As Crônicas Secretas: “Quarto Mayoi – 1º Dia”

Crônicas Secretas

Adivinha a surpresa que vai rolar essa semana? Crônicas!

Acharam que estávamos nos coçando? Sem pesquisar nada sobre Monogatari? Jamais! O faro do lobo aqui nunca erra na procura por materiais como esse! Há muito tempo foi lançado o “Bakemonogatari Official Anime Guidebook” com detalhes da produção, curiosidades e 5 crônicas! Dessas 5, apenas 2 haviam sido traduzidas para o inglês até então… Agora que o lobo aqui encontrou as outras 3 perdidas na internet, por que não traduzi-las? Sim! Eu e a Macchan vamos traduzir essas crônicas com eventos curiosos/entendimentos novos sobre alguns personagens… preparem-se!

Quarto Mayoi – 1ª Crônica

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Naquele domingo, eu estava no meu quarto em um estado de nervos lastimável.

“Isso não é bom. O que eu vou fazer? A situação atual… Ah! Eu não vou conseguir me recuperar disso. Eu pensei que era idiota, um grande idiota, mas ser tão idiota a esse ponto… não estou conseguindo acompanhar a situação.”

Ao murmurar essas palavras de modo quase delirante, eu ergui minha cabeça nervosamente e encarei a cama.

Com essas simples encarada me veio um único pensamento, algo como: “Seria realmente incrível se essa situação fosse apenas uma alucinação~”.

Exato, no momento estou questionando se tudo isso não passa de um sonho.

Algo assim jamais poderia ocorrer realmente.

“Resignação-san.”

Foi o que ela disse.

A alucinação sentada na minha cama conversou comigo.

“Independente do quanto você reze para ser salvo, eu não vou desaparecer e você não vai acordar, Resignação-san.”

A alucinação disse-

Digo, a Hachikuji Mayoi disse isso.

“…É, verdade seja dita, não existe nome melhor para mim nesse momento. Eu não tenho outra escolha, preciso me resignar a situação atual. A situação atual é o exemplo perfeito de como nomes e índoles concordam bastante entre si, mas Hachikuji, meu nome é Araragi.”

“Desculpa, eu tropecei com as minhas palavras.”

“Não. Você fez de propósito…”

“Eu tropecei atrapalhadamente com elas!”

“Ah, não foi de propósito?…”

“Cansei de tropeçar.”

“É óbvio que você cansou, é só prestar atenção em quantas vezes você já fez isso…”

Eu nem estava no humor certo para a nossa usual troca de palavras.

Bem, é claro.

Enfim, nesse momento, em um nível que sequer ser pode ser comparado ao Spring Break/Golden Week, a minha vida acabou de alcançar um momento crítico em uma escala sem precedentes.

Eu queria me enterrar em um buraco.

A Hachikuji estava no meu quarto.

Uma garota da quinta série do ensino fundamental no meu quarto.

Justamente isso.

Agora, pelo bem da explicação da situação atual, nós precisamos voltar os ponteiros do relógio um pouco—sim, apenas uma hora atrás (realmente foi bem pouco).

Eu estava descansando durante os meus estudos e resolvi dar uma volta de bicicleta, quando no meio do caminho, encontro a garotinha da quinta série carregando aquela mochila enorme com suas duas usuais tranças gêmeas.

“Oh, é você Hachikuji? Estava com saudades já.”

Só consigo me lembrar da situação até esse momento.

Melhor, eu só fiquei consciente até esse momento.

Entretanto, imediatamente após isso, como se uma sensação estranha tivesse se apoderado de mim, eu corri em direção à Hachikuji, agarrei aquela baixinha, amarrei ela na garupa da minha bicicleta e corri de volta para casa com ela atrás.

“…Isso foi sequestro, né.”

Eu me tornei um criminoso.

Sem falar que isso foi sequestro de uma menor de idade.

Até onde eu sei, esse é o pior crime que o ser humano pode cometer, certo?

“A palavra ‘sequestro’, é fácil tropeçar nela… hahaha.”

Nesse momento os meus pensamentos já estavam procurando uma fuga da realidade.

Consigo perceber claramente, principalmente nesses momentos, que o meu psicológico é mesmo frágil.

“Não, não é minha culpa… A culpa é da Hachikuji por ser tão adorável… É, eu sou a vítima nessa situação.”

“Araragi-san, essa foi uma desculpa horrível.”

Ela estava com aquela mochila nas costas, sentada em cima da minha cama, com aqueles olhos que diziam: “Eu sempre pensei que algum dia você cometeria algum tipo de crime, mas parece que você realmente transformou isso em realidade, não foi?”, a Hachikuji simplesmente soltou um “haah” parecendo um suspiro exagerado.

“Você está sendo extremamente retardado como sempre, sabia~”

essas foram as palavras dela.

“Em pensar que você pegaria a mim, uma fantasma que vaga pelas ruas e me traria até a sua casa. E ainda por cima me trouxe para o seu quarto! Você está ignorando completamente as regras das esquisitices. O Oshino estaria surpreso contigo, não comigo.”

“Hã? Mas, você foi promovida dois níveis, subiu de “fantasma que assombra um lugar específico” para “fantasma que fica vagando”, não está nas regras algo sobre você poder ir onde quiser?

Isso era o que eu pensava.

“A minha base pessoal não muda dessa forma. Comparado aos humanos, eu não tenho tanta liberdade. É só que a ideia de ‘eu não vou conseguir chegar a lugar algum’, só a ligação com a vaca perdida desapareceu. Eu simplesmente não sou mais uma garotinha perdida.”

“Hum.”

“Dizem que os vampiros não conseguem entrar em outras casas, certo? Sem a permissão dos residentes, eles sequer podem abrir a porta—Bem, a minha situação é semelhante a essa. No meu caso, as ruas são a minha casa.”

“Hum… as ruas, hã?”

Semelhante a uma deidade guardiã de viajantes?

Eu nunca tinha pensado nisso dessa forma, mas no caso da Hachikuji, mesmo após o incidente da vaca perdida, eu só a encontrei nas ruas.

“Esse nosso tipo de conversa com revelações é algo notável de se acontecer, só poderia ser em uma história especial como essa, certo?”

“Não diga algo tão meta—Err, não diga algo tão irresponsável. Coloque-se no meu lugar, eu sou alguém que pode ser preso por culpa dessa ‘história extra’!”

“Está tudo bem, relaxa. Só estou constatando um fato, mas você só sequestrou e prendeu um fantasma que morreu há mais de dez anos, isso não vai dar cadeia.”

“Hoje em dia, nunca se sabe o que é considerado um crime…”

Afinal, essas tendências de se protegerem os direitos dos personagens que sequer realmente existem tem se tornado coisa rotineira.

“Bem, que tal esquecermos isso? Vamos ignorar o delito que você cometeu e deixar nas mãos do destino. Esta é a primeira vez que eu visito o quarto de um garoto, digamos que isso é um ‘encontro no quarto.'”

“Um encontro no quarto?”

Hum.

Bem, tudo certo.

Não adianta chorar sobre o leite derramado, só preciso me resignar a essa situação.

Eu realmente sou o “Resignação-san”.

“Vamos jogar algo envolvendo cartas? Que tal Daifugou?”

“Ah, ótima ideia. Vou convidar as minhas irmãzinhas também.”

“Tudo bem jogar com a regra de ambulância, certo?”

“Eu não conheço as regras locais!”

Na verdade, acredito que a Karen e a Tsukihi não seriam capazes de ver a Hachikuji (e ainda que elas conseguissem, restaria a questão sobre como apresentá-las à garotinha), por isso acho que a Daifugou não é mais uma opção.

De qualquer forma, a Hachikuji provavelmente já tinha percebido isso.

“Mas falando sério, Araragi-san, o seu quarto é bem sem graça. Ao invés de deixar as coisas arrumadas… Como eu poderia dizer… Acho que intitular ele de ‘selvagem’ seria a ideia geral”.

“Não seja tão mal-educada.”

“Então, onde estão as suas revistas pornô?”

“Não diga a mesma coisa que a Kanbaru!”

“Por favor, não me diga que está embaixo dessa cama… Se você está excitado com a ideia de fazer com que eu me sente em cima do seu acervo pornográfico, você acaba de ganhar o título de ‘tarado peculiar’!”

“Eu não sou peculiar!”

Eu sou peculiarmente normal.

Além do que, somado ao fato das minhas irmãs invadirem o meu quarto a qualquer momento, eu jamais esconderia os meus tesouros em um lugar tão comum.

“Há. Então, onde você as escondeu?”

No exato momento em que a Hachikuji fez essa pergunta, eu respondi com o peito estufado e um sorriso orgulhoso.

“Pode soar inesperado, mas permita-me contar a localização delas, Hachikuji… Atualmente, o meu acervo pornográfico está… no quarto das minhas irmãs!”

“………………………”

Eu tinha sido enganado pela Hachikuji.

A Hachikuji, que sempre me aceitou com um sorriso (mesmo após o sequestro), agora parecia encarar um verdadeiro tarado.

“Então é compreensível o fato da Kanbaru-san não ter encontrado nada… Err, Araragi-san. Como eu poderia dizer… Não se aproxime mais de mim, ok?”

“Por favor, para de ficar tremendo de medo em cima da minha cama.”

Era uma situação bastante horrível.

“Eu ouvi rumores sobre uma segunda temporada ou filme, mas Araragi-san, se você não mudar seus trejeitos como personagem isso não vai passar de um mísero sonho.”

“Hmph. Desculpa, mas não vou jogar fora a minha essência.”

“Sabe, a sua essência é basicamente criminosa… Bem, se não tem nada de estranho embaixo de cama, então por mim tudo bem.”

“‘Por mim tudo bem?’ Como assim?”

“Digo, sobre ficar aqui nessa cama.”

Com um pulinho, ela mudou de posição.

Pela primeira vez desde que eu me lembro, a Hachikuji tirou a mochila das costas (embora ela já tenha feito isso antes no anime), abriu-a e começou a vasculhar seu conteúdo.

“Com licença, Araragi-san.  Eu gostaria de trocar de roupa, você poderia se virar?”

“Ahn, como? Isso foi uma piada?”

“Não, não foi uma piada.”

Ela disse de modo bastante firme.

Eu obedeci relutantemente.

Trocar de roupa? Por qual? Pra quê?

Falando nisso, na primeira vez que a Sengoku veio ao meu quarto nós tivemos uma situação parecida. Quando eu me virei, esperava encontrar a Hachikuji sem sutiã e de calcinha, por isso fiquei meio excitado, ou melhor, o meu coração ficou acelerado (ainda que eu me corrija é impressionante como a impressão não muda), mas depois de um tempo parado ali, ela nunca disse “pode olhar agora.”

Me sentindo como o velho e a mulher de Tsuru no Ongaeshi, a história da ‘grua devolvendo o favor’, eu me virei, sem conter ansiedade.

“…………..”

A Hachikuji tinha desamarrado o cabelo e vestido o pijama, além de estar dormindo profundamente na minha cama.

Sem a mochila e com o cabelo desamarrado, a Hachikuji parecia—

Ela não parecia um caracol.

Ela só parecia uma garotinha adorável que aparentava a idade que tinha.

“Ah, é mesmo, ela estava seguindo para a casa da própria mãe naquele dia, não era… Por isso ela estava com o pijama na mochila.”

E ela—caminhou por todo o trajeto.

Dez anos atrás.

Desde então, ela tem caminhado.

É óbvio que ela estaria cansada.

“Nesse caso, pode dormir um pouco. Durma bem, ok.”

Eu quero que você durma sempre que quiser.

O rosto da Hachikuji dormindo era tão pacífico, tão feliz.

Aquela carinha de sono me deixou completamente feliz.

Eu realmente pensei que aquele era um dos melhores dias da minha vida.

…Por sinal, mais tarde esse crime foi descoberto pela Hanekawa e eu recebi uma punição cruel.

Eu tinha a sensação de que poderia dormir para sempre.

Fontes

Bem, essa crônica foi encontrada no Tumblr Polaris Unique!

Espero que gostem da leitura, até a próxima crônica~

 

 

 

 

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11 thoughts on “As Crônicas Secretas: “Quarto Mayoi – 1º Dia”

  1. Obrigado pelo por trazer esse texto, muito boa a história. P.S. Imaginando a Tsukihi achando essas revistas. ARARAGI IS DEAD!

  2. kkkkkkkkkkkkk’ na boa, Araragi é muito retardado XD
    A forma como o Nisio (foi ele que escreveu essa crônica, certo?) brinca com a gente através da metalinguagem, da quebra da 4ª barreira, é muito épico.
    Vlw pela crônica, esperando as próximas (y)

  3. Muito bom, só deixou a cena do Monogatari Series Second Season mais triste depois dessa cronica. T-T
    Engraçado que o Araragi é super pervertido, mas todas as garotas aceitam esse lado dele tranquilamente, ashsauhsaas.

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