So(M)onogatari – A Crônica Musical

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Solta o som, Satoru!

Nós do Otomegatari convidamos alguém muitíssimo especial para falar da OST! O cara mais ~cool~ and ~calm~ da blogosfera, que já fez inúmeras análises para os grandes sites de anime, todas sempre focadas exclusivamente na OST de diversas obras… Noots! Era necessário alguém com o feeling exato para comentar um pouco dessa OST de Monogatari, claro que só poderia ser ele! Como sempre, o nosso querido Noots fez uma análise muito bacana das canções de Monogatari, é o exato sentimento dessas canções e suas repetições por escrito neste post!

Agora a palavra é dele~

Hyouri, integrante da trilha sonora de Bakemonogatari, deve ser uma faixa familiar a todos que assistiram à série. Peço que se atentem à sua estrutura. Temos uma melodia curta e fixa, ouvida do início ao fim da composição; um a um, outros elementos se juntam a ela, periodicamente; primeiro alguns efeitos de distorção, depois uma percussão forte e ritmada e por fim uma série ligeira de acordes de violão. Em dado ponto, quando todas essas intervenções se mesclam, é difícil ouvir a melodia primordial, mas os intrusos logo silenciam e ela, até então imutável, se altera ligeiramente para um desfecho.

Agora, Ika, Kaisou. Vocês devem ter notado que, à exceção da troca do que convém chamar de elementos intrusos (guitarra, scratching etc), a estrutura que descrevi acima aplica-se perfeitamente.

Jinchiku, tocada à exaustão na primeira temporada, é mais complexa em seus sons secundários; pode-se contar uma sorte maior e mais harmónica de inserções. Entretanto, o padrão mencionado continua exatamente o mesmo.

A mesma ideia pode ser utilizada na análise de Hourousha, Suteki Meppou, Sanpo e tantas outras. E reparem que estou citando apenas a OST de Bakemonogatari. No entanto, Kousaki Satoru, responsável por todas as músicas já mencionadas e também por todas as que ainda serão, já entregou, além dos dois álbuns que compõem o acervo musical de Bakemonogatari, os quatro de Nisemonogatari, um de Nekomonogatari (Kuro) e um de Nekomonogatari (Shiro). Assumindo que cada arco de Monogatari 2nd Season contará com o lançamento de uma trilha sonora própria, ainda temos pelo menos quatro CDs no forno. Porém, mesmo relevando o futuro, a franquia Monogatari já superou há tempos a impressionante marca de 100 composições pertencentes a suas produções. E o padrão revelado no inicio do texto se aplica a boa parte desse montante. Que o leitor sinta-se livre para escolher aleatoriamente dez ou vinte faixas e testar se digo a verdade ou não.

Mas o que busco expondo esse ponto? Quero eu mostrar que os esforços de Satoru em Monogatari são repetitivos? Em parte, sim. A bem da verdade, foi exatamente o que pensei quando assisti Bake pela primeira vez, há mais de três anos: é um trabalho preguiçoso. Isso certamente não se estende a sua totalidade – o blues Haikyo, a caótica Sensou, isso para não falar de todos os famosos Jikais (solos de violão dedicados à heroína que protagonizou o arco da vez), não se enquadram no esquema por mim traçado, ainda que ele continue a englobar a maioria das peças. Acontece que, com o passar dos anos e dos lançamentos, minha opinião mudou significativamente. Convidado a escrever esse post sobre a trilha sonora de Monogatari, decidi abordar não o trabalho como um todo – o que, vide seu grande volume, poderia se revelar um esforço generalista e vazio –, mas uma única característica. Esta, que considero a mais interessante na obra de Satoru – e, como argumentarei a seguir, talvez da série em si –, já não recebe de mim a definição repetitiva, e sim cíclica.

Antes de continuar, é preciso um pouco de contexto. Quando questionados sobre seu processo criativo, é quase unanime entre compositores, quer façam eles trilhas sonoras para cinema live-action, animes ou games, que o primeiro passo é ler o roteiro ou ao menos o argumento primário do projeto em questão. Soa evidente, afinal seria impossível expressar ou complementar na forma de áudio o que o espectador vê em tela caso nem se soubesse o que se busca demonstrar. A absoluta falta de entrevistas e a precária quantidade de informações não me permitem afirmar, mas creio que Kousaki Satoru não foge à regra. Um pouco de conhecimento prévio de sua obra basta para que percebamos que, longe de ser um compositor brilhante, mas sendo certamente uma figura competente, o homem compreende o espírito das séries para as quais fornece música – a descontração algo tristonha de Suzumiya Haruhi no Yuuutsu, a acentuada melancolia de sua contraparte Suzumiya Haruhi no Shoushitsu, ou mesmo o relax jazzística de Ore no Imouto ga Konnani Kawaii Wake ga Nai (única coisa apreciável nessa catástrofe) o comprovam. Mas surge a dúvida: o que teria pensado Satoru ao se deparar com a proposta de Bakemonogatari?

Claro que já deixamos o domínio do factual e entramos no da conjectura. Na minha interpretação, fora os jogos bestas com a linguagem japonesa, o ciclo é a ideia principal de Monogatari. Cada arco, cada estória, para usar a ideia de autor, é um ciclo fechado, uma unidade individual com começo, meio e fim. Estas unidades, entretanto, interagem entre si, ligadas por um elemento comum (as esquisitices), num grande ciclo que abarca os ciclos menores. Algo como As Crônicas Marcianas, de Ray Bradbury – contos que, uma vez reunidos, formam um romance. Bakemonogatari é uma unidade, mas é composta por cinco outras, cada uma delas independente, mas todas interligadas. Tenho consciência de que isso dificilmente seria concebido desse modo por Satoru durante seu processo de composição, porém, ironicamente, suas peças refletem essa noção.

Shin’iki. Como as demais músicas, uma grande estrutura cíclica em que se intercalam a regular intromissão de outros elementos (com destaque para a bela improvisação de gaita). Assim como a cada novo arco Araragi encontra uma nova garota, uma nova esquisitice, novos dilemas e, por fim, uma (nunca definitiva) solução. Ciclos dentro de um grande ciclo. É como se a trilha sonora fornecesse um resumo do que é a série. Para mim é difícil ouvir a repetição da balada Later Developments, que fecha Nekomonogatari (Kuro), sem pensar no fechamento de um ciclo na vida de nosso protagonista, o do primeiro amor, por ele abdicado; o mesmo ocorre com Bonds (última cena do 4º episódio da baboseira onanística que é Nisemonogatari), que marca o término de um ciclo do relacionamento entre Araragi e Shinobu e inaugura outro, o da parceria. Tais casamentos entre música e ação, ainda que nada tenham de propositais, levam-me a pensar que essa interpretação carrega algum valor.

Todavia, meus comentários perdem força à luz de Monogatari 2nd Season, temporada em que foram engendradas grandes transformações. Araragi deixou de ser o foco e, em dados momentos, perdeu mesmo o poder da narração; mais que isso, o protagonista perdeu o controle dos eventos, a habilidade de gerar resoluções; os finais de cada estória, antes apenas melancólicos, e isso no pior dos casos, passaram a ser trágicos. Tal mudança me fez pensar na literatura de um de meus autores prediletos, Albert Camus, que escrevia, vejam vocês, em ciclos temáticos, ou seja, obras de diferentes gêneros literários (ciclos em si) que se juntam na totalidade de um grande ciclo. Seu conhecido ciclo do absurdo, composto pela novela O Estrangeiro, pelo ensaio O mito de Sísifo e pela peça teatral Calígula, é contraposto pelo chamado ciclo da revolta, cujos principais expoentes são A Peste e o polêmico O Homem Revoltado. Pergunto-me se Nisio Isin não seria também um escritor cíclico, ideia agravada pela explicita divisão de Monogatari em duas partes bem delineadas. Se na 1st season o cotidiano e a vitória dos ideais de todo ingênuos do protagonista estavam em pauta, na 2nd season, inversão total de sua antecessora, a impotência de seus valores é afirmada continuamente em um jogo de forças – Gaen Izuko e Oshino Ougi? – que está muito além de seu entendimento.

Mas isso já não tem nada a ver com música, certo?! O que me leva a crer que é hora de encerrar esse texto, que buscou apenas problematizar um dos muitos aspectos da trilha sonora de Monogatari. Aceitar ou refutar os argumentos é uma escolha de cada um de vocês. Como já dito, ainda há muita música a ser lançada, e muito sobre o que escrever. Outro alguém, ou quem sabe eu mesmo, certamente o fará no futuro, de novo e de novo.

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10 thoughts on “So(M)onogatari – A Crônica Musical

  1. E eu pensava que era o único que gostava das OST’s de monogatari. Não sei o porque, mas eu só gosto das Sound Track’s de monogatari.

  2. Eu até ousaria afirmar que essa escolha pela trilha sonora cíclica, do Satoru, na verdade reflete muito bem o enredo de Nisio. Explico. Para mim, a melhor analogia que determina esse aspecto cíclico do enredo é o ato de jogar uma pedra em um lago, criando ondas, ondas e mais ondas; todas estas ondas são os mundos individuais dos personagens, mas o cerne, aquilo que liga tudo, a causa da onda primordial é o mundo das esquisitices. Por isso que a trilha parece tão ‘repetitiva’. [acompanho vcs há tanto tempo, mas só tive coragem de escrever algo hj… é que to deprimida sem o Zenmanal T_T]

  3. Pingback: Satoru Kousaki – O compositor da OST de Monogatari Series entra em hiato! | OtomeGatari

  4. Pingback: Papo Gatari #08 – Shinbo e Esquisitices: Uma conversa franca sobre o estúdio Shaft! | OtomeGatari

  5. alguem sabe me dizer o nome saquela musica q toca no epi 3 de monogatari series second season uma q toca quando a senjougaraha e a hanekawa estao convesando , e tipo piano e violao .. e mt bonita … alguem sabe o nome ?
    pls pls plspl …..

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