Jogos x Filmes Interativos: até que ponto um jogo ainda é jogo

gonehome_1600x900-640x360Uma história de amor entre duas lésbicas pode ser considerada um jogo?

Yaho! Tem que continuar movimentando isso aqui mesmo sem o Zenmanal. Por isso hoje trago pra vocês um post mais interativo do que uma review ou coisa do gênero. Fiquem livres pra discutir sobre o assunto nos comentários que estarei lendo até de madrugada animadamente e com muito sono.

Antes de mais nada, para que não chovam pedras haters na minha cabeça, esclarecer que isso não é algo imutável, é só uma opinião e alguns questionamentos. O que eu quero mesmo é saber o que as outras pessoas acham para que possa formar-se um conceito que vá se modificando até alcançar algo de certa maneira “certo”.

Mas o que é um jogo?

original

Pesquisei internet a fora sobre o significado de videojogo, jogo… Não foram resultados muito explicativos, mas basicamente é um dispositivo de entretenimento com o qual o jogador interage. Entretanto, continua sendo um conceito demasiadamente vago para caracterizar.

O primeiro videogame a fazer sucesso foi Pong, da Atari. Analisando as características, vemos que o programa em si é simples, mas tem algumas características marcantes que é a competição e vencer obstáculos. Essas duas características, mesmo que não presentes na significação do dicionário para um videojogo, são recorrentes em praticamente todos os videogames. Até mesmo os jogos educativos contém desafios a serem superados pela criança como meio de aprendizado.

Para jogos mais populares: Mario, Sonic, Metroid, Cluster Revenge, até Space Invaders. Todos envolvem a prática da competição, seja você contra o computador ou contra um amigo, da tentativa e erro com o clássico game over. Vencer desafios: goombas, robôs, aliens ou tentar estuprar uma indígena da América do Norte.

O questionamento

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Com essa ideia, dá pra formar melhor uma ideia do que é um jogo eletrônico. É algo que promove o entretenimento, não necessariamente contando uma história. Pong não tinha história, era simplesmente um jogo. Há partes visuais, nem que sejam só letras. Desafios ou obstáculos e competição com outras pessoas e com a própria inteligência artificial do jogo.

A situação é que, com o avanço dos gráficos e a valorização que cada mais vem sendo dada às histórias que os jogos contam, a parte do gameplay, isso é, a maneira como você interage com o jogo vem sendo deixada de lado para se focar justamente nessas partes que, algumas décadas atrás eram inexploráveis pela incapacidade do hardware: gráficos 3D em HD, trilhas sonoras magníficas, gigas e giga bytes de texto para diálogos.

Com essas melhores temos jogos como Heavy Rain, Beyond Two Souls e até o infâme Gone Home. A questão é: esses “jogos” podem mesmo ser considerados jogos ou são somente, digamos, filmes interativos? Uma história é contada, você chega a ser personagem ou protagonizá-la, mas não há uma interação maior como em outros jogos.

A discussão

SF

Com um jogo como Gone Home ganhando prêmios de, bom, jogos, abre-se espaço para uma discussão interminável sobre o tema.

Pode-se dizer que uma visual novel, como Katawa Shoujo, ou até mesmo Amnesia são da mesma forma. Mas na minha percepção, esses dois jogos mencionados possuem as características que explorei acima: tentativa e erro e vencer obstáculos.

Uma visual novel não é só história. Ela tem diversas rotas e, dessa forma, você pode alterar o rumo que a história vai tomar. Além disso, há a tentativa e erro no momento em que, após você tomar escolhas, pega um bad end, não exatamente um game over, mas não é o final que você queria ter com aquela garotinha sem pernas.

Amnesia, por mais que chegue a ter uma mecânica semelhante a Gone Home – incapacidade de usar armas, grande interação com os objetos ao redor -, possui detalhes como sua barra de sanidade e vida. Não que isso seja obrigatório em todos os jogos, mas também há possibilidade de você alterar o final do jogo assim como há o desafio de puzzles e fugir dos monstros que vagam pela mansão. Ou seja, há uma dificuldade em completá-lo.

Mas um jogo em linha reta, como Mario ou Zelda, tem possibilidade de mudar o final?

De uma certa maneira, sim. Pensando pela vertente que um game over também é um final, as chances existem.

Mencionei Heavy Rain e Beyond Two Souls. Falarei do segundo porque cheguei a jogar mais e digo que, mesmo que pareça muito com um filme interativo, ele não puxa tanto para o lado de Gone Home. Existe uma mecânica mais presente, há vários finais e você interage muito mais com o jogo em si, lutando e controlando o Alden.

O problema é que Gone Home, mesmo que você interaja com o meio ambiente, pouca coisa mudaria. Sim, eu joguei, e sei que existem… Uh… Não são exatamente puzzles, sinceramente. É mais andar pela casa e achar um pedaço de papel ou aquela lajota solta. O que desclassifica ele, ao meu ver, como jogo, é que você interagindo ou não com o ambiente, nada mudaria. Não haveria diferença alguma, não teria outro final. Por isso eu chamo de filme interativo: mesmo que você protagonize a história, ela só está sendo contada para você. Você não está fazendo a história ou trilhando seu caminho, como em uma Visual Novel – as escolhas que você faz modificam o caminho que você trilha.

Não estou criticando duramente o jogo porque, honestamente, eu até que gostei da história. Não é uma revolução ou qualquer coisa surpreendente, é só algo… Doce e suave, que aquece o coração no final.

Posso estar parecendo fresca também, e não nego que estou. Mas acho que com as mudanças que os jogos vem sofrendo com o passar dos anos, uma diferenciação precisa ser feita. Provavelmente vão surgir muitos outros Gone Home por aí, com histórias ainda mais açucaradas ou talvez mais dramáticas. Mas podemos continuar chamando eles de jogos? Não é melhor logo dizer que você fez um software que conta uma história que você não pode mudar mas pode estar “dentro” dela?

É esse o convite que faço pra você aí que tá lendo isso: até que ponto um jogo ainda é  jogo?

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3 thoughts on “Jogos x Filmes Interativos: até que ponto um jogo ainda é jogo

  1. Eu como leitor inveterado (sim, leitor não jogador) de visual novels, não considero elas como jogos. Pelo menos visual novels modernas. O objetivo delas ainda são contarem histórias, e mesmo que existam opções para ir para diversos finais não significa que está jogando. Ou é um processo intelectual ou um de tentativa e erro, e eles não são necessariamente atitudes que eu classificaria como “Jogar”. As visual novels no inicio eram adventures que possuíam vários elementos que podiam interagir, resolver puzzles e etc, mas com o passar do tempo foram tirando estas carateristicas e se concentrando na narrativa a ponto de virar um livro no estilo “Escolha sua própria aventura”.

    Quando a Gone Home eu não considero ele realmente um jogo (Beyond Two Souls caminha na linha tênue), mais uma Graphic Story. Parecido com o jogo Dear Esther onde só observa a história sem nenhuma interação real. Mas como normalmente o público destes quase sempre faz intersecção com o de games, eles vão ser vendidos como video games por um bom tempo.

  2. Acho que essa é uma evolução natural dos jogos. Do tempo em que nos contentávamos com o objetivo maravilhoso de matar milhares de tartarugas para salvar uma princesa e até o de hoje onde existem histórias mais profundas. É algo que os próprios jogadores já aprovaram.

    Difícil definir algo que muda e evolui constantemente. Mas basicamente os jogos são feitos para nos divertir, seja com gameplay cheio de desafios ou com um enredo interessante ou até mesmo os dois. Se é aí que as opiniões divergem, existem milhares de jogos que oferecem cada um desses aspectos.

    No meu ponto de vista um jogo ainda é um jogo enquanto for divertido, enquanto puder nos deixar imersos. O que mais me impressiona nos jogos é o poder de escolha mesmo que não altere a rota final, decidir o que fazer e como fazer é importante. Então por que um “filme interativo” deixaria de ser um jogo? XD

  3. Na minha opinião, é difícil definir o que pode ou não ser considerado um jogo. Mas botando de uma forma esdrúxula, eu diria que um jogo é quando você pode controlar o personagem podendo ou não tomar um caminho diferente a partir de suas escolhas. (Não vou entrar em muitos detalhes porque eu não tenho mais muito tempo livre então tenho que escrever isso rápido).

    Algumas pessoas reclamam que alguns jogos tem mais história do que você mesmo controlando o personagem. Mas se fazem um jogo com uma história pouco detalhada eles também reclamam. Então acaba ficando complicado saber qual o melhor tipo de jogo que agradaria a grande maioria.

    Agora falando das visual novels, uma pessoa com nome Thanos comentou:
    “Eu como leitor inveterado (sim, leitor não jogador) de visual novels, não considero elas como jogos. Pelo menos visual novels modernas. O objetivo delas ainda são contarem histórias, e mesmo que existam opções para ir para diversos finais não significa que está jogando.”

    Eu discordo um pouco sobre alguns aspectos, como por exemplo o fato das visual novel contarem histórias. Muito pelo contrário, VOCÊ é quem está fazendo a história. Vamos dizer que jogar uma visual novel seja uma ‘receita’, então o jogo lhe traz os ingredientes e você faz o prato da maneira que desejar. É claro que também uma visual novel tem que ter uma história para o jogo ter algum ponto de partida. Porque imagina só, você dá start em um jogo e você já está no final para conclui-lo, você iria querer saber o que aconteceu para você chegar até ali, as coisas que fizeram você chegar em tal situação.

    Enfim…. Eu não sei ainda dizer até que ponto um jogo ainda é um jogo, mas eu sei que no fim sendo um jogo ou não eles ainda me propõe um entretenimento que eu ainda adoro.

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