não ligo muito pra esse lance de estudio, mas a animação desse e o traço dos personagens, a paisagem, pra mim, ficaram muito show de bola.

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