Kizumonogatari – “Vampiro Koyomi”

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Auuuuuuuuuuuuuuu~

Talvez o post mais difícil da minha vida, muito provavelmente.

Sempre que vou falar de Monogatari meu cérebro desliga e eu começo a “ajsjgsjgsjlkgsjgssgjs”, literalmente, porque é bem essa a reação. Porém, tentarei recontar esta história em forma de resumo e, ao mesmo tempo, comentar sobre a mesma sem surtar. Frisando, vou tentar.

Mas não é qualquer Monogatari, é a estrutura, o alicerce fundamental para o entendimento completo de quem é Araragi Koyomi, qual sua peculiar relação com Hanekawa Tsubasa, como ele se envolveu com Oshino Meme e o encontro fatídico com Kiss-Shot Acerola-Orion Heart-Under-Blade ou apenas Kisshot; curiosamente a Monogatari fundamental não recebeu sua prometida adaptação cinematográfica até hoje, mas falaremos sobre isso depois.

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A Vampira.

Nisio Isin por NisiOisiN

Nascido no ano de 1981, Nisio pode ser considerado, com certeza, aquele que revolucionou o mercado de Light Novels com referências culturais e seu jeito pop de ser. A lenda dentre as lendas.

Chamar ele de “gênio” talvez soe mal (principalmente após ler Zaregoto), o termo “talento natural” talvez seja melhor aplicado nessa ocasião; o jovem no auge dos seus (pasmem) 20 anos estreiou com a série “Zaregoto” e ganhou o famoso “Prêmio Mephisto“, seja com os traços chamativos de Take (em Zaregoto), ou pela escrita do Nisio, ambos brilharam naquela que seria o começo da carreira de um dos maiores (na minha humilde opinião) escritores de Light Novel. Naquele momento, Nisio começava a brilhar.

Logo após isso começou a famosa série “Monogatari” (Bake/Nise/Neko/Kizu) em 2006, e segue até hoje com ela. Em 2007 com a Novel “Katanagatari” realizou um feito até então executado apenas por Ryusui Seiryoin: ao longo de 1 ano escreveu mensalmente e concluiu uma série. 1 mês por Novel, 12 Novels ao ano. Mais recentemente, encerrou sua primeira ~viagem~ no mundo dos mangás com a finalização de Medaka Box. Acima de tudo isso, Nisio com sua escrita se tornou o que eu gosto de chamar de “J. K. Rowling das Light Novels“, em uma boa comparação sincera. Escreveu também sobre a série xxxHolic do grupo Clamp  e uma história da série Death Note.

É impossível você de alguma forma não se encantar com os personagens, em qualquer série dele todos são cativantes – seja no jeito peculiar, na trama particular de cada um, suas ações, pensamentos, tudo. A palavra apaixonante define bem as palavras de um fã ardoroso dele, contudo existe um ponto em questão em todas (ou quase) histórias dele: nenhuma tem final feliz. Em Zaregoto um observador insiste em não se envolver, porém, por mais que tente resolver a situação e acredite nisso, ao final dela percebe que suas ações foram inúteis. Em Katanagatari um jovem descendente de uma antiga linhagem parte em busca de 12 espadas ao lado de uma estrategista, mas nem tudo é preto no branco e a situação muda. Em Monogatari um jovem de 17 anos que quando percebe está envolvido em uma situação de brutalidade imensa, sempre tentando salvar a todos que consegue acaba descobrindo que o preço é alto demais.

Hora de falarmos sobre esse jovem, sobre Araragi Koyomi, sobre Monogatari.

“Monogatari – Crônicas de Kaiis”

“Monogatari” (Crônica/História/Conto) é uma Light Novel japonesa escrita por Nisio Isin e ilustrada pelo Taiwanês Vofan. O primeiro volume da Novel foi publicado no dia 1° de novembro e segue em publicação (Atualmente, contam ao todo 16 Novels). A série foi adaptada para o formato anime pelo estúdio Shaft. “Bakemonogatari” recebeu uma adaptação de 15 episódios, “Nisemonogatari” recebeu uma adaptação de 11 episódios, “Nekomonogatari (Kuro)” recebeu uma adaptação de 4 episódios e o estúdio tem planos para ainda esse ano adaptar toda a 2ªFase intitulada de “Zenmonogatari”.

Enredo

Vou me focar especificamente em “Kizumonogatari” nessa postagem porque abranger toda a série seria quase impossível, tudo daqui para baixo será apenas spoilers. Não digam que eu não avisei.

Para entender Monogatari completamente, cada crônica precisa ser lida/assistida porque representam partes de um quebra-cabeça que apenas agora, na 3ª Fase, começa a se revelar. Entretanto, “Kizu” é a primeira delas, cronologicamente falando. A primeira real aparição do Araragi, a definição de “Araragi Koyomi” que aparece nos contos seguintes nasceu aí; a mais brutal das histórias, a história que ocorreu nas férias entre o 2° e o 3° ano do ensino médio dele, devastador, aterrador… Aguentem comigo assim como eu fiz ao escutar essa história, apenas suportem.

Kizumonogatari (Conto do Ferimento)

Em todo começo de história, o Araragi faz questão de explicar ou comentar algo sobre ela, contudo, pela primeira vez ele não sabe como iniciar ela, melhor, ele não quer iniciar ela. Ele não quer contar as semanas infernais que ele passou, a dor a qual ele foi exposto, o preço que as pessoas envolvidas tiveram de pagar e muito menos sobre o fracasso infeliz que foi ela. Adianto que essa história não tem final feliz, o próprio Araragi não sabe dizer onde tudo isso virou uma desgraça ou muito menos em que parte essa cadeia de eventos começou…

Toda a dor começa agora.

OST 1

Escola Secundária Naoetsu. Dia de encerramento do ano letivo. Araragi Koyomi vaga sozinho pelos arredores da escola apenas matando tempo sem um local fixo em mente, um dia chato na vida dele, apenas mais um dia extremamente tedioso na vida do libidinoso adolescente. Ao vagar pela escola, no entanto, ele nota alguém igualmente distraído. Com o pensamento fixo: “apenas ignore ela”, estava quase passando ao seu lado, quando um vento passou e ergueu a saia dela. 4 páginas seguidas de uma das descrições mais belas sobre calcinha e a dona daquela pequena vestimenta fofa. O vento cessou e a garota se virou para encontrar um jovem rapaz negando veementemente “eu não vi nada, juro que não vi nada”, a amizade entre Araragi Koyomi e Hanekawa Tsubasa nasceu aí.

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Uma conversa se inicia entre a “Representante de Classe dentre as Representantes” e o “Homem dentre os Homens”, uma conversa mundana onde o jovem alega “amizade é algo que enfraquece as pessoas” e a Megane-chan repreende ele dizendo: “isso não é uma total verdade”. Entretanto, por mais que ele não quisesse, ela parecia insistente em puxar assunto sobre qualquer mísera coisa, então ela resolve contar uma história, melhor, um rumor que tem vagado entre as alunas: existe uma linda vampira na cidade, loira e de beleza estonteante. Provavelmente foi aí que a desgraça começou. Desgraça, sim, soa bom para a tragédia que ocorreria. Após a Representante-chan tomar o celular do jovem e colocar seu número gritando logo após “você acabou de fazer sua primeira amiga” ambos se separam e Araragi Koyomi caminhava para o inferno na terra naquele momento.

OST 2

Mais tarde naquela noite o protagonista desta história estava com a mesma imagem fixa cravada a ferro e fogo na sua retina, a calcinha de sua recém-amiga. Hormônios são mesmo fascinantes… Enfim, o jovem decidiu que deveria comprar algumas “revistas pornôs” para tentar esquecer essa imagem de sua mente. Após sair escondido de casa e fazer suas compras, no caminho de volta, enquanto ele passava perto de um túnel/viela, percebeu uma mulher ferida. Uma mulher iluminada pelo poste de luz. Loira, olhos vazios, uma beleza digna de boneca de porcelana, Kisshot. O estado em que ela se encontrava era lastimável, sem nenhum dos braços/pernas, caída no chão sob uma poça de sangue, Araragi tremeu e tentou ligar pedindo ajuda sem muito sucesso.

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“Humano, forneça teu sangue para mim” – ela disse de modo rebuscado para ele, uma linguagem datada, antiga. Ele percebeu que estava diante de um monstro e seu instinto inicial foi correr, porém, ao ouvir ela implorando/chorando que não a deixasse morrer ele hesitou… Quem não hesitaria? Mas seu instinto de sobrevivência falou mais alto e ele correu para longe… Entretanto, ao chegar próximo a uma lata de lixo, ele pensou: “Por que eu deveria salvá-la? Por que eu me sacrificaria?” … Entre pensamentos do tipo, o protagonista chorou, pensando em seus pais/irmãs em casa, o sacrifício supremo por um ser superior. Jogou fora suas revistas pornográficas e correu na direção do monstro urrando em pleno desespero “VAMOS! MORDA MEU PESCOÇO! EU OFEREÇO MINHA VIDA!”, a dor, a escuridão. Araragi Koyomi havia morrido.

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Correção: ele havia achado que tinha morrido, mas não seria errado dizer que “Araragi Koyomi” morreu, afinal a partir daí o Vampiro Koyomi nasceu. O ferimento inicial havia sido feito.

OST 3

“Onde… Onde estou?” Uma lugar em ruínas, lousas, carteiras… um cursinho. Ao despertar e olhar ao seu redor, percebeu uma garotinha loira agarrada firmemente no seu braço. Sem entender a situação, se afastou dela e percebeu que 2 dias haviam se passado desde “aquele momento”. Sem saber ainda muito bem onde estava caminhou pelo local e percebeu que havia amanhecido… Visando conhecer o local, ele pisou para fora da sombra e- Chamas. Chamas. Chamas. Chamas pelo corpo todo, ele tinha entrado em combustão e estava gritando quando repentinamente uma garotinha apareceu na janela- “Seu tolo, saia daí agora!” e pulou também se queimando para ajudar ele.

“Você é meu servo agora, tu és um vampiro!” Ela disse colocando seus seios para frente, se ela tivesse seios teria um impacto melhor, afinal, era uma garotinha. Kisshot explica para Araragi que agora ele é um vampiro, como ela, e a luz do sol é algo mortal. Mas, ele tem o poder de regeneração instantânea e,  portanto, sobreviveu felizmente a essa quase-tragédia inicial. “Posso retornar ao estado humano?” ele questiona com ansiedade notável na voz e ela responde que sim! Basta, vide o tom despretensioso na voz dela “basta”, ele recuperar seus 4 membros arrancados. A perna direita foi tomada por aquele intitulado de “Dramaturgie” (Dramaturgia), a perna esquerda foi tomada por aquele intitulado de “Episode” (Episódio) e ambos os braços foram tomados por aquele intitulado de “Guillotinecutter” (Guilhotina); “Mate eles, recupere meus membros.” Era demais para ele processar, precisava arejar a cabeça.

OST 4

“Eu virei um vampiro? Eu preciso matar pessoas?” as questões rodavam, rodavam, rodavam pela cabeça do garoto que, até 3 dias atrás, apenas tinha como preocupação o colégio… Vagando por aí sem rumo, ele ruminava o mesmo pensamento até cansar, principalmente a frase final “Eles vão perceber sua presença, só precisa matá-los”… quando percebeu já estava cercado por 3 pessoas. Dramaturgie, Episode e Guillotinecutter. O trio tinha encontrado ele.

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“Vamos acabar com ele de uma vez!” gritou Episode obviamente ignorando o protagonista. “HAR HAR HAR HAR” Dramaturgie gritou em seu próprio dialeto peculiar. “Não, tenham calma, parece que ela fez um subordinado…. vamos interrogá-lo”.

“Merda, merda merda, eu vou morrer, eu vou morrer, eu vou morrer” ele pensava desesperado…. “Eu… Eu preciso reagir, é só matar eles certo… certo?” Araragi no auge de toda sua masculinidade… se jogou no chão com as mãos na cabeça rezando para que não fosse morto, então o trio atacou ao mesmo tempo e- foram impedidos. O “negociante” havia chegado, o “andarilho”… Oshino Meme.

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“Ei garoto, parece animado. Aconteceu algo de bom?”

OST 5

Após isso o trio bate em retirada. Oshino então, se apresenta como um “negociante”, alguém que pode “equilibrar” a situação. Araragi não confia nele inicialmente – até o velhote explicar que foi ele quem deu a ideia para a “Kisshot” de levar o Araragi para aquele cursinho abandonado. Após alguma interação, uma amizade começa entre ambos, que retornam ao encontro da jovem vampira, despreocupada com a situação: “Oras, você é meu subordinado, precisa apenas matar eles!”. Oshino então começa o seu trabalho como “negociante”: Araragi vai enfrentar cada um deles separadamente em uma luta um-contra-um, cada uma delas valendo partes do corpo da jovem vampira… Era melhor do que nada. Há há há há, ele não poderia estar mais enganado.

Enquanto caminhava pela noite em direção ao seu primeiro oponente, o gigante Dramaturgie, Araragi questionava sobre a situação atual: até que ponto tudo aquilo tinha sido invenção, coincidência ou apenas destino… Seguindo esses pensamentos ele encontrou Hanekawa caminhando também: “Sim, uma simples caminhada noturna e você, Araragi-san?” Ele não poderia dizer, muito menos explicar… Envolver ela? A “primeira amiga? Nem ferrando. “Desaparece.” ele respondeu se sentindo mal, era como maltratar uma gatinha indefesa, era pura crueldade. “Araragi…-san?” “Você me ouviu, some daqui agora, nunca gostei de conversar contigo.” Ele estava se sentindo mal por dizer aquilo ainda mais por ter visivelmente atingido ela, que então vai embora e Araragi segue para o “campo de batalha.” O campo de esportes do seu colégio.

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OST 6

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Dramaturgie.

Ele já havia chegado. O gigante, aquele que carregava espadas mas que naquele momento não estava com as mesmas. “Ei, subordinado da HeartUnderBlade, quer ser o meu subordinado?” “Não, a ideia me deixa enojado” “Não custava eu perguntar, certo?” Esse diálogo ocorreu enquanto ele girava seu próprio braço, o gigante atacaria ele de alguma forma mas como- Dizem que a sensação de ter um braço arrancado é dolorosa, depois que se acostuma é tranquila, porém, Araragi nunca tinha sentido algo assim. Veja bem, no exato momento em que Araragi pensou em reagir Dramaturgie tinha pulverizado, veja bem, pulverizado o braço dele. Não destruiu, estraçalhou nada disso. Pulverizou o braço dele. “WAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!” Araragi estava sentindo aquela dor pela primeira vez, a dor dele era sentida até mesmo pelo leitor, Ka ka ka.

O protagonista antes mesmo de entender a dor- o braço tinha voltado. O braço tinha se regenerado, viva aos poderes vampiros. Yaaay.Voltando a história- O quê? Eu estou tentando dar um clima… Eu fico colocando onomatopeias imbecis e efeitos idiotas? Problema seu… Não vou discutir com você, não mesmo. Enfim, vou voltar a narrar isso.

*Ahem* Araragi reagiu rapidamente, correu para longe de Dramaturgie pensando em uma estrategia cabível para derrotá-lo: “Vamos vamos, pense… PENSE! PELO AMOR DE DEUS PENSE!” gritar consigo mesmo não adianta, eu já tentei. Araragi lembrou do livro sobre Aikido que havia comprado e simulou uma prensa, o golpe foi bem sucedido, porém, ele tinha se esquecido de um pequeno detalhe… “Vampiros podem metamorfizar partes do corpo”, ela havia dito isso e ele esquecido. A questão era bem simples na verdade, o Dramaturgie não tinha “deixado as espadas dele”, ambos braços dele eram as espadas. O jovem conseguiu desviar a tempo e fugir para o outro lado do campo a procura de uma segunda arma. Localizou as bolas de beisebol, as arremessou na direção do adversário e a sorte sorriu: uma das bolas atingiu Dramaturgie bem no meio de sua face. O “vampiro monstruoso” parou no meio de sua investida, contudo isso não bastaria, Araragi sem querer conseguiu uma bola de ferro e arremessou novamente sem saber disso. O outro vampiro caiu no chão imediatamente, era hora do golpe de misericórdia. Araragi ergue com um braçao só o rolo compressor ameaçando acabar com a vida do inimigo – o outro percebe a situação e pede misericórdia. A batalha havia sido vencida…

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Só havia uma nota, um pequeno detalhe: alguém tinha observado a batalha inteira, a última pessoa no mundo com a qual ele desejaria cruzar. Hanekawa Tsubasa tinha ficado mesmerizada. Após uma conversa, uma Hanekawa mostrando sua calcinha (novamente) para ele, ambos se acertaram e o Araragi explicou a situação para ela.

OST 7

Ambos conversaram longamente naquela noite. Ele se sentia bem novamente – desabafar com alguém sobre o desespero que havia sentido estava fazendo com que ele se mantesse firme como “humano”, na medida do possível. Então, ela começou a ser seu “contato” com o mundo exterior, abandonado até então. Ela informava sobre o que acontecia no mundo e comprava suas “necessidades básicas” quando era necessário, um verdadeiro anjo. Esses pequenos momentos mantinham ele focado no seu objetivo de se tornar humano novamente. Após algum tempo é chegada a hora da nova batalha. Desta vez, contra Episode.

OST 8

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Episode.

A batalha não seria simples como da última vez: Episode não era alguém que poderia ser “subestimado”. Um meio-vampiro que não era aceito nem por humanos, nem pela própria espécie, um meio-termo que odiava vampiros mais do que tudo, simplesmente não existia a possibilidade de ser simples. Além do que, ele não tinha as fraquezas de um vampiro e, de quebra, carregava uma cruz consigo – o rival perfeito.

Episode reclama que Araragi deveria ser mais pontual, o outro sequer retruca; os olhos do Episode eram… Afiados. Como navalha, aquele olhar que trespassa antes que você perceba – honestamente seria um olhar de ódio/nojo, não que fosse afetar o resultado da batalha afinal seria uma batalha relativamente equilibrada. Ambos participantes repassam os “termos” de vitórias e Episode decide oferecer um aperto de mão amigável no qual Araragi se diriga quando- as mãos do Episode viraram tesouras/lâminas. Um truque sujo para uma luta suja. A batalha começa! A estrategia de Episode é a mesma que o Araragi utilizou contra o Dramaturgie, arremessar de longa distância a cruz que ele carrega consigo e logo em seguida assumir a forma de vapor e qualquer ataque do Araragi era inutilizado nessa brincadeira mortal. Nosso protagonista desviou da cruz uma primeira vez e pensou: “Quanta bobagem! Eu sou um vampir-” foi quando ele percebeu que seu ombro tinha sido rasgado. Péssima hora para esquecer que a cruz é uma de suas fraquezas, Araragi-kun.

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Desta vez mais rapidamente Araragi começar a se esquivar dos lançamentos do rival, correndo pelo campo sem saber como reagir. Quando ouve um grito repentino da Hanekawa! Ela tinha seguido até o campo de batalha! Araragi tenta avisar ela sobre o perigo quando- “Não se intrometa, humana!” Episode tinha lançado sua cruz na direção da Hanekawa. Araragi não foi veloz o suficiente para tirar ela do caminho e a Representante-chan foi atingida em cheio. Contudo, a representante de classe deu uma dica ao Araragi sobre como derrotar a forma “névoa” do Episode e após isso Hanekawa desmaia devido ao grave ferimento. Araragi sabia como derrotar ele agora, correndo na direção da pista de pulo. Ele se jogou com tudo na parte arenosa e isso fez com que uma nuvem de areia subisse, obrigando Episode permanecer sólido. Araragi não hesita, com sua mente focada apenas em matar o oponente visando seu pescoço facilmente- “Oe, Araragi, pare. Você vai perder sua humanidade se fizer isso”. Oshino Meme estava observando de longe a batalha evitando que Araragi finalize permanentemente o oponente. O protagonista corre na direção da jovem gata e utiliza seu sangue para reviver ela, tragédia evitada. Por ora.

OST 9

Shinobu recupera sua outra perna e está na forma de garota com 17 anos atiçando um pouco Araragi, porém, algo ainda incomoda Araragi. Embora estivesse no “quase” final de sua jornada a sensação de ser manipulado estava se tornando cada vez mais forte. Entretanto, Araragi resolve ignorar novamente essa sensação estranha e segue perguntando para a Hanekawa se ela não poderia ir embora após sua “morte”; a Representante retruca em um primeiro momento, mas após ponderações deixa com ele sua calcinha (sim, ela tira a própria calcinha) como sinal de que ele voltaria, uma promessa…

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“Araragi-san, eu falhei.” O Oshino disse. “A Representante-chan foi sequestrada pelo Guillotinecutter.”

Tinha se tornado pessoal, agora tinha se tornado muito pessoal.

OST 10

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Guillotinecutter

Ele iria matar o Guillotinecutter. Com certeza ele iria. O “arcebispo” da igreja sofreria de forma impressionante.

Araragi segue para o campo de batalha na derradeira batalha final, Guillotinecutter foi quem roubou ambos os braços da Kisshot, muito provavelmente o mais perigoso do trio. Ao chegar no local reencontra Hanekawa sendo utilizada como escudo humano enquanto Guillotine segura ela com uma mão a estrangulando e um diálogo entre ambos começa: “A batalha precisa começar.” disse o padre, “Sim, mas com a Hanekawa na minha frente não posso atacá-lo” e o Padre respondeu de modo tranquilo “Exatamente o ponto, renda-se”; a situação não era auspiciosa para o jovem vampiro. “Vamos, já disse renda-” e ele saiu voando. Guillotine recebeu um golpe e saiu voando alguns metros, ao mesmo tempo Araragi tinha resgatado a Representante, sim tudo isso em uma fração de segundo. Podem estar se perguntando como? Simples, metamorfização. O Araragi resolveu seguir o conselho básico do Oshino “Esqueça sua humanidade, haja como um vampiro.” e tinha funcionado, ele transformou seus braços em plantas conseguindo resgatar a Hanekawa e atingir o padre ao mesmo tempo. Finalmente tinha acabado… certo?

OST 11

“Oe, Araragi, precisamos conversar” Oshino acordou ele assim, o jovem estava morrendo de sono mas o velhote parecia ansioso. Por algum motivo, parecia ansioso. Ambos subiram até o 4° andar para conversarem: “Pegue isso” jogando a bolsa na direção do vampiro, ao abrir a bolsa o jovem percebeu lá estavam ambos os braços da Kisshot, contudo algo ainda parecia errado… “Ah, tem mais uma coisa aqui comigo, dela”. E então ele mostrou.

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“Eu roubei o coração dela” ele disse em um tom neutro, “eu roubei ele sem ela perceber” completou. Perplexidade era um bom modo de explicar como Araragi estava se sentindo, “Você…. é capaz disso”? “Sou” ……. “Originalmente eu seria o final boss, você teria de me derrotar para conseguir o membro final dela, mas a vida é engraçada e eu mudei de ideia” tranquilo, neutro, sem razão aparente ele entregou o coração ao jovem vampiro e disse que era hora dele mesmo partir, Oshino Meme havia cumprido sua parte.

Felicidade, sim, Kisshot estava radiante por finalmente ter recuperado seu corpo, após tudo isso ela até mesmo ignorou o fato do “pirralho” (como ela se dirige ao Oshino) ter roubado o coração dela. Kisshot decide conversar com Araragi antes de transformar ele em humano… Uma longa conversa conversa segue entre ambos até o momento em que ambos “decidem dar uma festa de despedida” . Antes do jovem voltar a ser humano ele vai comprar algumas coisas e ao retornar encontra Kisshot já se alimentando. De um humano. Do Guillotinecutter.

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“Oras subordinado, não trouxe a sua comida portátil? Aquela de óculos e trança?”

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Desespero. Desespero. Desespero. Desespero. Desespero. Desespero. O fundamental ele havia esquecido: “ela é vampira, se alimenta de humanos” . Apenas o pensamento conseguia deixá-lo enojado, verdadeiramente enojado. Entre uivos de desespero/dor foge para o armazém da sua escola, 12 horas trancado em puro desespero até ter a ideia de chamar Hanekawa. Discussão acirrada sobre vitimização e um pedido inusitado “Me deixe tocar seus seios, Hanekawa”………………

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Ela autoriza ele a fazer isso, mas Araragi após ponderações pede perdão de joelhos por tamanha vergonha.

Um trovão ao fundo, o anoitecer. Kisshot havia chegado, era hora de Araragi Koyomi exorcizar com suas próprias mãos sua mestra. Hora do ferimento final.

OST FINAL

“Entendi seu lado, subordinado. Aquela situação desagradável, sua vontade de voltar a ser humano… não temos outra alternativa”.

“Vou atacar com tudo, minha mestra!”

“Venha, meu subordinado!”

Brutal. Brutal. Brutal. Brutal. Brutal.

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Era brutal, apenas brutal. Uma batalha de regeneração onde ninguém sairia vitorioso porém eles seguiram, durante horas que na verdade foram minutos, urros de dor apenas.

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No auge da batalha Hanekawa aparece e grita que algo parece estar errado, contudo Kisshot fica nervosa e manda ela se calar, nesse momento Araragi percebe uma brecha, ataca ela e-

“A forma de você voltar a ser humano, é matando ela”.

“Matando ela.”

“Matando.”

Ele tinha se lembrado, a verdade da situação. Kisshot só estava fazendo tudo aquilo por ele, justamente por ele. “OSHINOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO! EU SEI QUE VOCÊ ESTÁ ME OUVINDO! APAREÇA SEU DESGRAÇADO! AGORA! OU EU-” “Não precisa gritar, era só você me chamar”. Conversação e um pedido inusitado do parte do Araragi “Quero um modo no qual todos fiquem felizes”, Oshino olha com desgosto e responde “Não seja inocente, só posso conceder um final infeliz para todos.”

E é isso. O resto é bobagem. Araragi Koyomi foi reduzido a um estado quase humano, a existência “Kisshot” foi reduzida ao que iria se chamar “Shinobu” e assim o ferimento entre eles nasceu.

Comentários sobre o Ferimento

Meu primeiro contato com a escrita do deus- digo, do Nisio, foi em Kizumonogatari, visto que até então tinha assistido as adaptações de Bakemono/Nisemono que o estúdio Shaft executou lindamente. Mas Nisio é conhecido pela escrita dinâmica, pela construção de cenários e o modo como expressava a dor dos personagens. Entretanto, para mim, isso ainda era desconhecido, pelo fato de nunca ter lido nada do autor. Talvez pela forte impressão causada,  talvez pela expectativa em ler algo dele… Definitivamente não é algo que você esqueça com facilidade, a escrita dele é de matar. Heh.

Um fato que gostaria de ressaltar é, como em toda monogatari, o seguinte comentário sempre ocorre: “Não tem como essa cena ser animada!”. Normalmente ele ocorre em cenas bastante violentas e um exemplo de deboche é quando o Oshino zomba dizendo: “Deveria agradecer caso ao menos ganhemos um Drama CD“. Vejo isso como um desafio da parte do próprio autor alertando: “o corajoso que quiser adaptar sinta-se a vontade, não vou alterar minha crônica por uma adaptação”. Como sabemos, alguém chamado Akiyuki Shinbo aceitou esse desafio, colocando-o em prática no ano de 2009, tanto que atualmente estamos nos encaminhando para a 2ª Fase da história (Zenmonogatari).

O modo como Araragi Koyomi é colocado na história mostra que o Shaft adaptou a personalidade com fidelidade e o mesmo é válido para Hanekawa Tsubasa. Temos aqui um Araragi mais “frágil”, comentando amplamente sobre o enredo. É o primeiro contato dele com Kaiis e é brutal; diria que ao contrário do resto da série essa é um verdadeiro “Battle Shounen” das Monogataris, até mesmo pelo enredo “siga até o local N, dê umas porradas e volte”, mas seria desmerecimento resumir a mais dolorosa das Novels dessa forma, afinal, ela é tão grandiosa para o enredo que vai receber uma adaptação cinematográfica.

Caso tenham lido a história (ou o resumo), percebem que ao contrário de Bake/Nise/Neko (Kuro) essa história é pura brutalidade pelo fator principal: Araragi Koyomi é um vampiro no auge do poder. A segunda demonstração depois dessa só ocorre parcialmente em Nisemono, quando o Araragi vê a Tsukihi sendo morta. Porém, nem mesmo aquilo se compara com as habilidades que ele tem em Kizu. Não apenas por isso, mas incluso o fato dele combater outros vampiros na empreitada de recuperar os membros da Kisshot e combater a própria vampira influenciam para que seja literalmente um banho de sangue.

Desde o começo tudo é novo: o primeiro contato com um Kaii, a primeira aparição de Hanekawa Tsubasa, o encontro fatídico com a vampira Kisshot; são emoções demais para serem transmitidas. Admito que senti a dor deles, do desespero do Araragi até o doentio auto-sacrifício da Hanekawa e ressalto que não é qualquer autor que consegue essa proeza. Não é só uma escrita, é o desespero de um garoto que quer salvar um ser “superior”, como ele mesmo cita, uma garota que rezava diariamente por um encontro sobrenatural que alterasse completamente sua vida, uma vampira que desejava diariamente a morte mas ao se deparar com um garoto de 17 anos mudou de ideia.

Mas o que me abalou, o que me faz querer chorar até hoje é sempre o final do conto, o carinho com o qual Araragi carrega o “ser” que um dia tinha sido chamado de Kisshot nos braços, pedindo perdão a ela e jurando: “Minha vida só vai durar até quando a sua durar, nós morreremos juntos”; embora toda a dor de uma vida tenha sido causada física e psicologicamente, ele reconhece o sacrifício dela. É um final infeliz para uma história infeliz. Ele não retornou a ser o que era. Ela foi rebaixada ao nada. Apenas dor. Só o ferimento unindo eles.

Opinião Lupina

Não sei quantos de vocês vão chegar ao final dessa postagem mas, caso tenha chegado, obrigado. Sim, obrigado. O ato de falar sobre Monogatari me faz rir, faz-me chorar, uma união de sentimentos esquisitos que caso me peçam explicação, não saberei responder; escrever sobre a série pela primeira vez é… não sei explicar. Mas ao chegar no final dessa crônica, finalmente entendi porque ela me cativa, porque ela verdadeiramente encanta, porque me faz ficar arrepiado. “Por quê?” Seria como descrever a pessoa amada, poderia citar pontos positivos mas no geral seria inútil, é apenas puro carinho.

E o único fato pelo qual eu creio não termos visto a adaptação cinematográfica dessa série é o fato do Shinbo querer perfeição, porque Kizumono, sinceramente, não funcionaria como série nem como OVA, apenas o formato filme conseguiria transmitir o impacto que ela causa.

Após tudo isso, só fica minha sincera recomendação pela leitura da mais brutal delas. Da mais notável delas.

Da mais triste delas, Kizumonogatari.

Além de ferimento, “Kizumono” pode ser lido como bens danificados e mulher deflorada.

Nekomonogatari (Kuro) - Large 198

“Até quando o invencível vai aguentar….”

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28 thoughts on “Kizumonogatari – “Vampiro Koyomi”

  1. Otimo resumo parabêns! Eu adoro os animes bake-nise, mais eu só virei fã da serie depois que eu li esse livro.
    O anime fica bem mais interessante depois que você lê o livro.
    Espero que você faça mais resumos.

    • Sim, na medida do possível voltarei a comentar sobre a série, ainda mais com a vinda de Zenmonogatari!

  2. Marcela estou emocionada~
    Esse foi o post dentre os post u.u
    Nunca consegui acabar de ler Kizumonogatari, li o que tinha em pt-br no Baka Tsuki e depois segui até o capítulo 12 em inglês mesmo mas acabei empacando por aí…
    Agora que já sei o final posso começar a dormir melhor ~.~ kkkkk
    Em cada uma das cenas grotescas eu também pensa que era completamente impossível animar um negocio desses mas até agora a Shaft tem feito maravilhosamente o seu trabalho com a animação das outras novels u.u
    Nos resta aguardar pelo filme… Um dia sai. Espero.

      • kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
        Desculpa Raigho-chan!
        Você também foi de extrema importância nesse post ^^
        E sobre a sua opinião eu concordo plenamente u.u
        Não consigo descrever porque gosto tanto de Monogatari… É exatamente como você disse. Puro carinho pela série.
        E o Nisio Isin é o cara definitivamente u.u
        Sucesso para vocês

        • eu nao acho o filme Kizumonogatari em lugar nem um
          espero que mesmo de depois de alguns anos de post possa ajudar

          • Levando em conta que o filme de Kizumonogatari não existe… é compreensível você não ter encontrado. Desde seu “”””trailer”””” em 2010/11 nunca mais ouviu-se falar no filme. Só existe mesmo a light novel traduzida.

  3. Nossa belo post… O anime tem ótimas releções, uma boa história e uma excelente pitada de humor… Infelizmente estou naquele momento chato em que tenho que esperar pela próxima temporada (julho ±)

    Saberia me informar onde posso ler online a serie monogatari light novels??

    Gratissimo!

  4. Sou muito grato por sua majestosa visão e resumo de uma obra a qual eu tanto aclamo.
    Acredito que seus sentimentos pela obra somente demonstram o quão fundo e complexo esse conto pode chegar.
    Sou complacente contigo e os demais que entendem o significado deste e aguardo ansioso a vinda de “Kizumonogatari” adaptado para filme .

  5. olha, realmente, depois de ler isto e realmente entender a série, ( eu vi todos os animes disponíveis, mas não sabia de tantos detalhes, e ainda mais com os outros artigos contidos aqui) eu estou sem palavras pra descrever essa série e essa gama de sentimentos…

    acho que é a melhor série que já vi até hoje.
    Além disso, parabéns pelo trabalho.

  6. Você fez um ótimo trabalho nessa resenha/resumo de Kizumonogatari, bem condizente com a LN, divertido de ler, simples e objetivo, parabéns! gambare ~~

  7. Olá primeiramente devo agradecer e dizer que o post sobre o Kizumonogatari ficou muito bom… Li até próximo de onde eu parei na Light Novel para não ter spoilers…

    Eu queria saber se você leu as Light Novel’s traduzidas em português ou em inglês mesmo… Eu não consegui achar o Kizumonogatari completamente traduzido, por isso tive que parar, e creio que meu inglês ainda não seja o bastante para prosseguir com o leitura… ainda que eu esteja cursando inglês, ainda tem 2 anos que eu estou aprendendo…

    Gostei muito do blog ! Minhas visitas semanais estão confirmadas !!!

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  12. bem eu li tudo más eu pensei q iria ter aquilo de como o araragi perdeu a fé na humanidade eu não sei se vc explicou no inicio talvez tenha passado despercebido más em fim algum de vcs pode me dizer se a uma situação que ocorre antes disso para fazer o araragi perder a fé ou se foi apenas pela shinobu ?

    • Não é a Marcela que escreveu, mas posso responder. Não assiste. Porque o filme não saiu até hoje. Só pode ler a LN.

  13. Vou ser sincero chorei com esse final a última vez que chorei assim foi no final de Fate/Stay Night. Muito legal a história e obrigado por ter feito esse post eu estava muito querendo ver como tudo começou.

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