Desperte a Idol dentro de você com IDOLM@STER!

The_Idolmaster_03_Screen_03É uma review Producer, uma review!

Yaho! Já faz um bom tempo desde que não faço uma review, o pobre do Raigho fez todas as últimas postadas aqui. E não dá pra ficar desse jeito, né? Então, resolvi tirar as mãos dos portáteis e vir fazer algo mais útil do que só caçar besouros no Animal Crossing ou zerar Zelda atrás de Zelda.

E, nada mais justo do que fazer uma review de um dos animes mais cativantes que já assisti: The Idolm@ster!

Antes de tudo, a franquia

Ignorem o IGN ali do lado plz

Ignorem o IGN ali do lado plz

The Idolmaster ou THE IDOLM@STER (com esse gentil caps lock) começou como um jogo estilo dating sim, daqueles onde você tem que pegar os eventos certos e conquistar as garotas, mas divergindo um pouco do núcleo central ao se basear em fazer as Idols evoluírem em suas carreiras e não conquistá-las amorosamente. Lançado pela Namco em 2005 para arcade, hoje tem vários spin offs para as mais diversas plataformas, desde iOS até XBOX 360 e PSP.

Foram lançados três animes: The Idolmaster Xenoglossia, algo que não tem NADA haver com idols e na verdade é um anime de mechas; The Idolmaster, uma adaptação realmente mais ” fiel ” ao tema, mas misturando personagens de vários jogos e mudando certos detalhes, falo mais depois e Puchimas, a adaptação de uma série de mangá 4koma (mesmo estilo de K-On) onde as Idols encontram versões chibi//super deformed de si mesmas e tem altas aventuras. Esta última é uma animação de 64 episódios de 3 minutos que passaram na stream do site Nico Nico.

No jogo você é um Producer, aquele que é responsável pela agenda da Idol e por torná-la verdadeiramente uma Idol, colocando em termos mais simples: a Idol é a marionete e o Producer puxa os fiozinhos. Dependendo do jogo as garotas são diferentes, rivais diferentes, etc etc.

Mas antes, o que é uma Idol?

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Uma Idol é um tipo de faz tudo das artes cênicas no Japão. Elas atuam, cantam, dançam, são modelos, dublam… Tudo. Absolutamente tudo. Não confunda seiyuus, as dubladoras, com as Idols – as seiyuus até cantam, mas não tem a popularidade das Idols e a variedade de trabalhos.

Idols geralmente fazem parte de grupos onde há várias outras garotas, crescendo como grupo e individualmente. Um dos mais famosos da atualidade é o AKB48 (Akihabara 48), que possui três grupos: A, K e B com várias Idols em cada grupo.

Elas são endeusadas pelos seus fãs, ao mesmo nível de um maníaco por 2D com sua waifuu e ainda pior. Chegam a ser extremamente possessivos com elas e nojentos – os fãs consideram que ela é propriedade deles, como se fosse uma ” namorada ” perfeita e pura, ou seja, qualquer passo em falso que prejudique a imagem da garota com relação a essa ” pureza ” causa grandes problemas com seus fãs que, assim como são obcecados com amor, são obcecados com ódio, fazendo desde xingamentos fúteis no twitter até tentar atacá-las em eventos públicos ou enviar ameaças de morte. É bem parecido com o que também acontece com mangakás, autores de light novels, enfim, qualquer um desses profissionais que dependem muito do público e da receptividade, indepentente do quão alucinado esses sejam.

" so queria uma salsicha "

” so queria uma salsicha “

Quanto a pureza e castidade, isso tudo é levado muito a sério nessa carreira. Elas não podem namorar de maneira alguma porque, como disse, já são ” namoradas ” de seus fãs e eles encaram isso como uma traição – o que leva aos atos alucinados e violentos. Um dos casos mais famosos foi de uma integrante do acima mencionado grupo AKB48, Minegishi Minami, que foi vista entrando em um apartamento com um homem e passando a noite lá. Isso causou uma quebra no seu contrato, provocou um tremendo ódio nos seus fãs e levou a Idol a raspar a própria cabeça como pedido de desculpas (ato extremamente vergonhoso para mulheres no Japão). Ela foi rebaixada dentro do grupo e hoje não tem a fama e o sucesso que tinha antes. Como disse, um passo em falso nesse quesito e a carreira já era.

De volta ao anime

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Certo! Essa review é focada na segunda adaptação de Idolmaster para o anime, a mais fiel, só que era necessário algumas explicações pra que entendessem bem o universo todo. Calma, calma, não é igual Monogatari, é só pra situar mesmo. Pode ler tranquilo.

O anime possui 25 episódios mais um OVA, produzido pelos estúdios A-1 Pictures (Sword Art Online, Oreimo S2) e um filme está planejado para esse ano.

Nesta adaptação só há um grupo: 765 Productions, formado pelas meninas originais do grupo e as outras do Project Fairy. No total são 12 Idols oficialmente falando, apesar de que uma das produtoras é uma ex-idol.

Quanto a história… Bom, o plot é bem simples: chega um novo produtor na 765 Productions, chamado apenas de Producer, encarregado de ajudar a outra produtora, Ritsuko, a tornar as jovens as Top Idols. Temos o dia-a-dia da vida de Idol, as dificuldades que essas garotas tem que enfrentar no show business e seu crescimento profissional e pessoal. Parece algo extremamente superficial e, sem dúvidas, há muito moe envolvido (não é fanservice explícito a lá DxD, simplesmente fofura abundante), mas a animação faz uma abordagem, no início suave de temas mais pesados e ao longo dos episódios, vai ficando cada vez mais sombrio e maduro.

OBJECTION! Quanto ao primeiro episódio…

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Preciso tirar pelo menos um tópico para falar do primeiro episódio.

O que faz ele tão especial pra ter uma parte reservada só pra ele, afinal? Bom, o que me chamou tanto a atenção nesse episódio que me faz reassistir ele tanto quanto a cena final do Kitan em Gurren Lagann é o fato de que ele é tratado em primeira pessoa, ou seja, você é colocado no lugar do personagem que é um ” cameraman “, encarregado de fazer um documentário a respeito das Idols do 765 Productions.

” Mas mas isso não é, tipo, algo super brega, clichê, meio comum e talzz? “

Pode até ser! Mas dá um sentimento um pouco mais mágico pro episódio porque parece que eles estavam tentando ou, pelo menos foi o que eu consegui captar, estabelecer uma relação mais profunda entre os jogos e o anime, já que no jogo você também está em primeira pessoa, sendo o novo o produtor dessas jovens Idols. É como se você tivesse uma adaptação bem literal do jogo.

Até o final do episódio o observador não possui uma voz, tendo suas falas transmitidas em frames preto e branco como os primeiros filmes mudos a lá Charles Chaplin e algumas legendas. Ele acompanha as Idols, sozinhas ou em pequenos grupos e faz perguntas para cada uma delas, como ” Por que você resolveu se tornar uma Idol ” e outras coisas do gênero. Aquelas que você grava uma resposta bonitinha e filósofica.

E a surpresa, tananan: o cameramen na verdade era o Producer aprendendo a respeito das Idols que ele teria que tomar conta, e essa história de ” documentário ” foi uma ideia do Chefe da 765 Productions para que ele pudesse observá-las mais ” naturalmente “.

Desse ponto em diante o anime continua normalmente, mas eu não me importaria de verdade que continuasse daquela forma – senti muio a ligação com o jogo vendo a adaptação sendo desse jeito. Achei muito especial e um excelente primeiro episódio para prender de vez o espectador.

Falei algo sobre sombrio e maduro…

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Sim, falei mesmo e acredito que muita gente, assim como eu, não iria acreditar vendo somente os primeiros episódios do anime. E é até normal que lá pro final o anime tenha uma pegada mais pesada pra dar a tensão dos momentos finais, mesmo que fosse uma comédia do início ao fim.

Entretanto, Idolmaster possui leves pinceladas de dramaticidade que são sutis de uma maneira esplêndida, de forma que não se torne um drama forçado para tentar arrancar lágrimas nem que tenha que enfiar os dedos nos olhos através do monitor/televisão. Vou tentar citar alguns dos que mais me chamaram atenção e, por uma coincidência ou não, todos giram em torno das ” três principais “: Miki, Chihaya e Haruka.

Da esquerda para direita: Ami, Iori e Azusa

Da esquerda para direita: Ami, Iori e Azusa

Primeiro de tudo, temos a formação do Ryuuguu Komachi. Lembra quando falei que são formados grupos específicos de Idols, como o A, K e B do AKB48? Pois é, uma das produtoras do 765 Productions, Ritsuko, a única além do Producer, apresentou o projeto de formar essa ” unit ” com três idols em específico: Azusa, Iori e Ami, porque Ritsuko acredita que elas tenham uma boa sincronia e além disso, seus sobrenomes são relacionados com água. Não é como se elas deixassem de trabalhar na 765 Productions mas é como se fosse um sub grupo.

Quando você vai assistindo, consegue sentir a união que as meninas tem entre si. Elas amam trabalhar juntas e isso é muito bonito. Só que… De repente, surge essa unit, esse sub grupo. Eu senti um forte aperto no coração… Uma mistura de inveja com frustração, que foi a mim repassada pelas garotas que não faziam parte desse grupo. “ Por que elas não foram escolhidas? O que essas três tem que todas as outras não tem? Elas não são boas o suficiente? “… Tenho certeza que a Ritsuko não queria passar essa imagem, mas foi exatamente o que todas as meninas sentiram, sendo em sua maioria pré adolescentes e adolescentes: ” Não sou boa o suficiente “. Claro que elas não demonstraram isso de forma igual, umas aceitaram a diferença e tentaram se esforçar ainda mais, mas outras levaram um pouco mais a sério… Sim, estou falando de uma das minhas favoritas, Hoshii Miki.

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Miki sempre teve tudo que quis. Ela é linda, canta bem, dança e é oppai. Os garotos babam por ela, todo mundo se encanta com seu charme descontraído. E o sonho dela é brilhar. Ela estava se esforçando na 765 Productions e então surge o Ryuuguu Komachi. O grupo começa a ter uma grande fama, aparecendo em programas de TV, capas de revistas, fazendo shows. Chamam mais atenção do que as outras Idols do mesmo estúdio. Miki não gosta. Ela é a que mais demonstra essa inveja que, na verdade, estava no coração de todas as outras. Ela quer brilhar, por que ela não pode brilhar? Por que ela não é boa o suficiente pra brilhar como as outras? Não são todas iguais?

Se viajar um pouquinho nisso, dá pra se questionar sobre a diferença entre cada um de nós. Ora nos dizem ” somos todos iguais “, ora nos dizem ” somos todos diferentes “. Mas é um diferente bom, um diferente ruim, ou só um diferente? Por que algumas pessoas conseguem algumas coisas e eu não?

Essa diferença de níveis e de popularidade mostra um pouco, claro que ainda de maneira bem encantada, da crueldade que é o show business. Amizade, amor, ok. Mas no final, as melhores vão ser as melhores e estar no topo e aquelas que não conseguirem, continuarão na sombra das outras. Mas tem uma lição que a própria Miki tenta nos passar: ora, se elas estão lá em cima, quero me esforçar pra estar junto com elas. Usar a inveja que você sente, a vontade de estar no topo para se impulsionar, ao invés de colocar como peso nas costas. Era isso que o Producer tentava mostrar para as outras garotas sempre que viam o Ryuuguu Komachi disparado na popularidade.

Segundo, o passado da Chihaya. Não, não, não é a menina daquele joguinho de cartas, essa é uma flat chest de cabelo azul.

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Eu só percebi isso quando assisti pela segunda vez: todo episódio tem um, bom, vou chamar de ” easter egg ” do passado dela. Uma ligação de telefone, um flashback, uma pequena menção ao passado – achei um ponto positivo porque não foi jogado em cima do espectador ” TOMA, pega esse passado triste aqui! “. Era como um quebra-cabeças sendo montado, lentamente, enriquecendo a história e atiçando a curiosidade. Você assistia o episódio, ria um pouco, cantava, mas depois se questionava ” O que será que aconteceu? Quem eram aquelas pessoas? “. A maneira como essas pequenas referências foram apresentadas também foram sutis: os personagens percebiam algo de errado mas rapidamente se voltavam ao tema central do episódio, o problema a ser resolvido, como se tentassem também fisgar quem está assistindo: ” Não, isso não é importante “. E no final, acaba sendo arrastado pela correnteza. Mas a semente foi plantada, agora é só regar.

Sim, a semente foi plantada – é a melhor metáfora que consigo usar para a forma como o passado dela é apresentado. Começa como um caroçinho pequeno dentro do seu coração, algo que incomoda, chama atenção, mas logo é preenchido com outra coisa que distrai você daquela área. Aos poucos vai sendo regado, crescendo, desenvolvendo-se para que, quando dada a hora, o crescimento é espontâneo e natural, não parece fora do lugar-  você estava preparado para aquilo ao mesmo tempo que não estava, é uma surpresa agradável e gostosa de se ter.

Mas afinal, o que diabos é esse passado? Bom, spoilers aqui, não vou me conter.

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Chihaya sempre amou cantar. Mas havia alguém que amava mais ainda o canto dela: seu irmão mais novo, Yuu. O amor de Chihaya em cantar para o irmão era ainda maior do que seu amor por cantar. Um dia, andando na rua, seu irmão a avistou e correu na direção da amada irmã. No entanto, o som de uma buzina foi o anúncio de uma tragédia… Sem olhar para os lados antes de atravessar, o garoto foi atropelado e, sem chances de resistir, acabou morrendo. Obviamente que, estando presente no momento e de uma forma indireta sendo o gatilho do acidente, Chihaya carregava a cruz da morte do irmão, assumindo como culpa dela. Isso causou a separação dos pais e a ruína da família.

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Isso tudo nos foi apresentado após um paparazzi, contrado por um grupo de Idols rivais, bater foto de Chihaya discutindo com sua mãe na lápide do irmão. Ele não hesitou em fazer disso um escândalo e tentar afundar com a carreira dela. Arrebatada pelo seu passado, ela já não conseguia cantar – até agora, ela tinha cantado somente pelo irmão e, colocada novamente de frente com a tragédia que ela achava ter sido sua culpa, não conseguia suportar a pressão.

ARUKOOOOOOOU

ARUKOOOOOOOU

Amizade, amor – com ajuda as outras meninas, ela enfrenta seu passado e decide não cantar somente pelo irmão, mas agora por ela mesma, pelo amor que ela sente por cantar, tanto que não se diz uma Idol e sim uma ” vocalista “, apesar de com algum desgosto realizar as outras ativididades tanto de atuar, dançar e etc.

A lição é bem clara: ser independente, enfrentar seu passado e não deixar ele assombrá-lo. A evolução de personagem dela é impressionante – parece que, depois disso ter sido resolvido, temos uma outra Chihaya que mal podemos relacionar com a antiga. Nos primeiros momentos ela vive de cara fechada, extremamente introvertida a ponto de se pensar ” Que diabos essa menina tá fazendo sendo Idol, não conseguindo nem sorrir? “. Com essa explicação, não parece só mais um estereótipo de ” menina séria e calada “, tem um motivo e depois um outro motivo para sua mudança fenomenal. Como adoro metáforas, posso dizer que a Chihaya até esse momento estava em um casulo, finalmente tornando-se uma borboleta. Sua participação torna-se mais ativa e transformando em uma personagem muito mais memorável no meio de tantas garotas.

Agora, por último… Haruka.

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Dá pra perceber que a cada passo vai ficando mais pesado e, esse último momento é… Nossa. NOSSA. Pensem no 4chan explodindo com os comentários a respeito dos episódios relacionados a esse ” arco “… Nossa.

Os momentos da Haruka são outros que desenvolvem-se lentamente, ainda mais lento que o passado da Chihaya. A não ser que você seja bem atento, só percebe esse desenvolvimento quando e se assistir uma segunda vez.

Bom, rapidamente falando sobre a garota da vez: Haruka é a garota mais otimista e alegre do 765 Productions. É sempre aquela que anima nos momentos em que há alguma súbita depressão entre as outras idols e sempre tenta manter a união acima de tudo. O que ela mais gosta é de trabalhar junto com todas as meninas. Então, o que faz uma garota tão maravilhosa como essa entrar em uma depressão profunda?

Algo que já se era esperado de acontecer ao longo do crescimento profissional de cada uma: separação.

Depois do primeiro show ao vivo de todas as Idols e o Ryuuguu Komachi, a fama da 765 Productions é cada vez maior. Doramas, dublagem, peças, comerciais… Elas estão fazendo de tudo agora. Obviamente, com tantos afazares, a agenda de cada uma dessas garotas é uma confusão e o tempo pra descanso é mínimo – o preço a se pagar pela fama. Aquele escritório que antes vivia cheio, algumas dormindo, outras comendo, pregando peças, agora é o lar solitário da Otonashi, a assistente do Chefe. E da Haruka.

A Haruka continua, solitariamente, indo lá todos os dias, como uma espécie de ritual, simplesmente porque ela já estava acostumada a isso: ir ao escritório todo dia, encontrar as outras idols, se divertir um pouco e sair para eventuais trabalhos. Aos poucos, ela vai percebendo que estão se afastando e… De maneira alguma, de forma alguma ela quer isso.

Digo que é uma semente ainda mais lenta do que o passado da Chihaya porque isso começa logo após do primeiro show e vai se estendendo desde o arco da Chihaya e depois, finalizando o anime. É ainda MAIS sutil porque obviamente todos já esperávamos que eventualmente as meninas iriam perder um pouco de contato como já foi mostrado pelo próprio Ryuuguu Komachi e o episódio das gêmeas, Ami e Mami, a primeira fazendo parte do grupo em questão e tendo pouquíssimo tempo para passar com sua irmã, quando antes eram praticamente inseparáveis. Só que não era de se imaginar que isso seria verdadeiramente trabalhado – afinal, o que é o final feliz? Todas trabalhando, sendo Top Idols, o assunto da separação deixado de lado. O fato de Idolmaster ter seguido além e mostrado esse desenvolvimento foi um alto ponto positivo da série.

Retomando… Tudo começa com a festa de Natal. O feriado se aproxima e a Haruka quer ao máximo reunir todas as meninas. Esse tem o típico final feliz de ” oh céus minha agenda deu brecha ” e todas se reúnem, ok. O verdadeiro problema é o segundo show ao vivo da 765 Productions. No primeiro show o tempo livre delas era grande então os ensaios em grupo fluíam muito bem, mas, dessa vez, é quase impossível que elas todas participem juntas de um ensaio sequer. Isso ao pouco vai pegando a Haruka, que, não importa a situação, faz tudo para atender aos ensaios. Ela faz de tudo para que, de alguma forma, o show seja possível. É quando outra situação-problema surge.

Haruka e Miki ambas estão agora disputando pelo papel principal em um musical. A Haruka continua com a ideia de ” vamos nos esforçar juntas “, enquanto Miki mostra a realidade pra ela e diz que está competindo pra valer. Outro choque para ela.

Gosto de ver a Haruka como o idealismo, aquele otimismo mágico que algumas vezes carregamos a respeito de algumas situações, o ” tudo sempre vai dar certo, não importa o quê e se tentarmos conseguiremos “. É ótimo acreditar nisso, mas infelizmente, não é bem assim que acontece. Independente do seu esforço, as vezes a falha é inevitável, as vezes um infortúnio é inevitável e a única coisa que resta fazer é seguir adiante e tomar a situação como aprendizado. Mas a Haruka representa o completo o oposto, ela é… Ela é tudo de bom, sem nada, nada de ruim, e é isso que faz dela ruim, ela não está preparada para a realidade.

Até agora, todas as situações infelizes que tiveram, ela foi o suporte e manteve a união do grupo. Seja dando uma balinha pro Producer, separando brigas, motivando as garotas ou animando a Chihaya, ela sempre pareceu o bastião da felicidade e esperança, ” a paragon “.

Além disso, o seu egoísmo – sim, assim como excessiva bondade, ela também tem um excessivo egoísmo. Ela quer, acima de tudo, estar junto com todas as outras e continuar com essa união. Parece lindo, mas ao mesmo tempo, não é um pouco egoísta? Parece cruel dizer isso mas, quando se analisa melhor, ela estava tentando tirar todas de seus caminhos só para que pudessem ficar juntas. De uma maneira superficial ela até parece estar certa, sentir falta das amigas, mas, vendo pelo lado mais distorcido, ela estava sendo egoísta, colocando sua vontade de vê-las acima do trabalho das outras, de uma certa forma até impedindo o crescimento delas. Ela não quer que as coisas mudem, quer continuar naquela boa e velha brincadeira de idol e a diversão que tinham no escritório e é sim, muito egoísta. Entretanto, não é algo do qual ela é consciente – é um tanto quanto involuntário e aos próprios olhos de Haruka é natural, a vontade de ter suas amigas perto.

Pode-se fazer um paralelo dessa situação com um relacionamento: um casal, por exemplo, o cara tem um compromisso importante relacionado ao trabalho mas a namorada quer muito passar tempo com ele. Apesar de parecer cruel da parte do homem continuar com seu compromisso e ver sua namorada outro dia, não é de certa forma egoísta da parte dela querer tê-lo só para si e privá-lo de crescer no trabalho? Vendo assim, todos os relacionamentos tem uma base de egoísmo muito grande – queremos as pessoas e queremos que elas sejam só nossas e de mais ninguém. Misturamos com carinho, amor e o egoísmo fica disfarçado entre essa nuvem de sentimentos bondosos, longe dos olhos que passam superficialmente por isso mas no final sim, somos egoístas e sempre seremos. Queremos. Queremos.

A Haruka tem esse egoísmo forte no coração, essa vontade de ter as outras perto o tempo todo, de não querer mudar nada e tentando forçá-las a ficar com ela – misturando com o amor que ela sente pelas outras, não percebe o quão terrível está sendo.

Então, quando essas duas situações são colocadas diante dela – a eventual separação que terá enfrentar devido aos compromissos e a fama e a necessidade de enfrentar até sua própria amiga para conseguir avançar -, aos poucos, ela vai rachando, rachando, até que…

ss (2013-08-01 at 05.36.18)Durante uma conversa com o Producer, Haruka foi tomando alguns passos para atrás e ficou na beira de um buraco no palco feito para uma determinada cena na peça e, sem conseguir se segurar na coluna próxima, foi pega pelo Producer, que acabou puxando ela para segurança mas em consequência com ele tomando a queda. Semelhante ao caso da Chihaya, Haruka tomou todo o peso do incidente nas costas, apesar do Producer ter ficado bem, internado no hospital.

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Era tudo que faltava para quebrar de vez. Perde então o foco do que era seu sonho – por que mesmo ela queria ser uma idol? Era isso que ela queria? Não, ela não queria mudar! Por que não poderia ter continuado como estava, fácil e divertido?

Outro paralelo pode ser associado com o crescimento da pessoa em si – a transição da adolescência para a fase adulta. Por que não podemos continuar adolescentes? Apesar de não ter direito e acesso a certas coisas (de forma aberta e legal, porque ilegalmente né…), é tudo fácil, ainda estamos debaixo das asas de nossos pais, em uma confusão de responsabilidade com infantilidade. Alguns aceitam a transição, outros tem de enfrentar essa negação, a vontade de permanecer do mesmo jeito, apesar de saber da inevitabilidade do processo, a negação é mais forte – não quero mudar, não quero mudar, não quero mudar.

Entre reflexões, ilusões, alucinações ela percebe que é inevitável, se ela quiser crescer como idol – e tem que seguir com isso, da forma que conseguir, aproveitando com todo mundo. Quando algo é inevitável não adianta lutar contra, a melhor saída é visualizar a situação e encontrar a saída mais proveitosa. Outra personagem que teve um excelente crescimento, apesar de lento: apesar de estarmos vendo a mesma Haruka até tudo isso acontecer, era possível já ver as rachaduras se formando.

Visual, som, partes técnicas no geral

O visual é bem agradável aos olhos, gostoso de assistir, sempre bem colorido e fluido. Não tem muita QUALITY e não tem tanta distorção como Sword Art Online em suas -lutas-. Quando os arcos ficam mais sérios a paleta de cores muda de acordo, escurecendo sempre que possível – no arco da Chihaya e da Haruka respectivamente, a cor volta principalmente na resolução de cada, captando precisamente o sentimento do momento e transmitindo de maneira visual.

Quanto ao som, todo episódio temos uma insert song ou duas, múiscas do jogo geralmente cantadas pela menina principal do episódio em questão. Algumas músicas são bem comuns de pop japonês, mas tem algumas que quero ressaltar de tão magníficas que são: Aoi Tori (Blue Bird), Marionette no Kokoro e Promise. Duas delas são cantadas pela Chihaya que, sem sombra de dúvidas, tem a voz mais poderosa do grupo.

O elenco de dublagem é composto principalmente por algumas dubladoras mais desconhecidas, no entanto, possui algumas bem famosas, como: Rie Kugimiya (Minase Iori) e Asami Inai (Chihaya Kisaragi). As vozes não são tão memoráveis mas é uma boa dublagem.

Conclusão

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No geral, Idolmaster é um excelente anime por oferecer um leque diferente de emoções e transmitir muito bem através dos personagens, das músicas e do visual. Tem uma boa comédia, uma boa dose de moe, nada de exageros no fanservice e histórias cativantes. A sutilidade dos temas mais pesados torna a experiência mais agradável na medida que atiça, bem de leve e pouco a pouco a curiosidade.

São muitas personagens, sim, e não há um bom aproveitamento de todas tendo somente um ou dois episódios para o destaque das tais, mas as que recebem o foco, especialmente Miki, Chihaya e Haruka tem um desenvolvimento muito bom, fazendo você sentir que ” viu ela crescer, amadurecer e se tornar uma pessoa melhor “. A não ser que você seja um hater nojento, vai sentir muito carinho por pelo menos uma dessas garotas.

Então, se você ainda não assistiu, assista o maldito anime! Não se afaste por parecer mais uma anime de idol bestinha com uma comédia mais ou menos, piadas recicladas e moe em excesso. Desperte a Idol dentro de você e assista Idolmaster!

Por enquanto é só. Comente lá embaixo e até a próxima!~

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11 thoughts on “Desperte a Idol dentro de você com IDOLM@STER!

  1. Pingback: #HashiBrothers: o que os amigos da blogsfera estão aprontando? Nós te contamos aqui! | HashiPOP

  2. Pingback: Filme de THE IDOLM@STER anunciado para início de 2014 | OtomeGatari

  3. Gostei, ótimo review! E ganha um ponto extra por ser fã da Miki! :B

    O primeiro episódio que vc comentou foi o que mais me achamou a atenção quando vi o anime pela primeira vez, pois essa estrutura de “mockumentary” se mostrou extremamente eficiente para apresentar ao espectador mais de uma dúzia de personagens em um tempo tão curto. Se tivesse começado de outra forma pode ser que não tivesse funcionado tão bem…

    Outra coisa legal do anime é que embora tenhamos esses 3 arcos principais, várias situações durante o anime (principalmente no começo) ajudam a formar a personalidade e o conflito de várias das garotas. Tem a Makoto (minha outra favorita) e sua frutração por não conseguir ser uma idol mais feminina, tem a Hibiki sofrendo por não conseguir cuidar de seus animais do jeito que ela cuidava antes, a Ami e a Mami que vão cada vez mais se distanciando, etc… A série não deixa o slice-of-life das garotas passar batido, sempre acrescentando algo à personalidade das garotas :B

    Sobre os 3 plots principais vc disse tudo, essa parte de ir tudo se montando aos poucos é muito bom mesmo. Agora quando à questão técnica… SÉRIO que vc achou que não tinha tanta qualidade? Vish, olha pra essas dezenas de danças que tem no anime, isso é absurdamente difil e caro de fazer bem feito! XD

    Claro, no dia a dia delas pode ter sido mais simplificado, pra economizar pras cenas de show, mas consisdero a qualidade do anime bem acima da média, ainda mais pra uma série de TV… (imagina o filme, PQP!)

    Enfim, é isso xD

    Ps: Sim, a Chihaya é a que tem a melhor voz e músicas. A minha preferia de Arcadia, mas não lembro se tocou no anime xP

    PS2: Eu podia JURAR que vc ia mencionar o álbum que lançaram delas cantando as músicas de Bakemonogatari! XD

  4. Yo, eu estou assistindo o anime ainda, mas gostei mto, pricipalmente da mikki. E quando vc falou da verdade dai Idols no Japão, sério, destruiu com a ”mágica” q eu tinha criado do que é ser uma Idol.

    Agr eu tb sei que tenho de rever o anime, e vc sabe se ja tem uma versao legendada do filme pro Brasil? Tem o link?? ainda n terminei o anime mas quero muito ver todas versões possíveis. Por acaso você já ouviu falar do The IOLDM@STER: Cinderella Girls??

    Obrigado e parabéns pela ótima review, sou novo no site!! 🙂

    • Não consegui encontrar o filme sequer legendado em inglês. Acredite, estou caçando muito. Inclusive noticiamos aqui no OtomeGatari sobre o lançamento do mesmo no Japão.

      Já passei uma olhada por esse Cinderella Girls, mas não sei qualquer coisa aprofundada a respeito.

      Obrigada e seja bem vindo! Esperamos que fique aqui bastante tempo. =)

  5. Sério? Quanto a pureza e castidade…
    Como assim. O quanto é sério isso de não deixar a idol que tanto respeitamos pelo exaustivo excelente trabalho.

    Se um cara namora ela, em particular e ela trai ele, ele vai se sentir mal, logico, principalmente se começar a esconder o relacionamento do cara que se declarou namorada.. dóoooooi.

    Mas impedir a Idol de viver a vida DELA? Forçar elas a esconder o namoro?????

    amos lá, você está colocando casos isolados certo?
    Assim como os 1% ligados as religião islâmicas, que se alistaram entre radicais ne?

    Pra mim estes que sentem ciúmes por waifus impessoais são sub-otakus eu vou tomar deles o título que aqui no brasil esta mais ligado corretamente aos fãs ou fanáticos por anime.

    Mas não machistas, idiotas, pelo amor de deus, quando pensamos que eles tem um pouco mais de cultura vemos este “neo nazismo” japones contra my lovely seyuus.
    dammit. tears.

    Deixa elas viverem bakas

    chinamini
    flicker.com/photos/chinamini

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