Nekomonogatari (Shiro) Capítulo 6

Capítulo 6. (Yep, cansei dos resumos…)

Haviam duas coisas que eu não sabia.

A primeira era que você podia ver a casa na qual eu morava da janela da sala de aula na qual eu estudava todos os dias. Mas, não é como se eu nunca tivesse tido chance de ficar na janela e olhar para fora.

Por que eu não a percebi?

Por que eu não a vi?

Eu havia a visto, é claro, mas eu não a reconheci conscientemente – basicamente, isso era o contrário da lógica ” aquele que sofreu com a aberração é atraído a elas “.

Eu acho que talvez tenha empurrado aquela casa para fora da minha própria consciência.

Entretanto, outra coisa que eu não sabia era o quanto eu iria ficar chocada ao ver aquela casa queimar – eu estava sem palavras.

Ao ponto de que minha mente ficou em branco.

Foi um golpe terrível.

Parece que o Araragi-kun tem a concepção errada de que, como ser humano, eu tenho um bom controle de mim mesma – mas como os outros, eu tenho meus impulsos destrutivos. Desde que passamos por aquele pesadelo que foi a Golden Week, ele colocou muita confiança na minha humanidade – ou não, talvez ele simplesmente tenha desviado o olhar disso, surpreendentemente – mas para deixar claro, eu mesma já desejei inúmeras vezes que ‘uma casa como essa deveria simplesmente desaparecer’.

Mas eu não havia pensado que ela realmente iria desaparecer.

Ou que eu iria ter tamanho sentimento de perda quando isso acontecesse.

Não era afeição de nenhum tipo.

Eu nunca nem considerei pensar naquele lugar como minha casa – eu posso ter dito algo semelhante por acidente, mas foi só uma desilusão.

No entanto, é uma verdade inegável que emoções foram um dia ligadas a essa desilusão.

Era uma coisa boa, eu me pergunto?

Eu fui iludida.

Sim, essa é a verdade.

Ou isso era uma coisa ruim?

Ambos pareciam possíveis de sua própria maneira, mas nesse momento, era tarde demais para ambos.

Afinal de contas, já havia sido perdida.

A casa na qual eu passei 15 anos,

estava agora perdida para toda eternidade.

Desconsiderando o fato de que eu cheguei atrasada, eu pedi que saísse mais cedo para a Hoshina que é claro aprovou e eu corri para casa, apesar de não ser a Kanbaru-san, para encontrar bombeiros e observadores amontoados pela cena, o fogo já havia sido apagado.

O fogo havia sido extinto.

E tudo havia desaparecido.

Não tendo espalhado para as casas vizinhas, o fogo queimou a casa até as cinzas não deixando nada além disso.

Isso sendo extremamente vantajoso quando coletar nosso seguro contra incêndio seria um motivo para esperança nessa situação.

Era desagradável, mas era também a questão mais importante.

Espera, isso não está certo.

A questão mais importante era obviamente nossa segurança – mas não havia nada com o que se preocupar relacionado a isso. Eu estava na escola, e era altamente improvável que ‘os outros dois’ os quais devo chamar de meus pais, retornassem para casa durante a manhã.

De nós três,

ninguém pensava nesse lugar como nossa casa.

Era um lugar, não uma casa.

Mas eu acho que isso significa que o Rumba havia sido queimado, e eu lamentei pelo aspirador de pó automático que galantemente me acordava todas as manhãs.

Eu lamentei por ele, mais do que pela casa.

Agora, além do Rumba, uma boa quantidade de coisas haviam sidos queimadas, ou melhor, tudo havia sido queimado, mas, bem, como eu não sou nada mais do que uma estudante do colegial, eu não tinha muita coisa em primeiro lugar, então nessa questão não havia motivo para me sentir incomodada.

Eu poderia dizer que todas as minhas roupas terem sido queimadas seria um incômodo, no entanto.

Ou talvez seja o mesmo para os quais devo chamar de meu pai e minha mãe – eles provavelmente não tinham nada de importante na casa, também.

Eles provavelmente deixaram seus objetos importantes no seu local de trabalho.

Eu acho que sim.

Essa casa,

não era um lugar para se deixar coisas importantes.

Elas seriam corrompidas.

Bem, de qualquer modo, haviam muitas coisas as quais eu não sabia – e haviam muitas coisas que, após a casa pegar fogo, eu percebi pela primeira vez.

Apesar de não ter conhecido-o diretamente, talvez aquele impostor, Kaiki Deishuu, chamaria isso de uma bem merecida lição.

Eu não sei.

Eu não ligo.

Não importa se eu ligo ou não – o fato de que eu havia sido jogada para a rua era certo.

E enquanto haviam lugares aos quais eu havia ido durante meus dias de folga, não porque eu queria mas porque não queria ficar na casa, seria uma verdadeira benção agora achar um lugar onde pudesse passar a noite – de qualquer modo, graças a isso, a família Hanekawa terá um diálogo em família, algo que não tivemos em muito tempo.

‘Diálogo?’

Não, até eu consigo imaginar que esse tipo de coisa não é chamado de ‘diálogo’ em uma família normal.

Isso não é nada como uma reunião familiar.

Nós trocamos nossas opiniões.

Não era uma interação.

Naturalmente, muitas formalidades problemáticas resultaram da nossa casa acabar de ter queimado – mas por enquanto, até a causa do incêndio era completamente desconhecida. De uma maneira arrepiante, até incêndio culposo estava sob suspeita – isso era um problema a longo prazo, e não havia nada que uma criança como eu poderia fazer, então o que discutimos hoje foi a questão mais importante no momento, que era, ‘onde dormir hoje a noite’.

Nós não tínhamos nada como parentes que moravam perto e os quais poderíamos contar com então, é claro, não deveria nem ter lugar para discussão, e deveríamos ir para o hotel mais próximo – mas isso era um problema para a família Hanekawa.

Era o maior problema, ou, você poderia dizer, o único problema.

Nós não dormimos juntos em um mesmo quarto a um tempo considerável.

Eu é claro dormia no corredor, e mesmo que eles fossem marido e mulher, eles tinham quartos separados. Um quarto de hotel já seria muito caro e nós precisaríamos de um segundo e terceiro –

” Não tem problema. Eu ficarei na casa de um amigo. ”

Antes da discussão ficar muito inclusiva, eu disse isso.

Eu anunciei,

” É uma boa chance para vocês dois terem um tempo juntos, como casal. ”

Eu disse, já tendo compreendido que eu fazendo isso, não era por questão de princípios mas por como eu realmente me sentia, era devido a minha terrível desumanidade – durante a Golden Week, eu percebi que era isso que havia de errado comigo.

Eu não queria passar a noite no mesmo quarto que esses dois.

Apesar de eu claramente entender que era assim como eu me sentia, eu considerei isso o mínimo que podia – eu sabia,

o quão não natural isso era.

Mal dentro do alcance de humanidade que eu poderia considerar esse incêndio como uma ‘boa chance’.

Foi isso que o Araragi-kun e o Oshino-san me ensinaram.

Essa era minha lição.

É claro, eu permaneci onde eu estava, não fazendo o melhor uso da lição de maneira alguma – mas eu senti que deveria retornar esses dois a como eles deveriam ser.

Eu senti isso.

Estaria tudo bem se eu pudesse só dar a esses dois uma última chance antes de eu me tornar uma adulta, porque logo após eles pretendiam se divorciar.

Então eu pensei.

Levando tudo em conta, levaria meses para reconstruir completamente nossa casa queimada, então nas poucas semanas até que eles consigam alugar uma casa, com os 15 anos que eles tem juntos – as coisas podem dar certo.

Eu acho que sim.

Tenho esse pensamento.

Quero achar que sim.

Os dois consentiram rapidamente.

Eles não me impediram de ficar na casa de um amigo. Na verdade, eles estavam claramente encantados com eu ter sugerido isso.

Bem, mas é claro.

Os dois juntos sozinhos era melhor do que nós três juntos sozinhos, então talvez eles estavam gratos por esse fogo, em termos de como ele se livrou de um incômodo para eles.

Eles estavam encantados pelo que eu havia feito.

Eu devo estar um tanto insana por encontrar felicidade nisso.

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6 thoughts on “Nekomonogatari (Shiro) Capítulo 6

  1. Saudações

    Como não poderia deixar de salientar aqui, o nível de sua tradução continua muito bom, Marcela. Mas começo a me preocupar um tanto contigo…

    Agora com a volta dos estudos, fora as outras obrigações que deves ter, não ficará com o tempo mais diminuto para dedicar-se a tão interessante projeto? Se estiver tudo bem para ti, quem sou eu para dizer o contrário… Mas não posso deixar de imaginar uma situação assim.

    No mais, a dificuldade tem aumentado cada vez mais nas expressões de uso comum na obra, especialmente as mais coloquiais que, ao contrário das formais, exigem uma atenção redobrada quando do momento da tradução.

    É um bom caminho, e seu trabalho continua impecável, jovem Marcela.

    Até mais!

    • É preocupação que ambos compartilhamos, mas espero conseguir manter o ritmo. É só uma questão de organização de tempo e de não exagerar em nenhum dos dois, nem no blog, nem nos estudos.

      Como sempre, agradeço pelos elogios, ajudam a aumentar a dedicação. ^^ E agradeço pela preocupação. Estarei me policiando bastante.

  2. Acabei de descobri o blog e minha reação foi *————————-
    Monogatari é uma de minhas séries favoritas então suas traduções são algo que eu incentivo totalmente XD
    Vou dar uma explorada no blog e muito obrigada pelo trabalho!

  3. Acompanho os capítulos já faz um tempinho, mas só agora estou passando aqui para agradecer. As series monogatari estão entre as que mais aprecio ( Senjougahara!!!) e não posso deixar de incetiva-la a continuar o ótimo trabalho que vem executando ainda mais sabendo o quanto o Nisio Isin gosta de brincar com as palavras. Parabéns e espero ansioso pelos próximos capítulos ^^

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