Abrindo Aberturas #01 – Kogarashi Sentiment [Koimonogatari]

Koimonogatari bannerCom essas duas mãos, dissecar mais e mais aberturas.

Yaho! Como vão? Nah, a verdade é que eu não me importo, é mais uma pergunta retórica.

Intro

Então, o papo é: eu gosto de ficar analisando aberturas. Desde que fiz isso, ao perceber a ligação cronológica entre as aberturas dos arcos da Hanekawa em Monogatari, desenvolvi um Olho de Tandera especial, feito só para captar os simbolismos maravilhosos que algumas aberturas escondem. Não estamos falando daquelas típicas onde alguém tá correndo, alguém tá lutando e pá. Nem aberturas a lá Fairy Tail, que resumem os próximos episódios com uma música de fundo (e os fãs enfurecidos se enfurecem mais).

Por isso, o Abrindo Aberturas (nome supimpa, hein?) vai ser focado justamente nisso. Semelhante ao que eu e o Raigho faziamos nos Zenmanais com as openings novas, mas com um enfoque mais aprofundado, levando em consideração o desenvolvimento do anime. Ou seja: talvez tenham alguns spoilers no caminho. Mas relaaaaaxa. Não é como se eu fosse falar pra vocês que a Rosette morre-

Opa. Então, vamos começar?

O post de verdade

No Zenmanal referente à Koimonogatari, tecemos alguns breves comentários a respeito de Kogarashi Sentiment, a opening do arco. Entretanto, com os Zenmanais seguintes e a finalização do mesmo, minha mente foi se atiçando, de maneira que essa opening, juntamente com Mousou Express, tornaram-se favoritas minhas pra observar. Toda vez que eu assisto, percebo algo novo. Lembrando: assim como quase tudo no OtomeGatari, aqui é pura opinião pessoal e interpretação minha. Fiquem livres pra compartilhar o que vocês acharam lá nos comentários!~

Caham. Vamos nessa.

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Primeiro de tudo, temos que dar uma olhadinha no cenário em que a abertura toda se passa. Uma bela praia, com uma jovem de roupas brancas, um raparigo com seu charmoso carro vermelho. Juntando todos os elementos, dá uma pitada de algo familiar e repetido… Sim, esse cenário justamente faz referência à clichês de histórias de amor. Principalmente algo mais ocidental. Levando em consideração também o traço típico dos anos 90 no cenário e nos personagens, a ideia de clichê se intensifica. Na verdade, vamos mudar de termo – é algo como uma sátira à histórias de amor. Como muitos animes hoje em dia satirizam elementos que nos anos 90 faziam muito sucesso, como caras musculosos pra caramba lutando em nome da amizade, pela amada, ou os famosos robôs ficando cada vez maiores (cof, Gurren Lagann, cof), os elementos visuais iniciais nos levam pra esse caminho de interpretação.

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Tomando agora os personagens da história de amor em questão, justamente são os dois mais irônicos e sarcásticos de Monogatari: Senjougahara Hitagi e Kaiki Deishu, ambos usando seu sarcasmo e frieza como uma barreira para evitar maiores feridas emocionais. Dessa forma, esses elementos agrupados com a personalidade do casal, dão a ideia que eles estão fazendo disso tudo uma grande piada.

Uma grande piada escondendo uma tristeza profunda. É aí que entra os traços mais modernos, digamos assim.

Minhas memórias ainda estão bonitas apesar de um lenço de lágrimas congeladas,
E eu não lembro porque as derramei

Os ventos de inverno do passado
fazem o tempo do relógio voltar, para nós.

Os traços modernos apresentam cores um pouco mais pesadas em geral, que deixam o clima como um todo pesado. O uso de cinza para o fundo é muito recorrente, representando uma situação mais deprimente e melancólica. No traço dos anos 90, há um uso de cores intensas e bem mais brilhantes, como o vermelho do carro e o próprio azul do oceano.

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Vale ressaltar que no último verso, as cobras – Nadeko – já estão aparecendo, consumindo os dois.

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A transição entre passado e presente é constante, assim como na letra. A letra da música faz muita questão de enfatizar, principalmente, a beleza que representa o passado para os dois, tanto Senjougahara e Kaiki, quanto ao fato deste mesmo passado estar retornando aos poucos para a realidade deles e mesclando-se com seu presente, que está evidente na transição de imagens e traços. Pegando um pouco da história, no arco de Koimonogatari há mais retoques no que realmente aconteceu quando a Senjougahara pediu que o Kaiki a ajudasse com o problema do caranguejo. Até agora, tínhamos em mente que o Kaiki era um grande vilão que só usou e enganou ela. Na medida em que os fatos vão sendo revelados, percebemos um ainda presente sentimento de afeto e, porque não, uma singela paixão entre os dois. Uma química do bem. Dessa forma, somos levados a crer que, no passado, o relacionamento deles era mais belo e coberto de felicidade, mas pelo Kaiki não ter conseguido salvá-la, tornou-se o melancólico presente que nos é evidenciado.

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Nessa brincadeira de passado-presente, tem um ponto mais específico para o Kaiki. No momento em que ele prefere fazer papel de vilão e depois dá conselhos para o Araragi após o incidente da Nadeko, tem algumas nuances de que o Kaiki é justamente o futuro de um Araragi que falhou. O Kaiki já foi igual o Araragi: queria salvar as pessoas, salvar todo mundo – mas falhou com a Senjougahara, sua maior falha, seu maior arrependimento. Tornou-se assim um vilão, para não ter que se machucar mais por “falhar” com os outros. Levando em consideração que o Araragi seria o que o Kaiki era no passado, faz sentido a Senjougahara ter se apaixonado por ele: justamente por ela ter se apaixonado pelo que era o Kaiki no passado, características essas que estão agora no Araragi.

O momento perfeito, perdido para sempre
Mais uma vez,
Nunca mais

“Perdido para sempre”, a tela é recoberta por cobras novamente. Talvez ligado diretamente à Nadeko ou talvez às kaiis de uma maneira geral. O refrão: “mais uma vez, nunca mais”, tem toda a dualidade que é o relacionamento dos dois. Mais uma vez, mais uma vez vamos ficar juntos… Mais uma vez, aquele passado glorioso que tínhamos. Nunca mais, nunca mais as decepções que vivemos, nunca mais repetir os erros.

Daí em diante é cobra pra todo lado. Cobra agarrando caranguejo… A preocupação de ambos com a situação da Nadeko e a morte iminente. Mas não só as cobras preenchem a cabeça, literalmente, desse casalzinho – um pensa no outro, em meio ao problema desesperador. Não só isso, mas o pensamento que eles tem é o mesmo amor clichê, o mesmo amor antigo, uma visão saudosista do amor deles. “Mais uma vez”…

Eu nunca dei uma resposta,
o que me machuca,
mas eu continuo belo

Em não resolver a situação um com o outro, assim como não há possível felicidade, não há possível mágoa. É aquela técnica Charlie Sheen – nah, isso é muito pós-moderno. Vamos pra algo mais no nicho e mais antigo: o dilema do porco espinho, tão adorado pelo icônico Shinji Ikari… Se eu me aproximar, vou machucar os outros. Se dois porco espinhos se aproximam, eles não causam nada além de dor um ao outro.

Kaiki não faz nada. Senjougahara não faz nada. A visão do passado continua para eles imutável – e bela. Machuca, mas o caminho para a beleza é recheado de dores!

Agora sim, um pouco de spoilers.

SPOILER ZONE, DANGER DANGER DANGER

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Aquela esticadinha de mão da Senjougahara, tentando pegar o Kaiki. Ela está em uma floresta de cobrinhas, tentando alcançar o Kaiki do passado que ela tanto busca, que ela idealizou no Araragi e… Não consegue. Ela cai. Mas será que foi mesmo ela que caiu?

Talvez ela não consiga alcançar ele por estar muito presa ao passado. Ou, talvez ela não consiga alcançar ele, porque, sei lá, morreu no final.

DROGA, OUGI. DROGA!

… Era só isso mesmo. Ainda tô com raiva, foi mal aê.

SPOILER ZONE END, SAFE SAFE SAFE

Conclusão

O que concluir, afinal? É uma triste, triste história de amor, com alguns traços românticos de fuga ao passado, porque encarar a realidade é difícil demais, a ultra idealização do passado como algo belo, uma dualidade de sentimentos de ambas as partes.

Posso sintetizar a ideia desse post todo em uma imagem: duas mãos que tentam, mas nunca se alcançam.

Até a próxima e deixe a opinião aí nos comentários.

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4 thoughts on “Abrindo Aberturas #01 – Kogarashi Sentiment [Koimonogatari]

  1. Marcela, ri alto na sua Intro xD
    Só a parte do Spoiler Zone que não achei muito clara.
    Não sei se a Senjougahara ali realmente tentou alcançar o Kaiki ou idealizou ele no Araragi.
    Mas, acho que isso é algo que por enquanto não se tem resposta.
    Obrigado pelo post

  2. Muito legal essa sua ideia Marcela. Realmente você possui um “olho de tandera” incrível. Eu só havia percebido algumas coisas, mas agora percebi que tem BEM mais coisas por trás da abertura de koimonogatari.
    Seria legal se você fizesse isso com todas as aberturas de monogatari -apesar de serem muitas-.
    Não sei se também daria certo, mas também seria interessante se você fizesse das finalizações(ending).

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